Homofobia, transtorno de estresse pós-traumático, posse de armas, xenofobia, alcoolismo, uso de drogas, machismo, assédio, divisão de classes sociais, depressão, ansiedade. Estes e outros temas importantes e difíceis são tratados na sitcom One Day at a Time”, produzida pela Netflix. Em sua terceira temporada, a série continua mostrando a incrível capacidade de tratar de temas sérios sem perder o teor cômico, que é sua proposta, tornando-se uma obra de extrema relevância para o início do século XXI.

Criada por Gloria Calderon Kellett e Mike Royce a partir da série original homônima de Norman Lear (que faz parte do time de produção), temos a história da família de origem cubana Alvarez, composta por Penelope (Justina Machado, de “Uma Noite de Crime: Anarquia”), sua mãe Lydia (Rita Moreno, vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “Amor, Sublime Amor”) e seus dois filhos adolescentes, Alex (Marcel Ruiz, de “Superação – O Milagre da Fé”) e Elena (Isabella Gomez). Penelope é veterana da guerra do Iraque e lida com depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático. Nesta temporada, ela está se preparando para a prova de enfermeira enquanto lida com seus problemas psicológicos, sua filha iniciando a vida sexual e seu filho experimentando maconha. De novo, é impressionante ler essa lista de temas e saber que a série consegue tratar deles com a profundidade e respeito necessários enquanto mantém a comédia gostosa e fluída. Machado domina seu papel com facilidade e entrega uma personagem divertida e dedicada à família, e transita muito bem desses elementos para momentos de tristeza e preocupação. A conexão da plateia com Penelope funciona em várias camadas.

Desde a primeira temporada, há o formato clássico de sitcoms, com várias câmeras em volta de um cenário onde tudo é filmado em frente a uma plateia que reage e ri das situações. As risadas são audíveis e acentuam momentos engraçados ou as aparições energéticas de Lydia, que sempre sai de seu quarto com estilo e entusiasmo. O formato pode ser conhecido, mas nada batido, pois a série se eleva ao conseguir o equilíbrio entre leveza e seriedade a que se propõe desde o piloto. Além do mais, há tentativas de explorar algumas técnicas diferentes do molde costumeiro desse estilo de programa. Nesta temporada temos o uso de fotografia preta e branca somada a uma brusca edição nas cenas em que alguém tem um ataque de ansiedade, o que aliado às boas interpretações do elenco e a um texto preciso, consegue com louvor a empatia do público.

Há de se mencionar também como a série consegue manter um fluxo narrativo que evolui seus personagens com a passagem do tempo. Assistir os episódios em sequência é uma experiência mais recompensadora do que vê-los esporadicamente. Muitas sitcoms lidam com seus intérpretes como pessoas imutáveis, fazendo piada com seus traços de personalidade, o que não é necessariamente ruim, mas torna desnecessário o exercício de, por exemplo, maratona-las. Já em “One Day at a Time”, a sensação de estar acompanhando histórias críveis de pessoas reais é palpável e, com isso, é mais fácil se relacionar com suas jornadas.

Por momentos, a série exagera um pouco, principalmente na personagem de Gomez. O relacionamento de Elena com Syd (Sheridan Pierce), se é tratado com maturidade, por vezes transforma as personagens em avatares da militância LGBTQIA. Não é que a mensagem deixe de ser importante (afinal, qualquer ideia de respeito e aceitação é, no mínimo, básica), mas quando o roteiro perde o equilíbrio entre transmiti-la e representar pessoas reais passando por momentos íntimos, ele deixa de ter seres verossímeis na tela, que poderiam realmente gerar uma conexão com o espectador. De qualquer forma, os acertos felizmente têm bem mais peso e ajudam a série a alcançar um de seus objetivos ao contar histórias de pessoas dessa comunidade e, assim, tornando a obra algo mais encorpado e representativo do mundo em que vivemos, onde há gente passando pelas mesmas dificuldades e dilemas.

