O festival Filmes da Estação, que acontece entre os dias 12 e 15 de maio, em Juiz de Fora, está com as inscrições abertas da primeira edição da mostra competitiva, até o dia 29 de março. Podem concorrer produtores brasileiros, com filmes com duração igual ou inferior a 29 minutos, com temática livre, produzidos a partir de janeiro de 2012.

Os participantes devem preencher uma ficha de inscrição online, disponível no site www.filmesdaestacao.com.br e disponibilizar os curtas nos formatos MOV ou MP4 Codec H264. Também no site é possível conferir o regulamento completo. Os proponentes também podem inscrever quantas obras desejarem, não há um limite de quantidade de filmes estabelecido. Todos os filmes serão submetidos à avaliação de uma curadoria convidada. O resultado será divulgado também no site, no dia 20 de abril.

Um júri votará a premiação com um troféu em três categorias, sendo elas: melhor filme, melhor direção e prêmio especial. Não haverá, no entanto, premiação com qualquer outro tipo de bem ou dinheiro. Durante os quatro dias de exibições, outros curtas, além dos selecionados para a competitiva também podem integrar a programação.

No ano em que o lançamento de seu primeiro longa-metragem como diretor completa 40 anos, a Cinemateca Brasileira celebra a obra de um dos grandes cineastas brasileiros, Hector Babenco, com uma retrospectiva e uma exposição sobre seus filmes, que acontece de 12 de fevereiro a 15 de março.

Nascido em Mar del Plata, na Argentina, em 1946, Babenco mudou-se para o Brasil aos 19 anos e naturalizou-se brasileiro em 1977. Em 1975, lança seu primeiro longa-metragem, O Rei da Noite, com marcantes interpretações de Paulo José, Marília Pêra e Vic Militello.

Baseado num caso policial, Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia foi um grande sucesso de bilheteria e recebeu diversos prêmios em 1977. Seu filme seguinte é considerado uma de suas obras-primas, Pixote, a Lei do Mais Fraco (1980), presença constante em listas de maiores filmes da década de 1980. Realiza em 1985, O Beijo da Mulher Aranha, produção internacional falada em inglês, que recebeu o Oscar de melhor ator e o prêmio de interpretação masculina em Cannes para William Hurt e pelo qual Babenco foi indicado ao Oscar de melhor diretor.

Em 1987, dirige Jack Nicholson e Meryl Streep em Ironweed, e ambos são indicados ao Oscar pelos papéis. Ambientado na região amazônica e com atores brasileiros e estrangeiros, lança, em 1990, Brincando nos Campos do Senhor, uma coprodução entre Brasil e Estados Unidos. Em 1998, lança Coração Iluminado, drama autobiográfico selecionado para o Festival de Cannes. Em seguida, realizaria seu maior sucesso de bilheteria, Carandiru (2003), também exibido no Festival de Cannes. Em 2007, o diretor retorna a Buenos Aires para as filmagens de O Passado, estrelado por Gael Garcia Bernal, no qual Babenco aparece como um projecionista de cinema. Atualmente, o cineasta dirige Willem Dafoe em seu novo longa-metragem, “Meu Amigo Hindu”, filmado em São Paulo.

Soma-se a retrospectiva dos filmes uma exposição que ilustra os momentos marcantes da carreira do diretor a partir de fotografias de cena e bastidores e de preciosidades pertencentes a várias coleções que compõem o acervo do Centro de Documentação e Pesquisa da Cinemateca Brasileira: materiais de divulgação dos filmes, cartazes, releases, roteiros, além de curiosidades como uma fotonovela de Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia, um compacto com a trilha sonora de Pixote, a Lei do Mais Fraco, o roteiro original de Carandiru com anotações do montador do longa, Mauro Alice, entre outras, além de fotos de cena e dos bastidores dos filmes.

A programação completa está disponível no site www.cinemateca.gov.br.

