A Disney divulgou um novo teaser de “Mulan”, com cenas inéditas, em preparação para o lançamento do filme como estreia premium no Disney Plus em 4 de setembro. Veja abaixo:

A trama do live-action é baseada na lenda chinesa de Hua Mulan. A história se passa na China, durante a Dinastia Han, e mostra a jovem Mulan (Liu Yifei) se disfarçando de homem para ajudar o pai, que, mesmo doente, é recrutado para lutar por seu país após este ter sido invadido. Com as habilidades de um soldado corajoso e valente, Mulan segue sua jornada para se tornar uma das maiores guerreiras de toda a China.

O elenco conta ainda com Jimmy Wong como Ling, Doua Moua como Chien-Po, Chen Tang como Yao, Jason Scott Lee como Bori Khan, e Jet Li como o imperador da China. Entre personagens que não estavam presentes na animação estão Gong Li como Xianniang, Donnie Yen como o comandante Tung e Yoson An como Cheng Honghui. Outros nomes do elenco são os de Utkarsh Ambudkar, Ron Yuan, Chum Ehelepola, Xana Tang e Tzi Ma.

Com a direção de Niki Caro (“O Zoológico de Varsóvia”), o roteiro fica por conta de Rick Jaffa Amanda Silver (ambos de “Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros”), e as estreantes Lauren Hynek Elizabeth Martin.

Ainda não há informações sobre o lançamento de “Mulan” no Brasil.

Depois do anúncio de que “Mulan” será lançado no Disney Plus em 4 de setembro e em salas selecionadas ao redor do mundo, a Disney confirmou que o live-action teve lançamento aprovado nos cinemas da China (via Variety). Uma data para a estreia ainda não foi confirmada, mas a notícia vem como um bom sinal para a produção, que foi planejada em grande parte com foco no público chinês. Veja abaixo o pôster lançado na divulgação do filme no país:

[VÍDEO] Mulan vai ser lançado direto no Disney Plus? Isso foi uma boa decisão?

A trama do live-action é baseada na lenda chinesa de Hua Mulan. A história se passa na China, durante a Dinastia Han, e mostra a jovem Mulan (Liu Yifei) se disfarçando de homem para ajudar o pai, que, mesmo doente, é recrutado para lutar por seu país após este ter sido invadido. Com as habilidades de um soldado corajoso e valente, Mulan segue sua jornada para se tornar uma das maiores guerreiras de toda a China.

O elenco conta ainda com Jimmy Wong como Ling, Doua Moua como Chien-Po, Chen Tang como Yao, Jason Scott Lee como Bori Khan, e Jet Li como o imperador da China. Entre personagens que não estavam presentes na animação estão Gong Li como Xianniang, Donnie Yen como o comandante Tung e Yoson An como Cheng Honghui. Outros nomes do elenco são os de Utkarsh Ambudkar, Ron Yuan, Chum Ehelepola, Xana Tang e Tzi Ma.

Com a direção de Niki Caro (“O Zoológico de Varsóvia”), o roteiro fica por conta de Rick Jaffa Amanda Silver (ambos de “Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros”), e as estreantes Lauren Hynek Elizabeth Martin.

Ainda não há informações sobre o lançamento de “Mulan” no Brasil.

Não é nenhuma novidade que as comédias românticas são extremamente populares no mercado cinematográfico, conquistando inúmeros espectadores através de engraçados casais apaixonados e um clima de fofura constante. Com o avançar das décadas, entretanto, tornou-se claro que o gênero atravessou um duro processo de esgotamento, entregando exemplares baseados na reciclagem de ideias e na propagação de discursos saturados. Por conta disso, é sempre prazeroso encontrar projetos que se distanciam de artíficios já muito utilizados, ressignificando clichês ao entender que o valor de uma premissa não está necessariamente em seu ineditismo, mas sim na abordagem que esta recebe. É o caso de “Palm Springs“, longa que encanta através da sedutora química de seus protagonistas e dos inteligentes comentários que tece acerca da importância do amor.

