Últimas Conversas, de Eduardo Coutinho, terá sua première mundial no 20º Festival É Tudo Verdade, abrindo as edições de São Paulo e Rio de Janeiro, dias 9 e 10 de abril, respectivamente. O documentário foi realizado a partir de entrevistas realizadas com jovens brasileiros pelo diretor antes de sua morte (em fevereiro de 2014). A edição ficou a cargo da montadora Jordana Berg, que trabalhou com Coutinho em diversos projetos, e a finalização é assinada pelo cineasta João Moreira Salles, produtor de todos os longas do diretor desde o ano 2000.

Em Últimas Conversas, Coutinho tenta chegar à essência dos jovens, e descobrir como pensam, sonham e vivem. Além do choque de gerações, o diretor encontra obstáculos para estabelecer um diálogo como as crises existenciais e o tédio dos adolescentes.

O É Tudo Verdade 2015 – 20o Festival Internacional de Documentários acontece simultaneamente em São Paulo e no Rio de Janeiro, entre 9 e 19 de abril, com entrada franca em todas as sessões.

Branco Sai, Preto Fica, de Adirley Queirós, estreia nesta quinta-feira, 19 de março, no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Fortaleza, São Luis, Porto Alegre, Curitiba, Maceió, Goiânia e Aracaju, com distribuição da Vitrine Filmes.

Grande vencedor do Festival de Brasília em 2014, o filme recebeu o prêmio de Melhor Filme de longa-metragem dado pelo júri oficial do festival, além de outras dez premiações, entre elas, Melhor Ator, Melhor Direção de Arte e Melhor Montagem. Internacionalmente, o filme foi exibido no Festival de Mar del Plata, de onde saiu com o prêmio de Melhor Filme, Festival de Vienna, Hamburgo, entre outros.

O longa narra uma violenta ação policial em um baile black, discute racismo e exclusão na periferia de Brasília. No elenco principal, estão Marquim, Shokito, Dilmar Durães e Jamaika.

 

A pacata vila de Periperi, cidadezinha balneária situada nas proximidades de uma grande cidade portuária, é agitada pela chegada de um pitoresco forasteiro, o comandante Vasco Moscoso de Aragão. Aos sessenta anos, ele chega para ficar, buscando repouso depois de uma longa vida de aventuras pelos mares do globo.

Rapidamente, o charmoso navegante conquista a simpatia e a admiração dos moradores com suas histórias entusiasmantes, cheias de aventuras e exotismo. Os homens se reúnem ao seu redor, as mulheres suspiram por sua romântica figura. O que não demora a suscitar o despeito de alguns invejosos, em especial de Chico Pacheco (José Wilker), fiscal aposentado e, até a chegada do comandante, o cidadão mais admirado do local.

Decidido a desmascarar o comandante, Pacheco empreende uma exaustiva investigação na capital e volta com a história de que Vasco não passa de um comerciante arruinado, boêmio inveterado, que conseguiu de modo fraudulento o título de capitão. O comandante, naturalmente, nega veementemente esta versão, e afirma ser Pacheco o mentiroso. A pacata cidadezinha se divide e instaura-se a discórdia onde antes imperava a tranquilidade.

Adaptado de um dos romances mais belos e divertidos de Jorge Amado (“Os Velhos Marinheiros”), O Duelo discute em chave farsesca o tema da construção da verdade e do mito. O elenco que completa o filme inclui Claudia Raia, Patrícia Pillar, Marcio Garcia, Milton Gonçalves, Mauricio Gonçalves, Tainá Müller, Sandro Rocha, entre outros.

O Duelo tem direção de Marcos Jorge (“Estômago”) e é produzido pela Total Filmes com coprodução da Warner Bros. Pictures. O filme tem lançamento para 19 de março com distribuição da Warner Bros. Pictures.

