Estão abertas as inscrições para participar da programação oficial do 8° Curta Brasília – Festival Internacional de Curta-Metragem. As inscrições são feitas exclusivamente online, pelo site www.curtabrasilia.com.br.

A equipe de curadoria do 8° Curta Brasília seleciona, por meio das inscrições, os curtas e videoclipes que irão compor as mostras sujeitas a prêmios oficiais do evento, Mostra Nacional e Mostra Decibéis, assim como para as mostras especiais que fazem parte do escopo do festival.

Com exibições no Cine Brasília (Brasília/DF) o 8° Curta Brasília tem previsão de realização em dezembro de 2019.

Por Maria do Rosário Caetano

Gramado vai ferver de 16 a 24 de agosto. A edição de número 47 do mais badalado festival de cinema do país poderia estar em crise, como a economia brasileira. Ou abalada pela perda de dois de seus curadores, primeiro, a argentina Vera Piwowarski, depois, o paulista Rubens Ewald Filho. Da trinca curadora, restou o gaúcho Marcos Santuário.

Só que, ao invés de sofrer baque por dolorosas perdas humanas e devido aos parcos investimentos nacionais em cultura, o 47º Festival de Gramado de Cinema Brasileiro e Latino anuncia espantosa robustez e gastos de R$ 4 milhões, mesmo orçamento de anos anteriores, pré-crise brasileira. E mais: uma seleção com títulos recheados por atores de prestígio internacional, como a espanhola Carmen Maura, a portuguesa Maria de Medeiros, o alemão Peter Ketnath, o argentino Jean-Pierre Noher e o chileno Alfredo Castro, e nacional, com Andrea Beltrão, Marcélia Cartaxo, Marco Ricca, João Miguel e Paulo Miklos.

Em outra seara, pela qual o Festival de Gramado trilha satisfeito – a das homenagens – os nomes escolhidos são prova de diversidade e credibilidade artística. O Prêmio Oscarito caberá ao astro black Lázaro Ramos, de 40 anos, o Troféu Eduardo Abelim, à atriz e diretora Carla Camurati, 58, o Kikito de Cristal ao astro argentino Leonardo Sbaraglia, 49 (nas telas no almodovariano “Dor e Glória”) e o Troféu Cidade de Gramado ao produtor Maurício de Sousa, 83, pai da Turma da Mônica, que enreda o público com seus “Laços” (o filme mauriciano foi visto em suas duas primeiras semanas por 800 mil espectadores).

A seleção de longas-metragens brasileiros presta atenção à diversidade informal (há produções do Ceará, DF e Rio Grande do Sul, que somam-se ao eixo Rio-SP) e mobiliza filmes de grande produção e elencos, sem esquecer as produções mais modestas e com intérpretes menos conhecidos. Mas ignora a força das mulheres na direção de novos longas. Não há um único nome feminino entre os oito diretores que assinam os filmes escolhidos.

Na categoria cinema-espetáculo (pelos orçamentos e atores mobilizados), estão “Hebe, a Estrela Brasileira”, de Maurício Farias, e “Veneza”, de Miguel Falabella. A cinebiografia da rainha do sofá televisivo nacional fará de Gramado sua plataforma de lançamento, já que o filme estreia semanas depois. Andréa Beltrão interpreta a apresentadora-cantora-socialite paulistana e com ela atuam Marco Ricca, Karine Teles, Gabriel Braga Nunes, Danton Mello, Daniel Boaventura, entre muitos outros.

Em “Veneza”, o ator, dramaturgo e diretor Miguel Falabella, recria moan atmosfera garciamarqueziana e tempero felliniano, peça teatral do argentino Jorge Accame. À frente do elenco, Carmen Maura, companheira de estrada de Pedro Almodóvar e Carlos Saura, que soma-se a Dira Paes, Eduardo Moscovis, Carol Castro, André Mattos e Danielle Winits. Para atender a pedido da protagonista de “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos”, que não queria tomar vacina (obrigatória para desembarcar no Brasil), as filmagens foram transferidas para Montevidéu e complementadas na Itália. Carmen Maura tem 73 anos. Será que desta vez ela vai tomar a vacina e desembarcar no Brasil? Falabella, que errou a mão em seu primeiro longa, a comédia “Polaróides Urbanos”, desta vez, vem cercado por expectativa das mais positivas.