 

Retrospectiva Hector Babenco
Data: de 12 de fevereiro a 8 de março
Local: Cinemateca Brasileira – Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Próximo ao Metrô Vila Mariana – (11) 3512-6111 (ramal 215)

O Projeto Setorial FilmBrazil, realizado pela APRO – Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais em parceria com a Apex-Brasil – Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, realizará ação inédita nos Estados Unidos para promover o país como polo de produção audiovisual. Entre os dias 9 e 13 de março, a iniciativa levará dez produtoras para participar de reuniões com importantes agências de Nova York e Chicago, no qual terão a oportunidade de divulgar seus trabalhos para o mercado internacional.

As produtoras Conspiração Filmes, Fulano, Hungry Man, Lobo, Los Bragas, Oca Films, Prodigo Films, Santa Transmedia, Zohar e Zola terão a oportunidade de apresentar seus trabalhos para profissionais de criação/produção das agências e clientes em um espaço totalmente reservado para reuniões, no formato de “screenings”. Ao término, haverá um evento de relacionamento no intuito de estreitar o contato entre os convidados. O processo de seleção das empresas e diretores participantes desta ação contou com o trabalho de “trendsetter” da agência Havas PR, que apontou as principais tendências do mercado local. Em Nova York ,os screenings serão realizados no Soho House e o evento de relacionamento no The Standard Hotel. Já em Chicago, tanto os screenings como o evento de relacionamento serão realizados no Soho House.

Vale ressaltar ainda que essa iniciativa marca o início dos trabalhos da “Incubadora de Projetos Internacionais”. A partir dessa primeira ação, será dado continuidade ao trabalho de representação (ou como é conhecido “Sales Rep”) dessas produtoras, liderado pela executiva do Projeto, Marianna Souza, e pelo executivo recém-transferido para Nova York, Luis Ribeiro.

De 11 a 23 de fevereiro, acontece a mostra O Cinema de Nicolas Philibert, no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, em parceria com a Cinemateca da Embaixada de França no Brasil e com o apoio do Institut Français. O evento exibirá 8 longas-metragens, que englobam o início da carreira do cineasta até o seu último filme, rodado em 2012.

A mostra traz a obra de Nicolas Philibert, um dos mais expressivos documentaristas da atualidade, que resgata em seus registros a emoção da descoberta do real como nas origens do cinema. Ainda pouco conhecido no Brasil, o cineasta é um dos grandes nomes do filme documentário francês e mundial.

Nicolas Philibert nasceu em Nancy, em 1951. Após terminar a faculdade de Filosofia, ele decidiu ingressar no meio cinematográfico. Começou sua carreira como assistente de direção, especialmente de René Allio e Alain Tanner. Em 1978, ele correalisa, com Gérard Mordillat, seu primeiro longa-metragem documental, “A Voz de seu Mestre”, no qual um grupo de grandes executivos (L’Oreal, IBM, Thomson, Elf etc) falam sobre o poder, da hierarquia, do lugar dos sindicatos, desenhando aos poucos a imagem de um mundo dominado pela finança.

De 1985 a 1987, ele filmou diversos filmes de montanha e de aventuras esportivas para a televisão. Em seguida, se dedicou a realização de longas-metragens documentais, todos distribuídos comercialmente: “A Cidade Louvre” (1990), “O País dos Surdos” (1992), “Um Animal, os Animais” (1995), “O Mínimo das Coisas” (1996), entre outros.

Como um dos destaques da produção, está o filme “Ser e Ter” (2002), longa que levou o cineasta a alcançar o reconhecimento do público na França e em festivais internacionais. O documentário retrata uma escola rural na França onde os alunos, entre 4 e 11 anos, são todos educados pelo mesmo professor, Sr. Georges Lopez.

Outro destaque é “A Estação de Rádio” (2013), estreado no Festival de Berlim de 2013 e ainda inédito em São Paulo, que mergulha no coração da Radio France, descobrindo o que habitualmente escapa aos olhares: os mistérios e as cenas de um meio cuja própria matéria que utiliza (o som) é invisível.