Esta temporada também dá mais destaque ao vizinho Schneider (Todd Grinnell, de “Histeria”). Além do divertido pateta que sempre foi, aqui a série aborda seu alcoolismo a fundo, revelando camadas que antes eram superficiais. Sua relação com o pai e com Penelope trazem nuances bem vindas a um personagem que cresce e deixa de ser exclusivamente uma escada para os outros. Para mérito de Grinnell, ele abraça os novos elementos de seu personagem sem perder a identidade do mesmo. E a cena em que Alex encontra Schneider na lavanderia é prova do equilíbrio entre gravidade e delicadeza que faz com que esta série mereça destaque.

Com um primeiro episódio que tem ótimas participações de Gloria Estefan (que canta o delicioso tema de abertura) e da dupla Stephanie Beatriz e Melissa Fumero (ambas de “Brooklyn 99”), a temporada inicia com vigor as discussões sinceras a que se propõe, e se há momentos em que as resoluções e maturidade pareçam vir rápidas demais, “One Day at a Time” é uma série com coração, que cativa por sua ótima comédia e seus temas relevantes e valiosos.

A adolescência é uma fase de amadurecimento: um período de transição física e psicológica em que o ser humano deixa de ser criança. Do ponto de vista clássico, acontece entre os 12 e os 22 anos de idade. Esse período é, por muitos, considerado um dos melhores de nossas vidas, porque esbanjamos energia e o senso de irresponsabilidade perdoável é altamente sedutor. No entanto, também traz perguntas acerca de uma porrada de temas, descobertas, frustrações e outros conflitos, em princípio “assustadores”, que precisam ser discutidos às claras a fim de tornar a transição mais fluída. É isso a que se propõe “Sex Education“. Em sua primeira temporada, a série da Netflix apresenta-se inclusiva e representativa, e por meio de uma linguagem franca, leve e bem-humorada, se abre ao sexo, preconceito, aceitação, religião, entre outros assuntos considerados – erroneamente – espinhosos por parte da sociedade.

Nessa primeira parte, somos apresentados a Otis (Asa Butterfield, “A Invenção de Hugo Cabret”), um garoto de 16 anos que enfrenta uma fobia que faz com que qualquer tentativa de masturbação termine em frustração. Soma-se a isso o fato de ser filho da Dra. Jean Milburn (Gillian Anderson, “Arquivo X”), uma especialista em terapia sexual, que logo revela-se uma mãe controladora. A vida dele vira de cabeça para baixo quando, junto com Maeve (Emma Mackey), montam uma clínica de conselhos sexuais para atender a galera da escola onde estudam. Mas nem tudo gira em torno de Otis. Embora o vejamos como nosso protagonista, o roteiro idealizado por Laurie Nunn revela-se hábil e inteligente ao acompanhar jornadas distintas e igualmente interessantes como, por exemplo, a do garoto gay negro Eric (Ncuti Gatwa debutanto com estilo em um papel expressivo), cuja história mostra-se a mais legal; do pressionado atleta Jackson (Kedar Williams-Stirling), que também sofre de ansiedade; da rebelde Maeve; e do metido a opressor Adam (Connor Swindells, “Keepers”).

Nota-se que a grande maioria do elenco é composto por iniciantes, o que poderia facilmente resultar em um produto amador e sem tanto apelo. Porém, o que vemos é que a escolha por atores e atrizes novatos no meio artístico, com exceção dos “protagonistas”, demonstra ser a opção mais acertada, já que encaixa bem com a proposta da série de trazer frescor e naturalidade às performances, sem vícios e com o objetivo de aproximar o espectador do drama daqueles renegados, sendo eles gays, lésbicas, playboys, patricinhas, nerds, virgens, negros, brancos, loiros, morenos, altos ou baixos. Todos aqueles que, de alguma forma, sofrem, estão aqui muito bem representados. E o mais importante de tudo, e que “Sex Education” faz com excelência: todos são iguais aos olhos do roteiro e, no final, passam pelas mesmas hostilidades e têm que lutar contra os mesmos julgamentos. O gay que vive numa família religiosa, o esportista que sofre com a pressão em casa e também na escola para ser o melhor, as meninas que precisam encarar o machismo e a exposição, os meninos que sentem a pressão por nunca terem transado, etc.

