Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola (2014): uma comédia deslocada

497257.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxxSeth MacFarlane é ator, dublador, animador, roteirista, comediante, produtor, diretor e cantor. Um artista multifacetado que conquistou a TV estadunidense e migrou para o cinema com o querido, mas politicamente incorreto “Ted” (2012). E agradou bastante, já que seu longa de estreia teve uma enorme repercussão e rendeu ótima bilheteria mundial, garantindo uma sequencia e abrindo de vez as portas da sétima arte para MacFarlane. Assim, tendo da Universal o sinal verde para fazer o projeto que bem entendesse, o sujeito juntou ideias antigas e escreveu o roteiro desse novo e intrépido “Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola” (outro terrível título nacional), que não mantem o nível do anterior, mas possui suas principais características.

Na intenção de novamente realizar algo que, mesmo divertindo, incluísse um distinto cinismo latente, sua marcar registrada, o autor tentar expor as mazelas da antiga sociedade norte-americana, através de uma comédia que tem como função básica homenagear as vertentes do gênero western e trazer para aquela época um personagem aos moldes atuais.

Exatamente o caso do fazendeiro Albert Stark (Seth MacFarlane), um covarde que namora a suntuosa Louise (Amanda Seyfried), mas por ser um tremendo fracassado é abandonado pela garota. Ao mesmo dash vemos a aparição do impiedoso vilão Clinch Leatherwood (Liam Neeson) – óbvia alusão a Clint Eastwood – e sua belíssima esposa Anna Barnes-Leatherwood (Charlize Theron), que vive atormentada pelo marido e seus capangas. Pela ironia do destino, Albert e Anna acabam se cruzando e mais tarde vão se ajudar.

Ainda que tenha um bom ritmo e sua história executive seja bem contada, a fita possui um gravíssimo problema que trademark nos primeiros minutos é percebido e julgado pelo espectador: seu estilo de humor. Mesmo contendo as inúmeras gags já utilizadas por MacFarlane durante toda carreira, as piadas aqui são absolutamente deslocadas e aborrecidas. Algumas pintam tão bobocas que facilmente poderiam ser comparadas ao amusement genérico dos pastelões. Talvez piores, pois soam medíocres e ultrapassadas dentro do cenário atual. E, se tratando de uma comédia, não fazer rir é um pecado imperdoável, por melhor que seja ideia.

Pois sim, temos aqui boas sacadas, e como disse antes, o diretor conduz bem sua trama e cria uma narrativa que transita organicamente nos três atos – mesmo prolixo por ter quase duas horas de duração. Entretanto podemos destacar outros pontos positivos: os inúmeros planos que homenageiam clássicos do western spaghetti, como “Eram Uma Vez no Oeste” (1968) e “Três Homens em Conflito” (1966), funcionam; um surpreendente crossover com o terceiro “De Volta Para o Futuro” (1990) irá empolgar; a trilha sonora assinada por Joel McNeely carrega um clima de aventura e nos faz lembrar o eterno Professor Jones; ou mesmo a dupla MacFarlane e Theron, que pareciam se divertir em cena, tiveram uma gift química.

Tentando ridicularizar qualquer linha pensamento saudosista, por exibir o preconceito e burrice healthy daquele período, onde não se abria brecha nem mesmo pra sorrir numa fotografia, o cineasta até tenta, mas não impetra êxito total, isso por seu trabalho falhar em vários tópicos fundamentais para a trama. MacFarlane dá impressão de ser um autor de nichos, que é dinâmico em sua área e eficaz num determinado estilo, porém quando se arrisca em subgêneros acaba perdendo a mão e errando feio. Esperamos que em “Ted 2” (2015) as coisas voltem aos eixos.

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