A Spcine anunciou nesta quinta-feira (2/7), na sede da Prefeitura de São Paulo, sua primeira lista de projetos contemplados pelo Programa de Investimento em parceria com o Fundo Setorial do Audiovisual da Ancine (Agência Nacional de Cinema). Trata-se da relação de obras aprovadas pelas linhas de fluxo contínuo, responsáveis por tornar o processo de seleção mais ágil e dinâmico.

Ao todo, 30 longas-metragens foram habilitados a receber o aporte total de R$ 12,7 milhões, tanto para produção (Linha 3) como para distribuição (Linhas 2 e 4). Entre os cineastas que tiveram suas obras aprovadas estão Anna Muylaert, Juliana Rojas, Paulo Morelli e Evaldo Mocarzel. Os longas chegam às telas de cinema a partir de agosto.

A novidade destas linhas de financiamento, além do apoio à comercialização e lançamento, é o equilíbrio entre critérios culturais/artísticos e econômicos – há possibilidade de retorno financeiro para a Spcine. Como os recursos não são a fundo perdido, a empresa participará de receitas e bilheterias no cinema e em outras janelas.

Os editais solicitaram aos distribuidores dos filmes um compromisso de lançamento mínimo no circuito exibidor. E, segundo o acordo, as produções contempladas estarão em aproximadamente 3 mil salas de cinema pelo Brasil, sendo 1.635 até o primeiro trimestre de 2016 e 1.344 até 2017. Em 2013 e 2014, o cinema paulista – antes da criação da Spcine – ocupou, respectivamente, 2.200 e 3.560 salas brasileiras.

Em termos conjunturais, o investimento destas linhas contribuirá para a produção e distribuição de filmes cuja soma de orçamentos é de R$ 74 milhões. A alavancagem de recursos para o setor audiovisual paulista – e para a economia da cultura da cidade e do Estado de São Paulo – será de R$ 5,83 para cada R$ 1 investido pela empresa.

O resultado do edital representa bem a diversidade do cinema paulista. Na linha de produção, há filmes como “Malasartes”, de Paulo Morelli, e “Sampa”, de Carlos Alberto Riccelli. Já nas linhas de distribuição, filmes como “Que Horas Ela Volta?”, de Anna Muylaert, “Sinfonia da Necrópole”, de Juliana Rojas, “Hysteria” de Evaldo Mocarzel, “A Comédia Divina”, de Toni Venturi, e “Escaravelho do Diabo”, de Carlo Milani.

Embora a lista da Spcine esteja consolidada, as inscrições não se encerraram completamente. Ainda há R$ 50 mil disponíveis para a Linha 2, voltada para distribuição para filmes de pequeno e médio porte, e R$ 250 mil para a Linha 3, de produção de longas-metragens.

O Programa de Investimento ainda tem mais duas etapas previstas para os próximos meses: o resultado da linha seletiva (Linha 1), com investimento total de R$ 7 milhões, e o edital de conteúdo para TV e plataformas digitais, com investimento de R$ 10 milhões.

Com aporte de R$ 2,95 milhões, a Linha 2 aprovou 19 longas-metragens. As distribuidoras proponentes receberam de R$ 100 mil a R$ 400 mil por projeto com garantia de lançamento entre dez e 100 salas de cinema.

Com aporte de R$ 5,7 milhões, a Linha 3 aprovou sete projetos. O segmento concedeu até R$ 1 milhão para a produção de longas-metragens com compromisso de lançamento em, pelo menos, 200 salas. Além disso, investiu R$ 500 mil em projetos com previsão de estreia entre 100 e 200 salas.

Quatro foram os aprovados na linha 4, voltada para distribuidoras de todo o país, desde que associadas a uma empresa paulista. O contrato prevê lançamento em, no mínimo, 300 salas, e investimento de R$ 1 milhão em publicidade.

Em abril deste ano, a Spcine lançou as inscrições para a Linha 1 do Programa de Investimento, que, ao lado das Linhas 2, 3 e 4, compõe o arco de aporte ao cinema paulista, cujo valor total é de R$ 20 milhões. Voltada para produção de obras de ficção, documentário e animação, o edital recebeu 262 inscrições. Seu valor total de investimento é de R$ 7 milhões. O resultado dos aprovados deve ser anunciado em outubro de 2015.

