A subversão de elementos e personagens geralmente associados ao universo infantil já não é nenhuma novidade no cinema. Só nos últimos anos foram lançados filmes com um urso de pelúcia usuário de drogas como protagonista, ou mesmo uma animação com salsichas e pães que fazem sexo explícito. Então, não houve nenhuma inovação quando Brian Henson (“Os Muppets na Ilha do Tesouro”) decidiu utilizar fantoches infantis para contar uma história cheia de violência, sexo e drogas. “Crimes em Happytime” não é a primeira experiência do diretor com tais bonecos (ele é filho do criador dos Muppets e já trabalhou em diversos filmes da série), mas é a primeira vez que faz algo voltado para um público adulto.

No mundo do filme, humanos e fantoches convivem em sociedade, sendo as marionetes vistos como cidadãos de segunda categoria e constantemente sofrendo diversos tipos de preconceitos dos humanos. O fantoche ex-policial, agora detetive, Phil Philips (na voz de Bill Barreta, “Os Muppets”), recebe a misteriosa missão de investigar o suposto assassinato de ex-membros do elenco de uma série de comédia de marionetes dos anos 1990. Sua ex-parceira e ainda policial, Connie Edwards (Melissa McCarthy, “A Espiã que Sabia de Menos”) é escalada para acompanhá-lo no caso, assim como sua secretária Bubbles (Maya Rudolph, “Emoji: O Filme”). Phil e Connie têm um turbulento passado que o fez ser demitido da polícia de Los Angeles e proibiu todos os bonecos de se tornarem policiais.

O enredo tem os contornos de um filme do gênero noir, sendo seu protagonista o bêbado solitário que julga não ter valor algum para o mundo. Mas a direção não permanece muito tempo por esse caminho e logo somos surpreendidos por uma enchente de piadas péssimas. O roteirista Todd Berger (“Cover Versions”) parece ter um senso de humor bastante infantil, mas não somente por fazer constantes piadas sexuais, mas sim por elas serem quase que totalmente desprovidas de graça. Nas mãos dele, a obra, que poderia ter se tornado uma versão moderna e mais suja de “Uma Cilada para Roger Rabbit”, acaba sendo apenas uma comédia de mau gosto.

Para completar, o roteiro ainda possui alguns furos e um problema com a repetição tediosa dos tais crimes que leva em seu nome, tornando o mistério da história bastante cansativo e pouco engajante. Há também uma tentativa de fazer uma alegoria com o preconceito que os fantoches sofrem com o que é vivido por alguns grupos de nossa sociedade. Porém, em momento algum isso é aprofundado e o filme não tem a coragem para fazer um comentário mais afiado sobre a questão, mesmo que a tenha para mostrar uma cena de um polvo tirando leite de uma vaca enquanto um abutre grava tudo para vender como pornografia.

“Crimes em Happytime” não funciona nem como uma paródia de um noir, nem como uma comédia escrachada de ação. Nem mesmo Melissa McCarthy e Maya Rudolph, geralmente ótimas, são capazes de salvar o filme da cova que ele próprio cavou.

A fama é algo desejado por muitos. Para alguns não apenas um sonho, mas um real objetivo de vida. A arte é o caminho mais procurado; requer habilidades, e aqueles que descobrem vocação para tal se aproveitam disso para crescer e alcançar o sucesso – ao ponto de embebedarem-se da popularidade e perder o rumo. “Meu Jantar com Hervé” mostra o preço a ser pago quando essa embriaguez rouba os sentidos e emoções, o vício faz a arte se confundir com sucesso, e o mistura com a vida, até ela não existir mais.

O filme trata-se de uma biografia e nos traz a derradeira entrevista, antes de cometer suicídio, de Hervé Villechaize, o primeiro ator anão a se tornar uma celebridade da cultura pop, roubando a cena no seriado dos anos 70 e 80 “A Ilha da Fantasia”. Hervé é interpretado por Peter Dinklage (“Vingadores: Guerra Infinita”), que faz bem seu papel. O sotaque francês, a princípio, pode parecer forçado, mas não é difícil se acostumar com o tempo.

Hervé Villechaize possui uma história comovente. Desde cedo sofreu por causa do nanismo, a começar pela recusa de sua mãe em aceitar a doença do filho, e acabou recebendo muito mais a atenção do pai. Começou a carreira de artista como pintor, mas logo desistiu com os obstáculos que encontrou, e apostou na vida em Nova York para crescer. O pontapé de seu sucesso foi o papel no filme “007 contra o Homem com a Pistola de Ouro”. Mas não era suficiente, Hervé estava decidido a enriquecer mais ainda. Então apareceu a proposta para participar do seriado “A Ilha da Fantasia”, onde fez seu nome e suas maiores complicações.

Mas antes mesmo de falar sobre Hervé, o início do longa nos mostra como vai trabalhar essa história que tanto tem a nos ensinar. As primeiras cenas mostram a vida do jornalista Danny Tate (Jamie Dornan, “Cinquenta Tons de Liberdade”), personagem fictício que substitui Sacha Gervasi, diretor e roteirista do filme e o entrevistador original de Hervé. Jamie entrega muito bem um jornalista que luta contra o alcoolismo e as consequências das escolhas erradas que destruíram sua vida. Aqui já vemos um belo contraste com a história do protagonista, que ao invés de lutar contra as consequências de seus atos, se entrega a elas.

