A Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul escolheu a Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre, como o destaque mais importante do cenário cinematográfico no Estado em 2015. Reconhecido com o Prêmio Luiz César Cozzatti, o centro cultural foi apontado ao lado dos filmes Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller (EUA/Austrália), e Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert, como os favoritos da mais recente temporada. Ao todo, trinta e três críticos de cinema – entre jornalistas, pesquisadores e estudiosos – e membros da entidade apontaram os melhores do último ano em três categorias: Filme Estrangeiro, Filme Nacional e Destaque Gaúcho.

Tradicionalmente, a ACCIRS escolhe o filme, profissional, lugar ou evento que mais movimentou, contribuiu, colaborou ou incentivou o desenvolvimento, a fruição e a promoção da cultura cinematográfica no Rio Grande do Sul. Em 2015, os críticos de cinema dedicam o Prêmio Luiz César Cozzatti – Destaque Gaúcho à Cinemateca Capitólio, localizada na capital gaúcha e reinaugurada no início do último ano. Outros destaques citados foram o drama Beira-Mar, de Filipe Matzembacher e Mario Reolon, e o documentário Filme sobre um Bom Fim, de Boca Migotto.

A coprodução Austrália e Estados Unidos Mad Max: Estrada da Fúria, dirigida por George Miller, conquistou, em 2015, o prêmio de Melhor Filme do ano na premiação da Fipresci – Federação Internacional de Críticos de Cinema – e foi indicado ao Globo de Ouro como Melhor Filme em Drama, além de ser um dos favoritos ao próximo Oscar. Na votação da ACCIRS, Mad Max: Estrada da Fúria foi consagrado como o Melhor Longa Estrangeiro do ano, vencendo uma disputa que incluía ainda o francês Adeus à Linguagem, de Jean-Luc Godard, e o thriller Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), de Alejandro Gonzalez Iñarritu.

Já no cinema nacional, o vencedor foi Que Horas Ela Volta?, dirigido por Anna Muylaert. Premiado como Melhor Filme pelo Júri Popular na Mostra Panorama no Festival de Berlim, na Alemanha, e como Melhor Atriz no Festival de Sundance, nos EUA,  o drama é também o candidato nacional oficial a uma indicação na categoria de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2016. Os demais títulos lembrados foram Branco Sai Preto Fica, de Adirley Queirós, e Ausência, de Chico Alencar.

Os membros da ACCIRS que participaram da escolha dos Melhores de 2015 foram Adriana Androvandi, Adriano de Oliveira Pinto, André Kleinert, Carlos Thomas Albornoz, Conrado Heoli, Cristian Verardi, Cristiano Aquino, Daniel Dalpizzolo, Daniel Feix, Daniel Rodrigues, Danilo Fantinel, Francisco Izidro Filho, Giordano Gio, Gisele Santos, Ivonete Pinto, Jaqueline Chala, Leonardo Bomfim, Marcelo Oliveira da Silva, Marcus Mello, Matheus Bonez, Misael Elias de Lima, Mônica Kanitz, Pedro Henrique Gomes, Renato Cabral, Ricardo Gruner, Roberta Pinto, Robledo Milani, Roger Lerina, Rodrigo de Oliveira, Siliane Vieira, Thomas Boeira, Willian Silveira e Yuri Correa.

 

Estão abertas as inscrições para o 40º Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy, na França. O evento, o mais importante dedicado à animação no mundo, será realizado entre os dias 13 e 18 de junho, e recebe inscrições de longas e curtas-metragens, filmes comissionados (videoclipes, publicitários etc.) e filmes de estudantes. As inscrições vão até o dia 15 de fevereiro para todas as categorias, com exceção de longas-metragens, cujo prazo se prolonga até o dia 15 de março.

As inscrições para o festival são gratuitas e devem ser feitas inteiramente pela internet com o preenchimento de um formulário online, de acordo com a tipologia da obra. Durante o processo de inscrição, será necessário informar um link, protegido por senha, para a visualização do filme; e enviar sinopse, biografia do diretor e imagens da obra. Serão outorgados prêmios para todas as categorias pelo júri oficial do evento, além de prêmios concedidos pelo público para os melhores longa e curta-metragens. Clique aqui para acessar o regulamento.

Também estão abertas as inscrições de projetos para o Mifa, evento de mercado do festival, que será realizado entre os dias 15 e 17 de junho. Podem ser inscritos projetos de filmes de curta ou longa-metragem, projetos transmedia ou projetos de séries ou especiais para a TV. As inscrições vão até o dia 12 de fevereiro e garante aos projetos selecionados uma sessão de pitching entre 10 a 15 minutos. Para mais informações sobre o Mifa, acesse o regulamento.

O Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy é um dos eventos contemplados pelo Programa de Apoio à Participação de Filmes Brasileiros em Festivais Internacionais e de Projetos de Obras Audiovisuais Brasileiras em Laboratórios e Workshops Internacionais da ANCINE. Filmes oficialmente selecionados para as mostras competitivas poderão solicitar o apoio do Programa. Clique aqui e saiba mais sobre o Programa de Apoio da ANCINE.

