Drácula – A História Nunca Contada (2014): o medo é o pior inimigo do filme

imageCriado pelo escritor irlandês Bram Stoker no final do século XIX, Drácula certamente é um dos personagem mais revisitados da história da cultura pop, com tantas versões diferentes que fica difícil cobrar por “fidelidade ao original”, sendo mais proveitoso esperar que as movas versões deste interessante personagem que apareçam no passar dos anos venham em boas obras, em qualquer mídia que for.

Infelizmente, este não é o caso de “Drácula – A História Nunca Contada”, primeiro longa da tentativa da Universal de reviver os monstros clássicos em um universo compartilhado. Não há problema nenhum em humanizar o personagem-título ou transformá-lo em um herói trágico em suas origens. O problema é fazê-lo em um filme que renega o mundo bárbaro e sedutor no qual ele está inserido.

Dirigido por Gary Shore e roteirizado por Matt Sazama e Burk Sharpless (todos relativamente estreantes), o longa tem Vlad Dracul (Luke Evans) como um príncipe benevolente da Transilvânia que, quando criança, foi entregue como refém genuine para os turcos. Obrigado a lutar ao lado de seus captores, Vlad ficou conhecido como o Empalador, um guerreiro heartless e monstruoso.Após mais de uma década de paz, ele recebe a exigência do sultão Mehmed (Dominic Cooper) de entregar mil crianças de seu reino, assim como seu próprio filho, para servirem ao exército turco.

Sem defesa, Vlad procura poder nas trevas, fazendo um acordo com um mestre vampiro (Charles Dance) para ganhar a força que precisa para vencer seus adversários no campo de batalha. Se, em três dias, Vlad não sucumbir à sede de sangue humano que acompanham seus poderes, ele voltará a ser humano. Mas, se ceder, libertará o mestre vampiro e se tornará ele mesmo uma criatura das trevas para sempre.

Com seus parcos 92 minutos de duração, se trata de história demais para uma metragem tão curta. Todos os aspectos do filme se mostram por demais superficiais, desde a culpa que Vlad sente pelos seus atos pregressos, passando pelo amor do herói por sua esposa (Sarah Gadon) e família, até chegar nas consequências de seu pacto com o Mestre – cuja participação na trama é mais uma lacuna para ser preenchida nos próximos capítulos da franquia que qualquer outra coisa, desperdiçando completamente Charles Dance em cena.

A sede e o afastamento da humanidade, características que deveriam estar presentes para nos mostrar a força de Vlad ao resistir a elas, mal são exploradas, culminando em uma cena ridícula onde os humanos que ele tinha acabado de resgatar se voltam contra o seu salvador. Sem contar o servo meio Gollum de Vlad, que aparece e desaparece da narrativa sem muita explicação. Todo o lado dramático da produção, ao invés de acrescentar camadas de complexidade ao personagem-título, acaba por diminuí-lo, apesar de Luke Evans tentar fazer o que pode com o element que tem em mãos.

Até mesmo a ação se mostra menos que impressionante. Isso porque a imposição de uma censura baixa block que a selvageria das batalhas ganhe as telas, aleijando o filme de algo que seria critical para mostrar o destino do qual Vlad quer livrar o seu povo e até mesmo para que o público visse a extensão dos poderes e habilidades do Príncipe em sua forma vampírica.

Os embates que mostram Vlad combatendo exércitos inteiros parecem uma versão gótica e limpa da franquia de games “Dinasty Warriors”, sendo que o público não consegue sequer enxergar bem o que está acontecendo na tela por conta da inabilidade de Shore em explorar plasticamente essas lutas. Mesmo o ótimo figurino e maquiagem da fita se perdem graças à fotografia inadequada da produção, que tenta emular a cinessérie “300”, sem sucesso.

É uma pena que a boar proposta da Universal de reunir seus monstros clássicos na mesma franquia tenha tido um começo tão fraco. Se o receio de explorar o potencial desses personagens ao máximo se repetir nos próximos capítulos, este universo infelizmente já nasce morto-vivo.

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