Diretores de qualquer parte do Brasil e do mundo podem inscrever seus filmes no VI Bahia Afro Film Festival (BAFF), evento baiano voltado para o cinema de temática afrodescendente. Serão aceitos documentários, obras de ficção, animações e filmes experimentais de qualquer duração, produzidos em qualquer época, desde que nunca tenham sido exibidos em mostras ou festivais realizados em Cachoeira, sede do VI BAFF. O festival acontece de 23 a 28 de novembro, no Cine Theatro Cachoeirano.

As inscrições seguem até o dia 30 de setembro e devem ser realizadas no site www.bahiaafrofilmfestival.com.br, onde os interessados encontrarão o regulamento completo e as instruções para envio das cópias para seleção. Serão priorizados filmes falados ou legendados em português, mas obras que tenham espanhol como idioma original ou sejam legendadas nesta língua também podem participar.

Os filmes selecionados serão exibidos na Mostra Competitiva ou em uma das mostras paralelas, que acontecem em diferentes pontos da cidade. Os moradores da Ladeira da Cadeia terão o Cinema na Quebrada, enquanto o Terreiro da Ventura sediará a mostra Cinema no Terreiro e o território do Iguape receberá as obras integrantes do Cinema no Quilombo.

O VI BAFF é uma realização da Casa de Cinema da Bahia em parceria com a Tabuleiro Produções e integra as comemorações pelo Mês da Consciência Negra. O evento conta com apoio do Irdeb, da Secretaria do Audiovisual (Minc), da Prefeitura de Cachoeira e da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Bahia (Sepromi).

Dos diretores brasileiros de hoje, Aly Muritiba tem a melhor história para contar de como se tornou cineasta. Seu currículo inusitado só perde para o de Ozualdo Candeias (1918-2007), pioneiro do cinema marginal, que foi militar, caminhoneiro, office boy, metalúrgico e funcionário público.

Nascido na pequena Mairi, no interior da Bahia, Alysson (nome completo) estudou História na USP e morava em São Paulo quando decidiu se mudar para Curitiba para viver com a namorada. Sem emprego, começou a prestar os concursos públicos que apareciam. O primeiro no qual passou foi para ser bombeiro e salva-vidas – trabalhou seis meses nas operações de resgate, mas o salário era muito baixo e desistiu.

No segundo concurso, tornou-se agente penitenciário, e tomou um duro choque com a realidade das penitenciárias. Até que encontrou uma brecha útil na lei – ele poderia ser dispensado do trabalho se estivesse cursando o ensino superior. Foi quando decidiu estudar Cinema e TV na Faculdade de Artes do Paraná. “Em resumo, fui fazer cinema para sair da cadeia”, conta.

O cárcere no cinema 

Entre os primeiros curtas, começou a pensar no que chamou de a “Trilogia do Cárcere”, retratando as relações entre os presos e destes com as pessoas de fora da cadeia. O primeiro projeto foi o curta de ficção “A Fábrica” (2011), sobre uma mãe que aceita o risco de levar um celular para o seu filho na cadeia em dia de visita. O curta recebeu nove prêmios em festivais nacionais e internacionais, como os de Toronto, Lisboa e Varsóvia, e foi semifinalista ao Oscar da categoria.

No segundo curta, o diretor optou pelo ensaio documental. “Pátio”, um retrato do momento de ócio dos presidiários, quando jogam bola ao ar livre e conversam sobre a vida, foi selecionado para a Semana da Crítica do Festival de Cannes. Os dois curtas o prepararam para seu projeto mais ambicioso, o longa “A Gente”, em que acompanha a rotina de árduas negociações de seu colega, Jeferson Walkiu, membro da Equipe Alfa, grupo que faz a guarda e a custódia de cerca de mil detentos numa penitenciária no Paraná.

