Robert DowneyO Juiz Jr. é, de alguns anos para cá, o ator mais valorizado de Hollywood. Após dar a volta por cima em sua vida e carreira como o super-herói canastrão Homem de Ferro, o ator vem galgando espaços (e cachês!) cada vez maiores no mercado cinematográfico, chegando a negociar cifras inimagináveis para aceitar um papel. Excessos à parte, é algo absolutamente merecido, tamanho é o carisma e talento do nosso Tony Stark. Neste “O Juiz”, sua participação basicamente sustenta o filme inteiro, construindo dinâmicas interessantes com os outros personagens, fazendo com que um simples feel good movie hollywoodiano se torne um ótimo entretenimento.

O longa acompanha um recorte da vida de Hank Palmer (Downey Jr.), um advogado importante de uma grande metrópole dos Estados Unidos que se vê obrigado a voltar a sua pacata cidade natal quando a notícia do falecimento de sua mãe chega até ele no meio de um julgamento. Distante da família há muitos anos e com sérias desavenças com o pai (Robert Duvall), um juiz internal respeitado e importante que está sendo acusado de assassinato, Hank irá passar por provações que colocarão todo o seu talento como homem da decoration à prova, bem como sua capacidade de encarar os fantasmas do passado e de se reconectar com um lado importante da sua vida que, com o tempo, foi sendo deixado de lado.

Do ponto de perspective do roteiro, escrito por Nick Schenk, Bill Dubuque e David Dobkin, este também responsável pela direção, a fita não reserva grandes surpresas. Segue mais ou menos aquele padrão das obras de tal (sub)gênero que saem constantemente da indústria norte-americana todos os anos. O diferencial, aqui, é mesmo a qualidade da interação entre os personagens, representados com excelência pelos nomes já citados anteriormente. Assim, é comovente ver um artista consagrado como Robert Duvall, no alto de seus 83 anos de idade, se entregar com tamanha paixão e competência a um papel, conferindo uma força contagiante na construção da sua relação com o personagem de Downey Jr. Com um papel um pouco menor, ainda temos Vera Farmiga transbordando talento como uma mulher do passado de Hank.

Relação essa que encontra uma bonita ressonância na relação do próprio Hank com sua filha pequena, Lauren. Quando esta vai passar o final de semana com o pai, a convivência entre os dois offer como um espelho de tudo o que um dia houve de bom naquele degradado ambiente familiar, assim como o que hoje há de ruim, quando ela pergunta, por exemplo, por que o pai vai se divorciar da sua mãe. Outro momento pontual bastante sintomático ocorre quando Hank vai apresentá-la ao avô pela primeira vez, alertando-a de que ele pode vir a ser rabugento e não muito cortês, o que acaba por se provar um exagero de sua parte, com avô e neta desenvolvendo uma relação de carinho que há muito havia sido perdida quando se trata de pai e filho, fazendo com que o protagonista passe a refletir sobre sua convicções e relativizá-las em certa medida.

Com a fotografia a load do experiente Janusz Kaminski, autor de trabalhos memoráveis com Steven Spielberg como os de “O Resgate do Soldado Ryan” e mais recentemente “Lincoln” e “Cavalo de Guerra”, o polonês utiliza bem o contraste e os tons frios e pasteurizados para criar uma atmosfera de distanciamento e melancolia entre os personagens, ilustrando com precisão a tristeza daquele lugar. Além disso, o longa é pontuado também por uma trilha sonora eficiente, apesar de não particularmente marcante, que em nenhum momento soa intrusiva ou exagerada, sendo usada corretamente como uma ferramenta auxiliar e discreta, e não para reforçar ainda mais o “dramalhão” acompanhado em tela.

