A sequência da comédia que levou mais de 3 milhões de espectadores aos cinemas, em 2013, da diretora Julia Rezende, teve filmagens encerradas em dezembro passado, no Rio de Janeiro e a maior parte em Portugal, e traz novamente o casal Fábio (Fábio Porchat) e Miá (Miá Mello), que em crise após três anos casados resolvem ir a um funeral da família em Portugal.

O lançamento nos cinemas de “Meu Passado me Condena 2”, que tem coprodução da Globo Filmes, Paris Filmes e Riofilme, já está marcado para junho com distribuição da Paris Filmes e Downtown Filmes.

A Mostra Tiradentes chega à sua 18ª edição reafirmando seu papel de vitrine do cinema experimental, realizado por jovens com outras propostas de expressão cinematográfica e modelos de produção diferentes do estabelecido pelo mercado. Este ano, o festival mineiro, que acontece de 23 a 31 de janeiro, vai exibir mais de 100 filmes ao longo de nove dias. Na competição, estão sete títulos, todos inéditos e assinados por realizadores de até três longas-metragens (Mostra Aurora) e nove curtas-metragens (Mostra Foco). Mais 81 curtas serão distribuídos em oito mostras informativas. Diversos longas-metragens convidados, sem obrigação de ineditismo, serão apresentados ao grande público, formado pela população de Tiradentes e visitantes que chegam de diversos municípios da região do ouro de Minas e de outros Estados.

Uma das características da Mostra Aurora deste ano é a presença de cineastas que concorreram na mesma mostra com seus longas de estreia em anos anteriores, como Ivo Lopes Araújo, Dácia Ibiapina e Rodrigo de Oliveira, e que retornam com seus novos filmes ao festival em que foram lançados, hoje praticamente o único que se dedica exclusivamente ao cinema do “extremo autoral”.

“O Animal Sonhado”, de Breno Baptista, Luciana Vieira, Rodrigo Fernandes, Samuel Brasileiro, Ticiana Augusto Lima e Victor Costa Lopes

Competição tem sete filmes inéditos

A competição do evento é reservado à Mostra Aurora, com sete filmes inéditos no país; “A Casa de Cecília”, de Clarissa Appelt, e “Mais do que Eu Possa me Reconhecer”, de Allan Ribeiro, do Rio de Janeiro; “O Signo das Tetas”, de Frederico Machado, do Maranhão; “Ressurgentes: um Filme de Ação Direta”, de Dácia Ibiapina, do DF; “Teobaldo Morto, Romeu Exilado”, de Rodrigo de Oliveira, de Vitória, e os cearenses “Medo do Escuro”, de Ivo Lopes Araújo, e “O Animal Sonhado”, do coletivo formado por Breno Baptista, Luciana Vieira, Rodrigo Fernandes, Samuel Brasileiro, Ticiana Augusto Lima e Victor Costa Lopes.

“Teolbaldo Morto, Romeu Exilado”, de Rodrigo de Oliveira

Segundo a curadoria realizada por Cleber Eduardo e seu curador-assistente Francis Vogner dos Reis, os critérios de seleção levaram em conta os filmes “marcados pelo risco e pela produção independente, além da diversidade estética e geográfica da produção brasileira recente”. A curadoria atesta que além “da grande diversidade de geografias de produção”, a Mostra Aurora dá ênfase às “novas formas de realização”, já que “os selecionados foram feitos a partir de apoio de editais públicos, por financiamento coletivo ou produção totalmente independente”.

“Ressurgentes”, de Dácia Ibiapina

A presença de mais um filme, “Medo do Escuro”, dirigido por Ivo Lopes Araújo, fotógrafo de dezenas de curtas e longas-metragens que têm Tiradentes como principal vitrine, retorna com uma nova experimentação. Na primeira edição da Aurora, ele participou com “Sábado à Noite”, ensaio poético feito para o DocTV-MinC. O documentário foi ampliado e exibido em Tiradentes. Sete anos depois, Ivo regressa à Tiradentes como diretor com “Medo do Escuro”, filme que segue as trilhas do ensaio poético retratando um homem solitário que vaga perdido por uma cidade pós-apocalíptica.