Não há espaço para o choque, e se o há não deveria. Mas é claro que não é um universo perfeito, pois os conflitos e os traumas são necessários para moldar as motivações de cada personagem, e nesse ponto o argumento revela uma qualidade ímpar. Tal qualidade pode ser vista ainda por meio de seus belos e reflexivos diálogos, que proferidos por uma porção de atores carismáticos, são capazes de fazer o público se emocionar e manter-se engajado com a narrativa, mesmo essa expondo certos problemas em seu ritmo – entre um episódio e outro é inevitável não sentir aquela esticada básica da Netflix. Outro ponto positivo e muito atraente na série é a sua trilha sonora, afinal, música boa e juventude são dois elementos que devem caminhar de mãos dadas. Embalada por sucessos de The Cure, Billy Ocean, A Flock Of Seagulls, Go West, etc., que são inseridos pontualmente em momentos condizentes com suas letras, a trajetória dos adolescentes da escola de Moordale ganha eloquência e uma aprazível sensação de querer sair dançando pela casa.

Finalizado o último episódio, o único desejo era viajar no tempo, voltar aos 15 anos e assistir a tudo novamente. Ou quem sabe ir além, para um futuro, com os filhos beirando ou vivendo a adolescência e então assistir todos juntos os oito episódios dessa prazerosa primeira temporada. A série conversa com várias frentes, e confere a elas a mesma intensidade para que possamos sentir e entender a relevância de cada uma. Uma série linda e sincera, que infelizmente – ou felizmente – deixa aberto seus arcos dramáticos para a segunda temporada. É feita para rir, se emocionar, dançar, se identificar, empoderar, representar, aprender e com isso ensinar. Mostra que o sexo é bom e precisa sempre ser discutido. “Sex Education” é sobre tempo difíceis, tempos de pensamento, de reflexão, conquistas, experiência e, sobretudo, sobre tempos bons, onde viver da maneira que você escolher é um direito e só diz respeito a você mesmo. A segunda temporada já foi oficializada e, para quem gostou, tem muito ainda que rolar. Para quem ainda não entendeu, tem mais lições vindo por aí!

O aclamado diretor e produtor hollywoodiano Steven Spielberg (“Jogador Nº1“) e o chefe de conteúdos da Netflix, Ted Sarandos, reuniram-se esta semana para discutir sobre a polêmica que envolveu o cineasta e a gigante dos streamings sobre a legitimidade de filmes originais da Netflix participarem ou não do Oscar, segundo informações do The Hollywood Reporter.

Os dois foram vistos, no início desta semana, jantando juntos no San Vincente Bungalows, um clube privado nas cercanias de Hollywood. Spielberg, membro do conselho de diretores da Motion Picture Academy, tem sido uma voz de destaque ao argumentar que o Oscar deveria ser reservado apenas para filmes que tenham sua primeira grande exposição nos cinemas.

O cineasta deixou bastante clara sua posição em relação à concorrência de filmes de streaming no Oscar em entrevista à ITV News há um ano:

Quando você se compromete com um formato de televisão, você é um filme de TV. Você certamente, se for um bom programa, merece um Emmy, mas não um Oscar. Eu não acredito filmes que acabam de receber qualificações simbólicas em alguns teatros por menos de uma semana devem se qualificar para a indicação ao Oscar.

No Cinema Audio Society Awards, em fevereiro, ele comentou ainda sobre a ligação indissociável entre o trabalho de um cineasta e o formato cinematográfico:

A maior contribuição que podemos dar aos cineastas é dar ao público a experiência teatral cinematográfica. Acredito firmemente que os cinemas precisam estar por perto para sempre.