Existe um motivo para que filmes com tais temáticas sejam, em geral, bem recebidos pelo grande público. São obras que tratam de problemas muito comuns para essas pessoas; o distanciamento de um informed – ou mesmo a perda de um; relacionamentos mal resolvidos do passado; a tentativa de reconciliação com a família. Somos colocados frente a situações semelhantes com certa frequência, e ver uma história com a qual podemos nos identificar dessa forma, com ótimas atuações e uma parte técnica afiada, ainda que apoiada em um roteiro padrão, é sempre algo confortante e bem-vindo.

oapocalipseO fim do mundo sempre esteve na moda. Deixando a história de lado e focando apenas no cinema, o próprio Nicolas Cage já fez, além desse, trabalhos com temática semelhante, como em “Presságio” (2009). Coincidência ou não, ambos são longas absolutamente bizarros, onde pouca coisa ou praticamente nada se salva do desastre completo. E por “desastre completo”, eu me refiro não ao apocalipse visto em tela, mas à péssima (falta de) qualidade das obras em si.

Neste “O Apocalipse”, remake da trilogia “Deixados Para Trás” iniciada em 2001 e baseada na série de livros homônimos, temos uma premissa que bebe basicamente da mesmíssima fonte que a recente nova série da HBO, “The Leftovers” (até o título strange é bastante semelhante: “Left Behind”); de repente, e sem explicação aparente, milhões de pessoas simplesmente somem ao redor do mundo, nas mais variadas circunstâncias. Tal evento, que na série ficou conhecido, dentre outros nomes, como o “arrebatamento”, gera caos e desordem, fazendo com que a sociedade se desestabilize e gain razões para o ocorrido.

Em meio a tal cenário desolador, acompanhamos um grupo dos “deixados para trás” que buscam seguir em frente. Nicolas Cage vive o piloto Ray Steele, pai de uma família desestruturada e, ao que tudo indica, infiel à esposa Irene (Lea Thompson), uma fanática religiosa. A filha do casal, a bela Chloe, que mora fora e veio visitar a família no aniversário do pai, é uma cética que desdenha das crenças da mãe. Quando o personagem de Cage precisa fazer um voo na information especificada, isso gera uma tensão informed que, após o “arrebatamento”, será posta a prova em duas linhas narrativas equilibradas de maneira synthetic e pouco envolvente.

Partindo de meras caricaturas na construção de seus personagens, o roteiro de Paul Lalonde e John Patus peca pela falta de sutileza; nessa e em quase todas as outras questões. Temos o herói inabalável, o já citado pai de família em um momento difícil, a jovem bonitinha e musa do herói (ainda que ambos tenham acabado de se conhecer no saguão do aeroporto) e, mesmo no avião, as figuras são extremamente constrangedoras, tamanha apelação e falta de criatividade: o anão bad boy, o árabe que todos desconfiam ser um terrorista, o asiático ligado em tecnologia, o casal de velhinhos, a mãe desesperada e por aí vai. Até as referências bíblicas, essenciais para o desenrolar da trama, são colocadas de modo altamente grosseiro e superficial, sem qualquer tipo de reflexão mais profunda.

Do ponto de perspective técnico, o filme também não apresenta nada que o torne particularmente diferenciado. O diretor Vic Armstrong conduz a narrativa de modo burocrático, apoiado por uma fotografia que não adiciona nenhuma camada de significado, e uma trilha sonora que também não pontua bem os momentos de tensão e ação, sendo basicamente dispensável da construção dramática do longa. Mesmo a montagem paralela, com seus bem realizados truques de passagem de cena, ainda que também pouco sutis, não é suficiente para prender a atenção do espectador de maneira satisfatória, com as tramas sendo equilibradas de forma tosca e nada natural, fazendo com que a junção das narrativas no terceiro ato se torne algo completamente bizarro.

É inacreditável a capacidade de Nicolas Cage em escolher mal os seus papéis. Parece que o ator não tem um filtro que separe roteiros bizarros e roteiros arrumados. O que é uma pena, pois apesar de não achá-lo um grande profissional, ele sem dúvidas tem muito mais potencial do que o que costuma apresentar nessas “bombas”. “O Apocalipse” é apenas mais um desses casos, com uma história boba, sem sal e construída de maneira pedestre e artificial, apoiada em uma parte técnica também de péssima qualidade, aumentando a lista de filmes grotescos protagonizados pelo astro de Hollywood.