Danny funciona muito bem como um contraponto de Hervé. Ao mesmo tempo em que aprendia a lidar com seus demônios, busca uma matéria para a capa do jornal onde trabalha, perde a oportunidade que tem e se vê obrigado a ceder à insistência do anão em contar sua história. Do outro lado, Villechaize o leva para um passeio caloroso. Ambos revivem suas histórias e lidam com as adversidades de maneiras opostas. Se um se perdeu em sua ganância, o outro aprendeu a aceitar o que a vida lhe oferecia.

Tudo não passava de uma tentativa do ator de fugir de sua realidade, e não acreditar que era incapaz de aceitá-la. “A Ilha da Fantasia” realizou todos os seus desejos e lhe rendeu fama, popularidade e dinheiro, mas a que preço? Foi exatamente ali também que Hervé teve um casamento fracassado, desavenças no set de filmagens e a arte se confundindo com a fama. Se tornou um viciado na fantasia de que algo ou alguém poderia tirar a dor de sua vida.

E durante o passeio vemos belas atuações de um ator fadado ao fracasso e um jornalista buscando o momento de virada em sua vida. É a história de Hervé que faz com que Danny se desenvolva, e encontre as respostas para suas questões. Se foi de fato assim que aconteceu com Sacha é uma dúvida, mas é inovador utilizar a ficção para contar uma biografia. Nada que seja surpreendente, vide o bom trabalho do diretor em “O Terminal”, e em “Meu Jantar com Hervé” ele mantém o alto nível.

Esse desejo ardente pela fama beira o amor erótico. C. S. Lewis diz que “se o Eros for honrado sem reservas e for obedecido incondicionalmente, se tornará um demônio”. Hervé Villechaize depositou todas as suas fichas na arte. Embriagado pela fama, o sucesso o cegou, e suas mãos, que deveriam dar vida à arte, agora estão sujas de tinta rubra.

De acordo com o Deadline, o drama independente “Rise“, sobre o grupo fundamentalista da Nigéria Boko Haram, definiu seu elenco. Sasha Morfaw (“Pantera Negra”), Jimmy Jean-Louis (“Joy: o Nome do Sucesso”), Sufe Bradshaw (da série “Veep”), Sydelle Noel (da série “Glow”) e Peter Mensah (“300: A Ascenção do Império”) estrelarão o longa. A estreante Maritte Lee Go será a diretora.

O filme, apesar de não retratar uma história real, terá sua trama inspirada nas ações do Boko Haram, uma organização nigeriana fundamentalista islâmica, que ficou conhecida mundo afora por sequestrar mulheres e meninas para fazê-las escravas sexuais.

“Rise” contará a história de uma princesa nigeriana de 18 anos de idade (Morfaw) que se permite ser raptada pelo Boko Haram para salvar sua irmã mais nova. Para isso, ela deve enfrentar o líder perigoso e calculista do grupo.

Ainda não há informações sobre o início das filmagens ou data de lançamento.

Segundo o Collider, a Academia dos Emmy Awards mudou uma regra para inscrição na categoria Filme para TV ou Minissérie. A partir de agora, a produção inscrita não poderá ter duração menor que 75 minutos. A regra visa evitar algo que vem acontecendo nos últimos anos: um único episódio de uma série é inscrito nessa categoria como um filme.

Essa tendência teve início quando surgiu a série “True Detective” que, apesar de ter várias temporadas, foi inscrita como uma minissérie. A justificativa é que cada temporada é uma história fechada, ou seja, cada temporada seria uma minissérie. Em seguida, séries como “Black Mirror”, em que cada episódio também é uma história fechada e independente, também passaram a se inscrever na categoria. O vencedor da categoria Filme para TV ou Minissérie de 2018 foi justamente o episódio “USS Callister” de “Black Mirror”, que homenageia “Star Trek”.

Segundo a nova regra, “USS Callister” passaria raspando para poder se inscrever na categoria, já que o episódio tem 76 minutos. Mas outro episódio de “Black Mirror”“San Junipero”, que venceu como Melhor Filme ou Minissérie em 2017, não poderia mais se inscrever, pois tem apenas 61 minutos de duração.

A Academia do Emmy entende que a nova regra visa permitir que os vencedores estejam no propósito da categoria, que é justamente premiar filmes feitos direto para TV e minisséries, e não séries com diversas temporadas.

A próxima cerimônia do Emmy acontece em 22 de setembro de 2019.

De acordo com o Deadline, o ator Jake Gyllenhaal (“O Que Te Faz Mais Forte“) será o protagonista do remake americano de “Culpa“, filme dinamarquês escolhido para ser o representante do país na categoria de Melhor Filme Estrangeiro do Oscar.

O enredo do longa centra-se no personagem de Gyllenhaal, um policial que está sob investigação e é rebaixado para um trabalho de mesa em um call center de emergência. Quando ele recebe um telefonema aterrorizante de uma mulher que foi sequestrada, o policial deve lutar contra os seus demônios para salvá-la.

A versão original de “Culpa” foi lançada em 14 de junho deste ano. O longa deve chegar nos cinemas brasileiros em 27 de dezembro. Já seu remake americano segue sem data de estreia ou início das produções.