Afetado pela exaustiva repetição de sua rotina, o despreocupado Nyles (Andy Samberg) tenta aproveitar o casamento de uma amiga de Misty (Meredith Hagner), sua duvidosa e controladora namorada, através da indiferença e da repressão de seus sentimentos. Inserido em um relacionamento infeliz, investe na bebida para “sobreviver” ao insuportável evento e busca ao máximo não ceder a deprimentes reflexões sobre as suas escolhas de vida. As coisas melhoram, felizmente, quando ele conhece a misteriosa Sarah (Cristin Milioti), irmã e dama de honra da noiva com quem acaba tendo uma divertida noite. Tudo se altera, entretanto, quando na manhã seguinte os dois se encontram presos à data da comemoração, fadados a repetir tal dia infinitamente até a descoberta de uma resposta. Partindo de um conceito popularizado pelo saudoso “Feitiço do Tempo” (1993), é essa a trama conduzida pelo estreante Max Barbakow, narrativa que mesmo carente de certa originalidade consegue surpreender pela forma como constrói a sua mensagem.

Escrito pelo também iniciante Andy Siara, o longa tem seu primeiro destaque na perfeita administração de seu ritmo, qualidade que permite não só uma eficiente captura da atenção do público como também uma fascinante renovação do humor a cada novo ato. Se em sua introdução a comédia se sustenta pelos paralelos estabelecidos entre a monótona existência do protagonista e a iminência de um “loop temporal” – sendo bastante satisfatório identificar como algumas falas sabiamente antecipam a terrível maldição -, no segmento seguinte o cômico se encontra nas criativas situações em que o casal se envolve. São cenas que conseguem equilibrar com perfeição o nonsense e o desenvolvimento das duas personagens. Dessa forma, torna-se impossível não torcer pela dupla rumo aos últimos minutos, parcela da produção que ao lado das demais reflete uma consciente direção no uso ideal do tempo de tela.

Não suficiente, fica claro que a ótima experiência se deve também às excelentes interpretações de Andy Samberg e Cristin Milioti, atores que dominam com maestria o teor sarcástico dos diálogos apresentados e exibem uma energizante conexão entre si. Extremamente carismáticos, conseguem assim harmonizar as falhas morais de suas figuras – que são suficientemente exploradas pelo roteiro – e os encantadores avanços que alcançam ao lado um do outro, engrandecendo a obra e tornando o seu acompanhar ainda mais divertido e contagiante. Como se não bastasse, é igualmente agradável a hilária participação de J.K. Simmons, ator que complementa – na pele do exagerado Roy – a importante mensagem do longa ao dificultar a vida de Nyles através de planos mirabolantes e mostrar os perigosos efeitos que a solidão em momentos difíceis pode causar no ser humano.

Por fim, vale destacar também o interessante discurso que o filme constrói acerca do papel dos relacionamentos amorosos. Construindo personas que constantemente flertam com a depressão e diferentes desapontamentos, a obra consegue mostrar como as experiências que Nyles e Sarah compartilham entre si ajudam na elevação de seus caracteres, tornando esperançoso o acompanhar do crescimento dessa paixão. Indo além, entretanto, chama atenção como o filme estabelece que a chave de qualquer parceria está em permitir que o outro se torne capaz de seguir em frente – denunciando ainda o egocentrismo de muitos ao enxergar os demais como meras plataformas para a sua própria felicidade – , ideal que é posto à prova com a evidente dificuldade de se quebrar o loop temporal. Apesar de bem trabalhados, entretanto, fica claro que certos acontecimentos se curvam à necessidade de existir uma boa mensagem, aspecto que não diminui a experiência, mas revela uma certa falta de compromisso em responder a todas as questões levantadas.

Simples e extremamente divertido, “Palm Springs” pode até não ser exatamente original, mas impressiona pelos rumos que adota na construção de seu simpático debate. Carregado por uma carismática dupla de atuações, a comédia romântica é um excelente passatempo e prova que com a abordagem certa até o mais saturado dos gêneros merece ser ainda explorado.

