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Com o relançamento de ‘Logan’ nos cinemas – desta vez em preto e branco -, o último capítulo estrelado por Hugh Jackman voltou a ser manchetes novamente.

E em uma entrevista de James Mangold ao site CinemaBlend, o cineasta revelou porque considera o final da trama feliz e não trágico.

Vale lembrar que na produção o mutante morre tentando proteger a personagem X-23, interpretada por Dafne Keen.

Segundo ele:

“Algo sempre nasce em uma tragédia. Em muitas formas, eu olho para o filme e percebo o quão feliz é o final. Pelo menos da perspectiva do personagem Wolverine. Eu acho que, ao contrário de qualquer coisa que você tenha visto nos sete ou oito filmes anteriores, ele está feliz em seus últimos momentos na terra. Ele está feliz. Ele se sente, de alguma forma, satisfeito, e eu acho que isso é algo que poucos de nós serão capazes de dizer em nossos relances finais deste mundo. Que nós de repente experimentamos e sabemos tudo e sentimos que pudemos vivenciar de tudo. E de algum jeito eu acho, e a performance de Hugh é muito transcendente nesse aspecto, que ele comunica isso e nos deixa mais comovidos do que com o coração partido”.

 

A Fox Home Entertainment confirmou para 23 de maio o lançamento do DVD e Blu-Ray de ‘Logan‘, nos EUA e Brasil. A versão digital há está disponível.

Na faixa bônus, o material trará a aguardada versão preto e branco do filme, chamada de ‘Logan Noir‘, bem como a versão comentada e vários vídeos dos bastidores.

Além disso, o Blu-ray contará com 90 minutos de cenas adicionais.

‘Logan’ e os Melhores e Piores Filmes dos ‘X-Men’ 

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COM SPOILERS

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Em um futuro próximo, um cansado Logan cuida de um Professor X em dificuldade, escondido na fronteira mexicana. Mas as tentativas de Logan de se esconder do mundo e de seu legado acabam quando um jovem mutante chega, sendo perseguida por forças obscuras.

O elenco conta com Hugh Jackman, Patrick Stewart, Elise Neal (‘Pânico 2’), Boyd Holbrook (‘Narcos’) e Elizabeth Rodriguez (‘Fear The Walking Dead’).

 

Crítica:

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Um paradoxo. Assim podemos definir este Guardiões da Galáxia Vol. 2. De um lado, temos o trabalho mais engraçado da Marvel Studios até o momento, com uma imensa profusão de gags (visuais ou verbais) por minuto. Mas também é o longa mais emocional da companhia e não serão raros os marmanjos que sairão dos cinemas escondendo as lágrimas com os óculos 3D (aliás, o filme é um dos raros casos atuais onde os 3D realmente funciona para alguma coisa!).

Pensando sobre filme, me veio à cabeça “Melinda Melinda” de Woody Allen, obra que explorava justamente as fronteiras entre comédia e drama. E foi justamente isso que James Gunn fez aqui. Quanto mais cômica a trama se apresentava, mas despreparado o público ficou para os elementos dramáticos, plantados com precisão milimétrica no decorrer da narrativa, uma ópera espacial com recheio de Freud.

Alguns meses após a formação dos Guardiões, estes são contratados pela raça dos Soberanos para impedir que uma fera espacial se alimente de alguns artefatos. Quando o trabalho dá errado, a trupe é caçada pelos seus outrora empregadores e acaba encontrando o sedutor Ego (Kurt Russell, de “Velozes e Furiosos 8”), que se apresenta como o pai perdido do líder da equipe, Peter (Chris Pratt, de “Jurassic World”).

A partir deste ponto, vemos os demais Guardiões lidando com seus próprios problemas pessoais. Gamora (Zoe Saldana, de “Star Trek – Sem Fronteiras”) encara a nada saudável rivalidade de sua irmã, uma enlouquecida Nebulosa (Karen Gillan, de “Doctor Who”); o guaxinim geneticamente modificado Rocky (Bradley Cooper, de “O Lado Bom da Vida”) enfrenta seu medo de abandono com o peculiar auxílio do Saqueador espacial Yondu (Michael Rooker, de “The Walking Dead”); o destruidor Drax (Dave Bautista de “007 Contra Spectre”) vê na ingênua Mantis (Pom Klementieff, de “Oldboy – Dias de Vingança”) uma lembrança da família que perdeu; e o pequeno Groot (Vin Diesel, de “xXx – Reativado”) funciona como o filho fofinho do grupo e fonte de escape do carinho que eles tanto precisam.

