Quando ganhou reconhecimento internacional com o intenso “Mutum”, Sandra Kogut ainda vivia, como o restante do Brasil, uma época de mudanças políticas e sociais. Mal ela sabia que um de seus próximos filmes se destacaria justamente por acertar em cheio as camadas que geralmente são escondidas em meio a tais mudanças. Com “Três Verões”, Sandra traz ao espectador uma história que conversa diretamente com a atual situação brasileira, que se relaciona com as classes sociais e as consequências de atos corruptos. No filme, Madá (Regina Casé) é a caseira de uma mansão carioca que precisa lidar com o súbito afastamento de seus patrões. As consequências disso vão do hilário ao drama mais intenso, sempre com as pitadas políticas e ácidas.

Em bate-papo digital com o Cinema com Rapadura, a diretora conta mais sobre as ideias que originaram o filme, os porquês de determinados sentimentos estarem na tela e como tudo se tornou possível com uma história cada vez mais atual.

Sandra Kogut (Diretora): O surgimento do projeto de “Três Verões” foi curioso, porque eu estava trabalhando em outro filme, no qual os protagonistas eram figurantes. Mas, ao mesmo tempo, estávamos vivendo um período difícil no Brasil, no qual todos os dias ouvíamos histórias sobre políticos sendo presos de formas tão absurdas que tudo mais parecia um folhetim, algo da ficção. Desde então, tive vontade de falar disso; deixei meu projeto de lado e passei a trabalhar nessa história, que no final das contas trouxe o protagonismo aos figurantes do dia a dia, às pessoas que geralmente não percebemos quando esse tipo de escândalo sobre corrupção acontece. A grande questão deste filme, por sua vez, é trazer um humor humano, que faz a gente rir junto das pessoas, e não apontar o dedo para ninguém. Da mesma forma, os personagens sempre estão falando de dinheiro, o que aqui é feito de maneira geralmente bem-humorada, sobretudo por questões que vão de encontro à temática do filme: tudo se transforma em dinheiro, em mercadoria, e você precisa se virar para fazer dar certo, seja porque o país adotou essa política neoliberal ou porque as pessoas se acostumaram a esse lugar-comum. Com tudo isso, posso dizer que o que a personagem da Madá (Regina Casé) traz é o protagonismo às pessoas que sempre estiveram à margem, não só por sua classe social ou cor, mas também porque se tornaram figurantes da vida de alguém.

“Três Verões” tinha estreia prevista para março, mas foi adiado por conta da pandemia. Agora ele já está em cartaz diversos drive-ins desde 03 de setembro e, ainda no mesmo mês, em streamings e serviços por assinatura.

Foi divulgado o primeiro trailer de “Duna”, adaptação dirigida por Denis Villeneuve. Assista acima.

Escrito por Frank Herbert, e considerado um clássico da literatura de ficção científica, “Duna” conta a história de Paul Atreides, um jovem brilhante e talentoso nascido com um grande destino para além de seu entendimento. Atreides descobre que tem de viajar para o planeta mais perigoso do universo para garantir o futuro de sua vida, família e povo. À medida que as forças malévolas explodem em conflito pelo recurso mais precioso existente – uma mercadoria capaz de desbloquear o maior potencial da humanidade – somente aqueles que podem dominar seu medo sobreviverão.

Estão no elenco Timothée Chalamet (Paul Atreides), Rebecca Ferguson (Lady Jessica Atreides), Oscar Isaac (Duque Leto Atreides), Zendaya (Chani), Stellan Skarsgard (Barão Vladimir Harkonnen), Javier Bardem (Stilgar), Charlotte Rampling (Reverenda Madre Gaius Helen Mohiam), Josh Brolin (Gurney Halleck), Dave Bautista (Glossu Rabban, a Besta), Jason Momoa (Duncan Idaho), Chang Chen (Dr. Wellington Yueh), David Dastmalchian (Piter De Vries), Stephen McKinley Henderson (Thufir Hawat) e Sharon Duncan-Bewster (Dra. Liet Kynes).

Além de dirigir, Villeneuve co-escreve o roteiro junto a Eric Roth (“Tão Forte e Tão Perto“) e Jon Spaihts (“Doutor Estranho”). Brian Herbert, filho do autor do romance, é produtor e consultor criativo dentro da história e das ideias para o universo da nova adaptação.

O novo filme de Villeneuve será dividido em duas partes. A primeira tem estreia prevista para 17 de dezembro de 2020 no Brasil. A segunda ainda não tem previsão de lançamento.

Um dos personagens de maior sucesso dos anos 2000, o repórter Borat vai ganhar uma nova chance nas telonas. Segundo o Collider, o ator e cineasta Sacha Baron Cohen gravou e até já exibiu “Borat 2” para alguns executivos em Los Angeles.

Na sequência, Borat agora pensa ser uma grande estrela do cinema após o sucesso do filme original, de 2006. Ele vem tentando se esconder do público e, para isso, finge ser outra pessoa e começa a encontrar e entrevistar pessoas sem revelar sua identidade. Segundo uma das fontes do Collider, o filme seria como “Cohen interpretando Borat interpretando Cohen”.

