As inscrições de filmes para o Indie Festival 2015 já estão abertas. Podem ser inscritos filmes de ficção e documentários, nacionais e internacionais, acima de 55 minutos e produzidos em 2014 e 2015. As inscrições podem ser feitas no site www.indiefestival.com.br, até o dia 10 de junho.

O formato de exibição é digital e caso seja selecionado será solicitado um DCP ou uma HDCAM. Os filmes brasileiros precisam ser inéditos em Belo Horizonte (MG). A divulgação dos filmes selecionados será no dia 8 de agosto.

O Indie 2015 acontecerá entre os dias 3 a 9 de setembro, em Belo Horizonte (MG), e 16 a 30 de setembro, em São Paulo.

Se em seu segundo longa, “Mãe e Filha”, o cearense Petrus Cariry se inspirou numa notícia de jornal sobre uma mulher que carregava o filho morto de um hospital para casa, o ponto de partida para o seu terceiro longa foi bem diferente. Para “Clarisse (Ou Alguma Coisa sobre Nós Dois)”, ele partiu da obsessão por uma imagem surrealista que não lhe saía da cabeça: uma vara de porcos sai pela porta de uma casa, enquanto uma mulher entra por ela toda coberta de sangue.

Veio daí a história da moça que volta de Fortaleza para a casa do pai moribundo para visitá-lo, descobre segredos de infância envolvendo um irmão que morreu e mergulha num turbilhão emocional. Petrus desenvolve aí uma combinação rara no cinema brasileiro: a de um cinema de horror, de clima tenso e claustrofóbico, com um certo cinema existencial. “A gente acaba somando muitas referências. Este filme tem muito de Buñuel, de Bergman. Mas eu seria injusto se não incluísse igualmente John Carpenter ou os filmes de terror japonês”, diz o diretor de 37 anos, de curtas premiados como “Dos Restos e das Solidões” (2006) e “O Som do Tempo” (2010), que estreou em longas-metragens com o aclamado “O Grão” (2007).

Imagens do inconsciente

Para Petrus, “Clarisse” é o encerramento de uma trilogia da morte, mas vista por seu olhar muito pessoal. “A morte aqui é relacionada ao círculo da vida, o fechamento de um ciclo. Clarisse começa a sangrar, mas esse sangue de alguma forma significa a vida”, explica ele. Em seus filmes, gravitam sempre os fantasmas que brotam do seu inconsciente: a criança morta em “Mãe e Filha”, um irmão morto no novo filme.

Para a protagonista, Petrus escolheu a paulista Sabrina Greve, que surgiu no cinema em 2001 como a protagonista de “Uma Vida em Segredo”, de Suzana Amaral. Petrus a escolheu depois de vê-la no curta de terror “O Duplo”, de Juliana Rojas – cineasta com quem ele compartilha o gosto pelo insólito. “A máscara do rosto dela me interessou de cara”, conta. No papel do pai, trabalha pela primeira vez com o paraibano Everaldo Pontes, o São Jerônimo de Julio Bressane, presença constante nos últimos anos em filmes como “Abril Despedaçado”, “Sudoeste” e “Os Pobres Diabos”, longa mais recente do pai de Petrus, Rosemberg Cariry.

Se em “Mãe e Filha” a locação explorada foi a cidade-fantasma de Cococi, a pouco mais de 400 quilômetros de Fortaleza, agora Petrus fecha o seu foco em uma cabana de madeira no meio do mato em Maranguape, a apenas 30 quilômetros da capital – a locação tem mesmo uma vista para as luzes de Fortaleza. Se no longa anterior o processo foi rápido – duas semanas de filmagem –, em “Clarisse” foram cinco semanas, após 15 dias de preparação do elenco.

“Clarisse” deveria ser o segundo longa de Petrus, mas ele sabia que só poderia realizá-lo com o orçamento certo (um BO de R$ 1 milhão). Passou o projeto de “Mãe e Filha” à frente, até conseguir o dinheiro certo para “Clarisse”. Sua meta é aguardar o segundo semestre para tentar incluir o filme na seleção de algum grande festival internacional.

Everaldo Pontes e Verônica Cavalcanti, em “Clarisse”: atuações guiadas pelo peso da existência

 

Opção por um cinema mais radical

Com diversos curtas e três longas numa carreira ainda tão curta, é difícil imaginar que ele se formou em análise de sistemas antes de mergulhar de vez na carreira de cineasta – fruto de certa “pressão da família para estudar algo mais sério”, brinca. Mas a própria influência da família falou mais alto: o menino cresceu em meio à imensa videoteca do pai, viu Rosemberg montar em casa inúmeros de seus filmes e lembra-se de visitar os sets de filmagem do pai quando criança. Aos 12, enfrentou o sol de Santana do Acaraú quando Rosemberg filmava seu primeiro longa de ficção, “A Saga do Guerreiro Alumioso” (1993). Aos 17, acompanhou o pai a Quixadá para as fimagens de “Corisco Dadá” (1996), um dos marcos da retomada.

