Grandes estúdios de animação, como Pixar e Dreamworks, possuem departamentos de histórias que fervilham com grandes ideias. David Wolter, contratado recentemente para trabalhar na Dreamworks, produziu, escreveu e desenhou um curta chamado “Eyrie”. O filme tem uma narrativa muito bacana e que deixa várias mensagens interessantes para quem está assistindo. Não é a toa que ele está trabalhando em uma das maiores empresas cinematográficas do mundo. Veja o curta:

Eyrie” conta a história de um garoto órfão mau humorado que recebe a incumbência de seu velho avô de pastorear as poucas ovelhas que restam da família.

Ele foi o vencedor do prêmio para estudantes da Academia em 2012.

Veja outras dicas de curtas que indiquei aqui:
Portal (baseado no game)
Bad Motherfucker
La Maison en Petits Cubes

O Doador de MemóriasJá está ultrapassado questionar se Hollywood passa por uma crise criativa ao investir tanto em adaptações das mais variadas mídias, sem citar as incansáveis sequências e franquias. É um fato na indústria que as adaptações antes mesmo de serem rodadas já garantem uma parcela de público nas salas de cinema, curiosa para ver as histórias foram levadas ao cinema. No geral, essa prática não é de todo um mal, já que o cinema pode imortalizar obras como “Harry Potter” e “O Senhor dos Anéis”, para citar algumas.

Essa percepção de que o desgaste criativo existe vem principalmente pelo motivo de que grandes best-sellers, como “O Doador de Memórias”, que estreia essa semana no Brasil, têm orçamento garantido dos grandes estúdios. Por outro lado, filmes alternativos ou indies que circulam festivais de cinema pelo mundo nem sempre têm a mesma sorte, mesmo que eles tragam, assim, as tão histórias originais que o público acha não existir. Elas existem, mas o orçamento curto prejudica até mesmo as questões de marketing e lançamento pelo mundo.

Para “O Doador de Memórias”, foram destinados US$ 25 milhões, verba até modesta para os dias de hoje. Com o feito, a Weinstein Company conseguiu reunir os oscarizados Meryl Streep e Jeff Bridges, também produtor do filme, ao lado de Taylor Swift e do jovem Brenton Thwaites, que atraem boa parcela de público. Até a publicação dessa coluna, o longa, lançado nos Estados Unidos em agosto, arrecadou US$ 43,4 milhões mundialmente, número que certamente se ampliará nos próximos meses.

O longa entra para o filão já consolidado de adaptações young adults, direcionadas a um público ávido por aventuras, fantasias, ficção científica e mundos distópicos. A partir da obra de sucesso escrita por Lois Lowry, que virou obrigatória em várias escolas americanas, o longa começou com o pé direito com o elenco envolvido e uma arrecadação positiva, naturalmente gerando mídia espontânea e expectativa no grande público.

Entretanto, os críticos especializados não foram muito receptivos ao considerar que o longa, dirigido por Phillip Noice, não alcança o teor correto do material original. É de se esperar, visto que o trailer já anuncia mudanças significativas em alguns arcos dramáticos. Vale lembrar que, independente da fidelidade ao material original, uma adaptação cinematográfica deve se sustentar sozinha e, para isso, muitas vezes alterações são necessárias, por mais que incomodem.

“O Doador de Memórias” é um livro riquíssimo e bem mais rigoroso do que outras tramas afins, como “Jogos Vorazes” e “Divergente”. O universo criado em 1993 por Lowry é difícil de adaptar, então esperar para ver o resultado final a partir de 11 de setembro nas telonas.

+ Oficina em Fortaleza

Estão abertas as matrículas para a quarta turma da Oficina Básica de Roteiro para Cinema, que será ministrada por mim nos dias 27 de setembro e 04 e 11 de outubro, em Fortaleza (CE). O curso faz parte do Extensão Cinema e acontece no auditório da Cecomil MegaStore, localizado no bairro Aldeota. Os interessados em aprender sobre elaboração e formatação de roteiros de ficção e documentário podem se inscrever até o dia 25 desse mês. Mais informações neste link.

+ RioMarket

Também estão abertas as inscrições para o RioMarket 2014, área do Festival do Rio voltada para o mercado audiovisual. O RioMarket oferece workshops, master classes e seminários que reúnem grandes profissionais do setor, diretores, produtores, roteiristas, técnicos e autoridades para discutir com o público os temas mais atuais do mundo do cinema e da televisão. Inscrições e informações no site oficial.

+ BIFF

O longa norueguês “Eu Sou Sua” (“I am Yours”) venceu os prêmios de Melhor Filme e Melhor Atriz na terceira edição do Brasília International Film Festival (BIFF). O filme cubano “Conducta” também levou para casa dois prêmios: Melhor Roteiro e Melhor Ator para Aramando Valdés. Joana Kos-Krause e Krzyzstof Krause conquistaram o prêmio de Melhor Direção por “A História de Papusza”.

Deus e o Diabo na Terra do Sol 1+ Glauber Rocha

No dia 16 de setembro, a cópia restaurada do clássico do cinema nacional “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, abrirá a 47ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A sessão homenageia os 50 anos de lançamento do filme e acontece no Cine Brasília, que será palco das mostras competitivas do Festival até 23 de setembro. Concorrem aos Candangos seis longas-metragens, entre eles “Branco Sai, Preto Fica”, de Adirley Queirós (DF), e 12 curtas, entre eles “Estátua!”, da premiada Gabriela Amaral Almeida (SP).

+ Marlene Dietrich

A diva do cinema Marlene Dietrich ganhará uma mostra retrospectiva no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, de 17 de setembro a 20 de outubro, e de Brasília, de 1º a 20 de outubro. Serão exibidas 25 obras da estrela alemã mais importante do cinema, entre eles os sete filmes da parceria dela com Josef von Sternberg, apresentados em película. Simplesmente imperdível!

+ Curtas-metragens

O Canal Brasil exibirá os curtas-metragens concorrentes à nona edição do Grande Prêmio Canal Brasil de Curtas, dias 10 e 11 de setembro, às 22h. O prêmio reúne os concorrentes que saíram das edições do Prêmio Canal Brasil, realizado em 2013 nos principais festivais do país. O vencedor será divulgado no dia 21 de setembro, às 23h30. Entre os curtas, estão “A Navalha do Avô”, vencedor do Festival de Cinema de Gramado; “Sanã”, premiado no Cine Ceará; e “Pátio”, que ganhou no Festival É Tudo Verdade.

+ Farol

A primeira edição do Farol – Festival Internacional de Cinema de Fortaleza chega ao fim nesta quarta-feira (10), com a exibição do longa argentino “La Princesa de Francia”, de Matías Piñeiro. O público marcou presença na ampla programação do evento, principalmente durante as sessões retrospectivas de “O Poderoso Chefão” e “O Exorcista”. Entre os filmes inéditos destacaram-se a excelente comédia/musical “Sinfonia da Necrópole”, de Juliana Rojas, e o híbrido “Castanha”, de Davi Pretto.

+ Dica da Semana

Um Amor em Paris cartaz“Um Amor em Paris” (2013, França), de Marc Fitoussi

Em cartaz nos cinemas nacionais, o francês “Um Amor em Paris” traz Isabelle Huppert vivendo a crise no casamento. Cansada da rotina no interior ao lado do marido, a personagem Brigitte decide passar alguns dias em Paris, Lá, ela conhece um homem sedutor e vai viver uma aventura inesperada.

Refletindo de forma madura sobre questões importantes que envolvem os relacionamentos contemporâneos, o longa mescla o bom humor das situações vividas pela protagonista com o drama da busca pelo autoconhecimento.

Huppert não brilha sozinha no longa. O elenco também traz os competentes Jean-Pierre Darroussin e Michael Nyqvist. Juntos, eles são responsáveis por tratar a história com naturalidade e sem grandes rodeios. Dirigido por Marc Fitoussi (“Copacabana”), o longa foi exibido na programação do Festival Varilux desse ano e chegou aos cinemas em circuito limitado nas principais capitais.

yves-saint-laurentEm abril deste ano estreou nas telonas brasileiras o longa “Yves Saint Laurent”, do diretor Jalil Lespert, baseado no livro “Cartas a Yves”, escrito pelo eterno companheiro e parceiro de negócios, Pierre Bergé. Tal filme deu bastante o que falar, principalmente no mundo na moda, tanto por colocar em foco novamente uma das maiores mentes criadoras do século XX, quanto pelo seu conteúdo e a forma que contou um pouco da história do estilista.

Lançado em 2010, “O Louco Amor de YSL” é narrado pelo próprio Bergé e focado no relacionamento de 50 anos dos dois. Uma outra cinebiografia foi lançada recentemente no festival de Cannes, intitulada “Saint Laurent”, do diretor Bertrand Bonello, traz no papel principal Gaspard Ulliel (“Hannibal – A Origem do Mal”). Aqueles que puderam assistir contam que é uma versão bem mais ousada da história do estilista, com muitas cenas de abuso de drogas e não teve o apoio de Pierre Bergé. Esse outro longa segue sem data de estreia agendada aqui no Brasil. Mas quem foi YSL?

Yves Henri Donat Mathieu Saint Laurent nasceu na Argélia e desde pequeno demonstrava seu interesse por moda, quando desenhava vestidos para suas irmãs. Se destacou nos estudos, ganhando até um concurso de novos talentos e seu primeiro grande emprego foi como assistente de ninguém menos que Christian Dior, em Paris. Em 1957, Saint Laurent assumiu o cargo de diretor criativo da Dior e revitalizou a Maison com várias criações inovadoras, incluindo o famoso vestido trapézio, com ombros estreitos e saia evasé.

Em 1960, YSL teve que se ausentar da Dior porque foi convocado a lutar na guerra de independência da Argélia, levando o estilista a ter um colapso nervoso e ter que ser tratado em um hospital psiquiátrico até se recuperar. Saint Laurent foi substituído permanentemente e então resolveu abrir seu próprio negócio com a ajuda financeira e administrativa de Pierre Bergé, que depois veio a ser seu marido.

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A década de 60 foi o auge do brilhantismo de YSL, que transformou o universo da moda feminina com criações como as botas até as coxas (muito copiadas depois), a jaqueta estilo safári, as bermudas com os laços nas bainhas, os vestidos em tubo com estampas geométricas em cores primárias remetendo ao cubismo e, finalmente, uma ideia que fez muito sucesso: o Le Smoking. O look era uma interpretação do guarda-roupa masculino para o feminino, algo como Coco Chanel já havia feito, mas dessa vez com mais ousadia, pois o composé era de calça masculina e camisa branca levemente transparente. Entre as personalidades que mais representavam o estilo de Laurent estava a atriz icônica Catherine Deneuve, amiga pessoal e musa inspiradora até o fim da vida dele.

A marca YSL se expandiu nos anos 80 e faz um sucesso absurdo até hoje, reinventando clássicos e apostando em acessórios como óculos e bolsas. O grande mestre faleceu aos 71 anos em 2008 e, em homenagem à contribuição do estilista para a moda mundial, seu companheiro Bergé criou um acervo de objetos, fotos e roupas para conceber a Fundação Pierre Bergé-Yves Saint Laurent. São mais de 5 mil peças de vestuário, 2 mil pares de sapatos, mais de 10 mil joias e centenas de chapéus criados por Saint Laurent desde o tempo da maison Dior catalogados e exibidos em exposições e retrospectivas pelo mundo afora.

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yves-saint-laurent-pierre-bergeFoi pensando nessa grande figura artística que Jalil Lespert criou um filme que foca bastante nos conflitos emocionais, na fama repentina e nos relacionamentos de Saint Laurent. Somos imersos no ambiente de drogas, excessos, loucura e criação em que o estilista vivia, sua dualidade entre o perfeccionismo e a depressão que constantemente o atormentava e, por fim, na imagem de pessoa doce e gentil que ele foi. O longa não conta a história completa do estilista, deixando o espectador sentindo falta de uma certa continuidade, mas ele aborda muito bem o início da carreira de Laurent na Dior nos anos 50 e a transição do rapaz tímido para uma pessoa extravagante nos anos 70 até a década de 80. A estética do filme é belíssima e conta com uma harmonização interessante ao trazer imagens em tons neutros nos primeiros anos de carreira e cores bem fortes na época mais conturbada emocionalmente da vida do estilista.

O ator principal, Pierre Niney, surpreende tanto na caracterização quanto na performance, gerando muita emoção nas plateias do mundo todo, mas principalmente para o próprio Pierre Bergé, que comentou de acordo com o site FFW: “Eu fiquei desconcertado. Até chateado porque é muito difícil. Às vezes eu cheguei a pensar que era o próprio Yves… É um sentimento enorme.” Contudo, o ator pouco conhecia a vida e o trabalho de YSL antes de ganhar o papel, mas ao assistir o filme, percebemos que Niney se empenhou bastante para aprender rápido. Infelizmente, o filme em questão foca muito no drama da vida pessoal de Saint Laurent e esquece um pouco de mostrar o quão verdadeiramente importante ele foi para a indústria da moda e a maneira de ver e se usar a moda feminina.

Veja um Medley com as músicas dos filmes da Pixar. GENIAL!

Pra relembrar e se emocionar. 😀

Jurandir Filho

Eu sou mais um na legião dos apaixonados pelos filmes da Pixar. Além das grandes histórias, uma das qualidades das animações do estúdio são as trilhas sonoras. Pensando em homenagear essas preciosidades, o youtuber Chaz Dela Cruz fez um medley com os temas dos filmes (até 2010). Veja:

Saudades dos grandes filmes do meu estúdio favorito. Me acostumei a assistir pelo menos um filme por ano da Pixar. 2014 quebrou essa sequência, mas em 2015 ela volta com dois filmes: Inside Out e The Good Dinosaur. Não vejo a hora o/

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EXTRA! Veja uma homenagem aos 25 anos do estúdio:

Jurandir Filho é co-fundador do Cinema com Rapadura. Aprendeu que o ciclo sem fim existe ao assistir 17 vezes no cinema O Rei Leão. Amante dos videogames, seriados, animações, tecnologias e cultura pop em geral, praticamente vive entretenimento.

Saiba mais sobre: ,

  • Esse Giacchino me destrói. Sempre.

  • É de destruir o coração ouvir esses temas…
    Pixar é soberana em saber emocionar… =’D

    E que venha 2015!

Veja uma coleção de fotos de bastidores da trilogia The Dark Knight

Porque nunca é demais sentir saudades.

Jurandir Filho

Olha só uma coleção de 120 fotos de bastidores das trilogia The Dark Knight, do Christopher Nolan:

Jurandir Filho é co-fundador do Cinema com Rapadura. Aprendeu que o ciclo sem fim existe ao assistir 17 vezes no cinema O Rei Leão. Amante dos videogames, seriados, animações, tecnologias e cultura pop em geral, praticamente vive entretenimento.

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  • Rachel kill joffrey now!

  • muito bom

  • A trilogia é uma obra prima.

    • Seria se não fosse pelo terceiro….

    • Obra prima é seu cu seu filho da puta só o primeiro e o segundo filmes prestam.