Há comédias escrachadas, comédias ácidas e comédias como “O Rei de Staten Island” que são amargas e deixam menos espaço para o riso e mais espaço para o drama. Não que isso seja um demérito, mas comédias dramáticas (ou “dramédias”) não são um subgênero muito comum, e costumam ser receitas mais difíceis de acertar. Felizmente, aqui o diretor Judd Apatow consegue dosar bem os ingredientes ainda que falte um certo tempero. É aquele arroz com feijão que sacia a fome e nada mais.

Quando se vai assistir a um filme do mesmo cineasta responsável por “O Virgem de 40 Anos”, uma das melhores comédias da década passada, é de se esperar um trabalho, no mínimo, hilário, certo? Pois esqueça isso. O Judd Apatow presente está mais para aquele que entregou “Tá Rindo do Quê?” e “Bem-Vindo aos 40”, seus trabalhos mais irregulares, só que dessa vez a história semibiográfica apresentada e suas situações inusitadas (para dizer o mínimo) são atrativos bons o suficiente para manter a atenção do espectador.  

A história acompanha o desajustado Scott Carlin (Pete Davidson), um jovem adulto com 24 anos que continua a evitar toda e qualquer responsabilidade, seja com sua mãe Margie (Marisa Tomei), com o namorado dela Ray (Bill Burr) ou com a irmã Claire (Maude Apatow). Scott passa a maior parte do tempo chapado ao lado de seus amigos traficantes “pés de chinelo”, que são usados como cobaias para suas tatuagens toscas. Tudo isso ocorre enquanto ele busca lidar com seus problemas psicológicos, que vêm (entre outros fatores) da perda do pai, bombeiro morto em serviço quando Scott era criança. 

Com esse enredo é fácil entender o porquê de o drama ocupar mais espaço de tela, porém as tiradas divertidas e os diálogos dignos da escola de humor que é o “Saturday Night Live” nos Estados Unidos, soam como trechos de stand-ups e adicionam uma camada de leveza muito bem-vinda. É como no momento em que eles lembram que o rapper Jay-Z já foi traficante também, ao que é rebatido por Scott com: “Mas os amigos do Jay-Z dessa época não foram presos ou mortos?… Não dá pra haver quatro Jay-Z’s. Isso não faz sentido!”

Tirando as situações estapafúrdias, típicas de comédias, há muita verdade naquilo que é mostrado em “O Rei de Staten Island”, nas conversas entre velhos e novos amigos, nos conflitos familiares e na dificuldade em se lidar com o crescimento e amadurecimento. Isso se deve também ao fato do ator Pete Davidson co-escrever a história com Apatow e Davi Sirus e dar a ela um ar autobiográfico. O pai dele também foi um bombeiro e morreu em serviço enquanto trabalhava para atender as vítimas do atentado às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001. Davidson entrega um personagem complexo e crível, e o elenco inteiro faz um bom trabalho, como é o caso de Maude Apatow, mas é Bill Burn quem mais se destaca. O comediante consegue controlar a carga emocional e fornece uma ótima performance ao dizer o que sente de forma branda, deixa transparecer o que ele pensa e diria muito mais se pudesse.  

“O Rei de Staten Island” é mais um projeto que carrega o tema e a assinatura de Judd Apatow. É mais uma história de amadurecimento, necessário em diversos momentos da vida, na profissão e nos relacionamentos, e que pode demorar para ocorrer, seja aos 24 ou aos 40 anos, mas é sempre inevitável.

O gênero de super-heróis se tornou um dos mais populares, se não o mais popular, do cinema atualmente. De um lado temos a Marvel, com seu megauniverso compartilhado de 23 filmes; do outro temos a DC, com os super-heróis mais famosos da cultura pop e seus filmes controversos; aposentada está a Fox, que com os X-Men revitalizou o gênero, mas viveu tempo o suficiente para se tornar o vilão; e ali no canto está a Sony, que agarrada ao trunfo do Homem-Aranha, se aproveita do universo Marvel, faz loucuras como o filme do Venom, e genialidades como o Aranhaverso.