Depois de três longas sombrios, seu próximo projeto será mais solar. Petrus roda até o fim do ano “O Barco”, baseado num conto fantástico do escritor cearense Carlos Emílio Corrêa Lima. Na história, um casal que mora numa vila de pescadores tem 23 filhos, cada um batizado com uma letra do alfabeto. A mãe consegue decifrar o futuro a partir deles. Um dia, os filhos trabalham na construção de um barco e A deve partir, mas a mãe não poderá mais saber o futuro se um deles for embora. O desafio é imenso: Petrus pretende rodar todo o longa sem diálogos, aprofundando um cinema radical que é hoje um dos mais instigantes do país.

 

Por Thiago Stivaletti

Se em seu segundo longa, “Mãe e Filha”, o cearense Petrus Cariry se inspirou numa notícia de jornal sobre uma mulher que carregava o filho morto de um hospital para casa, o ponto de partida para o seu terceiro longa foi bem diferente. Para “Clarisse (Ou Alguma Coisa sobre Nós Dois)”, ele partiu da obsessão por uma imagem surrealista que não lhe saía da cabeça: uma vara de porcos sai pela porta de uma casa, enquanto uma mulher entra por ela toda coberta de sangue.

Veio daí a história da moça que volta de Fortaleza para a casa do pai moribundo para visitá-lo, descobre segredos de infância envolvendo um irmão que morreu e mergulha num turbilhão emocional. Petrus desenvolve aí uma combinação rara no cinema brasileiro: a de um cinema de horror, de clima tenso e claustrofóbico, com um certo cinema existencial. “A gente acaba somando muitas referências. Este filme tem muito de Buñuel, de Bergman. Mas eu seria injusto se não incluísse igualmente John Carpenter ou os filmes de terror japonês”, diz o diretor de 37 anos, de curtas premiados como “Dos Restos e das Solidões” (2006) e “O Som do Tempo” (2010), que estreou em longas-metragens com o aclamado “O Grão” (2007).

Imagens do inconsciente

Para Petrus, “Clarisse” é o encerramento de uma trilogia da morte, mas vista por seu olhar muito pessoal. “A morte aqui é relacionada ao círculo da vida, o fechamento de um ciclo. Clarisse começa a sangrar, mas esse sangue de alguma forma significa a vida”, explica ele. Em seus filmes, gravitam sempre os fantasmas que brotam do seu inconsciente: a criança morta em “Mãe e Filha”, um irmão morto no novo filme.

Para a protagonista, Petrus escolheu a paulista Sabrina Greve, que surgiu no cinema em 2001 como a protagonista de “Uma Vida em Segredo”, de Suzana Amaral. Petrus a escolheu depois de vê-la no curta de terror “O Duplo”, de Juliana Rojas – cineasta com quem ele compartilha o gosto pelo insólito. “A máscara do rosto dela me interessou de cara”, conta. No papel do pai, trabalha pela primeira vez com o paraibano Everaldo Pontes, o São Jerônimo de Julio Bressane, presença constante nos últimos anos em filmes como “Abril Despedaçado”, “Sudoeste” e “Os Pobres Diabos”, longa mais recente do pai de Petrus, Rosemberg Cariry.

Se em “Mãe e Filha” a locação explorada foi a cidade-fantasma de Cococi, a pouco mais de 400 quilômetros de Fortaleza, agora Petrus fecha o seu foco em uma cabana de madeira no meio do mato em Maranguape, a apenas 30 quilômetros da capital – a locação tem mesmo uma vista para as luzes de Fortaleza. Se no longa anterior o processo foi rápido – duas semanas de filmagem –, em “Clarisse” foram cinco semanas, após 15 dias de preparação do elenco.

“Clarisse” deveria ser o segundo longa de Petrus, mas ele sabia que só poderia realizá-lo com o orçamento certo (um BO de R$ 1 milhão). Passou o projeto de “Mãe e Filha” à frente, até conseguir o dinheiro certo para “Clarisse”. Sua meta é aguardar o segundo semestre para tentar incluir o filme na seleção de algum grande festival internacional.

Everaldo Pontes e Verônica Cavalcanti, em “Clarisse”: atuações guiadas pelo peso da existência

 

Opção por um cinema mais radical

Com diversos curtas e três longas numa carreira ainda tão curta, é difícil imaginar que ele se formou em análise de sistemas antes de mergulhar de vez na carreira de cineasta – fruto de certa “pressão da família para estudar algo mais sério”, brinca. Mas a própria influência da família falou mais alto: o menino cresceu em meio à imensa videoteca do pai, viu Rosemberg montar em casa inúmeros de seus filmes e lembra-se de visitar os sets de filmagem do pai quando criança. Aos 12, enfrentou o sol de Santana do Acaraú quando Rosemberg filmava seu primeiro longa de ficção, “A Saga do Guerreiro Alumioso” (1993). Aos 17, acompanhou o pai a Quixadá para as fimagens de “Corisco Dadá” (1996), um dos marcos da retomada.