“Medo do Escuro”, de Ivo Lopes Araújo

Dácia Ibiapina volta à Mostra Tiradentes com “Ressurgentes: um Filme de Ação Direta” (antes mostrou seu longa “Entorno da Beleza“). O novo filme, segundo a diretora, “tangencia o pensamento político, a visão de mundo, bem como as ações diretas de um grupo de militantes de movimentos autônomos do DF no período de 2005 a 2013. As imagens do filme se misturam a vídeos feitos pelos personagens ao longo dos últimos dez anos, em meio a ações diretas de protesto”.

“A Casa de Cecília”, de Clarissa Appelt, mostra a relação de duas garotas durante algumas semanas em uma casa vazia. Já “Mas do que Eu Possa me Reconhecer”, de Alan Ribeiro, é sobre um artista plástico que descobre na videoarte uma forma de suprir sua necessidade de fazer cinema de outra maneira. O segundo filme de Frederico Machado, realizador de São Luiz, no Maranhão, é uma experimentação que tem a presença corporal como destaque, e relata a história de um padre, no limiar entre a razão e a loucura, entre o caos e a fé, em busca de seu passado, percorrendo as estradas do interior do Maranhão em direção à sua terra natal.

“O Signo das Tetas”, de Frederico Machado

“O Animal Sonhado”, uma colagem de seis curtas tendo como tema comum o desejo, o corpo e o erotismo, é realizado por um coletivo de jovens diretores do Ceará, Breno Baptista, Luciana Vieira, Rodrigo Fernandes, Samuel Brasileiro, Ticiana Augusto Lima e Victor Costa Lopes. “Teobaldo Morto, Romeu Exilado”, de Rodrigo de Oliveira, se passa em uma pequena cidade do interior e narra o reencontro de dois amigos, quando um retorna após ser dado como morto. O filme foi realizado com R$ 700 mil do fundo do governo do Espírito Santo para filmes de longas-metragens realizados por diretores capixabas.

“Mais do que Eu Possa me Reconhecer”, de Allan Ribeiro

 

Por Maria do Rosário Caetano

A Box Brazil, empresa programadora dos canais Prime Box Brazil, Music Box Brazil, Travel Box Brazil e FashionTV Brasil, recebeu o total de 380 projetos que disputarão um investimento de R$ 10 milhões. Entre os projetos recebidos, 112 são da região Sul, 218 da região Sudeste, 16 da Centro-Oeste, 32 da Nordeste e 2 da Norte.

Encerrada no último dia 16, a chamada pública aberta pela programadora em dezembro de 2014, terá agora sua seleção a cargo de uma comissão interna da empresa, composta por representantes de cada um dos canais. Os selecionados serão encaminhados para aprovação do Comitê de Investimento do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) para posterior contratação e liberação dos recursos através do PRODAV 02/2013.

O canal Travel Box Brazil foi o mais visado pelas produtoras independentes que participaram da chamada pública. Ao todo, foram enviados 142 projetos destinados à sua programação. Para o canal Prime Box Brazil, foram inscritos 125 projetos, 81 de obras seriadas ficcionais e 44 de obras seriadas documentais. O canal Music Box Brazil, por sua vez, recebeu 84 projetos, enquanto o FashionTV Brasil recebeu 29.

Os projetos selecionados pela Box Brazil Programadora serão divulgados na última semana de fevereiro. A expectativa é que o processo de contratação tenha início em março e que as estreias de alguns programas aconteça ainda em 2015.

A Cinemateca Brasileira inicia sua programação 2015 com uma nova edição do Verão de Clássicos, que traz uma variada seleção de filmes clássicos e cults das mais diversas épocas, países e gêneros, de 22 de janeiro a 15 de março. As exibições são em película 35mm com título pertencentes ao acervo de difusão da Cinemateca e de parceiros da instituição.

Entre os destaques, estão Mamma Roma, de Pier Paolo Pasolini, que conta com antológica interpretação de Anna Magnani no papel central, A Noite, de Michelangelo Antonioni e o excelente trio Marcello Mastroianni, Jeanne Moreau e Monica Vitti, Morangos Silvestres, um dos filmes mais bonitos de Ingmar Bergman, e Suspeita, clássico do início da fase americana de Alfred Hitchcock e início de sua parceria com Cary Grant. Raridades do cinema italiano, como Django Mata em Silêncio ou E o Chamavam Matador, de Massimo Pupillo, western spaghetti com o personagem Django, seguinte ao clássico de Sergio Corbucci, e Dois Fugitivos de Sing-Sing, comédia dirigida por um dos mestres do terror, Lucio Fulci, com a popular dupla Franco e Ciccio.