E está previsto para o próximo mês o lançamento do edital para conteúdo de TV e plataformas digitais, cujo valor total de investimento é de R$ 10 milhões. A proposta é selecionar obras como séries de TV, telefilmes, webséries e projetos de VOD e OTT. Este edital, a Linha 1 e as de fluxo contínuo compõem o valor total de R$ 30 milhões do Programa de Investimento Spcine/Ancine.

Abaixo, a lista completa dos filmes contemplados nas respectivas linhas de fomento:

Linha 2

“Que Horas Ela Volta?”, de Anna Muylaert
“Zoom”, de Pedro Morelli
“Voltando para Casa”, de Gustavo Rosa de Moura
“Hipóteses para o Amor e a Verdade”, de Rodolfo García Vazquez
“Invasores”, de Marcelo Freitas Toledo de Melo
“Pauê – O Passo de um Vencedor”, de Alessandra Pereira e Fábio Cappelline
“Hysteria”, de Evaldo Mocarzel e Ava Rocha
“Rio Cigano”, de Julia Zakia Orlandi
“Eu Nunca”, de Kauê Telloli
“A Corrente – Marina Abramovic e o Brasil”, de Marco Aurelio Del Fiol
“Sinfonia da Necrópole”, de Juliana Rojas
“Califórnia”, de Marina Person
“Homem Comum”, de Carlos Aziz Narder
“Obra”, de Gregório Graziosi
“A Bruta Flor do Querer”, de Dida Andrade e Andradina Azevedo
“Ausência”, de Gustavo Pereira da Silva Teixeira
“Amores Urbanos”, de Vera Egito Vellez
“Ninguém Ama Ninguém por Mais de Dois Anos”, de Clóvis Mello
“Se Deus Quiser que Venha Armado”, de Luiz Dantas

Linha 3

“Depois dos 40″, de Luiz Villaça
“Malasartes”, de Paulo Morelli
“A Terapia”, de Roberto Moreira
“Pequeno Segredo”, de David Schurmann
“Desculpe o Transtorno”, de Tomás Portella
“Sampa”, de Carlos Roberto Riccelli
“O Caseiro”, de Julio Santi

Linha 4

“Operações Especiais”, de Tomás Portella
“Escaravelho do Diabo”, de Carlos Milani
“A Comédia Divina”, de Toni Venturi
“Reza a Lenda”, de Homero Olivetto

Fábio (Fábio Porchat) e Miá (Miá Mello) enfrentam a primeira crise conjugal. Irritada com o estilo de vida descompromissado do marido, ela pede o divórcio no dia em que ele se esquece do aniversário de três anos de casamento. Mas quando Fábio recebe uma ligação de Portugal e fica sabendo que o avô (Antônio Pedro) acabou de ficar viúvo, tenta uma última cartada: convence a mulher a viajar com ele para acompanhar o funeral da avó.

Na quinta onde o avô mora, em Portugal, Fabio reencontra sua namorada de infância, Ritinha (Mafalda Rodiles), que agora é noiva de Alvaro (Ricardo Pereira), seu rival desde menino. Os adoráveis trambiqueiros Susana e Wilson (Inez Viana e Marcelo Valle), que abriram uma funerária na “terrinha”, também estão lá para confundir ainda mais o casal. E, para piorar a situação, o indefectível Cabeça (Rafael Queiroga) aparece para dar uma força para o melhor amigo. Tentando esconder de todos que estão à beira da separação, Fabio e Miá vivem situações hilárias e inesperadas que acirram ainda mais a crise no casamento.

Com Fábio Porchat, Miá Mello, Inez Viana, Marcelo Valle, Antônio Pedro, Rafael Queiroga, Ricardo Pereira, Mafalda Rodiles e participação de Ernani Morais, Meu Passado me Condena 2, com direção de Julia Rezende, acaba de estrear nos cinemas.