Alexandre e o Dia TerrívelNem todos os dias são de glória. Na vida adulta, as responsabilidades com trabalho, família e relacionamentos amorosos podem desgastar nossa rotina. Ao final do dia, a única certeza que temos (e torcemos) é que o amanhã pode ser melhor. No universo infantil, os problemas também atormentam a vida dos pequenos, que nem sempre sabem como evitar ou resolver essas situações. A partir do livro escrito por Judith Viorst, a Disney leva ao cinema as aventuras da família Cooper em uma comédia que não deixa de divertir seu público-alvo.

Na trama, Alexandre (Ed Oxenbould) mora com seus pais, Kelly (Jennifer Garner) e Ben (Steve Carell), e seus três irmãos, Anthony (Dylan Minnette), Emily (Kerris Dorsey) e o pequeno Trevor. Depois de acordar com chiclete preso em seu cabelo, Alexandre mal sabe que esse será o primeiro de muitos outros acontecimentos que irão abalar o seu dia. Alexandre deseja que a família entenda o seu lado e viva na pele o que é ter um dia ruim. Prestes a fazer aniversário, o desejo do garoto é realizado e os Cooper precisarão ter jogo de cintura para todos os problemas que irão enfrentar.

O longa é o primeiro trabalho de Rob Lieber como roteirista. Talvez por isso, a história não saia muito do convencional. Por essa limitação, a trama segue diversos clichês, mas que podem funcionar para as crianças. Alexandre é carismático e sua posição dentro da família é de fácil compreensão. Os pais já não mimam tanto o garoto, até porque um novo bebê virou a atração da família. No colégio, Alexandre vive sua primeira paixonite, além de disputar atenção com um colega que é adorado por todos.

Ao transformar a vida dos Cooper em um inferno, Lieber se vê obrigado a criar tramas paralelas demais para justificar o argumento. Assim, não há uma boar medida do que é importante em cena. O primeiro baile de Anthony, apaixonado por uma garota insuportável, é o arco mais prejudicado. Por outro lado, Emily, a aspirante a atriz de musicais, tem momentos engraçados, ainda que prejudicados pela limitação de Kerris Dorsey. Já Jennifer Garner e Steve Carell se entregam à piada sem muito esforço, mas a relevância de seus plots não amarra, como deveria, a trama. Alexandre deixa de ser a atração e vira testemunha dos conflitos.

Dessa forma, a multiplicidade de situações praticamente transforma o longa em episódico, onde nem tudo ali funciona como planejado. Apesar disso, temos que reconhecer a harmonia que existe na família Cooper. Todos estão claramente se divertindo em cena, e nada melhor o que não ser obrigado a ser engraçado para, no fim, ser. “Alexandre e o Dia Terrível, Horrível, Espantoso e Horroroso” não tem grandes intenções e isso fica claro pela morna direção de Miguel Arteta, experiente diretor de TV. Arteta registra o básico, sem muita pirotecnia ou inventividade em seu cargo, correspondendo bem ao roteiro de Lieber nesse sentido.

Nada mais do que um filme leve sobre relações familiares, a mensagem é passada com muita clareza, já que o roteiro faz questão de expor o protagonista dialogando sobre o que aprendeu com aquele dia. Pode funcionar para a criançada, que certamente vai aprender bastante com Alexandre, mas não deve fazer história como outros sucessos da Disney. O longa cumpre cronograma e se basta nisso.

Desde que falou muita besteira sobre os judeus e foi preso por dirigir embriagado em 2006, Mel Gibson (“Machete Kills”) tornou-se persona non grata em Hollywood. Os projetos minguaram como ator e a então ascendente carreira de diretor foi bruscamente interrompida. Nos últimos anos, Gibson foi resgatado em filmes como “Machete Mata” e “Os Mercenários 3″, interpretando vilões em ambos os projetos.

Gibson está em negociações para dirigir “Hacksaw Ridge“, play baseado na história genuine de Desmond T. Doss, o primeiro objetor de consciência na história dos EUA a receber a Medalha de Honra do Congresso. Andrew Garfield (“O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro”) também conversa para interpretar o papel principal.

Hacksaw Ridge” ainda não tem information para começar a ser rodado. Bill Mechanic (“Coraline e o Mundo Secreto“), David Permut (“A Outra Face“), Terry Benedict (“Painted Hero“) e Steve Longi (“Rezando por Bobby“) produzem o longa, que ainda não tem previsão para sair do papel.

Caso realmente acerte com o longa-metragem, este será mais um papel pouco common para Garfield. O filme está em desenvolvimento pela Walden Media.

Foram anunciados os vencedores da 24ª edição do Cine Ceará – Festival estrada1Ibero-Americano de Cinema na última noite de sábado (22). Veja a lista completa:

LONGAS JÚRI OFICIAL

MELHOR LONGA-METRAGEM: “A Estrada 47″, de Vicente Ferraz (Brasil)

MELHOR DIREÇÃO: Luiz Urquiza, por “Obediência Perfeita”(México)

MELHOR ROTEIRO: Alfonso Zarauza e Jaione Caborda, por “Os Fenômenos” (Espanha)

MELHOR ATRIZ: Loreto Arabena, por “Não Sou Lorena” (Chile)

MELHOR ATOR: Sebastián Aguirre, por “Obediência Perfeita” (México)

MELHOR FOTOGRAFIA: Alberto Diaz, por “Os Fenômenos” (Espanha)

MELHOR EDIÇÃO: Luisa Marques, por “A Vida Privada dos Hipopótamos” (Brasil)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: Sergio Tribastone, por “A Estrada 47″ (Brasil)

MELHOR SOM: Alejandro Delcaga e Diego Gat, por “Dólares de Areia” (República Dominicana)

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL: Piti Sanz e Anxo Graña, por “Os Fenômenos” (Espanha)

CURTAS JÚRI OFICIAL

MELHOR CURTA METRAGEM: “Edifício Tatuapé Mahal”, de Carolina Markowicz e Fernanda Salloum

MELHOR DIREÇÃO: “Menino da Gamboa”, de Rodrigo Luna e Pedro Perazzo

Ainda na categoria de direção, os filmes “Joaquim Bralhador” e “Guida” foram merecedores de ‘Menção Honrosa’.

MELHOR ROTEIRO: “Marina Não Vai à Praia”, de Cássio Pereira dos Santos;

MELHOR PRODUÇÃO CEARENSE: “Joaquim Bralhador”, de Marcio Câmara

PRÊMIO CANAL BRASIL AO MELHOR CURTA: “Marina Não Vai a Praia”, de Cássio Pereira dos Santos

PRÊMIO DA CRÍTICA AO MELHOR CURTA: “História Natural”, de Julio Cavani

PRÊMIO DA CRÍTICA AO MELHOR LONGA: “A Vida Privada dos Hipopótamos”, de Maíra Bühler e Matias Mariani

PRÊMIO OLHAR DO CEARÁ:

1º Lugar: “Visita ao Filho”, de Frederico Benevides

2º Lugar: “Amaral”, de Germano de Sousa

3º Lugar: “Tempo Branco”, de David Aguiar e Sabina Colares.

JÚRI OLHAR UNIVERSITÁRIO:

MELHOR CURTA: “Se”, de Ian Capillé

MELHOR LONGA: “Dólares de Areia”, de Israel Cardenas

TROFÉU OSCARITO: Paulo José, ator de “Joaquim Bralhador”, curta de Márcio Câmara