Como um bom mágico, Gunn nos distrai com batalhas épicas, piadas engraçadas e uma trilha sonora repleta de nostalgia enquanto conta uma história sobre pais, sejam eles ausentes, de criação, presentes, tirânicos ou incompreendidos. Os conflitos internos dos personagens se tornam tão importantes para a narrativa quanto os duelos entre incontáveis naves espaciais com efeitos sonoros de fliperamas oitentistas.

Deste modo, por mais que o público se encante com o carisma de Peter Quill, com a segurança de Gamora ou com as gargalhadas com o corpo inteiro de Drax, o que marcará a todos são as fragilidades íntimas demostradas aqui por Chris Pratt, Zoe Saldana e Dave Bautista. E quem diria que Michael Rooker, cujo Yondu no primeiro filme não ia muito além de um personagem canastrão, roubaria tanto a cena e com diálogos tão impactantes?

O filme não deixa de ser um espetáculo visual. Temos uma direção de arte que cria mundos completamente distintos e igualmente incríveis, com a arquitetura do planeta de Ego se destacando, com influências indianas e orgânicas (vejam que o piso de um edifício central tem axiomas!). A fotografia sensacional se mostra saturada de cores que beiram a barreira do psicodélico, mas já de inicio, quando uma batalha absurda irrompe entre os Guardiões e o monstro, ela já dá o recado que o filme se focará em aspectos mais pessoais – e o dourado e o azul que refletem na pele de Peter espelham suas heranças conflitantes, mostrando que tudo foi feito de caso pensado. Todas as grandes cenas de ação da produção são absurdamente diferentes entre si, ao contrário de alguns blockbusters cujas setpieces repetitivas os tornam extremamente enfadonhos.

Outro fator que contribui com a versatilidade da produção é a sua trilha sonora. Em comparação com a fita que Peter escutava no primeiro filme, esse segundo volume é menos impactante e mais reflexivo, mas até mesmo isso faz sentido dentro da narrativa, até porque aquela fita foi entregue para Peter como um presente de sua mãe em estágio avançado de câncer. E sim, mais uma vez os flashbacks com Meredith Quill (Laura Haddock, da série “Da Vinci’s Demons”) se torna parte importantíssima da “alma” da produção, amarrando muito do arco entre Peter e Ego.

Superior ao filme original por explorar ainda mais profundamente os conflitos de seus personagens e dar aos heróis um desafio digno de suas habilidades, Guardiões da Galáxia Vol. 2 se torna facilmente um dos mais memoráveis longas da Marvel Studios.

Deve ser fácil contar uma história extraordinária, difícil deve ser contar uma história extraordinariamente. E isso a despeito do tamanho ou profundidade de seu protagonista, de suas realizações ao longo da narrativa ou das situações e cenários de sua jornada. Com super-heróis que salvam o planeta em batalhas épicas contra seres supernaturais talvez seja mais uma parte do trabalho; mas com um motorista de ônibus de uma pequena cidade do interior americano que escreve poesias deve ser um pouco mais difícil.

Paterson” é a vigésima direção de Jim Jarmusch que, com sua filmografia errante, permanece um famoso desconhecido do grande público. Seu nome pode soar em sua memória cinéfila, mas talvez seja difícil nomear ao menos dois de seus filmes. Sua obra está inserida na caixa variada de trabalhos chamados de “independentes”, não apenas por não terem financiamento dos grandes estúdios, mas também por nutrirem uma certa peculiaridade estética que parece mantê-las obscurecidas. Uma pena, pois seus filmes são recheados de bons momentos, sensibilidade estética e conteúdo narrativo. Seu último filme, “Amantes Eternos” (“Only Lovers Left Alive”, 2013), por exemplo, pode ser classificado como uma aventura noir de vampiros.

Variando entre temas, com seu novo filme – com um roteiro-arrebatador de sua autoria – o realizador decide mergulhar num universo temático muito restrito, explorando intimamente seus poucos personagens e construindo uma bem acabada ambientação. Em “Paterson”, passeamos à bordo do ônibus conduzido pelo protagonista (que tem o mesmo nome de sua cidade), mas às vezes nos é permitido ultrapassar uma barreira e mergulhamos numa camada mais profunda, o transe criativo de construção de um poema.

