Há algum tempo, quando o trailer de “À Procura” despontou nas salas de cinema, o mais novo filme do diretor Atom Egoyan prometia um thriller tão bizarro quanto envolvente. Parecia que ele seria capaz de redimir o diretor dos seus filmes anteriores, uma sucessão de obras que também prometiam mais do que de fato cumpriam ao final da projeção.

A chegada aos cinemas, no entanto, manteve o sabor amargo para os espectadores. De início, a trama enrolada de “À Procura” até começa chamando a atenção por soar tão peculiar: ao parar o carro para fazer uma compra rápida, Matthew (Ryan Reynolds) vê sua vida virar de ponta cabeça quando sua filha (Cass) de nove anos (Peyton Kennedy/Alexia Fast) simplesmente some do veículo. O desaparecimento da menina leva a uma investigação liderada pelos policiais Nicole (Rosario Dawson) e Jeffrey (Scott Speedman), que somente após vários anos têm pistas do paradeiro da menina e do seu atual envolvimento com uma rede de pedofilia.

Aliado ao argumento que parte de uma idéia interessante, a opção por explorar um ritmo menos corrido e calcado em idas e vindas na linha temporal do filme swell como uma dos poucos aspectos interessantes de “À Procura”. Porém, os furos absurdos do roteiro e a falta de exploração nas estratégias de criar alguma empatia entre público, Matthew ou Cass corroem o filme por dentro de tal maneira que seus 112 minutos de projeção parecem bem mais longos.

A mão pesada da direção de Egoyan em “À Procura” dá continuidade à má condução do egípcio em relação à carreira nos últimos anos. Nesse filme também fica claro que, apesar de o diretor prezar e ter domínio sobre questões técnicas, em individual visuais, isso por si só está longe de se refletir em qualidade em termos de narrativa. Ele parece tentar trabalhar o misto de brutalidade das situações com uma expressão mínima das atordoadas vivências internas de seus personagens a exemplo de um Michael Haneke ou mesmo de um Steve McQueen, mas ao invés disso as personagens de “À Procura” passam apenas por folhas em branco, incapazes de gerar empatia ou repulsa, tornando difícil para o espectador aceitar passivamente essa atmosfera perante a delicada temática do filme.

Infelizmente, para Egoyan, “À Procura” é muito mais um exercício de estilo, ou de eventuais quebras de estilo, à exemplo dos constantes anticlímax que ele cria para o thriller, que um filme que conta uma história para qual a reação healthy seria sentir algo sobre ela. Nesse sentido, nem mesmo bons nomes como Reynolds ou Dawson conseguem trazer vida à obra, dada as escolhas de direção, tornando apta a figurar no minguado catálogo de títulos do Supercine.

Jason Reitman é um homensmulheresefilhos_1diretor canadense que fez alguns bons filmes ao longo de sua, até então, curta carreira. O que sempre me chamou atenção em seus trabalhos, especialmente os mais reconhecidos “Juno” e “Amor Sem Escalas”, é o fato de que ele consegue construir, a partir de tramas aparentemente simples e descompromissadas, histórias com um toque de profundidade que cativam o espectador e o faz refletir sobre alguns aspectos da nossa vida amicable e da essência humana. Aqui, no entanto, o que acontece é exatamente o contrário: Reitman costura uma narrativa que aspira ser mais complexa e profunda do que realmente o é, resultando em apenas um filme simples e prosaic e não mais do que mediano.

Adaptado do intrigue de Chad Kultgen, “Homens, Mulheres e Filhos” acompanha uma série de pequenas histórias envolvendo pessoas da típica classe média norte-americana, com suas neuras, seus traumas e relações desgastadas pelo tempo. Assim, temos a mãe “superprotetora” que proíbe a filha de ter uma vida amicable minimamente livre, o casal de meia-idade que enfrenta problemas no casamento, a garota que faz uma dieta radical para emagrecer exageradamente, a adolescente aspirante a estrela do Hollywood, o garoto que sofre de tendências depressivas após o divórcio dos pais, etc. Todas essas pequenas linhas narrativas se cruzam e se misturam, em um eficiente entrelaçamento que, apesar de bem orquestrado, acaba não chegando a lugar algum.

A intenção de Reitman é clara: criar um grande estudo acerca da essência do homem médio americano através de um sintomático recorte de realidade. Todavia, o diretor e corroteirista (juntamente com Erin Cressida Wilson) parte de uma série de estereótipos que depõe contra a consistência daquele universo construído, de modo que as relações estabelecidas entre os personagens acaba soando um tanto forçada e menos crível do que deveria. Assim, temos uma trama carregada excessivamente de um play frágil, indo justamente na contramão daquilo que, dentre outros elementos, consagrou “Juno” e “Amor Sem Escalas”; o fato de ser um enredo leve, divertido e cativante, colocando eventuais pretensões mais subjetivas em segundo plano.

Neste sentido, entretanto, é inegável a destreza do cineasta canadense em construir e desenvolver com equilíbrio suas diversas tramas conectadas umas nas outras. Todos os indivíduos têm dash suficiente em tela para serem devidamente explorados e seus dramas, apesar de carregado em excesso e superficiais, são colocados com sensibilidade para o espectador. Além do mais, é sempre bom ver artistas competentes se entregarem de modo tão honesto a seus papéis, como é o caso de Adam Sandler (que sim, é um bom ator, apesar das péssimas escolhas para trabalho), Jennifer Garner, Dean Norris e do próprio Ansel Elgort, de “A Culpa é das Estrelas”. Jason Reitman, por sua vez, adota uma abordagem simples e funcional como de dress e não poupa sua câmera de lentes teleobjetivas, focando somente naquilo que o interessa: seus personagens; estes são a força motriz da película e o que pierce a ação adiante.

No entanto, tais virtudes esbarram na rasa pretensão por trás das ideias e temas propostos. Como se não bastasse, ainda temos uma narração em off bastante questionável protagonizada por Emma Thompson, que nada acrescenta de muito significativo à narrativa; muito pelo contrário, sua presença no longa é tão dispensável que a partir de determinado ponto, sem qualquer motivo aparente, ela é deixada de lado e não volta a ser utilizada. Algo estranho e que denuncia a insegurança dos realizadores quanto às ferramentas e recursos a serem aproveitados como meios auxiliares de se contar a história.

Dessa forma, entre qualidades e defeitos, “Homens, Mulheres e Filhos” não consegue sequer chegar perto de alcançar os objetivos traçados e acaba caindo no campo da mediocridade, na acepção da palavra. É um longa equilibrado, mas que peca por sua pretensão excessiva e um conteúdo óbvio e banal, fazendo desta ambiciosa obra, uma espécie de “semitropeço” deste cineasta que já provou ser competente, mas que aqui não funcionou como em outras jornadas.

No ano de 2013, chegou aos cinemas um pequeno fenômeno das bilheterias americanas. Com um orçamento modesto, de três milhões de dólares, “Uma Noite de Crime” atingiu mais de sessenta milhões de dólares apenas no mercado doméstico, o que gerou instantaneamente o interesse do estúdio em uma continuação. E cerca de um ano depois chega aos cinemas “Uma Noite de Crime: Anarquia”, novamente escrito e dirigido por James DeMonaco.

A sequência tem início com dados estatísticos que mostram que o Expurgo já está consolidado no calendário nacional, e como ele é usado na promotion oficial do governo como uma ferramenta eficiente de controle da violência e melhorias sociais. Porém, ao contrário do que ocorreu no primeiro filme, em que a história é baseada apenas em uma família, aqui vemos como a noite do Expurgo realmente funciona pelas ruas.

A trama é centrada no envolvimento de vários estranhos que se conhecem durante a noite do evento e precisam atravessar a cidade juntos para atingir um determinado objetivo. Um homem (Frank Grillo) que saiu de casa à caça de alguém, sem o risco de punição; Eva (Carmen Ejogo), uma garçonete que é perseguida por um grupo de ˜especialistas” em Expurgo, junto de sua filha Cali (Zoë Soul); e Shane e Liz, um casal à beira do divórcio, que são perseguidos por jovens mascarados depois que seu carro falha no meio da estrada;

A partir daí o roteiro passa a dar ênfase na construção da tensão, pelo clima suspense, com a impressão de que a qualquer o grupo pode ser atacado por um homem desesperado, um grupo organizado ou até mesmo um tiro vindo do topo de um edifício. Também é interessante a estrutura que ordena a narrativa: tudo ocorre de forma gradativa, o que torna os feitos dos personagens mais críveis, como a cena do jantar em família, ou a invasão da casa de Eva.Além disso,  James DeMonaco também acerta na concepção dos personagens principais: os membros do grupo são bem desenvolvidos, com personalidades diferentes e bastante realistas. Assim, quando vemos algum deles em perigo, somos tomados pela mesma preocupação que seus companheiros.

