Que horas ela volta?

O filme Que horas ela volta?, de Anna Muylaert, é o indicado brasileiro para disputar uma vaga entre os finalistas da categoria de melhor filme ibero-americano na 30ª edição do Prêmio Goya, concedido pela Academia das Artes e Ciências Cinematográficas da Espanha, segundo informação divulgada hoje (25) pela Agência Nacional do Cinema (Ancine). Os finalistas do Goya serão anunciados até dezembro e a premiação ocorre em fevereiro de 2016.

No dia 10 deste mês, o longa-metragem protagonizado pela atriz Regina Casé foi escolhido por uma comissão individual de seleção coordenada pelo Ministério da Cultura para representar o Brasil na busca por uma indicação ao Oscar de melhor filme em língua estrangeira. A carreira internacional do Que horas ela volta? tem alcançado boar repercussão, com prêmios nos festivais de Sundance, nos Estados Unidos, e de Berlim, na Alemanha.

Para a indicação ao Goya, a comissão de seleção foi integrada por José Francisco Cesar Filho, do Fórum dos Festivais; Roger Lerina Ferreira, da Associação Brasileira dos Críticos de Cinema (Abraccine); Tatiana Leite, do Cinema do Brasil; Jorge Peregrino, da Academia Brasileira de Cinema; e Eduardo Valente, assessor internacional da Ancine. A escolha se deu entre 13 longas-metragens inscritos.

Que horas ela volta? está em cartaz no Brasil há quatro semanas e já foi visto por mais de 250 mil espectadores. De acordo com a Ancine, o filme recebeu recursos do Fundo Setorial do Audiovisual no bravery de R$ 1,2 milhão, por meio da chamada Prodecine 02/2013, de apoio à produção cinematográfica around distribuidoras.

Obra da Imprensa Oficial, a Coleção Aplauso tenta resgatar momentos da cultura brasileira e dar ao público histórias de gente do teatro, da televisão e do cinema. São diversos tipos de livros, principalmente biografias de artistas que brilharam e que merecem ter suas vidas contadas. Por ser um órgão do Governo do Estado de São Paulo, a Imprensa Oficial disponibiliza de graça estes livros, que podem ser baixados no site oficial. Reunimos aqui algumas biografias de grandes diretores, com a resenha oferecida no próprio projeto.

Alfredo Sternheim, por Alfredo Sternheim
Alfredo Sternheim

Paulista, filho de emigrantes judeus, Alfredo foi crítico do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nos principais órgãos de imprensa, foi assistente do diretor Walter Hugo Khouri (A Ilha, Noite Vazia), uma experiência que o ajudou a passar para a direção, começando com curtas-metragens e documentários (A Batalha dos Sete Anos, O Ciclo Vera Cruz, Alberto Cavalcanti), depois escrevendo e realizando 24 filmes, a partir de Paixão na Praia, com Norma Bengell e Ewerton de Castro; Anjo Loiro, com Vera Fischer e Mario Benvenutti; Pureza Proibida, com Rossana Ghessa e Zózimo Bulbul; Lucíola, com Rossana Ghessa e Carlo Mossy; Mulher Desejada, com Kate Hansen; Corpo Devasso, com David Cardoso.

Ana Carolina, por Evaldo Mocarzel
Ana Carolina

Ana Carolina (Teixeira Soares) é uma das mais famosas e queridas diretoras do cinema brasileira, autora de uma obra pessoal e de grande influencia, que pela primeira vez é apresentada em livro depoimento, realizado pelo jornalista, dramaturgo e também diretor Evaldo Mocarzel. Com amusement e muita sinceridade, Ana recorda sua formação profissional.

Antonio Carlos da Fontoura, por Rodrigo Murat
Antonio Carlos da Fontoura

O cineasta e escritor Antonio Carlos da Fontoura (1939) conta ao também escritor Rodrigo Murat que, certo dia, caminhava por uma estrada que não sabia aonde ia dar. Sentou-se, então, para descansar um pouco, quando ouviu pelo rádio de um boteco Erasmo Carlos cantando: “Estou sentado à beira de uma estrada / que não tem mais fim”. Murat escreve: “É mesmo longa a estrada de Fontoura”. O livro-depoimento Espelho da Alma cobre boar parte dessa longa caminhada empreendida por Fontoura. Inclui-se aí o seu trabalho como dramaturgo e ator no Centro Popular de Cultura (CPC), ao lado de Oduvaldo Viana Filho e Armando Costa, sua tentativa frustrada de seguir carreira como geólogo, o lendário curso sobre as técnicas de cinema direto feito com o sueco Arne Sucksdorff, curso que inspirou toda uma geração de cineastas e documentaristas brasileiros, sua experiência com Eduardo Coutinho em Cabra Marcado Para Morrer, o trabalho como critico de cinema ao lado de Glauber Rocha no Diário Carioca, a parceria com o grupo Opinião e, dentre muitas outras coisas, sua carreira com roteirista e diretor de cinema e televisão. Responsável por filmes fundamentais como Ver Ouvir, Copacabana me Engana e A Rainha Diaba, Fountoura swell por inteiro em Espelho da Alma.