Para o filme, Muritiba pediu reintegração no seu trabalho de agente penitenciário – e teve acesso a imagens que só um membro da categoria poderia obter. Em cada filme da trilogia, ele aborda a mesma realidade, mas sob perspectivas diferentes, oscilando entre o documentário e a ficção, o ponto de vista dos detentos e dos agentes. No longa, os presos quase não aparecem, a não ser pelas vozes fora do quadro. Walkiu, o colega-personagem, divide-se entre as restrições orçamentárias no limite do absurdo que recebe do governo – até o cafezinho para os presos é regulado –, a vontade de tornar menos desumana a vida dos detentos sem dar sinal de fraqueza, e a religião, que lhe dá força para seguir.

Um dos documentários mais importantes dos últimos anos sobre a relação do poder com os marginalizados – ao lado de “Morro dos Prazeres”, de Maria Augusta Ramos –, “A Gente”, infelizmente, não foi distribuído nos cinemas, restringindo-se ao circuito de festivais.

Ficção envereda pelo thriller 

Seu próximo passo foi experimentar o único formato pelo qual ainda não tinha se aventurado: o longa de ficção. Recém-premiado no Festival de Montréal, no Canadá, como melhor longa-metragem de ficção, “Para minha Amada Morta”, que ele define como “uma espécie de drama que se transforma num thriller”, segue Fernando (Fernando Alves Pinto), um jovem viúvo que cuida sozinho do seu filho. Um dia, arrumando as coisas da falecida, ele encontra uma fita VHS com imagens pessoais. “Isso, no início, traz um alento, mas numa das fitas ele a vê transando com outro cara. Ele decide então encontrar esse sujeito, e a vida dele vira um inferno”, explica o diretor.

Cena de “Para a minha Amada Morta”, longa de estreia de Aly Muritiba na ficção, que traz Fernando Alves Pinto como protagonista

“Para a minha Amada Morta” foi um dos filmes brasileiros mais cotados para a seleção do Festival de Cannes, mas por fim não conseguiu a vaga. O longa tem previsão de estreia no circuito comercial em março de 2016 e será distribuído pela Vitrine Filmes.

Além de diretor, roteirista e produtor de seus próprios filmes, Muritiba acumula mais uma função que vem lhe trazendo prestígio nos últimos anos: a de diretor de festival. Junto com seus colegas Antonio Junior e Marisa Melo, fundou há quatros anos o Olhar de Cinema, um festival de cinema independente na capital paranaense. A última edição, realizada em junho, reuniu 92 filmes, divididos em mostras competitivas de longas e curtas, além de retrospectivas e sessões de filmes clássicos. Segundo Muritiba, cerca de 90% da programação é feita de filmes inéditos no Brasil. “A nossa ideia era só fazer os nossos filmes. Mas a gente voltava dos festivais cheios de coisas pra contar e não tinha com quem conversar, estávamos muito solitários nessa parte da produção e difusão. Foi aí que decidimos criar o festival”, explica.

O circuito aumentou em relação à primeira edição – se antes o Olhar ocupava apenas as três salas do Espaço Itaú no Shopping Cristal, agora engloba também duas salas no Shopping Curitiba. O festival, hoje, tem uma boa reputação entre críticos e cinéfilos, mas Muritiba tem vontade de botar o pé no freio. “O festival já me ocupa hoje seis meses do ano. Não quero crescer demais, porque meu negócio é continuar a fazer meus filmes”.

 

Por Thiago Stivaletti

Com mais de 360 projetos inscritos, a quinta edição do Programa DOCTV América Latina divulgou os ganhadores. Cada um dos 17 contemplados receberá 70 mil dólares para produzir o documentário. O projeto brasileiro vencedor foi “Transitórios”, de Maria Rodrigues Pereira, com produção da Praga Produções e Eventos.

No Brasil, o Programa é realizado em parceria pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAv/MinC), pela Agência Nacional do Cinema (ANCINE) e pela Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (ABEPEC).