Ainda que muito belo, essa representação visual é apenas uma versão do que seria “a alma” de um poeta, como tantas outras que já nos foram apresentadas. Uma versão que sinaliza, num jogo de oposições entre o casal central e na dimensão singela de sua vida, que a poesia pode florescer como um dom a ser levado estoicamente. Ainda assim, é uma versão muito bem acabada, verossímil mesmo, e nos é agradável mergulhar naquela vida absolutamente banal sobre a qual algo tão belo vem sendo criado.

A atuação contida de Adam Drive (o Kylo Ren da nova trilogia “Star Wars“), que entrega sua cara estranha e assimétrica a um homem estranho e assimétrico, colabora muito na realização desse personagem. O ator oferece um comportamento desinteressado de Paterson diante de seu grande dom. Numa das cenas mais preciosas do filme (que é recheado delas), Driver observa o acidente caseiro causado pelo cão de sua companheira com uma despretensão absolutamente carregada de ressentimento. Vê-se, pelas minúcias das feições do ator, uma torrente de intenção e sensações entregues à tela.

Os melhores momentos, contudo, são quando os poemas invadem o quadro. Repetidos algumas vezes, geralmente com pequenas variações entre elas, os poemas são literalmente escritos em tela, quebrando a estética naturalista adotada até então. Paterson distrai-se pelo canto de um pássaro fora de enquadramento, e de algum modo isso nos transmite algo coisa do que significa a poesia, essa escrita tão peculiar que parece mover a mente de tantos, ainda que sempre se mantenha restrita a um público pequeno. Assim, ele é didático sem perder a poética, porque a poesia demanda certas explicações.

Uma cena em particular, porém, sintetiza toda a singela mas poderosa realização desse filme: um encontro entre poetas, como dois espíritos privilegiados que se encontram em meio a nós, meros mortais. O protagonista é testemunha da declamação de um poema por uma escritora mirim da mesma cidade, uma menina que lhe apresenta sua obra “Water Falls”. A sensibilidade pueril das linhas infantis arrebata-o da mesma forma que ao espectador. Absurdamente representado por Adam Driver, a reação de Paterson é de perplexidade, parece que ele vai desmaiar, embora sua resposta externa seja um cordial “esse é um belo poema”.

Essa mistura de estranhamento com o fastio só é colapsada pelos exageros de sua esposa, Laura (uma divertida Golshifteh Farahani, de “À Procura de Elly”, 2009), que tem pretensões artísticas bem definidas e um pouco supervalorizadas sobre suas qualidades. Ainda que seja retratada como um pouco alienada, vivendo de sonhos ilusórios e o dinheiro do marido, ela é a única testemunha de sua linda produção artística, sua única leitora e incentivadora. Também é sua figura de oposição, o elemento contrastante que o faz quem ele é. Mas talvez por reconhecer o deslumbramento de sua mulher é que recuse expor sua criação – talvez os elogios que receba dela seja só mais um aspecto de sua forma exagera de ver o mundo, tão oposta ao protagonista.

Embora muito pouco aconteça nesse filme – e isso afugente parte do público que teria a sensibilidade para apreciar a representação da criação poética –, o fluxo da narrativa faz com que a experiência não se torne enfadonha. A beleza da representação visual criada por Jarmusch também ajuda a nos prender, preenchendo nossos olhos e ouvidos com poesia, sem escorregar no pedantismo ou nas herméticas representações simbólicas. Opta, ao contrário, por um jogo simplório de oposições e espelhamentos, como com Williams Carlos Williams. Assim, faz uma história limpa e honesta. E por algum motivo o resultado é simplesmente soberbo.

É quase um desserviço dizer que “O Rastro” é um filme de qualidade tão exultante que nem parece ser um filme nacional. Essa alegação, feita por muitos diante do trailer do longa, só evidencia a completa falta de conhecimento e percepção do tipo de produção que pode ser realizada no nosso país. Existem excelentes longas de terror no Brasil e muitos deles passam longe do alarido e do reconhecimento – internacional – de um “Zé do Caixão”. “O Caseiro” de 2015  e “Mangue Negro” de 2008, são excelentes exemplos de trabalhos de qualidade, que não conseguiram chegar ao mainstream. Eis que agora em 2017, a multifacetada produtora Malu Miranda, que coleciona sucessos premiados como “Tropa de Elite 2” e “Mato sem Cachorro”, resolve fincar o seu pé no gênero e arromba a porta com um filme surpreendente.