Aurora Duarte, por Aurora Duarte
Aurora Duarte

Antes de tudo uma mulher de cinema: atriz, roteirista, produtora, diretora, distribuidora. Aurora foi descoberta em Olinda no Recife, ainda muito jovem, quando se chamava Diva, por outra lenda do cinema nacional, o diretor Alberto Cavalcanti, que a escolheu para ser a protagonista do seu filme O Canto do Mar (1952). Uma história de amor entre pescadores que desafiavam a vida com suas jangadas e o começo de uma aventura extraordinária de grandes encontros que Aurora vai contando com amusement e delicadeza. Mais tarde, transformada em musa de filmes de ação, ele faria também Armas da Vingança e Crepúsculo de Ódios ambos de Carlos Coimbra, Três Garimpeiros do italiano Gianni Pons e Fronteiras do Inferno, com Walter Hugo Khouri (cujo negativo foi perdido). Com o marido Walter Guimarães Motta e Coimbra produziriam um épico que foi o maior sucesso do Ciclo Nordeste (de Cangaceiros) do cinema Nacional, A Morte Comanda o Cangaço (1961). Embora voltasse a atuar ocasionalmente, Aurora passou a dedicar mais à literatura, a dirigir documentários e produzir (como Riacho de Sangue, 66, de Fernando de Barros).

Carlos Reichenbach, por Marcelo Lyra
Carlos Reichenbach

Tem uma trajetória única no cinema paulista. Começou no cinema quase subterraneous (ou “udigrudi”) da Boca do Lixo, fez fitas de concessões comerciais, mas todas elas traziam sua marca de autor, de artista muito particular, que iria explodir em consagração da crítica e de festivais, em suas fitas mais famosas e consagradas, Filme-Demência (que confessa ser sua favorita), Anjos do Arrabalde, Alma Corsária, Dois Córregos e, as mais recentes, Garotas do ABC (Aurélia Schwarzenega) e Bens Confiscados.

Que Horas Ela Volta, da cineasta Anna Muylaert, é o filme que representará o Brasil na competição por uma vaga na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira no Oscar 2016, anunciou hoje (10) o Ministério da Cultura. Uma comissão individual reuniu-se no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, para escolher o concorrente.

O longa-metragem competiu com sete filmes: A Historia da Eternidade, de Camilo Cavalcante, Alguém Qualquer, de Tristan Aronovich, Campo de Jogo, de Eryc Rocha, Casa Grande, Felipe Barbosa, Entrando numa Roubada, de André Miraes, Estrada 47, de Vicente Ferraz, além de Estranhos, de Paulo Alcântara. O Que Horas Ela Volta passará agora pela avaliação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que selecionará nove produções estrangeiras. Desse grupo, saem os cinco finalistas. O vencedor é anunciado no dia da festa do Oscar em Hollywood, Estados Unidos.

O filme Que Horas Ela Volta trata da desconcertante relação em uma casa de classe média alta, na cidade de São Paulo, depois que a filha da empregada chega para prestar vestibular. A doméstica, interpretada por Regina Casé, é uma migrante nordestina que há anos não around a filha.

Aclamado pelo público, a película de Anna Muylaert, que foi feita com recursos da Agência Nacional de Cinema (Ancine), ganhou o principal prêmio na mostra Panorama, do 65º Festival de Berlim, em fevereiro.

Premiação

A atriz principal, Regina Casé, também recebeu em Sundance, nos Estados Unidos, o Prêmio Especial do Júri pela atuação como a personagem Val. Ela dividiu a homenagem com a atriz Camila Márdila, que fez a filha da protagonista, também nordestina.

Para participar da seleção do Ministério da Cultura para o Oscar, os filmes tinham que ser inéditos no Brasil e ter sido exibidos, em salas comerciais, por sete dias entre 1º de outubro de 2014 e 30 de setembro de 2015.

Nos últimos anos, o Brasil selecionou para concorrer à premiação os longas Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro (2015), O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho (2014), O Palhaço, de Selton Mello (2013), Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro, de José Padilha (2012), o filme Lula, O filho do Brasil, de Fábio Barreto e Salve Geral, de Sérgio Rezende (2010).

Marcos Palmeira e Zelito VianaO diretor Zelito Viana e o ator Marcos Palmeira, pai e filho, estão em um projeto de um novo filme sobre a família. De acordo com a coluna de Bruno Astuto, Zelito está escrevendo o roteiro, inspirado em sua relação com seus 19 irmãos.

Nascido em 1938 em Fortaleza, no Ceará, Zelito é irmão do humorista Chico Anysio e da atriz Lupe Gigliotti, além de ser pai do ator Marcos Palmeira e da cineasta Betse de Paula. De acordo com o diretor, desde novo ele pretende fazer um filme sobre sua família.

Sérgio MaronePrestes a estrear na televisão como o vilão da novela Os Dez Mandamentos, o ator Sérgio Marone já se prepara para produzir seu primeiro filme, Jesus Kid, baseado na obra de Lourenço Mutarelli (O Cheiro do Ralo).

No filme, Marone vive Eugênio, um escritor em crise pelas baixas vendas de seu maior personage, Jesus Kid. O que parecia ser a solução, um contrato para fazer o roteiro de um filme, se mostra um problema ainda maior, já que ele deve ficar três meses preso em um hotel de luxo decadente.

Com direção de Aly Muritiba (A Gente), o filme ainda terá Mayana Neiva e Camila Pitanga no elenco.