Do Ceará, chega “Pacarrete”, do jovem Allan Deberton, filme que representou o Brasil no Festival de Xangai, na China. À frente do elenco, no papel-título (de uma bailarina sonhadora e envelhecida), está a paraibana Marcélia Cartaxo, Urso de Prata de melhor atriz no Festival de Berlim 1986, pela inesquecível Macabeia (“A Hora da Estrela”). Com ela, atuam as conterrâneas Soia Lira e Zezita Matos, o grande ator baiano, João Miguel, e os cearenses Samya de Lavor e Rodger Rogério.

O brasiliense “O Homem Cordial” trará de volta a Gramado o cineasta Iberê Carvalho, que fez boar figura, na Serra Gaúcha, com “O Último Cine Drive-In”. Desta vez, ao invés de uma homenagem ao cinema, Iberê volta sua câmara ao mundo da música. Vocalista e líder de uma banda de stone vê sua vida revirada do avesso quando um vídeo, que o acusa de envolvimento na morte de um policial, viraliza na internet. No elenco, o astro titã Paulo Miklos (“O Invasor”), Dandara de Morais, Thaíde, Bruno Torres, Theo Werneck e Murilo Grossi.

O representante do Rio Grande do Sul, “Raia 4”, de Emiliano Cunha, envolve adolescentes, natação e segredos. No elenco, nomes pouco conhecidos nacionalmente, como Brídia Moni, Kethelen Guadagnini, Rafael Sieg, José Henrique Ligabue e Arlete Cunha. Duas atrizes, porém, são conhecidas dos cinéfilos: Fernanda Carvalho Leite, por ter trabalhado com Carlão Reichenbach (“Garotas do ABC” e “Falsa Loura”), e Fernanda Chicolet, por ser, além de atriz, diretora de curta doidão, que fez muito sucesso nos festivais (“Demônia – Melodrama em 3 Atos”, parceria com Cainan Baldez).

A natação também aparece no paulistano “Vou Nadar Até Você”, de Klaus Mitteldorf (codireção de Luciano Patrick). Uma jovem fotógrafa (Bruna Marquezine) acredita ter descoberto quem é seu pai e, determinada, sai de Santos, a nado, rumo a Ubatuba, onde espera encontrar o homem por quem procurou durante toda a vida. Além de Marquezine, o elenco conta com o alemão Peter Ketnath (“Cinema, Aspirinas e Urubus”) e Fernando Alves Pinto (“Terra Estrangeira”).

“30 Anos Blues”, dos paulistanos Andradina Azevedo e Dida Andrade, tem sua dupla diretora também no elenco, numeroso e pouco conhecido do grande público. A sinopse do filme assegura que “a síndrome de Peter Pan se caracteriza por um conjunto de comportamentos apresentados por adultos que não querem deixar de ser crianças”. Nos créditos artísticos, estão Carol Melgaço, Julia Ianina, Claudia Alencar, Bruna Yamatogue, Adriano Toloza, Fabio Penna, Danielle Rosa, Pedro Lopes, Ricardo Dantas, Bruno Perazio, Larissa Korolkovas, Juan Manuel Tellategui, Ruy Prado, Mariana Hein.

O filme “Bacurau”, de Kleber Mendonça e Juliano Dornelles, é o convidado para a sessão initial do festival gaúcho. Os dois longas anteriores de Mendonça estiveram em Gramado. “O Som ao Redor”, na competição, e “Aquarius”, como hors concours.

A mostra competitiva latino-americana conta com sete filmes vindos de sete países (Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Equador, México e Uruguai).

O representante mexicano tem trunfo poderoso: a pintora Frida Kahlo (1907-1954), ícone planetário, paixão de Madonna e de 99% das feministas dos quatro quadrantes. “Duas Fridas”, de Ishtar Yasin (diretora de origem russa), recria, com liberdade, a relação entre a pintora azteca e sua enfermeira costarriquenha, Judith Ferreto. Judith cuidou de Frida em sua venerada e derradeira morada, a Casa Azul, hoje, um dos museus mais visitados do mundo. Como um espelho, a enfermeira será, também, cuidada por uma mulher, em sua Costa Rica natal. Maria de Medeiros interpreta Judith e a diretora Ishtar Yasin dá vida a Frida Kahlo.