Na trama, com o intuito de se reeleger, o governador do Rio de Janeiro ordena o fechamento de diversos hospitais públicos “sucateados”. Cabe ao médico e funcionário do governo João (Rafael Cardoso, de “Olhar de Nise”, em atuação assombrosa) fechar o principal deles e para isso, é necessário que todos os pacientes sejam removidos em um mesmo dia. Após a promessa de que cuidaria do translado de uma menina em especial, esta simplesmente desaparece durante a remoção e faz com que o médico entre de cabeça em uma espiral de paranoia, sobrenatural e loucura, que só é amenizada quando ele está próximo de sua esposa grávida (Leandra Leal, de “O Lobo Atrás da Porta”, mais uma vez demonstrando seu extremo talento). Entregar mais seria estragar a experiência de acompanhar a trajetória descendente do personagem, porém é importante ressaltar que o conteúdo do longa é muito mais profundo do que observamos regularmente nos filmes de terror convencionais.

Tecnicamente a obra é impecável. Desde o intrincado design de som, à inventividade do roteiro de André Pereira (“Mato Sem Cachorro”) e Beatriz Manela, até o engajamento das tomadas e enquadramentos, tudo isso é passível de grande exaltação. Nada é feito de maneira simplista ou convencional. O diretor estreante J.C. Feyer parece ter total controle de seu filme e o administra perfeitamente. Se existem convenções aos clichês e aos manjados sustos, elas aparentam estar lá somente para atrair um público sedento pelos manjados filmes americanos e que poderiam renegar artifícios que elas não estejam habituadas. O hospital em si é praticamente um personagem. A caracterização da locação é tão impressionante e absurda – trata-se de um hospital desativado de verdade, que precisou ser “limpo” para abrigar as filmagens – que obstante das figuras fantasmagóricas que o habitam e o cercam, já é um algo a se temer… e muito!

Infelizmente existem algumas coisas que incomodam no longa, como diálogos extremamente explicativos ou os já citados clichês, que realmente parecem ter sido colocados ali de propósito para agradar ao público adolescente cativo. Estes são detalhes que atravancam e atrapalham o bom andamento da história, contudo, o que mais compromete o resultado final é o próprio final em si. A solução encontrada para encerrar a trama vem de maneira tão excessivamente brusca e sem explicação prévia, que diminui a força da mensagem contida nela mesma.

“O Rastro” é um filme de qualidade excepcional que, se não tivesse optado por fazer concessões em seu enredo no intuito de tentar arrebatar um público maior, já nasceria como um clássico do gênero terror. Não que tais falhas o rebaixem a uma obra menor, longe disso. Porém fica aquela sensação de que, se não houvesse o tão temido preconceito das plateias brasileiras com filmes nacionais, principalmente com os de gênero, algo ainda muito mais poderoso e impactante poderia ter visto a luz do dia.

Salvo louváveis exceções – como, por exemplo, “Mad Max: Estrada da Fúria” –, filmes de ação não têm o costume de primar por bons roteiros. O diferencial, portanto, acaba sendo qualquer outro atributo. “Rei Arthur – A Lenda da Espada” tem muitos atributos positivos para serem destacados.

Na trama, Arthur (Charlie Hunnam) é um jovem que desconhece a verdadeira origem e não tem noção do grandioso destino que o aguarda. Tudo muda quando o protagonista, para a sua própria surpresa, retira a espada Excalibur da pedra, tendo como novo inimigo o rei Vortigern (Jude Law), tirano que privou Arthur de sua família quando este ainda era criança.

No elenco, algumas estrelas: Jude Law (“A Espiã que Sabia de Menos”), aqui, um vilão mecânico; Eric Bana (o “Hulk” de 2003), em participação pequena; Djimon Hounsou (“Diamante de Sangue”), eficiente como de costume; Aidan Gillen (“Sing Street”), pouco relevante; e David Beckham – sim, o (ex-?) jogador… cujo talento futebolístico não se reflete em fração mínima na atuação. O protagonista é interpretado por Charlie Hunnam (da série “Sons of Anarchy”), ator cuja carreira no cinema ainda é modesta, dando vida a um Arthur sem tanta sabedoria, mas ardoroso. Astrid Berges-Frisbey (“Alaska”) tem uma carreira ainda mais discreta, o que não surpreende ao julgar a (falta de) interpretação neste filme de Guy Ritchie.