Em cada um dos 17 países participantes, os projetos foram avaliados por uma Comissão de Seleção Nacional que designou cinco semifinalistas. Estes, por sua vez, foram avaliados por um Júri Internacional, que recomendou os três finalistas por país. Finalmente, os finalistas participaram de uma sessão de pitching com a Comissão de Seleção Nacional.

As propostas selecionadas têm o eixo temático “Felicidade” e vão dar origem a um documentário inédito com 52 minutos de duração. Os filmes abrem possibilidades de relatos de experiências e histórias de transformação ao mostrar que outros mundos são possíveis dentro da realidade de cada país participante.

Confira abaixo os projetos vencedores:

Argentina: “Desarme”, de Hernán Fernández, produzido por Mónica Niemira

Bolívia: “El cielo que habitamos”, de María Soledad Dominguez Lucuy, produzido por Nélson Walter Martinez Espinoza

Brasil: “Transitórios” (Historinhas de descuido), de Maria Rodrigues Pereira, produzido por Praga Produções e Eventos Ltda

Colômbia: “Vogulys”, de Lukas Jaramillo Ortíz, produzido por Gusano Films

Costa Rica: “En busca de la felicidad”, de Patricia Velásquez, produzido por Oscar Herrera

Cuba: “La felicidad por fin comienza un lunes”, de Marcel Beltrán, produzido por María Karla Polo

Equador: “Siete muros”, de Daniel Alejandro Yépez Brito, produzido por Christian Antonio Mejía Acosta

Guatemala: “El Tabal”, de Hugo Koper Pennington, produzido por Edgar Sajcabun

México: “Chichi”, de Carlos Alberto Medellín Miñen, produzido por Carlos Alberto Medellín Miñen

Nicarágua: “1,2,3 a bailar”, de José Wheelock, produzido por Imaginarte Films

Paraguai: “Apyka: El territorio Guaraní y el buen vivir”, de Marcelo Martinessi, produzido por Karen Fraenkel

Peru: “Trampolín: El policía que se transforma em payaso”, de Nélson García Miranda, produzido por Cine Moche S.A.C.

Porto Rico: “La Mujer Maravilla sobre ruedas”, de Omar Ramos, produzido por Yamara Rodríguez

República Dominicana: “El sitio de los sitios”, de Natalia Cabral e Oriol Estrada, produzido por Faula Films

Uruguai: “Los de siempre”, de José Pedro Charlo, produzido por Margarita Brum

Venezuela: “Sembradores de agua”, de Mohamed Hussain, produzido por Luciani Grioni

O projeto vencedor do Panamá deve ser divulgado nas próximas semanas.

Os documentários vencedores serão exibidos em 21 canais de televisão públicos dos países associados à Rede DOCTV América Latina. A TV Brasil é uma das emissoras que compõem a rede internacional.

Neste ano, o Programa abrange 17 países: Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Guatemala, Equador, México, Nicarágua, Panamá, Peru, Porto Rico, República Dominicana, Uruguai, Paraguai e Venezuela. A Unidade Técnica desta edição é Bogotá, na Colômbia.

O BrLab, laboratório de desenvolvimento de projetos no Brasil, promovido pela Klaxon Cultura Audiovisual e pela Spcine com patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, anunciou a lista de projetos selecionados para sua quinta edição, que acontece entre os dias 29 de outubro e 4 de novembro, no âmbito da 39ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. A comissão de avaliação e seleção foi formada por Agustina Chiarino (Uruguai), Estrela Straus (Brasil), Fernanda de Capua (Brasil), Flavia Candida (Brasil), Ivan Granovsky (Argentina), Mariana Pinheiro (Brasil), Maurício Kinoshita (Brasil) e Rafael Sampaio (Brasil). Foram recebidas 239 inscrições, 140 de projetos brasileiros e 99 de projetos estrangeiros.