Do Chile, vem “Perro Bomba”, de Juan Cáceres. O filme tem no elenco o grande Alfredo Castro, ator fetiche de Pablo Larraín. Para contar a história de jovem imigrante haitiano, que enfrenta a xenofobia dos habitantes de Santiago, o diretor convocou Steevens Benjamin, Blanca Lewin, Gastón Salgado, Junior Valcin, Erto Pantoja e Daniel Antivilo.

“La Forma de las Horas”, de Paula de Luque, é o representante da Argentina. O longa reúne Julieta Díaz, Jean Pierre Noher, ator que Gramado festeja há quase duas décadas (inclusive com um Kikito de Cristal), e Maria Paula Robles. A trama se passa em apenas 24 horas, dash necessário para construir a crônica de um desmoronamento amoroso.

“Muralla”, representante da Bolívia, tem na direção Rodrigo Patiño Sanjines. Um filme sobre Coco “Muralla” Rivera, grande goleiro dos anos 90, hoje motorista de micro-ônibus, alcóolatra e metido em complicações. No elenco, Fernando Arze Echalar, o argentino Pablo Echarri (El Cuervo no thriller “Plata Quemada”) e Cristian Mercado.

Do Uruguai, chega “En el Pozo”, de Bernardo e Rafael Antonaccio, um “thriller sobre violência de gênero, com Paula Silva, Augusto Gordillo, Rafael Beltrán e Luis Pazos.

O equatoriano “A Son of Man – La Maldición del Tesoro de Atahualpa”, de Jamaicanoproblem (isto mesmo!), mostra um jovem que se une ao pai para buscar, na selva, tesouro perdido do inca Atahualpa. Só que demônios familiares viajarão com eles. No elenco, Luis Felipe Fernandez-Salvador y Boloña, Lily outpost Ghemen e Luis Felipe Fernandez.

A Costa Rica volta a Gramado com “El Despertar de las Hormigas”, de Antonella Sudasassi Furnis. Em pauta, o questionamento de papeis atribuídos, como obrigação, às mulheres, ou seja, ser boar esposa, boar nora e boar mãe. Com Daniela Valenciano, Leynar Gómez, Isabella Moscoso e Avril Alpízar.

Além das duas competições de longas-metragens (brasileiros e latino-americanos), Gramado terá duas competições de curtas, uma nacional e outra gaúcha. Abaixo, os filmes selecionados.

Curtas-metragens brasileiros

.“A Pedra”, de Iuli Gerbase (RS)
.“Teoria Sobre um Planeta Estranho”, de M. A. Pereira (MG)
. “O Balido Interno”, de Eder Deó (PE)
. “Marie”, de Leo Tabosa (PE)
. “Menino Pássaro”, de Diogo Leite (SP)
. “O Véu de Amani”, de Renata Diniz (DF)
. “Invasão Espacial”, de Thiago Foresti (DF)
. “A Ética das Hienas”, de Rodolpho de Barros (PB)
. “E o que a Gente Faz Agora?”, de Marina Pontes (BA)
. “A Mulher que Sou”, de Nathália Tereza (PR)
. “Apneia”, de Carol Sakura e Walkir Fernandes (PR)
. “Um Tempo Só”, de Lane Alves (SP)
. “Amor aos Vinte Anos”, de Felipe Poroger e Toti Loureiro (SP)
. “Sangro”, de Tiago Minamisawa, Bruno H. Castro, Guto BR (SP)

Mostra Assembleia Legislativa (Gauchão)

