Terror no Prime Video: oito filmes do gênero para assistir no streaming da Amazon

Um dos serviços de streaming mais recheados de grandes sucessos na atualidade, o Prime Video, da Amazon, apresenta em seu catálogo uma gama variada de excelentes produções que podem ajudar qualquer cinéfilo de carteirinha a gastar seu tempo da melhor forma possível durante a atual quarentena que, devido à pandemia de coronavírus, o mundo tem sido forçado a passar. Dentre esses valiosos títulos, encontram-se alguns dos melhores filmes do gênero terror, o que inclui tanto lançamentos recentes do cinema quanto produções antigas de enorme destaque e qualidade.

Sendo assim, o Cinema com Rapadura sugere, abaixo, uma lista com oito excelentes opções para o fã de cinema.

O Bebê de Rosemary

Baseado no livro homônimo do dramaturgo americano Ira Levin, “O Bebê de Rosemary” (1968), do diretor Roman Polanski, é considerado um dos maiores clássicos da história do cinema, notabilizando-se como um verdadeiro marco da sétima arte e um importante produto da contracultura da década de 1960.

A trama de “O Bebê de Rosemary”, que explora o mistério em torno da natureza do mal a assolar uma doce e ingênua dona de casa que percebe haver algo de errado com seu filho ainda no ventre, bem como com os vizinhos do antigo prédio para o qual se muda junto a seu marido, já é bem conhecida do grande público, tanto que, a surpresa, normalmente, é citada nas próprias sinopses feitas para divulgação do filme. No entanto, para aqueles que nunca assistiram ao longa e, portanto, desconhecem sua resolução, vale guardar-se de qualquer spoiler e provar um pouco da sensação de choque que os espectadores da época tiveram. Em contrapartida, para os que já sabem de antemão o motivo dos horrores vividos por Rose, vale a pena curtir o clima de tensão e apreensão que é eficazmente construído no decorrer da narrativa, e que faz dessa obra mais que um simples filme de terror, mas sim, um verdadeiro suspense psicológico.

Posto isso, é interessante saber que “O Bebê de Rosemary” teve o mérito de alçar sua protagonista, Mia Farrow, ao estrelato – ainda que, para isso, ela tivesse que passar por um polêmico divórcio, já que seu então marido, o cantor Frank Sinatra, não suportou o fato de ver sua esposa em algumas cenas de nudez. Além dela, o próprio Polanski, já considerado um diretor de respeito na época, passou a desfrutar de grande admiração, daquelas costumeiramente destinadas aos grandes nomes da indústria cinematográfica – mas essa ilibada reputação seria manchada alguns anos depois, já que, uma acusação, e posterior condenação, por abuso sexual, cometido nos EUA, levou o nome do cineasta franco-polonês para as páginas policiais.

“O Bebê de Rosemary” ainda contou em seu elenco com a presença do ator John Cassavetes (considerado um dos diretores mais importantes do cinema independente americano) como Guy, o marido de Rosemary. Ademais, destaque também para as icônicas performances da veterana Ruth Gordon como a intrometida Minnie, personagem que lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, e Sidney Blackmer, em notável atuação como seu marido, o enigmático Roman. E, por fim, uma última curiosidade: o nome do cachorro batizado de Dr. Sapirstein em “Era Uma Vez em Hollywood” é uma clara referência ao médico de Rosemary, vivido pelo ator Ralph Bellamy.

Um Lobisomem Americano em Londres

Para uma boa parte dos fãs de Michael Jackson, saber que “Um Lobisomem Americano em Londres” (1981) era um dos filmes prediletos do rei do pop certamente é um fator de estímulo à apreciação dessa icônica produção dirigida por John Landis. Jackson ficou tão impressionado com o longa de horror que chamou o próprio diretor do cultuado filme para comandar aquele que viria a ser seu mais célebre trabalho, o videoclipe da música Thriller. Como resultado, o curta-metragem audiovisual tornou-se, simplesmente, o mais famoso videoclipe de todos os tempos, além de contribuir para a popularização desse tipo de peça promocional, uma mídia de uso até então inédito. Por último, o álbum que continha a música, batizado com o mesmo nome, tornou-se nada menos que o mais vendido da história fonográfica. Nesse sentido, pode-se dizer que “Um Lobisomem Americano em Londres” é, decerto, um dos filmes de terror mais importantes para a cultura pop em geral.

Além de Landis, Michael Jackson também convocou o maquiador Rick Baker para participar de Thriller. Baker, por sua vez, fora o primeiro profissional da história a ser premiado, justamente por “Um Lobisomem Americano em Londres”, com o Oscar de Melhor Maquiagem, categoria que fora criada pela Academia especialmente para reconhecer seu belíssimo (num certo sentido, claro) trabalho, até hoje inigualável – a cena de transformação do protagonista em monstro, por exemplo, permanece sendo um dos momentos mais inesquecíveis do cinema. Assim, Baker, com a originalidade que lhe era peculiar, replicou, na produção vídeo-musical, a qualidade de seu fantástico trabalho, e, mais uma vez, de forma aterradora e marcante.

