R. Lee Ermey, de Nascido para Matar, morre aos 74 anos

O ator R. Lee Ermey, cuja imagem ficou eternizada no papel do truculento sargento Hartman, do filme “Nascido para Matar” (1987), do diretor Stanley Kubrick, morreu no último domingo (15) pela manhã, em Santa Mônica, na Califórnia, devido a complicações relacionadas a uma pneumonia (via The Hollywood Reporter). Ele tinha 74 anos. A notícia de seu falecimento foi divulgada no perfil oficial do ator no Twitter, por intermédio de Bill Rogin, seu gerente de longa data, que escreveu:

“É com profunda tristeza que informo a todos que R. Lee Ermey (‘O Sargento’) faleceu esta manhã por complicações de uma pneumonia. Ele fará muita falta a todos nós. Semper Fi [expressão em latim que significa ‘Sempre Fiel’, lema do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA], Sargento. Boa sorte.” 

No perfil oficial do ator no Facebook, entre outras palavras de consideração, Rogin ainda acrescentou:

“Existem muitos sargentos, mas este foi o NOSSO. E honraremos a memória dele com esperança e gentileza. Por favor, apoie seus homens e mulheres de uniforme, isso é o que ele mais queria.” 

Ainda por seu papel em “Nascido para Matar”, Ermey ficou conhecido pelo apelido de “The Gunny” (“O Sargento”, em tradução livre), devido à forte associação de sua figura com seu personagem mais famoso. Pelo trabalho icônico neste impactante drama de guerra, ele foi indicado ao Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante.

Na trama do longa, o sargento Hartman, usando de autoritarismo e sadismo, treina de maneira fanática e cruel um grupo de recrutas que serão enviados à Guerra do Vietnã. Conta-se que Ermey, com histórico de serviço militar, foi originalmente contratado para aconselhar e treinar o ator que iria desempenhar o papel, mas Kubrick ficou tão impressionado com sua performance, que ofereceu o personagem para ele.

Ermey não só viveu um militar no cinema como também foi um na vida real, tendo feito parte do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA como sargento da equipe e sargento honorário de artilharia. Assim, serviu como instrutor de treinamento para os fuzileiros navais. Ele também serviu por 14 meses no Vietnã e participou de duas jornadas em Okinawa, no Japão.

Depois de se aposentar do exército com 11 anos de serviços prestados, ele teve algumas aulas de atuação e assim conseguiu um de seus primeiros papéis, vivendo um piloto de helicóptero no clássico “Apocalipse Now” (1979), também servindo como um assessor técnico do diretor Francis Ford Coppola. Na mesma época, ele viveu um instrutor de fuzileiro naval em outro filme situado na Guerra do Vietnã, “Os Rapazes da Companhia C” (1978). Ermey ainda viveu outro personagem semelhante em “Os Espíritos” (1996), filme dirigido por Peter Jackson (trilogia “O Senhor dos Anéis”) e estrelado por Michael J. Fox (“De Volta Para o Futuro”). A despeito dessa enorme galeria de personagens durões, ele dizia “Eu sou, basicamente, uma pessoa legal”.

Outros filmes de destaque em que participou foram: “Mississipi em Chamas” (1988), o remake de “O Massacre da Serra Elétrica” (2003) e “Seven – Os 7 Crimes Capitais” (1995) –  aliás, seria Ermey quem, inicialmente, viveria o papel de serial killer John Doe, mas acabou sendo substituído por Kevin Spacey (“Em Ritmo de Fuga”), tendo que se contentar com um papel menor no suspense dirigido por David Fincher (da série “Mindhunter”). Ainda em 1995, Ermey também dublou o sargento líder dos soldadinhos verdes de plástico em “Toy Story”. Como dublador ele também deu voz ao Coronel Leslie Hapablap, de “Os Simpsons”, participou de outras animações, como “Bob Esponja” “Uma Família da Pesada”, e dublou alguns personagens em jogos de videogames.

R. Lee Ermey deixa esposa e quatro filhos.

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