Reportagens até começaram a circular dizendo que o cineasta planejava pedir ao conselho de diretores, em sua reunião de abril, que votasse em uma nova regra para exigir um tempo mínimo de quatro semanas de exibição para um longa ter direito à indicação aos principais prêmios do Oscar – atualmente, basta o longa ser reproduzido em um cinema em Los Angeles por uma semana. No entanto, falando na sexta-feira passada no SXSW, o amigo de Spielberg, Jeffrey Katzenberg, disse que Spielberg “não opinou” sobre o assunto de uma mudança de regra e não tinha planos de defendê-lo dentro do conselho.

A polêmica envolvendo diretamente a Netflix começou logo após a cerimônia do Oscar  2019, em 24 de fevereiro. Rumores começaram a surgir sobre possíveis medidas da Academia para dificultar a participação de filmes produzidos e lançados por serviços de streaming na premiação. Spielberg estaria entre os que as estariam promovendo – o que faria sentido, dado seu histórico de declarações contrárias à presença do streaming nas cerimônias do gênero. A Netflix também se posicionou sobre a polêmica afirmando, via Twitter, que amor por cinema e acesso a filmes não são mutuamente excludentes.

Tendo brilhado no Oscar 2019, a empresa de conteúdo independente conquistou três prêmios para “Roma” e seu diretor Alfonso Cuáron (Melhor Fotografia, Filme Estrangeiro e Diretor), além de vencer na categoria de Melhor Documentário de Curta-Metragem com “Absorvendo o Tabu“. A Netflix, no entanto, almeja conquistar prêmios ainda maiores.

O serviço de streaming sempre admitiu, publicamente, que tem como objetivo vencer o prêmio máximo: o Oscar de Melhor Filme. Para isso, a Netflix já negociou sua integração com a Motion Picture Association of America e planeja investir em sua próxima grande produção, “O Irlandês”, que será lançado em 2019, também nos cinemas. Dirigido por Martin Scorsese (“Silêncio“), o longa teve seu primeiro teaser divulgado durante a exibição do Oscar e conta com um elenco estrelado, com os nomes de Robert De Niro (“O Comediante”), Al Pacino (“Não Olhe Para Trás”) e Joe Pesci (“Rancho do Amor”).

Segundo fontes ouvidas pelo THR, a derrota de “Roma” no prêmio de Melhor Filme no Oscar 2019 foi uma forma encontrada pelos membros da Academia para punir o modelo de negócio da Netflix. Desta forma, o serviço está enfrentando uma enorme pressão para se adaptar as regras tradicionais de Hollywood. Além de “O Irlandês”, a Netflix também planeja investir em outras cinco obras, como “The Laundromat”, do diretor Steven Sodenbergh, e “The Pope”, do brasileiro Fernando Meirelles. Essas obras também devem ganhar um lançamento nos cinemas.

No último ano, o Cinema com Rapadura discutiu o novo modelo de negócios da Netflix e como essa mudança pode impactar a participação de seus filmes em premiações e como o serviço de streaming pode se tornar cada vez mais presente nos cinemas tradicionais. Você pode ler a coluna clicando aqui. O sucesso dos filmes de 2018 da Netflix também foi pauta do RapaduraCast 560 – ouça aqui.

Suspiria – A Dança do Medo” ganhou esta semana um pôster nacional e teve sua data de estreia em terras brasileiras confirmada pela distribuidora PlayArte. O longa estrelado por Dakota Johnson (de “Cinquenta Tons de Liberdade“) estreará em 28 de março. Veja abaixo o pôster:

 

“Suspiria – A Dança do Medo” conta a história da jovem bailarina Susie Bannion (Johnson), que vai para a prestigiada Companhia de Dança Markos Tanz, em Berlim. Ela chega assim que Patricia (Chloë Grace Moretz, de “Criminosos de Novembro“) desaparece misteriosamente. Tendo um progresso extraordinário, com a orientação de Madame Blanc (Swinton), Susie acaba fazendo amizade com outra dançarina, Sara (Mia Goth, de “A Cura“), que compartilha com ela todas suas suspeitas obscuras e ameaçadoras sobre o sumiço de Patricia.