Depois de três longas sombrios, seu próximo projeto será mais solar. Petrus roda até o fim do ano “O Barco”, baseado num conto fantástico do escritor cearense Carlos Emílio Corrêa Lima. Na história, um casal que mora numa vila de pescadores tem 23 filhos, cada um batizado com uma letra do alfabeto. A mãe consegue decifrar o futuro a partir deles. Um dia, os filhos trabalham na construção de um barco e A deve partir, mas a mãe não poderá mais saber o futuro se um deles for embora. O desafio é imenso: Petrus pretende rodar todo o longa sem diálogos, aprofundando um cinema radical que é hoje um dos mais instigantes do país.

 

Por Thiago Stivaletti

A ANCINE e o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) divulgaram o resultado final da Chamada Pública PRODAV 07/2014 – Linha de Incentivo à Qualidade do Cinema Brasileiro. A linha do Programa Brasil de Todas as Telas destinará R$ 5 milhões às empresas produtoras de dez filmes brasileiros lançados em 2012, em decorrência da premiação ou participação desses títulos em festivais nacionais e internacionais.

Oito produtoras independentes dividirão os recursos da premiação. A Bossa Nova Films, responsável por “Tropicália” e “Violeta Foi para o Céu”; e a Taiga Filmes e Vídeo, por “Histórias que Só Existem Quando Lembradas” e “Uma Longa Viagem”, receberão, cada uma, prêmio de R$ 1 milhão.

As demais produtoras receberão, cada uma, R$ 500 mil. São elas: Anavilhana Filmes, por “Girimunho”; Rec Produtores Associados, por “Era uma Vez Eu, Verônica”; Iluminura Cinema e Multimídia, por “Mãe e Filha”; Mercúrio Produções, por “Luz nas Trevas, a Volta do Bandido da Luz Vermelha”; 02 Cinema, por “Xingu”; e Videoforum Filmes, por “Marcelo Yuka no Caminho das Setas”.

O valor do prêmio deverá ser destinado pelas produtoras premiadas à produção de outras obras audiovisuais brasileiras de produção independente de ficção, animação ou documentário.

A Chamada Pública PRODAV 07/2014 funciona nos moldes do antigo Programa ANCINE de Incentivo à Qualidade (PAQ), que funcionava com recursos orçamentários da ANCINE. A partir de 2014, a linha passou a integrar as ações do Programa Brasil de Todas as Telas e a utilizar recursos do Fundo Setorial do Audiovisual, o que possibilitou um acréscimo no valor da premiação. De 2006 a 2013, o PAQ premiou um total de 57 obras de longa-metragem por seu desempenho em festivais de cinema.

Durante os quatro dias de evento, que será realizado de 20 a 23 de maio, no Complexo Cultural dos Barris, em Salvador (BA), a primeira edição do Nordeste.LAB promoverá encontros entre representantes de produtoras audiovisuais da Bahia e do Nordeste, compradores de conteúdo, estudantes, realizadores independentes e agentes do poder público.

Até o dia 28 de abril, produtoras sediadas na região Nordeste poderão se inscrever nas Rodadas de Negócios que serão realizadas durante o Nordeste.Lab. Podem participar, produtos finalizados e projetos de conteúdo audiovisual para TV em qualquer fase de desenvolvimento.

As rodadas acontecerão durante três dias, entre 21 e 23 de maio. Participarão representantes dos canais/programadoras: A+E Networks (AE, History, H2 e Lifetime), Box Brazil (Music Box Brazil, Prime Box Brazil, Travel Box Brazil e Fashion TV Brasil), Canal Brasil, Canal Curta!, CinebrasilTV, EBC/TV Brasil e PlayTV. E todo o processo de inscrições e agendamentos será gerenciado em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa – Bahia (SEBRAE-BA).

Ao início de cada dia, será realizada uma mesa com participação dos representantes dos canais (players), de forma que eles possam apresentar seus perfis gerais para o público presente. E, logo em seguida, serão realizadas as reuniões de negócios agendadas previamente entre produtoras e os players presentes.

Podem participar empresas produtoras do audiovisual, sediadas em qualquer estado da região Nordeste, e que possuam CNPJ (incluindo MEI). Também é obrigatório que os filmes e conteúdos audiovisuais já finalizados tenham o Certificado de Produto Brasileiro (CPB) junto à Agência Nacional do Cinema (Ancine). O regulamento, o perfil dos canais participantes e as inscrições nesse espaço podem ser realizadas no site oficial do projeto, http://labaudiovisual.com.br/nordestelab.