A trajetória de onze personagens que se cruzam durante uma noite em São Paulo é contada no longa-metragem Hipóteses para o Amor e a Verdade, uma adaptação para o cinema da peça teatral homônima encenada pelo grupo Satyros, que estreia em 20 de agosto, no Cine Belas Artes, em São Paulo.

A criação desses personagens foi resultado de entrevistas realizadas na região central da cidade: residentes, prostitutas, traficantes, empresários, transexuais, michês, atores, músicos – enfim, toda a sorte de frequentadores da região da Praça Roosevelt.

A companhia de teatro ouviu depoimentos de mais de duzentas pessoas sobre como se vive e como se sobrevive na cidade. Acima de tudo, o filme é uma declaração de amor a São Paulo em todas as suas contradições e anacronismos, sendo uma alegoria da metrópole.

As histórias da região central da cidade, que abriga diversos caminhos da vida contemporânea, foram retrabalhadas para atingir outros públicos e outras regiões a partir do audiovisual.

O filme, dirigido por Rodolfo García Vázquez, tem distribuição da Raiz Distribuidora.

Por Newton Cannito

 

Para explicar melhor, vale entender a diferença entre formato e gênero. Formato é um conjunto de características formais que se repetem. Ele é construído pelas especificações mais técnicas da narrativa. Por exemplo: a quantidade de capítulos, o tempo deles, as regras do episódio, a forma da linguagem audiovisual. Seriado é um formato. Minissérie é outro. O folhetim de jornal era um formato. Mesmo características de linguagem audiovisual (quantidade de cenários, tipos de enquadramento etc.) são parte do formato.

O gênero é mais estético. É um tipo de enredo e a relação desse enredo com a audiência. O gênero é também um pacto entre a obra e o público. A grosso modo, os gêneros são: comédia, tragédia, farsa e melodrama. Também existem os subgêneros, como policial, sci fi, terror etc.

Temos hoje uma crise do formato da telenovela padrão. Apesar do evidente talento de autores da televisão brasileira, a telenovela tem caído de audiência. Duzentos capítulos podem ser muito para um universo. Isso exigia histórias muito multiplot, com muitos personagens e com pouca concentração dramática. “Game of Thrones” faz isso, pois consegue construir um universo muito coeso, tal como conseguiu “Roque Santeiro”. Não é fácil. Outra opção é concentrar mais. “Avenida Brasil” conseguiu fazer uma telenovela longa apenas com poucos núcleos e poucos personagens. Essa concentração dramática lembra as minisséries, como “Revenge” e “Downton Abbey”. O problema é que é realmente difícil sustentar tantos capítulos sem ter uma infinidade de personagens. E é difícil fazer um multiplot que tenha um universo tão forte que dê unidade a várias histórias (como “Game of Thrones”).

O formato telenovela também foi criado e faz sucesso por ser uma obra aberta, que vai sendo escrita enquanto está no ar. Isso exige uma imensa genialidade dos autores e permite algo maravilhoso: o diálogo entre autores e audiência. Por outro lado, isso faz com que as histórias sejam escritas com velocidade e fiquem numa linguagem muito baseada em diálogos. Essa velocidade também exige um desenho de produção que permite gravações diárias, cinquenta minutos de dramaturgia por dia. O resultado disso é um padrão estético de direção muito repetitivo, que já dá sinais de esgotamento com o público. Os talentosos diretores da televisão brasileira começaram a procurar soluções inovadoras, mas geralmente elas são para os primeiros capítulos. Pois é realmente muito difícil gravar tantas horas sem ter um padrão rígido de direção. Tudo isso, obviamente, restringe a criatividade da telenovela. No formato de telenovela diária, o conteúdo é todo passado em diálogo. Não existe subtexto, não existe sutileza. Isso acontece, pois não tem como a direção construir subtexto gravando cinquenta minutos diários. Isso exigiria pensar a decupagem, ensaiar mais os atores etc.

Por fim, o hábito do público tem mudado e se acostumado ao on-demand, que prescinde do “horário da novela”. Tudo isso coloca em cheque o formato de telenovela tal como o conhecemos hoje. Claro que ainda existe um público fiel, mas tudo indica que seja um público que está envelhecendo.