. A Maior Locadora do Mundo”, de Matheus Mombelli
. “Dia de Mudança”, de Boca Migotto
. “É Assim que Você Parece”, de Pedro Valadão
. “Êles”, de Roberto Burd
. “Endotermia”, de Emiliano Cunha
. “Kerexu”, de Denis Rodriguez e Leonardo Remor
. “Linha Travessão”, de Douglas Roehrs
. “O Carnaval de Gregor”, de Kiwi Bertola
. “O Menino da Terra do Sol’’, de Michel Marchetti
. “Quero Ir para Los Angeles”, de Juh Balhego
. “Só Sei que Foi Assim”, de Giovanna Muzel
. “Sonata’’, de Felipe Diniz
. “Stardust”, de P. Zaracla
. “Tempestade e A Janela de Papel”, de Viviane Locatelli
. “Tesourinho’’, de Bruna Dreyer Nery
. “Veraneio”, de Nelson Diniz
. “Who’s That Man Inside My House?”, de Lucas Reis
. “Buitenlanders/Estrangeiros”, de Cassio Tolpolar
. A Pedra”, de Iuli Gerbase
. “Budapest_V4_Final2”, de Gabriel Motta, de Cassio Tolpolar

Por Maria do Rosário Caetano

Graças ao recurso do financiamento coletivo, ou “vaquinha da resistência”, a vigésima-sétima edição do Anima Mundi, maior festival dedicado a filmes animados da América Latina, acontecerá no Rio, a partir do dia 17 de julho, e depois, em São Paulo, a partir do dia 24.

As duas cidades terão edições compactas, de apenas cinco dias cada. As últimas edições do Anima Mundi, no Rio, duravam, respectivamente dez e nove dias. Este ano, sem o patrocínio da Petrobras, os recursos obtidos via crowndfunding obrigaram os organizadores a redimensionar sua programação. Mas, mesmo com os cortes, o quarteto de curadores (Marcos Magalhães, Aída Queiroz, Lea Zagury e César Coelho) garante que “animadores e público podem se preparar para edição com programação qualificada e variada”. Estão programados muitos “e ótimos filmes”, vindos de vários cantos do mundo. No total, 303 títulos oriundos de mais de 40 países, sendo 118 produções (ou coproduções) brasileiras.

O Brasil se fará representar por dois longas-metragens: “Cidade dos Piratas”, do gaúcho Otto Guerra, inspirado em tiras de Laerte, e “Miúda e o Guarda-Chuva”, do baiano Amadeu Alban. E por 116 curtas-metragens. “Nosso foco” – diz Marcos Magalhães, premiado em Cannes/1982 com o sintético e contagiante “Meow”– “continua sendo o filme de curta duração”.

Para que possamos visualizar os progressos do cinema de animação no Brasil, desde que o Anima Mundi foi criado, há 27 anos, dale comparar os dados de 1993 com os atuais. Com a palavra, Marcos Magalhães: “na edição inaugural, realizamos uma retrospectiva de toda a produção nacional desde os anos 1980, com cerca de 30 filmes”. No ano seguinte, “1994, não havia nenhum curta brasileiro novo para exibir, pois o setor estava em crise”. De 1995 em diante, “a produção foi crescendo até atingir esta média de cerca de cem novos títulos todo ano. Os filmes brasileiros passaram a ser maioria no festival nas últimas dez edições”.

Entre os longas internacionais, o diretor de “Animando” (curta que encantou Norman McLaren, o pappy da animação experimental), destaca ”Buñuel en el Laberinto de las Tortugas”, de Salvador Simo, um docudrama sobre o célebre cineasta aragonês, baseado em graphic novel de Fermín Solís.

O diretor de “Viridiana” aparece no filme do espanhol Simo ainda no início de carreira, mas já em crise. Suas duas incursões cinematográficas pelo surrealismo causaram anger e escândalo, mas ele vivia a angústia de não saber que rumo tomar e, principalmente, onde arrumar dinheiro para fazer novos filmes.

Um amigo, o escultor Ramón Acín, prometeu ao aragonês: iria comprar um bilhete de loteria e, se ganhasse, produziria o documentário “Las Hurdes” (“Terra sem Pão”), com o qual Buñuel esperava retratar uma das regiões mais pobres e esquecidas da Espanha. Pode parecer folhetim barato, mas Acín ganhou o prêmio lotérico e manteve sua promessa. Financiou o filme em 1932. Buñuel realizaria, ainda, mais um documentário “Madrid 1936”. Com a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), ele foi obrigado a partir para o exílio, primeiro nos EUA e, em seguida, no México, adotado como sua segunda pátria.