Quanto à trama de “Um Lobisomem Americano em Londres”, dois jovens mochileiros americanos, David Kessler (David Naughton) e Jack Goodman (Griffin Dunne), partem em uma jornada pela Europa em busca de diversão. Ao chegarem à zona rural da Inglaterra, a dupla é hostilizada por um grupo de residentes locais, que os alertam a se manterem longe do pântano, além de os aconselharem a tomarem cuidado com a lua. Sem levar a sério os assustadores avisos, os dois terminam violentamente atacados por uma fera de tamanho colossal, que emerge da escuridão. Jack morre, e David, ferido, é levado a um hospital em Londres, onde conhece a enfermeira Alex (Jenny Agutter), com quem estabelece um relacionamento. Mas, quando a lua cheia se aproxima, David começa a ter visões estranhas de seu amigo morto e perceber sinais de que, em breve, se transformará num monstro mítico que mergulhará a terra da rainha num verdadeiro banho de sangue.

Apesar de apresentar muitas cenas sangrentas, “Um Lobisomem Americano em Londres” pode se encaixar no subgênero conhecido como terrir, pois, em muitos momentos, o roteiro aposta em diálogos e em soluções mais cômicas, já que a proposta é, em certa medida, satirizar o modo de vida inglês. No entanto, as cenas mais notáveis são mesmo as que apostam no horror, no suspense e no gore. Algumas merecem destaque especial: os quinze minutos iniciais, uma verdadeira aula de como produzir medo sem precisar mostrar demais; a primeira transformação de David em lobisomem; a cena em que a criatura ataca na estação de metrô; e toda a confusão causada pelo monstro no Piccadilly Circus. A trilha sonora, discreta, mas soturna, é de Elmer Bernstein, e todas as canções do filme apresentam a palavra moon (lua) em evidência, entre elas três versões de Blue Moon (com Bobby Vinton, Sam Cooke e The Marcels) e Bad Moon Rising, do Creedence Clearwater Revival.

A Bruxa de Blair 

“Eu tenho medo de fechar meus olhos. Eu tenho medo de abri-los”

Em 1999, o lançamento de “A Bruxa de Blair”, uma pequena produção de terror, causou um verdadeiro alvoroço. Isso porque, o longa foi vendido como um pseudodocumentário que, supostamente, mostraria fatos reais. Mas tudo não passou de uma ousada jogada de marketing, que acabou se mostrando bastante eficaz quando as salas de cinema de todo o mundo ficaram lotadas. Na trama, extremamente simples, um grupo de três jovens cineastas desaparece ao entrar em uma floresta, no estado americano de Maryland, a fim de gravar um documentário sobre uma lenda local. Anos depois, a câmera que usavam é encontrada e seu conteúdo é revelado.

O longa, que contou com a direção da dupla Eduardo Sánchez e Daniel Myrick, tornou-se notório por popularizar o estilo conhecido como found footage, em que os próprios atores em cena realizam a filmagem por meio de uma câmera nas mãos. Para o elenco, a experiência de participar de “A Bruxa de Blair” foi semelhante à de um reality show, já que os membros permaneceram dias na floresta, sem dormir e comer, com apenas uma bússola para se guiar. A equipe de produção, escondida na floresta, os assustavam com ruídos, gritos e todas as artimanhas possíveis para que suas reações fossem as mais reais possíveis.

REC

Entre os países europeus, a Espanha é a que mais se destaca na produção de filmes de terror. E, em 2007, o lançamento de “REC” mostrou como eles são craques nesse tipo de abordagem. Enquanto isso, dentre os found footage modernos, o longa da dupla Jaume Balagueró e Paco Plaza é, inquestionavelmente, um dos melhores do segmento.

Na sinopse, uma jornalista e seu cinegrafista, ao acompanharem a rotina de uma equipe do Corpo de Bombeiros, filmam, em tempo real, o surto de uma doença que transforma seres humanos em canibais. O horror da situação é elevado às alturas quando os moradores de um prédio no centro de Barcelona são submetidos a uma quarentena compulsória dentro do edifício.

Se você é daqueles que não gosta desse tipo de filme, dê uma chance, pois o risco de se arrepender é mínimo. Agora, se você se impressionou com “Atividade Paranormal”, lançado no mesmo ano, saiba que ele não chega nem mesmo aos pés de “REC”.