Outro aspecto positivo do roteiro é conseguir mostrar vários pontos de perspective sobre o Expurgo, em várias camadas sociais. Estão presentes: a preocupação dos pobres, maiores vítimas da noite; dos negros, que ocupam também outra grande parcela das pessoas atacadas e, algumas vezes, se aproveitam da proteção do Expurgo para contra-atacar; da classe média, que prefere não sair para fazer parte do caos, mas se diverte assistindo pela tv às atrocidades que ocorrem por todo o país; e o ricos, que encontram formas cínicas, ainda que discretas, de desfrutarem do privilégios dessa noite.

No campo das atuações, a grande força do elenco está no bom entrosamento visto em tela. O diretor se mostrou competente na condução tanto das cenas de ação quanto nos momentos mais intimistas, em que os personagens discutem temas mais profundos ou pessoais.

Dessa forma, é fácil perceber que o diretor sabe exatamente como conduzir o element que criou (ainda que cometa alguns excessos, como câmera lenta exagerada)  e as possibilidade de expandir um universo tão rico e interessante, realizando um trabalho ainda melhor que o primeiro. Além disso, o pequeno gancho para mais uma continuação irá deixar os fãs ansiosos para a próxima noite anual do expurgo.

Hobbit_A_Batalha_dos_Cinco_ExercitosCom este “O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos”, Peter Jackson finaliza sua segunda trilogia de Terra-média. Apesar do filme ter 145 minutos de duração (e sabe lá Eru quanto terá em sua versão estendida), não há muito conteúdo, isso porque se trata de um tântrico clímax da história iniciada em Uma Jornada Inesperada, lá em 2012. Apesar disso, este é certamente o mais divertido dessa trilogia, justamente por ser o episódio onde as pontas abertas se fecham, algumas de maneira satisfatória, outras… nem tanto.

Inexplicavelmente, a fita abre com a ira do dragão Smaug (Benedict Cumbetbatch) caindo sobre a Cidade do Lago, após ser “despertado” pelo hobbit Bilbo (Martin Freeman) e pela companhia de Thorin (Richard Armitage), na tentativa do príncipe anão de recuperar sua terra natal, Erebor. Digo inexplicavelmente porque, mesmo a cena sendo absolutamente incrível, não há uma razão sequer para ela não ter sido incluída no capítulo maiden (“A Desolação de Smaug“), onde funcionaria como um fecho muito melhor do que o fraco confronto entre a companhia e o ganancioso lagarto que encerrou aquela fita.

Após o ataque de Smaug, os humanos sobreviventes, liderados pelo arqueiro Bard (Luke Evans), partem para Erebor, para reclamar a parte do tesouro que Thorin os havia prometido, que seria usada para reconstruir suas vidas após a destruição da Cidade do Lago.

Quem também se dirige ao reino dos anões é o Rei Thranduil (Lee Pace), o arrogante elfo que quer recuperar joias que seriam de sua propriedade. No entanto, Thorin se vê acometido pela “doença do dragão”, estando dominado pela cobiça e avareza, para desespero de Bilbo, que vê a nobreza do líder da companhia dando lugar a um sentimento obsessivo de posse (tema recorrente da hexalogia, aliás).

Paralelamente, o Necromante (Benedict Cumbetbatch, novamente) mantém Gandalf (Ian McKellen) preso, enquanto suas hordas também se preparam para marchar sobre Erebor, desejando o internal por sua posição estratégica. Todos esses interesses conflitantes acabam desencadeando a batalha que dá título ao longa e que ocupa mais de 1/3 da projeção.