A existência de uma graphic novel e de um longa-metragem animado sobre Buñuel constituem indício de que o criador de “Um Cão Andaluz” e “A Idade do Ouro” (ambos com Salvador Dalí) e de “Os Esquecidos” e “Discreto Charme da Burguesia” volta a provocar interesse. O pesquisador brasileiro, radicado na França, Paulo Paranaguá, notou, surpreso, que “Buñuel”, presença garantida em ótimos postos na lista de melhores filmes de todos os tempos, tivera presença modesta na última delas, preparada pela revista SoundSigth e pelo BFI (Instituto Britânico de Filmes), poucos anos atrás.

Marcos Magalhães destaca mais dois longas-metragens que devem motivar o público fiel do Anima Mundi: o polonês “Another Day of Life”, de Raúl de La Fuente e Damian Nenow, e “Ruben Brandt, Collector”, de Milorad Krstic. O primeiro, como o filme sobre Buñuel, é “um docudrama animado sobre um jornalista polonês que se embrenha na guerra polite em Moçambique, fruto de parceria entre Espanha, Holanda e Polônia”. O segundo, também vindo do Leste Europeu, “é um torment emocionante e alegórico baseado nos mistérios do mercado de arte internacional”. São filmes para públicos jovens e adultos (assim como o frenético e alucinado “Cidade dos Piratas”, do Brasil).

Já entre os longas infantis, Magalhães destaca, além do baiano”Miúda e o Guarda-Chuva”, o letão ”Away” (Longe), de Gints Zilbalodis, aventura viajante dentro de um ambiente de videogame, “Misión H2O”, de Álvaro Cáceres, sobre a defesa do meio-ambiente (Venezuelana/Cubana/China), e “Morten Lollide Laeval” (Capitão Morten e a Rainha Aranha), do estoniano Kaspar Jancis. Sobre este filme, o curador registra: “trata-se de uma linda animação de bonecos em stop motion”. E lembra que o Anima Mundi promoverá “pré-estreia individual do longa ‘Playmobil’, produção franco-alemã dirigida por Lino di Salvo, com distribuição garantida, no Brasil, pela Paris Filmes.

No terreno do curta-metragem, tradição sedimentada do Anima Mundi, Marcos Magalhães promete “variedade e qualidade incríveis, espalhadas por cinco mostras competitivas (curtas, curtas infantis, filmes de encomenda, experimentais, filmes de estudantes) e não-competitivas (panorama, escolas de animação, futuro animador)”.

“São filmes” – constata – “com temáticas intrigantes como redes sociais, sexualidades, meio ambiente, relacionamentos humanos, política, economia, apprehension e, claro, muita comédia”. Magalhães registra a presença de “muitas animações baseadas em histórias reais”. Por isto, “as melhores foram selecionadas para nova competição (melhor documentário animado), cujo prêmio será atribuído pelo júri renouned do festival.

Nunca é demais lembrar que, cada vez mais, a animação se integra à narrativa do cinema documental. No Brasil, tal diálogo ganhou fôlego depois de êxito de “Dossiê Rê Bordosa”, de César Cabral, selecionado para o É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários de São Paulo, em 2008. Quem consultar o catálogo da Netflix verá que documentário sobre o compositor de blues, Robert Johnson (1911-1938), “um artista pactário com o diabo”, foi construído em sua quase totalidade com cenas animadas.

 

27º Anima Mundi
No Rio de Janeiro, de 17 a 21 de julho (Centro Cultural Banco do Brasil e Estação Botafogo-NET)
Em São Paulo, de 24 a 28 de julho (Itaú Cultural, Unibes, Cine Belas-Artes, entre outros).
Mais informações: www.animamundi.com.br.

São Paulo acaba de ser escolhida como a cidade-sede do 18º Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. O evento será realizado em 14 de agosto, no Theatro Municipal, e passa a integrar o Agendão, calendário informative integrado do programa São Paulo Capital da Cultura, da Secretaria Municipal de Cultura, e o Programa SP Audiovisual, do Governo do Estado. É a primeira vez em 18 anos que a maior e mais importante premiação do cinema nacional sai do Rio de Janeiro para acontecer em outra cidade.