O filme conta a história de Manuel (Caio Blat), um vaqueiro que tem o coração dividido entre a noiva Das Dô (Maria Flor) e a mula Beija-fulô. Esperto, ele vende um cavalo bichado ao matador Targino (Alexandre Borges), que promete matá-lo e desonrar sua noiva. Manuel recorre ao feiticeiro Toniquinho das Pedras (Julio Adrião) para fechar seu corpo e vencer o matador. Mas Beija-fulô é exigida como pagamento. Agora, Manuel terá que decidir entre a noiva e a mula.

Baseado em Corpo Fechado, de Guimarães Rosa, Meus Dois Amores traz no elenco ainda Lima Duarte, Vera Holtz, Milton Gonçalves, Fabiana Karla, Ana Lúcia Torre e Guilherme Weber.

O filme, dirigido por Luiz Henrique Rios, tem produção da Diler Associados, Olho de Boi, Thijoana Filmes e Roteiraria, coprodução da Globo Filmes, Labocine e Canal Brasil, e é distribuído pela Downtown Filmes e Paris Filmes. A estreia nos cinemas acontece no dia 19 de março.

Eduardo chega em casa e descobre que Julia, sua esposa, tentou se matar. Ela deixou o marido e os dois filhos, sem explicações. Tempos depois, ela volta para casa. Eduardo tenta recolocá-la nos eixos, mas a impossibilidade de conhecê-la por inteiro o aflige. Os desdobramentos da tentativa de suicídio assombram a família. Eduardo insiste em desvendar sua mulher, mas um ciúme crescente e a descoberta de um passado insuspeito passam a torturá-lo, obcecando-o. Os dramas domésticos de Eduardo e Julia são o mote de “Voltando para Casa”, estreia em longa-metragem de ficção de Gustavo Rosa de Moura, diretor dos documentários “Cildo” (2008) e “Consideração do Poema” (2011).

Em fase de finalização, feito com R$ 1,2 milhão conseguidos do edital de baixo orçamento do MinC, “Voltando para Casa” é a tentativa do cineasta de expressar algumas sensações que observou durante seus quase 40 anos de vida. “O suicídio sempre foi para mim um assunto muito instigante, muito forte, que merece muita reflexão. Mas é importante dizer que não é um filme sobre o suicídio e suas implicações. O suicídio está presente, sim, mas mais como um fantasma do que como ato em si. E há também outras coisas em jogo. Temas como depressão, perda, pulsão sexual, controle, descontrole, paranoia e amor”, pontua o diretor, que assina o roteiro ao lado do sócio e parceiro nos demais projetos, Leonardo Levis.

Rosa de Moura tenta recuperar uma certa tradição do cinema paulista. Interessa-lhe as questões existenciais. Muito por conta disso, busca trabalhar mais sensações e sentimentos do que uma narrativa propriamente, ainda que haja uma. Nesse sentido, tenta evocar a sinestesia de seus personagens e versar sobre suas pequenas paranoias e obsessões cotidianas. “É menos uma questão de tratar das obsessões e mais de tentar visitá-las; trazer à baila certos sentimentos, certas sensações, sem conseguir muito explicar ou resolver nada. Não acho que seja um filme que tire conclusões, faça julgamentos ou aponte soluções. Nesse aspecto, acho que é um filme escuro, duro, com um certo peso”, explica o cineasta, que rodou o longa em quatro semanas, durante a Copa do Mundo de futebol, entre junho e julho de 2014.