“Downton Abbey”, no entanto, provou que, apesar do formato estar em crise, o gênero telenovela continua possibilitando obras-primas. A série tem poucos capítulos por temporada, com grande concentração de enredo por episódio. A direção tem sutileza e o silêncio diz tanto quanto o diálogo. Os atores interpretam num padrão menos novelesco e isso nos dá mais empatia. Tudo isso afasta a série de uma telenovela tradicional. No entanto, o enredo é muito parecido com o de uma telenovela comum. Temos o núcleo pobre e o núcleo rico muito bem definidos. No núcleo rico, temos o famoso tema de conseguir um casamento, um arranjo para construir uma família, um tema típico do melodrama. Acompanhar as peripécias das irmãs tentando arrumar um bom casamento é, até hoje, fascinante. Num momento de suposto desprestígio do tema, ficou claro, para mim, que ele ainda pode ser atual. Temos também a questão de herança. As disputas de cotidiano do núcleo pobre, algumas poucas tratadas em chave cômica (como a disputa entre as cozinheiras). Em termos de inovação em relação ao melodrama tradicional, temos a pouca importância dada aos vilões. A minissérie quase prescinde deles. Temos, no início, o personagem do lacaio Thomas, que é movido pela inveja. Mais tarde, temos a ex-mulher do valete Bates que consegue atuar como vilã. Mas o interessante é que são em núcleos paralelos e têm papéis menores. A figura do vilão, tão presente no modelo tradicional de telenovelas, perde a importância. Em telenovela, quem tem feito isso é a autora Lícia Manzo (“Sete Vidas”). Outra coisa importante em “Downton Abbey” é a preocupação com o que podemos chamar de uma “fidelidade” histórica ao espírito do tempo. Mais do que a fatos históricos, a fidelidade é a ética da época. Um exemplo que isso se evidencia: imagine uma telenovela sem beijo. “Downton Abbey” é assim. Sabemos que o “ficar” virou tendência nos últimos anos. Mas “Downton” constrói histórias de amor e paquera onde o beijo só acontece ao final da segunda temporada. As pessoas pedem as outras em casamento antes de beijá-la. Também a descrição da ética dos empregados e sua relação com o patrão é fascinante. São éticas muito diferentes das nossas. O detalhamento dessas éticas faz com que entremos em um novo universo. Isso é boa dramaturgia. O que define uma boa série hoje é ter um novo universo. Um novo universo tem que ter regras próprias, diferentes das que estamos acostumados a ver na “realidade”. Isso fica mais evidente num universo fantástico (como “Game of Thrones”). Mas também é maravilhoso quando percebemos que a descrição realista de um universo pode se tornar fantástica, como acontece em “Downton Abbey”. Isso é algo pouco construído na dramaturgia tradicional de novelas, onde todos os universos seguem regras muito parecidas com a da sociedade atual e/ou do padrão de comportamento defendido como hegemônico nos dias de hoje.

Mas, apesar dessas sutis inovações, “Downton Abbey” é, antes de tudo, um melodrama familiar, com curva longa e temas tradicionais de uma boa novela. O formato é diferente, mas o gênero ainda é o mesmo. O sucesso mundial da série mostra como podem ser as novelas do futuro.

 

Newton Cannito é roteirista

Matheus está no novo longa da diretora argentina, “Zama”, seis anos após o lançamento de seu último filme, “A Mulher sem Cabeça”, o quarto de sua carreira, e sua primeira adaptação literária, baseada na obra homônima do autor argentino Antonio di Benedetto.

O filme foi selecionado no edital Brasil-Argentina 2014 e tem coprodução da Bananeira Filmes no Brasil, além de Argentina, Espanha, França, EUA e Países Baixos.No elenco, estão mais quatro atores do Brasil, além de brasileiros também na direção de arte e montagem.

Rodado na Argentina, em junho, o enredo se passa no fim do século XVIII, em uma pequena cidade latino-americana de colonização espanhola. Diego de Zama, único funcionário sul-americano da administração colonial, espera por uma carta do Rei com sua promoção e transferência para Buenos Aires, que nunca chega.

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O aguardado faroeste “Os 8 Odiados“, ganhou uma série de novos pôsteres focados nos protagonistas da trama, que será dirigida por Quentin Tarantino (“Django Livre”). Veja:

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Os 8 Odiados” ocorrerá após uma Guerra Civil, onde uma diligência desviada de sua rota para uma tempestade de neve. Um grupo de oito estranhos formados pelo caçador de recompensas Major Marquis Warren, pelo enforcador John Ruth, pela prisioneira Daisy Domergue , o xerife Chris Mannix, o mexicano Bob, o homem pequeno Oswaldo Mobray, o vaqueiro Joe Gage e pelo confederado General Sanford Smithers ficam presos em um salão no meio do nada e à medida que a tempestade ultrapassa os limites previstos, os oito viajantes descobrem que podem não chegar a seu destino, Red Rock.

Estão no elenco Samuel L. Jackson (“Os Vingadores”), Kurt Russell (“Fuga de Nova Iorque”). Jennifer Jason Leigh (“Amores Inversos”), Walton Goggins (“Lincoln”), Demian Bichir (“A Recompensa”), Tim Roth (da série“Lie To Me”), Michael Madsen (“Pregando o Amor”), Bruce Dern (“Django Livre”) e recentemente Channing Tatum (“Anjos da Lei”) entrou para o elenco. Escrito e dirigido por Tarantino, “The Hateful Eight” tem Richard N. Gladstein, Stacey Sher e Shannon McIntosh. Harvey Weinstein, Bob Weinstein e G. Mac Brown como produtores executivos, e Coco Francini e William Paul Clark como produtores associados.

O longa estreia dia 25 de dezembro nos EUA e segue sem previsão no Brasil.

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E mais imagens do set de filmagens do reboot “Os Caça Fantasmas” foram divulgadas recentemente. Dessa vez o secretário das caça fantasmas, vivido por Chris Hemsworth (“Thor“), aparece com o uniforme da equipe. Veja:

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Dirigido por Paul Feig, o terceiro filme da franquia e protagonizado por uma equipe feminina terá Melissa McCarthy (“As Bem-Armadas”), Kristen Wiig (“Missão Madrinha de Casamento”), Leslie Jones e Kate McKinnon, do Saturday Night Live. O roteiro está sendo escrito por Katie Dippold, com quem Feig trabalhou em “As Bem-Armadas”. Em outubro do ano passado, quando revelada que a franquia ganharia uma sequência, o diretor afirmou estar interessado em “capturar o espírito dos adorados filmes originais”.

O longa continua a ser rodado em Boston e tem estreia programada para 22 de junho de 2016.