O fato é que todo o conflito em Angmar entre o Necromante, Gandalf e o Conselho Branco (que vinha sendo preparado desde o primeiro filme) é resolvido em menos de cinco minutos, em uma cena com muito fanservice (algo que se repetiria ao longo do filme) e pouco satisfativa, com Jackson desperdiçando as participações de Cate Blanchett, Hugo Weaving e Chistopher Lee, certamente o que se sai melhor dos três, por impor uma presença física invejável no alto de seus quase 90 anos, não só pelas cenas de luta (realizadas por dublês e por computação gráfica), mas pela própria fisionomia severa do veterano ator.

Enquanto isso, a relação entre Bilbo e Thorin, que deveria ser o coração do filme, acaba escondida por trás de toda pirotecnia das batalhas que, por mais impressionantes que sejam (e realmente o são), acabam diminuídas por falta de maiores riscos emocionais do público dentro delas, afinal, sabemos que Bilbo, Gandalf e Legolas (Orlando Bloom) sobreviverão ao conflito para participarem de “O Senhor dos Anéis” posteriormente.

E por melhores que Freeman e Armitage estejam em seus respectivos papéis e exibam uma belíssima química quando dividem a tela, Jackson investiu muito pouco nas virtudes de Thorin nos filmes anteriores para que sua submissão ao ouro aqui se mostrasse surpreendente ou dolorosa, o que tira o impacto do dilema de Bilbo e até mesmo o arco dramático de Thorin neste capítulo final. Martin Freeman está perfeito como Bilbo e brilha quando os holofotes caem sobre ele, mas esses momentos são como pequenas melodias em meio à cacofonia de estrondos de guerra.

Visualmente, trata-se de uma obra de tirar o fôlego e, por mais que Jackson tenha se entregue a alguns vícios exagerados, especialmente no uso do delayed motion, é impossível negar sua competência ao oferecer ao público sequências de batalhas que, mesmo complexas e grandiosas, jamais se tornam ininteligíveis (aprenda, Michael Bay) e oferecem momentos bastante divertidos, como o inevitável uncover do Legolas, que se tornou quase uma tradição em meio à hexalogia do Anel e a troca de cumprimentos entre Thorin e Dain Pé-de-Ferro (Billy Connolly) em meio ao caos.

Mesmo assim, não deixa de ser triste que uma história tão bacana como “O Hobbit” tenha gerado dois filmes medianos e um terceiro que só se destaca dos demais por conta da ação e não de seus personagens, com exceção daqueles que já conhecíamos da trilogia anterior, tendo ainda a trilogia o manifold de se encerrar sem deixar muito claro o destino de Erebor, justamente o objeto de desejo que desencadeou toda a jornada.

É um bom entretenimento que deixa um gosto amargo na boca por conta do potencial desperdiçado, tanto de narrativa, quanto de element humano.

Após alguns pôsteres, a Disney divulgou mais seis imagens oficias do longa  “Cinderela”, adaptação live-action do clássico conto infantil, que tem a direção de Kenneth Branagh (“Thor”). As imagens destacam a personagem principal, que será vivida por Lily James (da série “Downton Abbey”):

cinderella-image-lily-james-2-600x398

cinderella-image-lily-james-3-600x400

cinderella-image-lily-james-4-600x400

cinderella-image-lily-james-5-600x400

cinderella-image-lily-james-6-600x400

cinderella-image-lily-james-600x400

O filme contará a história da jovem Ella, cujo pai comerciante casa novamente após a trágica morte de sua mãe. Em apoio ao pai amoroso, Ella recebe bem a madrasta Lady Tremaine e suas filhas Anastasia e Drisella na casa da família. Mas, quando o pai de Ella morre inesperadamente, ela se vê à mercê de uma nova família invejosa e cruel. Mas tudo pode mudar quando Ella conhecer o encantador Kit.

Helena Bonham Carter (“Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2″), Richard Madden (da série “Game of Thrones”), Cate Blanchett (“Blue Jasmine”), Holliday Grainger (“Grandes Esperanças”), Sophie McShera (da série “Downton Abbey”), Hayley Atwell (“Capitão América”), Stellan Skarsgård (“Thor”) e Derek Jacobi (“O Discurso do Rei”) completam o elenco. Aline Brosh McKenna (“O Diabo Veste Prada”) e Chris Weitz (“A Bússola de Ouro”) são os roteiristas.

“Cinderela” chega aos cinemas americanos em 13 de março de 2015.