O elenco do remake ainda conta com Jessica Harper, do filme original de 1977, e Tilda Swinton (de “Máquinas de Guerra”). O roteiro é de David Kajganich (“Um Mergulho no Passado”), e o italiano Luca Guadagnino (“Me Chame Pelo Seu Nome”) é o responsável pela direção.

Não se engane pelo título – em “Operação Fronteira”, a divisa entre Paraguai, Brasil e Argentina é apenas um pretexto para o novo longa de ação original da Netflix. Tirando algumas placas direcionando para o nosso país e a oportunidade de ver Ben Affleck com uma lata de Brahma, não existem outras citações. Dirigido e roteirizado por J.C. Chandor (“O Ano Mais Violento”), a obra é produzida por Kathryn Bigelow e Mark Boal, responsáveis por “A Hora Mais Escura” e “Guerra ao Terror”.

O filme conta a história de um grupo de cinco ex-militares que tentam se adaptar novamente à vida após deixarem as operações em campo de batalha. Depois de tanto correr riscos pelos Estados Unidos, os mesmos não estão satisfeitos com o que recebem atualmente. Após conviverem com tanta violência, cada um se virou de um jeito para seguir em frente: William “Ironhead” Miller (Charlie Hunnam, de “Rei Arthur: A Lenda da Espada”) vive realizando palestras em pequenas cidades; seu irmão, Ben Miller (Garrett Hedlund, de “Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississippi”) virou um lutador de MMA; Tom “Redfly” Davis (Ben Affleck, de “Liga da Justiça”), fracassa diariamente no trabalho como corretor de imóveis.

Completam o grupo Francisco “Catfish” Morales (Pedro Pascal, de “Se a Rua Beale Falasse”), que perdeu sua licença de piloto após se envolver com drogas; e Santiago “Pope” Garcia (Oscar Isaac, de “No Portal da Eternidade”), que continuou atuando contra o narcotráfico na América do Sul. Pope é o responsável por recrutar o grupo novamente com uma proposta para matar o traficante Gabriel Martins Lorea (Reynaldo Gallegos, da série “S.W.A.T.”) e roubar seus US$ 75 milhões escondidos em uma casa protegida no meio da selva.

O roteiro do diretor, escrito em conjunto com Mark Boal, é corajoso por seguir um caminho fora do padrão, focando não só na ação, mas também na ética de cada personagem. O crime não é o principal mote da história; a dificuldade central é pensar em como transportar tanto dinheiro até uma área segura. O ritmo é mais lento do que os filmes de ação tradicionais, como “Os Mercenários”, que segue a mesma estrutura de formação de equipe e ação conjunta. Entre os personagens, apenas o quinteto é bem desenvolvido – tanto Lorea quanto Yovanna (Adria Arjona, de “Círculo de Fogo: A Revolta”), uma informante de Pope, têm pouquíssimo tempo de tela. O traficante é citado durante o filme inteiro como o causador de toda a crise na Tríplice Fronteira, mas sua presença vira apenas uma ameaça distante.

A dinâmica do grupo é natural pelos anos de convivência e o elenco consegue transparecer essa amizade com eficiência. Os personagens não buscam a violência, mas por meio dela criaram um propósito, afinal, atuar no campo de batalha é o principal talento destes homens. A moral dos atos de cada um é colocada em prova cena após cena, carregada apenas pela lealdade entre os integrantes. A ganância é outro tema invisível que permeia algumas questões ao longo da obra. Quanto vale a vida de uma pessoa? Vale a pena correr risco de vida em troca de segurança financeira? O maior interesse de Pope era encerrar a guerra do tráfico ou lucrar com isso?

Procurando responder todos estes temas, a história perde um pouco por ficar no meio do caminho entre a ação e a discussão ética. Entretanto, a coragem do diretor e um plot twist bem executado fazem toda a jornada de “Operação Fronteira” valer a pena.