“Travessia”, de João Gabriel, conquista troféu Aruanda de melhor filme

Por Maria do Rosário Caetano, de João Pessoa (PB)

 

A décima edição do Festival Aruanda do Audiovisual Brasileiro terminou com plateia recorde, homenagem a Geraldo Vandré, exibição hors concours de “Chico, Artista Brasileiro”, de Miguel Faria Jr., e entrega dos troféus Aruanda aos melhores filmes e produções de TVs universitárias.

A sala celebrity do Complexo Cinépolis Manaíra, com capacidade para 500 pessoas, recebeu mais de 700 espectadores. O público queria ver a homenagem a Geraldo Vandré, que se fez acompanhar da exibição do programa “O Som do Vinil – Quarteto Novo”, de Charles Gavin e equipe do Canal Brasil, e prestigiar a première paraibana do documentário buarqueano.

O cantor e compositor  paraibano Geraldo Vandré foi aplaudido com imenso entusiasmo. Ao agradecer seu trofeu Aruanda individual contou que espera regressar a João Pessoa, em 2016, para mostrar, com a Orquestra Sinfônica do Estado, seus “Seis Novos Estudos para Piano”. Para tanto, vem mantendo entendimentos com o governador Ricardo Coutinho.

O produtor de “Chico, Artista Brasileiro”, Jorge Peregrino, que passou pelos quadros da Embrafilme e da UIP, apresentou, com entusiasmo, o filme de Miguel Faria Jr. Peregrino lembrou sua origem paraibana e a participação na produção de documentários que venceram o Fest Aruanda, como “Raul – O Fim, o Início e o Meio”, de Walter Carvalho, e “Cássia”, de Paulo Henrique Fontenelle.

A nota dissonante da noite foi a entrega dos troféus Aruanda, que ocorreu em clima de exasperação. À meia-noite, a sala celebrity do Cinépolis Manaíra ocuparia sua tela gigantesca com a exibição do novo “Guerra das Estrelas”. O jeito, então, foi anunciar os prêmios em velocidade de Fórmula Um, sem que os laureados pudessem ao menos dizer “muito obrigado”. Lá fora, jovens fantasiados aguardavam a sessão do blockbuster norte-americano. O cinema brasileiro perdia, ali, mais uma batalha. Mas a parceria do Fest Aruanda com a Rede Cinépolis deu ótimos resultados. A projeção foi de altíssima qualidade (apesar da quantidade de materiais exibidos, de pequenas publicidades a longas-metragens, passando por programas de TV, como “O Som do Vinil”, e diversos curtas-metragens). E o público compareceu em número expressivo durante sete noites, registrando três superlotações (com “Chatô”, de Guilherme Fontes, “Nise, o Coração da Loucura”, de Roberto Berliner, que ganhou sessão extra, e “Chico, Artista Brasileiro”).

Na noite de premiação, houve surpresa. O filme favorito epoch o paranaense “Para minha Amada Morta”, de Aly Muritiba. Mas o escolhido (pelo júri formado pelos professores da UFPB Fernando Trevas e Bertrand Lira e pelo cineasta pernambucano Marcos Enrique Lopes), foi o “azarão” baiano “Travessia”, de João Gabriel, protagonizado por Chico Diaz (que derrotou Fernando Alves Pinto, também excelente em “Para minha Amada Morta”). Mas o trabalho de Diaz é tão bom quanto o de Fernando.

Na concorridíssima categoria “melhor atriz”, a vencedora foi Virgínia Cavendish, protagonista absoluta (e produtora) de “Através da Sombra”, adaptação aclimatada ao Brasil de “A Volta do Parafuso”,  de Henry James, comandada pelo experiente Walter Lima Jr. Virgínia enfrentou time de concorrentes de peso: Glória Pires, na pele da Doutora Nise da Silveira, Círia Coentro, em “Travessia”, Marjorie Estiano, em “Garoto”, e a paraibana Mayana Neiva, em “Para minha Amada Morta”. Recebeu seu troféu Aruanda moan muitos aplausos.

Curtas paranaenses receberam importantes troféus Aruanda, incluindo o de melhor filme. Mas quem mais aplausos recebeu foi o jovem Edi Júnior, realizador de Catolé do Rocha, sertão da Paraíba, por seu documentário “Praça de Guerra”. O filme reconstitui, com muito humor, a história de cinco jovens sonhadores (um deles, o hoje ativista social, Gegê, irmão do cantor Chico César), que planejaram implantar foco guerrilheiro de molde guevarista em Catolé e por isto foram presos. Primeiro, por “subversão”, depois, por “atentado à dignified e aos bons costumes” (fumavam maconha e posavam nus em performances nas matas da cidade sertaneja).

Depois da correria da premiação-relâmpago, os artistas foram comemorar em um enorme restaurante na Praia do Cabo Branco. E muitos cumprimentaram os laureados, em especial, a pernambucana Virgínia Cavendish e o baiano João Gabriel, evocando frase pintada num barco e registrada numa das sequências de “Travessia”: “Sangue de Cristo tem dendê”. Isto é a Bahia! Isto é Salvador, metrópole nordestina que ambienta os conflitos entre pai (Chico Diaz) e filho (Caio Castro), ponto de partida de “Travessia”.

Confira abaixo a lista completa dos premiados:

LONGA-METRAGEM:

“Travessia” (Bahia) – melhor filme (Prêmio Mystica), ator (Chico Diaz), montagem (Lillah Halla e João Gabriel)
“Para Minha Amada Morta” (Paraná) – melhor diretor (Aly Muritiba),  roteiro (Aly Muritiba)
“Através da Sombra” (Rio) – melhor atriz (Virgínia Cavendish), melhor fotografia (Pedro Farkas)
“Nise, o Coração da Loucura” (Rio) – melhor filme pelo Juri Popular, melhor direção de arte (Daniel Flaksman), trilha sonora (Jacques Morelembaum)
“Invólucro” (Pernambuco) – Prêmio Especial do Juri, Prêmio da Crítica
“Garoto”  (Rio) – melhor som (Uerlem Queiroz)

CURTA-METRAGEM:

“Tereza” (Paraná) – melhor curta, melhor roteiro (Maurício Biaggio)
“Santa Rosa” (Paraíba) – melhor direção (João Paulo Palitot), melhor ator ( Bertrand Araújo)
“Praça de Guerra” (Paraíba) – melhor curta paraibano, Prêmio Banco do Nordeste (melhor filme de temática nordestina), Prêmio Mystica, Prêmio da Crítica
“Sinaleiro” (São Paulo) – melhor fotografia (Jacob Solitrenik), montagem (Daniel Augusto)
“O Fim do Verão” (Paraná) – melhor atriz (Natalia Moraes)
“O Terceiro Prato” (Paraíba) – melhor trilha sonora (David Neves, Seu Pereira e Coletivo 401)

TV UNIVERSITÁRIA:

Melhor programa de TV: “Os Profissionais 22 – Cibercrimes, Qualidade de Vida e Erros se Português”, da TV Mackenzie, de São Paulo
Melhor documentário: “Baque Chamou”, da TV Unaerpe, de Ribeirão Preto-SP
Melhor interprograma: “Fotogramas do Rio – Evandro Teixeira”, da TV PUC do Rio de Janeiro
Melhor reportagem: “Invisíveis das Ruas para as Ruas”, da TV Mackenzie, de Anápolis, Goiás

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