Não nos faltam opções quando se trata de heróis lutando para salvar o mundo de uma grande ameaça, e vilões com seus elaborados planos de dominação (ou destruição) global. Mas e quanto aos seres superpoderosos que só querem… viver?

Em meio a toda diversão que um filme dos Vingadores pode proporcionar, pouco se fala sobre a real aplicação de superpoderes em seres humanos. Como isso afetaria a vida de alguém? Será que quem somos como pessoas poderia ditar quem seríamos se tivéssemos uma habilidade ou poder especial? Se sim, como seria isso?

Um bom primeiro exemplo da ideia que quero propor neste texto é “Poder Sem Limites”, filme de 2012 dirigido por Josh Trank (que depois viria a trabalhar no infame “Quarteto Fantástico” de 2015, afinal, Hollywood não consegue ver algo bom sem arranjar um jeito de estragar). O longa segue três jovens que encontram uma anomalia geográfica sobrenatural ou vinda de outro mundo, que parece transferir poderes, dotando-os de poderes telecinéticos.

A história tem um foco maior em Andrew (Dane DeHaan), garoto introvertido que vive com uma mãe doente e um pai abusivo. Ao conseguirem poderes, os jovens experimentam o que podem fazer com eles, sejam pegadinhas inofensivas ou truques que podem beneficiá-los. No entanto, enquanto Matt (Alex Russell) fala sobre ser mais altruísta e usar sua habilidade para ajudar pessoas, e Steve (Michael B. Jordan) tenta não se gabar ao dizer que é bem-sucedido porque se aplica em tudo que faz, Andrew quer ir além, e mostrar para o mundo e para si mesmo como ele pode ser O melhor.

Para Andrew, este novo e milagroso poder dá a chance necessária para enfrentar os garotos da escola que implicam com ele, e impedir que seu pai o maltrate. Mas dentro dele só cresce a raiva, e depois a ideia de que ele é o “predador alfa”. Um excelente material para a criação de um vilão, mas aqui é o mundo real, e Andrew não vai começar a se vestir muito bem e juntar uma equipe de desajustados para formar uma República do Mal. Seus poderes se tornam incontroláveis, e seu fim é trágico.

O slogan de “Poder Sem Limites” era “Garotos serão garotos”, o que representa bem a primeira metade do filme em que os três amigos fazem um monte de besteiras porque, bom, eles podem né, por que não? É uma boa reflexão pensar no que você, de fato, faria se tivesse um poder como esse. E não pense naquelas respostas educadas que você daria se estivesse na frente dos seus amigos, mas sim no que você realmente seria capaz de fazer se tivesse poder. “Poder Sem Limites” está disponível no Telecine e recomendo demais a assistida, não só porque é realmente bom, mas porque é um filme found footage de apenas 1h30min, e isso é uma grande vantagem.

Se estamos falando de meninos fazendo besteira, que tal “Jumper”? Eu sei, eu sei, não é uma obra exatamente de qualidade, mas serve ao meu propósito. No filme de 2008, Hayden Christensen interpreta David, jovem que descobre ser um jumper, alguém que tem a habilidade de se teletransportar. David, assim como Andrew, também tem um pai abusivo, e decide fugir de casa e criar uma nova vida para si, usando sua habilidade para roubar bancos e viver no luxo. A história também conta com a organização secreta dos Paladinos, que caçam jumpers, e um outro jovem com o poder do teleporte, Griffin (Jamie Bell), que caça Paladinos. Um filme mais ou menos depois, a lição que fica é: talvez não se deva usar poderes para motivos moralmente inaceitáveis, pois um dia você vai pagar por isso. Eu acho.