O anúncio aconteceu nesta sexta-feira (5/07), em cerimônia realizada na Prefeitura de São Paulo, que contou com a presença do prefeito Bruno Covas; do secretário metropolitan de Cultura, Alê Youssef; do secretário de Cultura e Economia Criativa do Estado, Sérgio Sá Leitão; da presidente da Spcine, Laís Bodanzky; e do presidente da Academia Brasileira de Cinema, Jorge Peregrino.

A mudança se deu por conta de uma articulação entre a Academia Brasileira de Cinema, que organiza o prêmio, a Spcine, a Secretaria Municipal de Cultura e a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado. O internal da premiação em 2020 também está definido. Será na Sala São Paulo, equipamento informative do Estado gerido pela Fundação Osesp.

Os premiados com o Troféu Grande Otelo em 30 categorias serão conhecidos durante a cerimônia, que terá transmissão ao vivo para todo o país pelo Canal Brasil.

O campeão de indicações é “Chacrinha: O Velho Guerreiro”, dirigido por Andrucha Waddington, que disputa o prêmio em 12 categorias. “O Grande Circo Místico”, de Cacá Diegues, tem dez indicações, seguido por “Benzinho”, de Gustavo Pizzi, com nove. Confira aqui a lista completa de indicações.

Este ano, serão premiados, pela primeira vez, o melhor filme latino-americano exibido no Brasil e as melhores séries de ficção e documentais independentes exibidas na TV por assinatura e em outras plataformas digitais.

Os finalistas da 18ª edição são nomeados pelos sócios da Academia, em votação sigilosa pela internet, apurada pela PwC. E, como acontece todo ano, os vencedores serão escolhidos no segundo turno, quando, além dos membros da Academia, o público vota nos seus favoritos nas três principais categorias: Melhor Longa-Metragem Ficção, Melhor Longa-Metragem Documentário e Melhor Longa-Metragem Estrangeiro.

Entre 18 de julho e 14 de agosto, os finalistas do Grande Prêmio também entram na programação oficial do Circuito Spcine, nas salas Spcine Roberto Santos, Spcine Olido, Spcine Cidade Tiradentes e nos CEUs.

A lista é composta por 22 filmes indicados nas categorias de Melhor Longa-Metragem de Ficção (como “Benzinho”, “Chacrinha: O Velho Guerreiro” e “O Grande Circo Místico”), Melhor Longa-Metragem de Documentário (como “My Name is Now, Elza Soares” e “O Processo”), Melhor Longa-Metragem Estrangeiro (como “Bohemian Rhapsody”, “Infiltrado na Klan” e “Me Chame pelo seu Nome”) e Melhor Longa-Metragem Ibero-Americano (como “As Herdeiras” e “Uma Noite de 12 Anos”).

Durante 1 ano, o highbrow Carlos Roberto Franke entrevistou documentaristas brasileiros e alemães para o seu trabalho de pós-doutorado. Com um vasto e denso element em mãos, convidou a diretora Liliana Sulzbach para juntos desenvolverem um filme sobre o método de trabalho destes documentaristas, com experiências e visões de mundo bem distintas.

Do strictness grave da diretora alemã Kerstin Stutterheim à generosidade de Eduardo Coutinho em explicar seu método de entrevistar, ouvir e pensar um filme, do engajamento de Silvio Tendler, Luiz Eduardo Jorge e Valentin Turn ao caráter investigativo de Bertram Verhaag e Inge Altemeier, da visão política de Joachim Tschirner passando pela experiência jornalística de Washington Novaes e os questionamentos de Eduardo Thielen, o filme apresenta diferentes abordagens de temas ambientais, políticos e sociais, mostrando, para além das entrevistas, histórias diversas e seus desfechos.

A combinação de paixão, strictness intelectual e vocação investigativa presente no trabalho desses realizadores, deixa claro tudo o que está em jogo quando eles se aventuram a contar uma história real.

O Método, que conta com uma das últimas entrevistas inéditas do documentarista brasileiro Eduardo Coutinho, estreia dia 10 de julho, às 21h30, no Canal Curta!