Não está claro, no entanto, quem dirige, escreve, produz ou financia a sequência de “Borat”. O original foi lançado pela 20th Century Fox , mas com a compra do estúdio pela Disney, é possível que Cohen tenha mantido o personagem em sua propriedade.

“Borat” foi lançado em 2006 e teve direção de Larry Charles, com produção de Cohen e Jay Roach (“O Escândalo“). O filme teve arrecadação de US$ 262 milhões mundialmente, e ajudou a deslanchar a carreira de Cohen como comediante, lançando nos anos seguintes “Brüno” (2009) e “O Ditador” (2012).

Ainda não há maiores informações sobre o projeto.

Três anos após “Jornada nas Estrelas VI: A Terra Desconhecida” ter chegado às telas em 1991, servindo como despedida para a geração original da série que estreou em 1966, o longa “Jornada nas Estrelas: Generations” surge com a ótima proposta de ser uma ponte entre Kirk (William Shatner) e companhia e a nova geração capitaneada por Jean-Luc Picard (Patrick Stewart). Para conseguir juntar os personagens separados por quase um século, este filme apresenta o Nexus, uma faixa de energia que captura seres e os faz viver num estado atemporal de puro êxtase, mergulhando-os numa ilusão que, conforme explicado por Guinan (Whoopi Goldberg, num papel expositivo que desperdiça seus talentos), é como banhar-se em felicidade.

O longa abre com os clássicos personagens Kirk, Scotty (James Doohan) e Chekov (Walter Koenig), agora aposentados, embarcando na viagem de inauguração da nova Enterprise, que fará uma pequena volta no Sistema Solar. Entretanto, um pedido de socorro logo é recebido e o jovem capitão da vez tem dificuldades em tomar atitudes e lidar com uma nave ainda sem vários equipamentos importantes não instalados. Cabe a Kirk tomar a dianteira da situação, que resulta no resgate de quarenta e sete pessoas, mas também na perda do veterano líder que é sugado pelo vácuo do espaço. Os personagens o tomam como morto, mas fica claro para o espectador que ele foi parar no tal Nexus.

É um início excelente. Além de mostrar o ímpeto de Kirk em liderar e sua preocupação com pessoas em risco, mostra como Guinan veio para o universo de “Star Trek” e apresenta o implacável Soran (Malcom McDowell), que se revela um antagonista inescrupuloso e traumatizado. É uma pena que o resto do roteiro não consiga sustentar o nível. Após a sequência de abertura, o filme avança setenta e oito anos, onde a tripulação oriunda da série “Star Trek: The Next Generation” aparece em cena trazendo o vital elemento narrativo de que o androide Data (Brent Spiner) ativa seu chip de emoção pela primeira vez. Apesar desse fato causar certas boas cenas cômicas (graças a Spiner), o texto nunca aprofunda as discussões intrigantes que a incessante busca do personagem em se tornar humano costuma trazer, resumindo-se a pequenos momentos de humor.

A grande questão filosófica da vez, conforme as obras dessa saga costumam apresentar, é a escolha entre realidade e felicidade. Às suas maneiras, tanto Kirk quanto Picard precisam lidar com essa escolha, com o peso de seus deveres como capitães influenciando nas suas decisões morais. Infelizmente, esse debate é tão curto e apressado que fica apenas conveniente narrativamente e não leva nenhum espectador a qualquer tipo de autoanálise. O Nexus, estopim da discussão, serve apenas como desculpa para que os dois amados líderes contracenem, o que gera alguns momentos verdadeiramente especiais, como Kirk dizendo a Picard “quem sou eu para contradizer o capitão da Enterprise?”. No entanto, não consegue evitar o amargo gosto de que deveria ter sido mais grandioso. A despedida de um personagem tão significativo como Kirk merecia mais pompa e qualidade.

A direção é de David Carson, que já havia dirigido alguns episódios de “The Next Generation”, e isso parece ter transparecido demais. O longa parece um episódio comprido, e não um novo e grandioso evento feito para as grandes telas de cinema. Dessa forma, não é convidativo nem receptivo para quem não é grande conhecedor deste universo. Há bons momentos aqui que até remetem a uma linguagem western, mas parece ser apenas um easter egg e não algo de real impacto na trama.

“Jornada nas Estrelas: Generations” se propôs a muito e ficou aquém do esperado. O encontro entre os dois famosos capitães da Enterprise é extremamente anticlimático e o fim de Kirk não possui um décimo do respeito que tal ícone merecia. Havia uma “maldição” de que os filmes ímpares da franquia eram sempre ruins (quebrada da pior maneira quando o décimo filme, “Nêmesis”, também foi abaixo das expectativas), mas este, sendo o sétimo, definitivamente estava sob o efeito desse feitiço.

Três meses depois de anunciar a nova fase de sua iniciativa de inclusão, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas divulgou as novas exigências de elegibilidade na categoria de Melhor Filme. A partir do Oscar 2025, que reconhecerão as obras de 2024, os candidatos devem cumprir pelo menos duas das quatro normas decididas pelo órgão. A medida serve apenas para a categoria de Melhor Filme.

