“Pequeno Segredo”, filme selecionado para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira no Oscar 2017, promovido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, foi contemplado pelo Programa de Apoio ao Oscar da ANCINE. O filme foi escolhido em setembro como o representante brasileiro, entre um total de dezessete filmes inscritos, por uma comissão especial de seleção do Ministério da Cultura. A ANCINE oferece este programa de apoio desde 2008.

O longa, com direção de David Schurmann, receberá o valor de R$ 197 mil para utilização na campanha de divulgação internacional por uma indicação. Com roteiro de Marcos Bernstein, o filme conta a história da família Schurmann, que vive ao redor do mundo a bordo de um veleiro, e tem suas vidas transformadas ao receber a menina órfã Kat. Filmado no Brasil e na Nova Zelândia, o filme traz no elenco e na produção nomes nacionais e estrangeiros, como os atores brasileiros Julia Lemmertz, Marcello Antony e Maria Flor; o peruano Inti Briones (fotografia) e a alemã Brigitte Broch (direção de arte).

A 89ª cerimônia do Oscar está marcada para 26 de fevereiro, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Para receber a indicação, “Pequeno Segredo” passará ainda pelo processo seletivo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. No dia 5 de janeiro de 2017, as votações serão abertas para os membros da Academia, que terão até o dia 13 de janeiro para submeter seus indicados. Após contabilização dos votos de todos os membros, no dia 24 de janeiro serão anunciados os indicados oficiais ao Oscar 2017.

A vida de Elis Regina é contada nesta cinebiografia em ritmo energético e pulsante. A trendsetter cultural que sinalizou a mudança de estilos de Bossa Nova para MPB, a “pimentinha” ardente (brilhantemente interpretada por Andréia Horta), que viveu uma vida turbulenta. Ao mesmo tempo em que se chocava com a Ditadura Militar no Brasil, ela lutou com seus próprios demônios pessoais. “Elis”, o filme, está imbuído da alma da cantora e do país que ela amava.

Vencedor de três Kikitos no 44º Festival de Gramado – melhor filme pelo júri popular, melhor atriz para Andréia Horta e melhor montagem para Tiago Feliciano –, o longa traz algumas das mais relevantes passagens da carreira e vida pessoal da gaúcha como a chegada ao Rio de Janeiro no dia do Golpe de 1964; o primeiro contato com o boa praça Luiz Carlos Miéle e o charmoso Ronaldo Bôscoli, seu primeiro marido; o rápido sucesso e amadurecimento musical; o terror imposto pelos militares; a parceria amorosa e artística com o pianista César Camargo Mariano, que rendeu espetáculos históricos como “Falso Brilhante”; a maternidade e o fim da vida.

No elenco, estão Lucio Mauro Filho, como Miéle; Caco Ciocler, como César Camargo Mariano; Julio Andrade, como o dzi croquette Lennie Dale; Gustavo Machado, como Ronaldo Bôscoli, e Zécarlos Machado, como Romeu, pai de Elis. Em participações especiais, destacam-se Rodrigo Pandolfo, como Nelson Motta; Isabel Wilker, como Nara Leão; Icaro Silva, como Jair Rodrigues, e Natallia Rodrigues. O filme foi rodado no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Paris, entre agosto e setembro de 2015, e chega aos cinemas em 24 de novembro. A produção é da Bravura Cinematográfica, distribuição da Downtown Filmes e Paris Filmes e coprodução da Globo Filmes e Academia de Filmes.

Leia aqui crítica do filme.

Fazer cinebiografia não é fácil. Envolve centenas de desafios, desde os mais técnicos, como reconstituição de época, até os mais intangíveis, como a presença do cinebiografado no imaginário de cada um. Quando o personagem escolhido é de grande apelo popular, e viveu numa época relativamente recente, tais desafios parece que se potencializam: todo mundo quer dar palpite na obra pronta, todos se transformam em críticos, todos reclamam de uma coisa ou outra que o filme teve ou que deixou de ter, sem parar para pensar que cinema, acima de tudo, é síntese; é simplificação.

Assim, a cinebiografia “Elis” torna-se ainda mais merecedora de todos os elogios que virão: ela supera seus desafios intrínsecos com louvor e se caracteriza firmemente como uma preciosidade. Roteiro, a fotografia de Adrian Tejido, dramaturgia, ritmo, trilha sonora, reconstituição de época e – principalmente – a escolha da atriz Andreia Horta para o papel título, tudo funciona bem no filme de Hugo Prata, estreante em longas.

A opção é pelo tradicional. O roteiro – escrito a dez mãos por Luiz Bolognesi, Nelson Motta, Patrícia Andrade, Vera Egito e Hugo Prata – opta pela narrativa clássica e cronológica tão cara às convencionais cinebiografias norte-americanas que tanto já nos acostumamos a ver. De “Música e Lágrimas” a “À Noite Sonhamos”; de “Ray” a “Jersey Boys”, isso só para ficar no universo dos cinebiografados musicais.

Trata-se de um estilo que pode desagradar os apreciadores de um cinema mais ousado, mas que certamente fala mais de perto ao grande público. Esta falta de ousadia não chega a se configurar em problema para “Elis”, que acaba se alicerçando firmemente na figura da protagonista, que esbanja força e vitalidade suficientes para segurar todo o filme. Com direito a gostinho de quero mais, mesmo porque o imenso repertório que a cantora legou seria suficiente para uma baciada de longas.

Ainda que apoiando-se na segurança da narrativa episódica, “Elis” tem, no mínimo, dois grandes méritos. O primeiro e o mais evidente é a maneira como Andreia Horta (de “Muita Calma nesta Hora” 1 e 2) interpretou a personagem título. Aliás, “interpretou” talvez não seja a palavra mais apropriada: Elis “reencarnou” em Andreia. Gestos, risos, postura de corpo e até o timbre de voz da cantora ao falar são reproduzidos na tela com um realismo impressionante que chega a estarrecer quem teve a sorte de viver nos anos em que a “Pimentinha” era presença constante na mídia. O segundo mérito é a força de um roteiro que conseguiu escapar de um erro dos mais recorrentes de muitas cinebiografias: o de endeusar o cinebiografado, de colocá-lo num pedestal quase religioso, descolando-o das realidades de sua época e vesti-lo com um manto sagrado. Aqui, vemos uma Elis humana, que vive, sonha e sofre com suas hesitações, assim como todos nós. Uma pessoa comum com uma voz incomum que é ao mesmo tempo sua bênção e sua maldição.

A maneira como o roteiro trata a questão das pressões que Elis sofreu dos militares, como ela lidou com isso, seus medos, as retaliações, e o consequente relacionamento com o cartunista Henfil, desembocando no clássico “O Bêbado e o Equilibrista”, é o ponto alto do filme. Tudo muito humano, crível, sem simplificações maniqueístas e de uma dignidade ímpar.

E um destaque final digno de aplausos. “Elis” consegue ser um filme ao mesmo tempo histórico, emotivo e importante, sem recorrer a duas das mais aborrecidas ferramentas cinematográficas aos quais muitas vezes as cinebiografias se rendem: a insuportável narração em off – vírus mortal que tem se alastrado epidemicamente pelo cinema brasileiro –, e os infantis letreiros que fazem questão de escrever, na tela, o ano e o local onde as coisas acontecem. Que alívio!

Hugo Prata faz aqui uma estreia de ouro. O trocadilho é péssimo, mas o filme é ótimo.

Assista ao trailer do filme aqui.

 

Elis
Brasil, 115 min., 2015
Direção: Hugo Prata
Distribuição: Downtown Filmes
Estreia: 24 de novembro

 

Por Celso Sabadin

“A Costureira e o Cangaceiro”, novo filme de Breno Silveira (“Dois Filhos de Francisco”) – na foto, de camiseta rosa –, que acaba de ser rodado no município de Piranhas, em Alagoas, e em Pernambuco, no Recife antigo e em Olinda, é baseado no livro homônimo da recifense Frances de Pontes Peebles.

A história se passa nos anos 1930 e fala sobre duas irmãs que moram na casa de uma tia, a melhor costureira da região. As duas irmãs, com suas personalidades, dão o tom ao filme.

A atriz Nanda Costa (foto) é Luzia, uma menina corajosa que se envergonha de uma deficiência física; Emília (Marjorie Estiano), não gosta do lugar onde mora e sonha em ser uma dama da capital. A ação gira em torno do sequestro de Luzia por um bando de cangaceiros.

No elenco do filme, ainda estão Leticia Colin, Julio Machado, Rômulo Estrella e Fabio Lago. Uma coprodução da Conspiração e Globo Filmes, “A Costureira e o Cangaceiro” deve estrear nos cinemas em 2017, com distribuição da H2O Films.

Com estreia global nesta sexta-feira, 25 de novembro, a série 3%, produzida pela Boutique Filmes, é a primeira produção original da Netflix no Brasil. A produção executiva é de Tiago Mello, direção de fotografia de Eduardo Piagge e direção de arte de Valdy Lopes Junior.

A série, em oito episódios, tem direção geral de César Charlone, que divide a direção dos episódios com Daina Giannecchini, Dani Libardi e Jotagá Crema. O roteiro e criação são de Pedro Aguilera. O músico André Mehmari assina a música da série.

O elenco é composto por João Miguel, Bianca Comparato, Michel Gomes, Rafael Lozano, Rodolfo Valente, Vaneza Oliveira, Viviane Porto, Zezé Motta e Mel Fronckowiak. A história de 3% se passa em um mundo onde a maioria da população vive em situação decadente até ter a oportunidade de participar de um processo de seleção que escolhe os 3% que passarão a viver em um local melhor.