A seleção se completa com a exibição de filmes marcantes da década de 1990, como Amateur, encontro de um dos mestres do cinema independente americano Hal Hartley com a genial atriz francesa Isabelle Huppert, Aprile, um dos grandes filmes de Nanni Moretti, Amores Expressos, um dos primeiros sucessos de Wong Kar-Wai no Brasil, a excelente comédia drag queen Priscilla, a Rainha do Deserto, de Stephan Elliott, e Ondas do Destino, de Lars Von Trier, com as brilhantes atuações de Emily Watson e Katrin Cartlidge.

Com a colaboração da Fundação Japão e do Consulado Geral do Japão, serão exibidas obras-primas do cinema japonês: Fim de Verão, penúltimo filme de Yasujiro Ozu, Vida de Casado, uma das obras-primas de Mikio Naruse, o fundamental Desejo Profano, de Shôhei Imamura, o road movie Família, de um dos mestres do melodrama, Yôji Yamada, e Verão Feliz, uma comédia de toques melancólicos de Takeshi Kitano.

Devido a diversidade da coleção que compõem a programação, muitos filmes serão exibidos em cópias que carregam algumas marcas da ação do tempo. Nada disso, no entanto, diminui o encanto de fruir estas obras numa experiência, de fato, cinefílica, apresentando raridades há muito ausentes das telas.

A programação segue até o fim do verão, em março, e todas as sessões têm entrada franca.

A ANCINE publicou o Informe Anual Preliminar trazendo os números do mercado de exibição brasileiro em 2014. As salas de cinema do país receberam um total de 155,6 milhões de espectadores, número superior em 4,1% ao registrado em 2013. O crescimento de renda foi ainda mais acentuado, de 11,6%, com a arrecadação totalizando R$ 1,96 bilhão.

Os filmes brasileiros foram responsáveis por levar 19 milhões de pessoas às salas de cinema, fechando o ano com 12,2% de market share. Em 2014, foram lançados 114 filmes brasileiros, número consideravelmente maior do que a média histórica, ainda que inferior aos 129 títulos lançados em 2013. Já o número total de longas-metragens nacionais exibidos nos cinemas no último ano foi ainda maior do que no ano anterior – 179 em 2014, em comparação aos 167 em 2013.

Seis filmes brasileiros chegaram à marca de mais de um milhão de ingressos vendidos em 2014 (“Até que a Sorte nos Separe 2″ e “O Candidato Honesto”, de Roberto Santucci; “Os Homens São de Marte… e é para Lá que Eu Vou”, de Marcus Baldini; “S.O.S. Mulheres ao Mar”, de Cris d’Amato; “Muita Calma nessa Hora 2″, de Felipe Joffily; e “Vestido para Casar”, de Gerson Sanginitto), e vinte e um lançamentos nacionais fizeram mais de 100 mil espectadores.

O Informe Anual Preliminar traz ainda informações sobre o parque exibidor brasileiro. Em 2014, foram registradas inaugurações de 38 novos complexos cinematográficos, totalizando 182 novas salas de cinema. Cinco complexos foram reabertos durante o ano e outros seis ampliaram seu número de salas, gerando um acréscimo de 205 novas salas, o que fez com que o país fechasse o ano com um total de 2.830 salas de cinema.

O processo de digitalização do parque exibidor seguiu em um bom ritmo. Os grupos Cinemark, Cinépolis, Cinesystem, Cineflix, Cinemais e Cineshow encerraram o ano completando a transição tecnológica de suas salas. De acordo com o Informe, o Brasil tem hoje um total de 1.770 salas de cinema com tecnologia digital, ou 62,5% de seu parque exibidor. O documento, que pode ser consultado na íntegra aqui, apresenta a lista completa de complexos inaugurados, reabertos e ampliados em 2014, assim como um ranking de salas por grupo exibidor, com informações sobre a porcentagem de digitalização das salas de cada empresa.