Sobre Ritchie, trabalhando também no roteiro e na produção, é na direção que ele esbanja competência. Trata-se de um diretor que vem desenvolvendo um estilo próprio desde “Sherlock Holmes”, prosseguindo em “O Agente da U.N.C.L.E.”. Em “Rei Arthur”, o trabalho é ainda mais lapidado: mantém-se a prevalência da fotografia escura e o slow motion em cenas de ação, adicionando um CGI de muita qualidade (em especial no clímax), muita ação e até mesmo uma pequena dose de suspense, em uma cena específica – a cena da espada (sabe-se o que vai acontecer, mas não como). A batalha épica do início tem uma grandiosidade surpreendente, com clara referência a “O Senhor dos Anéis”. Diversamente da imensa maioria das produções, o 3D aqui não é inútil, primeiro porque não são poucos os planos gerais e abertos em que as cenas são filmadas (o que aumenta a sensação de profundidade), e segundo porque há mais 3D ativo do que o comum (mas sem exagero).

Ritchie firmou uma parceria com James Herbert na maioria de seus filmes, agora, Herbert fez a que provavelmente foi a melhor montagem da sua carreira. Montagens elípticas não costumam ser fáceis, menos ainda quando o objetivo é transmitir a passagem do tempo e, concomitantemente, uma síntese do que aconteceu nesse tempo (isto é, não meramente a elipse). Ao resumir a passagem de Arthur da infância à fase adulta de maneira tão didática, o montador assume para si o protagonismo de uma das sequências da fita. Já na montagem elíptica dos desafios do protagonista nas Terras Sombrias, ainda que impressione a maneira pela qual Herbert manipulou o tempo, sintetizando os eventos sem seguir a ordem cronológica e sem se tornar confuso, paira uma sensação de desperdício de cenas que seriam fascinantes por se debruçarem sobre o fantástico. Outro momento fascinante em que a montagem chama a atenção é o de uma cena de interrogatório, em que Arthur faz um relato bastante dinâmico e divertido a um soldado.

Visualmente, o filme é muito bom. O figurino é correto, com um vilão que costuma se vestir com roupas escuras, enquanto o protagonista usa uma calça aparentemente de couro, marrom, e blusa e camisa de coloração creme, ou seja, sempre com a prevalência de cores mais claras. O design de produção apresenta uma criatura assustadoramente criativa para ajudar o vilão, sem fazer com que a fantasia fuja completamente ao real da época. Nesse sentido, o Medievo não é esquecido, em especial no aspecto sonoro: as músicas cantadas são belíssimas, respeitando o ritmo medieval (uma delas, com gaita de fole) sem olvidar a atmosfera de adrenalina da película (destaque para “The Devil and the Huntsman”, cantada por Sam Lee). As instrumentais combinam com a fita, algumas, porém, se tornam cansativas por serem repetitivas e intensas em demasia nas cenas de ação, que também já são intensas – o que prejudica até mesmo a edição de som, que foi feita com esmero, o que se percebe quando há silêncio (como quando o que se houve é a respiração ofegante de Arthur).

Como na imensa maioria dos filmes de ação, os maiores erros residem no roteiro. Em que pese o texto tente esboçar um protagonista com personalidade prepotente e arrogante em alguns momentos, isso não dá certo porque a essência da história que dá base ao enredo é profundamente maniqueísta. A magia que aparece em alguns momentos, ainda que faça sentido naquele universo, acaba funcionando como deus ex machina nas engrenagens narrativas. O plot dá a Arthur motivação suficiente, mas, não convencido por si mesmo, injeta subtramas dramáticas para aumentá-la, inflando o script de maneira desnecessária. Pior: falta substância ao roteiro – principalmente para além do que já se conhece. Não obstante, do ponto de vista sonoro e visual, “Rei Arthur – A Lenda da Espada” é muito bom. Ou seja, um blockbuster bem executado, o que já é muito mais do que a maioria.