Durante quatro dias, sempre às quartas-feiras, entre fevereiro e março, a Mostra dos Curtas Premiados, apresentará, no Itaú Cultural, em São Paulo, curtas-metragens nacionais que foram premiados nos festivais de 2014. A primeira sessão acontece no dia 4 de fevereiro, às 20h, na Sala Vermelha, com a exibição de cinco filmes.

Para dar início à programação, a animação Edifício Tatuapé Mahal, de Carolina Markowicz e Fernanda Salloum, conta a história de um boneco de maquete argentino, Javier Juarez Garcia, que veio trabalhar nos stands de venda de apartamentos de São Paulo, aproveitando o boom imobiliário da cidade. Depois de uma grande decepção, ele decide mudar de vida e seguir sem rumo pelo mundo. O curta-metragem foi premiado na categoria melhor roteiro no Festival de Cinema de Paulínia, foi também o melhor filme no Júri Popular Kinoarte, melhor direção de arte no Mix Brasil e ficou entre os dez preferidos do público no Festival Internacional de Curtas de São Paulo.

Se Essa Lua Fosse Minha é o segundo filme a ser apresentado nesse data. O primeiro nesse formato de Larissa Lewandoski, já foi vencedor do 42º Festival de Cinema de Gramado, na categoria melhor curta-metragem, e do 25º Festival Internacional de Curtas de São Paulo – Prêmio Itamaraty. É um documentário que aborda moradores do trecho de uma determinada rua de Porto Alegre, fazendo um paralelo com os participantes do programa espacial, conhecidos como “afronautas”, na Zâmbia de 1964.

O terceiro vídeo da noite, Barqueiro, é comandado pelos diretores José Menezes e Lucas Justiniano, parceiros também no longa-metragem Sobre Futebol e Barreiras e no documentário 3310, ainda sendo finalizado. Barqueiro acontece em São Paulo em uma época que morrem, aproximadamente, 500 pessoas a cada 48 horas. A narrativa acontece em torno de Sérgio, motorista do Serviço Funerário Municipal há mais de 20 anos, especializado em serviços que outros condutores têm dificuldade em realizar: a remoção de crianças. Em uma noite de inverno em particular, Sérgio espera por sua primeira chamada.

Depois, vem o E, de Alexandre Wahrhaftig, Helena Ungaretti e Miguel Antunes Ramos. O tema se desenvolve a partir da palavra Estacionamento. Foi eleito o melhor curta na Mostra de Cinema de Tiradentes; melhor documentário – Júri ABDeC, no É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários e foi Menção Honrosa do Júri, também no É Tudo Verdade.

Por último, o curta La Llamada, de Gustavo Vinagre, conta a história de Lázaro Escarze, um cubano revolucionário de 87 anos, que vive em um pequeno povoado e terá seu telefone instalado pela primeira vez na vida. O diretor é formado em Letras na Universidade de São Paulo e em Cinema na EICTV, em Cuba. Em seu currículo carrega o curta Filme para poeta cego e o média-metragem Nova Dubai.

 

Mostra dos Curtas Premiados
Data: a partir de 4 de fevereiro, às 20h
Local: Itaú Cultural – Sala Vermelha – 70 lugares – Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô – 11 2168-1776 / 1777
Duração da sessão do dia 4/02: 1h15
Não é necessária inscrição prévia
Estacionamento com manobrista: R$ 14 uma hora; R$ 6 a segunda hora; mais R$ 4 p/ hora adicional / Estacionamento gratuito para bicicletas
Acesso para deficientes físicos
Ar condicionado

Um piloto cai com seu avião no deserto e ali encontra uma criança loura e frágil. Ela diz ter vindo de um pequeno planeta distante. E ali, na convivência com o piloto perdido, os dois repensam os seus valores e encontram o sentido da vida.

Com essa história mágica, sensível, comovente, às vezes triste, e só aparentemente infantil, o escritor francês Antoine de Saint-Exupéry criou há 70 anos um dos maiores clássicos da literatura universal.

A Geração Editorial lança agora uma nova versão desse clássico da literatura mundial. O livro mais traduzido da história, depois do Alcorão e a Bíblia, chega em edição completa, com tradução de Frei Betto e enriquecida com um caderno ilustrado sobre a obra e a curta e trágica vida do autor. A obra está disponível em versão pocket, luxo com capa dura e e-book.

Sobre o autor: Antoine de Saint Exupéry (1900-1944) foi escritor, ilustrador e piloto francês. Escreveu para jornais e revistas francesas e diversas obras, sempre caracterizadas por elementos de aviação e de guerra, entre elas, “O Aviador” (1926), “Voo Noturno” (1931), “Terra dos Homens” (1939), “Carta a um Refém” (1944).