O Nevoeiro

Frank Darabont sempre foi o diretor que melhor adaptou para as telonas as histórias escritas pelo autor Stephen King. Com “O Nevoeiro”, uma pequena produção de 2007, no entanto, o cineasta, pela primeira vez, apostou numa história essencialmente de terror, já que as duas anteriores, “Um Sonho de Liberdade” (1994) e “À Espera de Um Milagre” (1999), apresentavam o drama como fio condutor.

A trama, que se passa em uma cidadezinha no Maine, apresenta um grupo de moradores locais presos dentro de um supermercado depois que um estranho fenômeno climático deixa a região coberta por um intenso e espesso nevoeiro que inviabiliza o livre trânsito pelas ruas. Mas as pessoas logo descobrem que esse não é o principal problema que terão que enfrentar, pois o nevoeiro traz consigo bizarras e bestiais criaturas que ameaçam a sobrevivência de todos. Para piorar, uma quantidade significativa dentre os presos na loja acredita que estão vivendo o juízo final, e, por isso, uma seita de fanáticos dispostos a sacrificarem às criaturas “apocalípticas” aqueles que não aderirem ao extremismo do movimento é formada. Nesse cenário, David Drayton (Thomas Jane) fará de tudo para poupar a vida de seu filho, o pequeno Billy.

“O Nevoeiro”, sem dúvidas, é um filme muito bem dirigido por Darabont, o que, inclusive, ajuda a relevar alguns designs e CGI ruins das criaturas. A trilha sonora, de Mark Isham, é outro fator que reforça o clima dramático, depressivo e de pânico constantemente presente na narrativa. Por fim, os maiores destaques são a atuação marcante de Marcia Gay Harden como a fanática Sra. Carmody, e o final devastador, ousado e impactante do filme.

Corrente do Mal

Elogiado por ninguém menos que Quentin Tarantino, “Corrente do Mal” (2014), dirigido por David Robert Mitchell, pode ser considerado um dos precursores do que ultimamente tem se convencionado chamar de pós-terror. Aclamado pela crítica, o filme narra a história da jovem Jay (Maika Monroe), que, após manter uma relação sexual, torna-se portadora de uma terrível maldição, transmissível a outras pessoas apenas pelo sexo. Dessa forma, ela se divide entre continuar carregando tal força maligna, que teima em atormentá-la por meio de visões ameaçadoras, ou passá-la adiante.

Hereditário

“Porque ninguém admite nada do que fizeram!”

Desde o fenômeno “O Exorcista” (1973), nenhum filme de terror conseguiu causar uma impressão tão poderosa nas plateias quanto “Hereditário”, a estreia do diretor Ari Aster nas telonas. A afirmação soa exagerada a princípio, mas, claro, a comparação leva em conta as devidas proporções dos efeitos que cada produção já causou na cultura, e, nesse sentido, o legado do primeiro, um sucesso de público e crítica avassalador, é amplamente superior, enquanto a influência do segundo, até por ainda não ter passado por um período maior de maturação, ainda deverá ser corretamente mensurada no futuro.

Mas há motivos suficientes para experimentar, com “Hereditário”, um pouco das sensações macabras que as plateias de 1973 puderam sentir com aquele que é considerado o maior clássico do terror de todos os tempos. Afinal, poucos longas conseguiram abordar o mal sobrenatural e o drama humano numa mesma narrativa de maneira tão eficaz e contundente quanto essas duas obras fizeram.

Alicerçado, sobretudo, na atuação visceral de Toni Collette como sua protagonista, “Hereditário”, com absoluta certeza, é um dos filmes mais incômodos já feitos. Não duvide: qualquer um que ouse assistir a essa obra passará por alguns dos momentos mais assustadoramente marcantes de sua vida. Em suma, não há o que falar sobre a história, sob risco de estragar a experiência do espectador. Assim sendo, decida por sua conta e risco.

Midsommar – O Mal Não Espera a Noite

Pouco tempo depois de apavorar as plateias do mundo todo com “Hereditário”, eis que Ari Aster apresenta à comunidade cinéfila mais um filme estranho, bizarro e absolutamente perturbador: “Midsommar – O Mal Não Espera a Noite”. Claramente inspirado no longa britânico “O Homem de Palha” (1973), a obra mostra a experiência imersiva e aterradora de um grupo de jovens americanos num culto pagão situado em algum lugar remoto da Suécia.

A trama foca na personagem Dani (Florence Pugh), que, a fim de esquecer um pouco de seus problemas pessoais após sofrer um terrível trauma, decide passar pela inusitada experiência. Porém, ao invés de um retiro espiritual sadio para a sua mente e alma, o que ela encontra, na verdade, é um festival de situações insólitas que, gradativamente, vão evoluindo para comportamentos cada vez mais criminosos e indescritivelmente insanos. Um verdadeiro mergulho na psique humana e na loucura do fanatismo religioso.

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