Gustavo Rosa de Moura usou recursos das artes plásticas para gerar a atmosfera melancólica no filme

 

As artes plásticas e o cinema

Gustavo Rosa de Moura formou-se em arquitetura, na FAU/USP. No Rio de Janeiro, em 2003, começou a trabalhar com audiovisual. Além da arquitetura, Rosa de Moura sempre foi bastante ligado ao universo das artes plásticas, fazendo documentários para museus, entre outros, além de sua estreia em longas ser sobre Cildo Meirelles. No cinema, trabalhou mais com documentários. No seu currículo, de ficção apenas o curta “Acho que Chovia” (2012). Segundo o cineasta, “Voltando para Casa” não tem nada de documental, mas tem muito de arquitetura e de artes plásticas. “Não me considero um documentarista. No fundo, o que me interessa é o cinema, para além das classificações de documentário ou ficção. E acho que estou hoje muito mais próximo do modo ficcional de fazer cinema do que do modo documental. Minha relação com artes plásticas e arquitetura é muito forte e influencia quase tudo que eu faço”, conta o cineasta que fundou sua própria produtora em 2011 com mais um bocado de gente, a Mira Filmes.

A relação com as artes plásticas permeia todo seu trabalho no longa. A começar pelo trabalho estético do filme. “A grande maioria das escolhas estéticas veio da observação de pinturas, fotografias e esculturas”, afirma. Rosa de Moura observou e analisou longamente artistas como Diego Velázquez, Michaël Borremans, Oswaldo Goeldi, Duane Michals, Alberto Giacometti e Tatiana Blass, que colaborou pessoalmente com o filme. Viram também alguns filmes chave de cineastas como John Cassavetes, Gus Van Sant, Maurice Pialat e James Gray, cujo “Caminho sem Volta” (2000) foi importante referência na fotografia. “O resultado é um filme escuro, de imagem densa – quase pastosa –, pouco descritivo, com decupagem econômica e muito baseado na atuação e no adensamento da essência de cada cena”, explica.

A ligação com as artes plásticas também o levaram à direção de arte do filme. “Senti necessidade de fazer a arte pessoalmente, para encontrar a cara do filme. Como sou arquiteto e gosto de desenhar, isso acabou sendo natural em muitos aspectos. Mas é muito importante dizer que fiz a direção de arte junto com a Joana Brasiliano”, comenta.

O mundo das artes também dá as caras nos personagens. Julia dança, Eduardo escreve. “A dança acaba sendo uma forma de expressão não verbal muito importante para a personagem. A Julia não é uma pessoa das palavras, da formulação verbal. E isso intriga e fascina o Eduardo, que é o oposto. Eduardo trabalha com palavras, com textos, com formulações essencialmente verbais. E sua grande paixão, sua grande obsessão na vida, é uma pessoa que se comunica mais com o corpo do que com palavras, e que escapa a qualquer tentativa de interpretação e de controle”, pontua.

Lidar com atores foi uma aprendizado

“’Voltando para Casa’ é um filme de sensações, de sentimentos, ou seja, de atuação. Um tipo de filme que exige um contato muito íntimo e intenso com os atores, com a magia da interpretação. Foi um enorme aprendizado, que me transformou completamente como diretor de cinema”, analisa Rosa de Moura.

Para dar o tom do filme, o cineasta contou com a também sua esposa Marina Person no papel de Julia e com João Miguel como Eduardo. Completam o elenco Francisco Miguez, Estela Hodge, Marat Descartes, Poliana Pieratti e Paulo Guarnieri. “Queria trabalhar com bons atores e com pessoas próximas, com quem pudesse estabelecer relações de parceria, troca e entrega. Queria pessoas cujos demônios me interessassem, me instigassem, e que topassem o jogo intenso que o filme pedia”, justifica. Foram quase dois de meses de preparação, que envolveu ensaios, leituras, muitas conversas, sessões de filmes, exercícios corporais e reescritas de roteiro.

“Voltando para Casa” deverá estrear no Brasil apenas em 2016. Rosa de Moura pretende fazer de 2015 um ano para circular nos festivais internacionais. Além deste longa, o cineasta prepara três adaptações: “O Desaparecido” (adaptação do livro homônimo de Franz Kafka); “Desde que o Samba é Samba” (adaptação do livro homônimo de Paulo Lins) e “Antonio” (adaptação do livro homônimo de Beatriz Bracher). “Não sei ainda dizer qual virá primeiro”, conclui.

 

Por Gabriel Carneiro