Em 1975, Nicolas Philibert foi assistente de direção de René Allio em “Eu, Pierre Rivière, que Degolei minha Mãe, minha Irmã e meu Irmão”, baseado num crime local descrito em livro pelo filósofo Michel Foucault. Filmado na Normandia, a alguns quilômetros de onde aconteceu o triplo assassinato, o traço mais especial do trabalho de Allio era o fato de que todos os personagens do filme foram interpretados por camponeses da região. Trinta anos depois, Philibert retorna à Normandia para reencontrar estes atores de ocasião, personagens da vida real. O resultado é o documentário ”De Volta à Normadia” (2007).

Os filmes serão exibidos em 35mm com legendas eletrônicas. A mostra terá ingressos a preços populares e 10% dos ingressos serão disponibilizados gratuitamente ao público de baixa renda.

A programação completa está em www.bb.com.br/cultura.

 

O Cinema de Nicolas Philibert
Data: de 11 a 23 de fevereiro (dia 15 não haverá programação)
Local: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo – Rua Álvares Penteado, 112 – Centro – Próximo às estações Sé e São Bento do Metrô – (11) 3113-3651 – 70 lugares
Ingresso: R$ 4 e R$ 2 (meia)
Classificação indicativa: livre
Acesso e facilidades para pessoas com deficiência física // Ar-condicionado // Loja // Café Cafezal.

Léo vai visitar o primo no litoral alagoano. Lá, entre os amigos, conhece Sem Coração, menina que usa marca-passo, com quem passa a ter uma relação ambígua. Trabalhando temas como a iniciação sexual, a adolescência, as diferenças de realidades, entre outros, o curta pernambucano “Sem Coração” (2014) tem rendido bons frutos aos seus realizadores, Tião e Nara Normande. O filme estreou em Cannes, na Quinzena dos Realizadores, de onde saiu com o prêmio Illy de melhor curta, e seguiu uma carreira de sucesso, sendo premiado em Brasília, no Curta Cinema, em Havana, entre muitos outros.

O filme foi baseado em algumas histórias que Nara escutou no início de sua adolescência. Ela escutava fragmentos de conversas de seus amigos sobre uma menina chamada Sem Coração, que tinha um marca-passo, e sobre as idas a uma piscina abandonada. Nara contou a Tião sobre as memórias e logo bolaram uma história juntos. “Nos preocupamos muito em não estabelecer julgamentos, achamos que seria mais rico que as pessoas simplesmente entrassem em contato com as situações. Ao mesmo tempo, quisemos usar o filme pra falar de memórias dessa fase da vida, de férias, amizade, amor, liberdade”, conta Tião. “Falamos também da crueldade adolescente que está desde o nome que ela tem naquele grupo à forma com que ela é desprezada pelas outras meninas. Sem Coração convive com os meninos”, complementa.

Para formar o elenco, Tião e Nara entrevistaram mais de cem adolescentes, em Porto das Pedras, em São Miguel dos Milagres e em Maceió. As escolhas partiram de conversas com eles. Para preparação de elenco, chamaram a atriz Maeve Jinkings, que também faz uma ponta no filme.

“Sem Coração” é a primeira parceria conjunta na direção e no roteiro de Tião e Nara Normande, ambos premiados curta-metragistas, com, respectivamente, “O Muro” (2008) e “Dia Estrelado” (2011). “Como já tínhamos muitas variáveis nas filmagens e não queríamos ficar nos confrontando enquanto uma equipe esperava, tentamos conversar e planejar muito, até pensamos storyboards pra algumas cenas”, comenta Tião, que agora finaliza sua estreia em longas, “Animal Político”. E Nara produz seu próximo curta, a animação com técnicas mistas “Guaxuma”.

 

Por Gabriel Carneiro