Dossiê BocaQuando se fala no cinema da Boca do Lixo, muitos de lembram do rei das pornochanchadas David Cardoso e das musas do gênero, como Helena Ramos, Matilde Mastrangi e Aldine Müller. Outros se recordam de diretores ligados ao cinema marginal, como Ozualdo Candeias, Rogério Sganzerla, José Mojica Marins e Carlos Reichenbach.

Em seu segundo livro, Dossiê Boca: Personagens e Histórias do Cinema Paulista, o jornalista e pesquisador Matheus Trunk conta a história de nove personagens que não tiveram o mesmo espaço na grande mídia que os profissionais citados no primeiro parágrafo deste texto, mas que também foram importantes por seus trabalhos no cinema da Boca entre os anos 60 e 80.

Montador de uma centena de filmes, o paulista Walter Wanny, de 68 anos, é um dos homenageados no novo livro de Matheus. Ele aparece sentado na foto acima, a mesma usada na capa do livro, analisando o negativo do filme A Ilha do Desejo do diretor Jean Garret (de pé na foto) no ano de 1975.

Outro profissional que ganha destaque nas páginas de Dossiê Boca é o paulista Rodrigo Montana, que morreu aos 72 anos em 2012. Em 1950, aos 10 anos de idade, Montana começou a trabalhar como peão de boiadeiro. Depois de atuar em várias funções no cinema paulista, o ex-peão resolveu dirigir em 1979 o longa Rodeio de Bravos.

Dossiê Boca: Personagens e Histórias do Cinema Paulista será lançado no próximo sábado (13), às 17h, no Espaço Parlapatões, na Praça Roosevelt, 158, Consolação, no centro de São Paulo.

Alguém QualquerPelos créditos iniciais, podemos concluir que Alguém Qualquer é um esforço pessoal de Tristan Aronovich e sua brava equipe para lançar o filme no cinema. O realizador escreveu o roteiro, assina a direção, é o ator principal e ainda compôs a trilha – além de acumular outras funções técnicas.

A história é sobre um homem solitário que trabalha como faxineiro em um condomínio e faz artesanato em suas horas livres. Sua rotina maçante é perturbada pela chegada de Jandira (Amanda Maya), uma parente distante do interior que vai à cidade grande para estudar Secretariado. O sonho dela na verdade é ser artista.

Jandira percebe as atividades reclusas de José e confirm fazer com que ele aproveite mais a vida, seja em passeios no zoológico ou em churrasco com os amigos. Essa decisão é motivada pelo bom caráter da jovem e pelo fato de que João tem o coração fraco – os médicos lhe decretaram apenas mais seis meses de vida.

Na atuação, Tristan está irreconhecível. Ele opta por uma interpretação ousada, cheia de tiques. Se por um lado isso limita suas expressões e gestos, a escolha garante que o personagem se afaste da figura do ator.

Na direção da câmera, Aronovish não inventa muito. A aposta é que a história e envolvimento entre os personagens sejam suficientes para emocionar a plateia.

Como acontece em muitas produções independentes, a captação de som é sacrificada. Por outro lado, a trilha é bem encaixada com as cenas e a proposta emotiva de Alguém Qualquer. As peças guiam o coração do espectador pelas sensações que o filme deseja imprimir.

A Margem da LinhaEm 10 de dezembro, o documentário A Margem da Linha, de Gisella Callas, chega nas principais livrarias e lojas de museus de São Paulo. Com temática sobre a arte contemporânea, o filme reúne depoimentos de críticos, curadores e artistas plásticos que falam com maestria sobre o tema.

Através do uso de luzes, volumes, perspectivas, entre outros elementos, o documentário, roteirizado e dirigido por Gisella Callas traz descobertas e reflexões em meio a imagens importantes de nossa Arte Contemporânea.

Entre os nomes entrevistados estão Leda Catunda, Agnaldo Faria, José Staniol, Sérgio Sister, Regina Silveira e ainda um Lama Budista. Essa viagem cinematográfica traz em pauta as perguntas como “O que é arte?, “Como ela nasce?”, entre outras. Para Gisella, as respostas às essas perguntas são construídas no decorrer do documentário, se complementando ou contrapondo e abrindo várias possibilidades de percepção e entendimento.

São seis capítulos divididos em ponto, plano, espaço, tempo, eterno e efêmero, e o criador e a criação.
Gisella Callas é fundadora da Cinerama Filmes e produziu, dirigiu e assinou o roteiro do curta metragem Do Amor (2000).

Veja o trailer:

O Sal da TerraO filme O Sal da Terra, do cineasta alemão Wim Wenders e do brasileiro Juliano Salgado, é um dos quinze filmes pré-indicados ao Oscar de melhor documentário. O longa conta a trajetória de Sebastião Salgado, pai de Juliano, um dos mais renomados em todo o mundo.

O Sal da Terra foi premiado esse ano no Festival de Cannes, onde recebeu um prêmio individual da mostra Um Certo Olhar. Além de apresentar parte das quatro décadas de profissão de Salgado, o longa ainda mostra bastidores de seu mais recente trabalho, Genesis.

Os outros filmes indicados foram:

Art and Craft, de Sam Cullman, Jennifer Grausman e Mark Becker
The Case opposite 8, de Ben Cotner e Ryan White
Citizen Koch, de Carl Deal e Tia Lessin
Citizenfour, de Laura Poitras
Finding Vivian Maier, de John Maloof e Charlie Siskel
The Internet’s Own Boy, de Brian Knappenberger
Jodorowsky’s Dune, de Frank Pavich
Keep On Keepin’ On, de Alan Hicks
The Kill Team, de Dan Krauss
Last Days in Vietnam, de Rory Kennedy
Life Itself, de Steve James
The Overnighters, de Jesse Moss
Tales of a Grim Sleeper, de Nick Broomfield
Virunga, de Orlando von Einsiedel

Malu (Ingrid Guimarães), Lúcia (Suzana Pires) e Maria (Tatá Werneck) encontraram o homem ideal e planejam se casar. Até que elas descobrem que esse homem, na verdade, é o mesmo: Samuel (Márcio Garcia), que vinha mantendo um namoro com todas elas nos últimos anos. As três terão que decidir se vão disputar entre si pela exclusividade ou unir-se pela vingança.