Dos projetos anunciados, seis são brasileiros: “Desterro”, de Maria Clara Escobar, produzido por Filmes de Abril (São Paulo – SP); “Mato Seco em Chamas”, de Adirley Queirós e Joana Pimenta, produzido por Cinco da Norte (Ceilândia – DF) e coproduzido por Punta Colorada de Cinema (São Paulo – SP); “O Filho Plantado”, de Thais Fujinaga, produzido por Avoa Filmes (São Paulo – SP); “O Livro dos Prazeres”, de Marcela Lordy, produzido por Big Bonsai (São Paulo – SP) e coproduzido por Rizoma Films (Argentina); “Represa” de Diego Hoefel, produzido por Tardo Filmes (Fortaleza – CE); “Revoada”, de Eduardo Ades, produzido por Imagem-Tempo (Rio de Janeiro – RJ).

A lista de estrangeiros é formada pelos projetos “Cabezas de VHS”, de Manuel Lacunza, produzido por Films de Cabeza (Bolívia); “Gafas Amarillas”, de Iván Mora Manzano, produzido por La Republica Invisible (Equador); “Julio”, de Javier Andrade, produzido por Punk S.A. (Equador); “Matar a un Muerto”, de Hugo Giménez, produzido por Sabaté Films e El Espejo Cine (Paraguai); além do projeto “El Hombre de la Mancha”, de Neto Villalobos, produzido por Pacifica Grey (Costa Rica), anunciado como prêmio na última edição do Cinéma en Développement, em Toulouse em março deste ano.

O BrLab anunciará ainda a seleção de um sexto projeto estrangeiro em parceria com o LoboLab (primeiro encontro internacional de coprodução promovido pelo Festival Internacional de Cinema de Mar del Plata) que participará de ambos os eventos; primeiramente em São Paulo, de 29/10 a 4/11, e depois em Mar del Plata, de 5 a 7/11.

Nesta edição, o BrLab apresenta oficinas de roteiro, produção, realização e distribuição com consultores renomados no mercado brasileiro e internacional, além de palestras, masterclasses e estudos de casos abertos ao público. Além das oficinas, duas empresas distribuidoras, a FiGa Films e a Vitrine Filmes, concederão prêmios-aquisição para projetos escolhidos por representantes presentes no evento. Os projetos participantes também concorrerão a prêmios de tradução oferecidos pela empresa uruguaia Subtitulos.tv e, ainda, um dos projetos poderá ser selecionado para participar do Cinéma en Devéloppement do Festival Cinélatino de Toulouse em 2016. Mais informações sobre o laboratório em www.lab-br.com.br. A programação completa será divulgada no dia 15 de outubro.

O Festival Internacional de Televisão está com inscrições abertas para a Mostra Competitiva de Pilotos, até o dia 7 de outubro, em cinco categorias: Entretenimento, Ficção, Documentário/Jornalismo, Infantil e Esporte, através do site www.festivalinternacionaldetelevisao.com. Este ano, o festival traz também o Fórum de Estudos Televisivos e workshops.

O Festival Internacional de Televisão investe na troca de ideias entre os produtores de conteúdo brasileiro e as redes de televisão que operam no país, além de fomentar a discussão sobre a realização televisiva e o panorama atual do veículo. Nesta 10º edição, o FITV conta com uma programação abrangente, tanto de conteúdo quanto de localização, sem deixar de lado as características que o firmaram como referência no mercado televisivo.

O FITV traz para o público um panorama diversificado do que está sendo produzido e pensado fora do Brasil, apresentando um primeiro olhar sobre as mais avançadas tecnologias do audiovisual e fomentando discussões de temas atuais através de encontros, seminários e workshops.

O evento vai acontecer no Oi Futuro Ipanema, na Arena Dicró, na Biblioteca Parque Rocinha, Biblioteca Parque Niterói, Cinemateca do MAM Museu da República, e FACHA e ESPM, no Rio de Janeiro. As atividades acontecerão entre os dias 11 e 15 de novembro.