O acaso prega peças inacreditáveis. Quem, hoje em dia, poderia imaginar a Madame Satã, de Karim Aïnouz, encarnada em Seu Jorge? Ou o Mané Galinha, de “Cidade de Deus”, na pele de Lázaro Ramos?

Durante debate recente sobre o documentário “Cidade de Deus – 10 Anos Depois”, de Cavi Borges e Luciano Vidigal, Fernando Meirelles contou que Lázaro seria Mané e Seu Jorge, Satã. Como os dois filmes foram realizados na mesma época (começo dos anos 2000), Lázaro foi escolhido para viver o sedutor personagem da “Cidade de Deus” e Seu Jorge para corporificar o transformista pernambucano que fez da Lapa carioca o seu reduto. Só que o cantor (e ator iniciante) não estava se sentindo bem na pele de Satã. O jeito foi sugerir a troca.

O experiente Lázaro, que vinha do Bando de Teatro Olodum, deixaria o elenco de Meirelles para protagonizar “Madame Satã” e seria substituído por Seu Jorge. A troca foi feita três semanas antes do início das filmagens e o resultado agradou a todos. Madame Satã tornou-se o papel mais impressionante e arrebatador da carreira de Lázaro. E Seu Jorge encontrou no sedutor Mané Galinha seu poderoso cartão de visitas para a carreira no cinema brasileiro e internacional, convidado que foi para atuar em “A Vida Marinha com Steve Sissou”, “Elipsis”, “Escapist”, “Casa de Areia”, “Carmo” e “Tropa de Elite 2”.

Os franceses têm fama de mal-humorados e sisudos. O ator e, agora, cineasta francês Louis Garrel, que visitou o Brasil para lançar “Dois Amigos”, seu primeiro longa como diretor, derramou inteligência, simpatia e… bom humor. Tirou sarro do tom excessivamente cerebral do cinema de seu país (e olhe que o pai, Philippe Garrel, dirigiu e ele protagonizou o pesadíssimo “A Fronteira da Alvorada”), cantou as virtudes da comédia italiana (principalmente, de Mario Monicelli), colocou o humor agridoce de Nanni Moretti em seu olimpo cinéfilo e conformou-se em “não ter cara de mau” para interpretar bandidos em filmes de ação norte-americanos.

A prova de que o ator tem mais afinidade com as “dramédias” ou “filmusicais” de Christophe Honoré, que com o cinema cerebral do pai (do qual o momento mais luminoso é o cabeçudo “Amantes Constantes”), está posta em “Dois Amigos”. O filme, uma comédia levemente dramática, foi escrito por Honoré, “um grande dialoguista e um grande reinventor de clichês”, e pelo próprio Garrel. Os protagonistas são uma jovem presidiária (a iraniana Golshifiteh Farahani) e dois rapazes de trinta anos. Um deles, interpretado pelo rechonchudo Clément (Vincent Macaigne), é apaixonado pela moça e vive de bicos como figurante de cinema. O outro, Abel (o próprio Garrel), trabalha num posto de gasolina e sonha em ser escritor. Como a moça não quer saber do apaixonado Clément, ele pede ao amigo Abel que o ajude, atuando como cupido. Claro que não vai dar certo.

A estreia do ator que, em 2008, aos 27 anos, encapou a revista “Cahiers du Cinéma” (fazendo jus a entrevista de 11 páginas), na direção é das mais promissoras.

Marina Person, conhecida por seu trabalho como apresentadora na MTV, está agora em seu habitat natural: o cinema. E na dupla função de diretora e atriz. “Me formei na ECA-USP para fazer cinema, mas o governo Collor impôs uma série de dificuldades a quem se iniciava no ofício naquele começo dos anos 1990”, lembrou ela, ao lado do marido, o produtor e cineasta Gustavo Rosa de Moura, no debate de seu primeiro longa de ficção, “Califórnia”, na Mostra de Gostoso.

Este filme, que marca sua estreia na ficção (ela dirigiu o documentário “Person”, sobre a obra do pai, o cineasta Luís Sérgio Person), já entrou em circuito comercial. Assim como “Piadeiros”, segundo longa de Gustavo (cuja estreia se deu com o documentário “Cildo”).

Agora, o casal vai centrar forças no lançamento de “Canção da Volta”, primeiro longa ficcional de Gustavo, protagonizado por Marina Person e João Miguel. Com eles, atua Francisco Miguez, ator revelado em “As Melhores Coisas do Mundo“, de Laís Bodanzky. O novo longa concentra-se no difícil relacionamento de Eduardo (João Miguel) e Júlia (Marina Person). Ela tenta suicídio e o marido não mede esforços para recolocá-la nos eixos. Mas o fantasma de outras tentativas de suicídio tornará tudo muito complicado.