O Pequeno Príncipe
Edição de Luxo
Autor: Antoine de Saint Exupéry
Tradução: Frei Betto
Editora: Geração Editorial
Páginas: 160
Preço: R$ 29,90

O Instituto de Cultura e Meio Ambiente (Icumam) divulgou a lista dos projetos selecionados para o II Icumam Lab – Laboratório de Fomento à Produção Audiovisual no Centro-Oeste 2015, que será realizado de 2 a 8 de março, na Pousada Monjolo, em Nerópolis (GO), a 30 km de Goiânia. O local foi estrategicamente escolhido por proporcionar um ambiente propício à reflexão, desenvolvimento de ideias e interação entre os participantes.

A iniciativa visa capacitar profissionais da região Centro-Oeste da área de audiovisual, realizadores, produtores, roteiristas e diretores cujas atividades são direcionadas ao desenvolvimento de projetos audiovisuais de longa-metragem e séries para TV, documentais ou de ficção.

Foram selecionados por uma comissão – formada por Andréa Nero, Flávia Cândida e Rafael Sampaio – oito projetos desenvolvidos por profissionais e empresas produtoras do Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Os responsáveis pelos projetos selecionados devem confirmar participação no evento por e-mail (icumamlab@icuman.com.br) até o dia 6 de fevereiro. Caso não ocorra a confirmação, serão chamados a participar projetos que constam da lista de suplência.

No total, foram inscritos 27 projetos, sendo 14 no formato longa-metragem e 13 no formato série de TV. Entre os longas inscritos – onze deles são do gênero ficção e três documentários –, sete são provenientes do Distrito Federal, seis de Goiás e um do Mato Grosso. Já entre as séries, seis delas são ficção, duas documentários, três animações e uma experimental. Entre os projetos de série de TV inscritos, seis deles são de Goiás, três do Distrito Federal, dois do Mato Grosso do Sul e dois do Mato Grosso.

Os quatro projetos selecionados de longa-metragem e do gênero ficção são:

Ainda Temos a Imensidão da Noite, direção de Gustavo Galvão, produção de Daniela Marinho, do Distrito Federal;
Fogaréu, direção de Flávia Neves, produção de Januário Leal, de Goiás;
O Diabo Está Lá Fora, direção de Júlio Gonçalves, produção de Cláudia Melissa, de Goiás;
Terra Eldorado, direção de Danielle Bertolini, produção de Amanda Fernandes, do Mato Grosso.

Os outros quatro projetos selecionados de série de TV são:

Com Trato Musica, direção de Perseu Azul Safi Leal, produção de Jackeline Scarpelli, documentário, do Mato Grosso;
Filhos do Mar, direção de Robney Bruno, produção de Adriana Rodrigues, ficção, de Goiás;
Mitos Vivos, direção de Fábio Flecha, produção de Tânia Sozza, documentário, do Mato Grosso do Sul;
Terra em Trânsito, direção de Erasmo Alcântara, produção de Joelma Paes, documentário-animação, de Goiás.

Produtores e diretores dos projetos selecionados participarão de discussões coletivas e abrangentes sobre seus projetos e, divididos em grupos de trabalho, serão acompanhados por profissionais de distintas áreas. Durante sete dias, os responsáveis pelos projetos participarão das atividades coordenadas pelas produtoras Beth Formaggini e Fernanda de Capua, pela roteirista e diretora Juliana Rojas, pelo produtor e curador Rafael Sampaio e pelo roteirista Thiago Dottori.

Os grupos de trabalho – roteiro, direção, produção, financiamento, marcos legais e modelos de comercialização, distribuição e circulação – serão coordenados por profissionais renomados e representativos dos diferentes ramos da produção audiovisual. Eles trabalharão entre si e em interlocução constante com os oito selecionados, para o desenvolvimento intensivo dos projetos escolhidos.

Durante a segunda edição do Icumam Lab serão realizadas oficinas com sete dias de duração, além de três palestras abertas ao público, as quais introduzem novas ideias ou reforçam conceitos já explorados pelos participantes, garantindo uma maior democratização e abrangência dos conteúdos das oficinas.

No ano em que Cássia Eller completaria 52 anos, o documentário “Cássia Eller”, de Paulo Henrique Fontenelle, estreia nos cinemas com distribuição da H2O Films, em 29 de janeiro, com imagens inéditas do arquivo da cantora e depoimentos de amigos e familiares.

Produzido pela Migdal Filmes (“Minha Mãe É Uma Peça”, “Nosso Lar”), com coprodução do GNT, da TeleImage e do Funcine, o longa foi exibido no Festival do Rio 2014, no qual participou como hour concours, e ganhou o prêmio do público de melhor documentário na 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

A timidez, a relação de Cássia com as drogas, o sucesso, a gravidez inesperada, a pressão da fama, as amizades e a sua morte são alguns dos assuntos abordados no filme. Os depoimentos de familiares, como a companheira Maria Eugênia Martins e o filho Chicão; de amigos como Deborah Dornellas; de jornalistas como Tárik de Souza e Arthur Dapieve; e artistas como Zélia Duncan, Nando Reis e Oswaldo Montenegro, aparecem mesclados a imagens de shows, ensaios, entrevistas e cenas da intimidade da cantora.

Por Humberto Pereira da Silva, de Tiradentes

 

O cineasta Renato Tapajós tem uma trajetória centrada em documentários de temática política. Seu filme mais conhecido é Linha de Montagem (1982), que trata do cotidiano político do líder sindical Lula, durante as greves operárias no ABC em fins dos anos de 1970 – pouco antes, portanto, da criação do Partido dos Trabalhadores (PT). Engajado defensor de um cinema militante de orientação de esquerda, Tapajós apresentou na 18º Mostra de Cinema Tiradentes seu mais recente trabalho, A Batalha da Maria Antônia.

Como ele próprio faz questão de acentuar, trata-se de seu ponto de vista sobre o confronto que opôs alunos da Faculdade de Filosofia da USP e da Universidade Mackenzie em outubro de 1968 na Rua Maria Antônia. Este ano, marcado por rebeliões estudantis em diversos cantos do mundo, teve aqui, com o confronto entre estudantes da USP e do Mackenzie, algo como nosso maio de 68: a rua que abrigava estas instituições seria nosso Quartier Latin, em referência ao célebre quadrilátero parisiense em torno da Sorbonne, palco da rebeldia juvenil francesa.

Tapajós foi testemunha da batalha da Maria Antônia e estava à esquerda da trincheira. Dessa perspectiva, seu filme procura captar o espírito que movia as ações dos estudantes que se opuseram à ditadura que havia se instalado no país em 1964. Não lhe interessa, portanto, ouvir a voz do outro lado da trincheira. “A Batalha da Maria Antônia”, para seu próprio cineasta, foi pensado de modo a dar voz àqueles que, na Faculdade de Filosofia, reagiam contra a ditadura. A intenção de Tapajós é colher depoimentos de envolvidos naqueles acontecimentos com a perspectiva de sondar como eles hoje enxergam os eventos de que fizeram parte.

Acentuar que o documentário reflete o ponto de vista de Tapajós previne o espectador a não procurar o que seria sua própria projeção pessoal de uma reconstituição isenta das tensões que levaram a rua a se dividir em dos blocos ideológicos: a esquerdista USP e a direitista Mackenzie nos conturbados anos de guerra fria e de polarização política. A vantagem dessa opção, caso não gere desconforto naqueles que a vejam como um ponto de visto nostálgico e elogioso de um momento de complexidade ímpar, é que Tapajós revela subliminarmente os sentimentos, motivações, ingenuidade e certo romantismo dos estudantes da Filosofia.

Ao adotar uma postura que se afasta na neutralidade, da isenção política, a Maria Antônia de Tapajós mostra como jovens libertários uspianos daqueles anos viviam um clima em que estava na onda se rebelar contra valores morais estabelecidos e arraigados. A política, sob muitos aspectos, era uma válvula de escape. Por meio dos depoimentos de quem estava à esquerda da trincheira, se tem um dado de perfil do comportamento da juventude que abraçou a contracultura ou em seguida aderiu à luta armada.

Não se trata de um filme, portanto, cujas marcações não tenham sido bem calculadas e seus efeitos devidamente ponderados. Ou seja, não é um filme que leve o espectador a exigir mais do que oferece. Melhor, quem se aproximar de A Batalha da Maria Antônia com um gabarito pronto perderá a oportunidade de ver o que efetivamente se mostra nos depoimentos, e que traz muito do sentido mais íntimo, afetivo e ingênuo daquela geração à esquerda.

Na medida em que não busca neutralidade, inevitável ponderar que Tapajós realizou com A Batalha da Maria Antônia uma apologia do comportamento da geração à esquerda no campo de batalha. Com isso, inevitável ponderar, igualmente, que há certo heroísmo nos protagonistas. E o protagonista mais destacado naqueles acontecimentos foi José Dirceu, à época presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE). Dado o papel que José Dirceu representa na cena política hoje, inevitável, mais uma vez, ponderar que, ao assumir um lado, Tapajós não se distancia do presente, com as tensões novamente polarizadas.