“Jumper” está disponível no Prime Video para todos aqueles que desejam perder tempo de um jeito peculiarmente divertido. O filme foi co-escrito por David S. Goyer e Simon Kinberg, pessoas que futuramente iriam criar atrocidades em meio ao gênero de super-heróis, e tem direção de Doug Liman, que fez o ótimo “No Limite do Amanhã”, obra que curiosamente também lida com habilidades especiais. Porém, essa se enquadra mais em filmes do Dia da Marmota, então deixemos esse texto para outro momento…

Quando não estão caindo em pessoas com histórico de abuso ou problemas psicológicos, superpoderes também podem servir para o bem. Além de interpretar diversos heróis na forma de policiais ou agentes secretos, Will Smith deu vida ao incompreendido Hancock. O protagonista do filme de 2008 tem superforça, invulnerabilidade e pode voar. Ele salva os cidadãos da cidade de Los Angeles em diversas ocasiões, mas também é um bêbado sem boas maneiras, então não faz muito sucesso com o público ingrato. É então que ele encontra o bondoso Ray Embrey (Jason Bateman), que decide ajudá-lo a melhorar sua imagem. Ray, por sua vez, é casado com Mary, interpretada por Charlize Theron. Acontece que Mary também tem superpoderes, e ela e Hancock formam um casal de imortais. Pera, quê?

É, “Hancock” é estranho, mas bem divertido também. O filme está disponível na Netflix, e no meio de uma história bizarra está a mensagem de que uma pessoa não precisa ser o pôster do bom herói para fazer atos de bondade. E mais, ao causar destruição além do necessário para salvar pessoas, Hancock denuncia o método dos super-heróis de quadrinhos, assunto que só foi ser reconhecido oito anos depois, em “Capitão América: Guerra Civil” e “Batman vs. Superman”. O primeiro causou toda a fratura entre os Vingadores que nunca mais foi sarada. Já o segundo causou uma fratura na cultura pop, dando origem à saga do Snyder Cut.

Um clássico no gênero de super-herói que deve ser mencionado aqui é “Corpo Fechado”, de M. Night Shyamalan. Antes de ser estragado com duas sequências criadas quase vinte anos depois, o filme cria uma dualidade de herói e vilão muito bem apresentada. Elijah Price (Samuel L. Jackson) tem ossos de vidro, e, sendo fascinado por histórias em quadrinhos, ele cria a teoria de que deve existir alguém que é seu oposto, alguém “inquebrável”, como o título em inglês propõe. Ele então descobre a existência de David Dunn (Bruce Willis), alguém que sobreviveu a um acidente de trem que matou todas as outras 130 pessoas que estavam presentes, menos ele. Elijah apresenta sua teoria a David, que então começa perceber os indícios de que de fato isso pode ser verdade. Fora isso, David ainda descobre a habilidade da percepção extrassensorial, em que ao encostar em alguém ele consegue descobrir se a pessoa cometeu um crime. Total material de um verdadeiro herói! Ao mesmo tempo, as intenções de Elijah não são exatamente as melhores. Se Dunn é o herói e seu exato oposto, Elijah é o vilão. E como a Sra. Price bem diz, existem os vilões que lutam com as mãos e os vilões que lutam com a mente.

Mr. Glass voltaria a arquitetar um grande plano em “Vidro”, juntando o mundo de “Corpo Fechado” e “Fragmentado”. Essa não foi exatamente a melhor ideia de Shyamalan, que poderia ter deixado seu filme de superpessoas em paz, e criado algo ainda interessante em “Fragmentado” não fossem os minutos finais, mas mesmo assim, a improvável trilogia apresenta temas e mensagens bastante relevantes para o gênero, que infelizmente acabam deixadas de lado pelo espetáculo dos blockbusters.

Vamos agora para a rodada relâmpago de indicações! Habilidades especiais nem sempre vêm do além, e podem também serem fruto do uso de narcóticos fictícios. “Sem Limites”, longa de 2011 com Bradley Cooper e Robert De Niro, apresenta a ideia de uma droga que possibilita ao usuário usar toda sua capacidade cerebral. A Netflix lança nesta sexta (14) “Power”, filme que parece propor uma ideia similar, com drogas especiais que concedem poderes aos usuários. A história parece envolver como isso aumenta a criminalidade e como pode também ajudar a força policial a combatê-la. Você pode assistir ao trailer aqui.

E o poder da imortalidade? Não bastasse ter interpretado uma imortal em “Hancock”, e ser uma deusa na vida real, Charlize Theron protagoniza “The Old Guard”, filme da Netflix com guerreiros imortais que tentam ajudar o mundo a ser um lugar melhor. Mas lutando por milênios e vendo pouca mudança, o grupo liderado por Theron luta para manter a esperança de que podem fazer a diferença. E eu nutro a esperança de uma sequência que mantenha os maravilhosos personagens e melhore consideravelmente o roteiro.

Mas nem tudo são flores no mundo da imortalidade. Afinal, o clássico Dorian Gray é confrontado pelo seus mais vis desejos ao trocar sua alma pela chance de ser para sempre jovem. A adaptação de 2009 protagonizada por Ben Barnes está disponível no Prime Video, e apesar de ser medíocre, ainda incita a reflexão que a história de Oscar Wilde originalmente propôs. Existe muito potencial para maldade no ser humano, e me surpreende os heróis serem os grandes vencedores no final do dia na maioria das histórias. Suponho que muitos preferem ver o mundo através de um prisma positivo e, enquanto isto promove ótimas oportunidades para histórias divertidas e inspiradoras, também costuma ignorar o lado do ser humano que tende a aflorar quando recebe poder.

Poder pode corromper até os mais íntegros, e certamente dá a chance para que oprimidos e torturados possam revidar contra seus opressores. Nos filmes dos X-Men, o Magneto era bem claro em sua mensagem de que os humanos, em sua incapacidade de entender o que é diferente, querem exterminar os mutantes, e os mutantes como seres superiores – ou “predadores alfa” como Andrew pensava – não podem permitir isso, e devem assumir seu lugar de direito como verdadeiros donos do mundo. Killmonger, de “Pantera Negra”, também tem um propósito válido de usar os recursos de Wakanda para tirar seu povo espalhado ao redor do mundo da opressão. Mas seus métodos são agressivos, assim como os de Magneto, e por isso que no fim do dia eles não vencem.

Por que nos pegamos gostando tanto de vilões? Porque, além de geralmente serem bem mais interessantes que os heróis em diversos aspectos, suas histórias costumam também ser as mais próximas do que aconteceria no mundo real se superpoderes existissem. Vestir um uniforme e salvar o mundo? Claro, uma parcela da população talvez fizesse isso. Mas a verdade é que, se jogados no colo da maioria das pessoas, poderes dariam a elas a chance de revidar o mal com o mal, a chance de se aproveitar dos mais fracos, ou a chance de ser melhor que o restante a todo custo.

Mas poderes podem também não ser nada além de uma maldição para pessoas que só querem ter uma vida normal. A série da Netflix “The Umbrella Academy”, atualmente em sua segunda temporada, tem feito um bom trabalho em abordar isso, trazendo a história de sete irmãos com superpoderes que viveriam uma vida muito melhor se não os tivessem. Por serem adotadas por um excêntrico ricaço que as via apenas como pequenos soldados, as crianças foram muito bem educadas para dominarem suas habilidades, mas nada aprenderam sobre como encarar seus próprios sentimentos. Anos depois, elas crescem pra se tornar adultos atormentados, que não sabem lidar bem com o mundo, e apenas o trauma compartilhado consegue juntá-los novamente.

No outro lado do espectro dos problemas psicológicos e daddy issues está “Legion”, que com três temporadas contou a história de alguém que viveu a maioria de seus anos acreditando ter problemas mentais, quando na verdade só era o mutante mais poderoso do universo. Ao ser livre de suas amarras, no que ele se transformou? Num herói, num vilão? Que tal algo no meio? “Legion” está disponível na Netflix e talvez seja a melhor obra dos últimos anos a discutir as verdadeiras ações de um ser humano frente ao poder.

Várias palavras e algumas recomendações depois, fica o convite à reflexão. Para você, superpoderes seriam uma bênção ou maldição?