Enquanto as exigências ainda não estão em efeito, a Academia decidiu que um formulário com normas de inclusão deverão ser enviados para o órgão para que filmes sejam considerados para as 94ª (filmes de 2021 depois de 28 fevereiro) e 95ª edições do Oscar (filmes do restante de 2021). Os filmes que serão considerados para a próxima edição do Oscar não serão afetados. O Oscar 2021 acontecerá em 25 de abril de 2021.

Conheça as normas de inclusão que estarão em efeito a partir do Oscar 2025 abaixo.

A. Representação em tela, temas ou narrativas

Para atingir a Norma A, o filme deve atender a UM dos seguintes critérios:

A1. Atores principais ou coadjuvantes importantes – Pelo menos um dos atores principais ou coadjuvantes significativos é de um grupo racial ou étnico sub-representado:

Asiática
Hispânico / latino
Negro / afro-americano
Indígena / Nativa americana / Nativa do Alasca
Oriente Médio / Norte da África
Havaiano nativo ou outro ilhéu do Pacífico
Outra raça ou etnia sub-representada

A2. Elenco de conjunto geral – Pelo menos 30% de todos os atores em papéis secundários e mais secundários são de pelo menos dois dos seguintes grupos sub-representados:

Mulheres
Grupo racial ou étnico
LGBTQ +
Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

A3. Enredo principal/assunto – O enredo principal, tema ou narrativa do filme é centrado em um grupo sub-representado:

Mulheres
Grupo racial ou étnico
LGBTQ +
Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

B. Liderança criativa e equipe do projeto

Para atingir a Norma B, o filme deve atender a UM dos critérios abaixo:

B1. Liderança criativa e chefes de departamento – Pelo menos duas das seguintes posições de liderança criativa e chefes de departamento – diretor de elenco, cineasta, compositor, figurinista, diretor, editor, cabeleireiro, maquiador, produtor, desenhista de produção, decorador de set, som, supervisor de efeitos visuais, escritor – são dos seguintes grupos sub-representados:

Mulheres
Grupo racial ou étnico
LGBTQ +
Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

Pelo menos uma dessas posições deve pertencer ao seguinte grupo racial ou étnico sub-representado:

Asiática
Hispânico / latino
Negro / afro-americano
Indígena / Nativa americana / Nativa do Alasca
Oriente Médio / Norte da África
Havaiano nativo ou outro ilhéu do Pacífico
Outra raça ou etnia sub-representada

B2. Outras funções-chave –  Pelo menos seis outros cargos de equipe e técnicos (excluindo assistentes de produção) são de um grupo racial ou étnico sub-representado. Essas posições incluem, mas não estão limitadas a Primeiro AD, Gaffer, Supervisor de Script, etc.

B3. Composição geral da equipe – Pelo menos 30% da equipe do filme pertence aos seguintes grupos sub-representados:

Mulheres
Grupo racial ou étnico
LGBTQ +
Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

C. Acesso à indústria e oportunidades

Para atingir a Norma C, o filme deve atender AMBOS os critérios abaixo:

C1. Aprendizagem remunerada e oportunidades de estágio – A distribuidora ou financiadora do filme pagou aprendizagens ou estágios que são dos seguintes grupos sub-representados e atendem aos critérios abaixo:

Mulheres
Grupo racial ou étnico
LGBTQ +
Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

Os principais estúdios/distribuidores são obrigados a ter aprendizagens/estágios remunerados e contínuos, incluindo grupos sub-representados (também deve incluir grupos raciais ou étnicos) na maioria dos seguintes departamentos: produção/desenvolvimento, produção física, pós-produção, música, efeitos visuais, aquisições, negócios, distribuição, marketing e publicidade.

Os mini-grandes estúdios/distribuidores independentes devem ter um mínimo de dois aprendizes/estagiários dos grupos sub-representados acima (pelo menos um de um grupo racial ou étnico sub-representado) em pelo menos um dos seguintes departamentos: produção/desenvolvimento, produção física, pós-produção, música, VFX, aquisições, negócios, distribuição, marketing e publicidade.

C2. Oportunidades de treinamento e desenvolvimento de habilidades (equipe) – A empresa de produção, distribuição e/ou financiamento do filme oferece treinamento e/ou oportunidades de trabalho para o desenvolvimento de habilidades abaixo da linha para pessoas dos seguintes grupos sub-representados:

Mulheres
Grupo racial ou étnico
LGBTQ +
Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

D. Desenvolvimento de audiência

Para atingir a Norma D, o filme deve atender aos critérios abaixo:

D1. Representação em marketing, publicidade e distribuição – O estúdio e/ou empresa cinematográfica tem vários executivos seniores internos dentre os seguintes grupos sub-representados (deve incluir indivíduos de grupos raciais ou étnicos sub-representados) em suas equipes de marketing, publicidade e/ou distribuição:

Mulheres
Asiática
Hispânico / latino
Negro / afro-americano
Indígena / Nativa americana / Nativa do Alasca
Oriente Médio / Norte da África
Havaiano nativo ou outro ilhéu do Pacífico
Outra raça ou etnia sub-representada
LGBTQ +
Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva