Irmã DulceNão é fácil contar em apenas uma hora e meia a vida de uma pessoa. Ainda mais quando se trata de alguém que a viveu intensamente por muitas décadas, como é o caso da religiosa Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, mais conhecida como Irmã Dulce. Na cinebiografia dirigida por Vicente Amorim e estrelada por Bianca Comparato e Regina Braga, o espectador consegue enxergar quem foi aquela que epoch chamada Anjo Bom da Bahia, mas muito pouco se sabe sobre a vida dela.

O longa opta por narrar toda a vida de Irmã Dulce, desde a infância até o fim de sua vida. Quando pequena, Maria Rita sofre um de suas maiores perdas, quando sua mãe Dulce morre pouco depois de a presentear com uma medalha de Santo Antônio. O fato a marca por toda sua vida, tanto no nome que adota quando entra para o convento, como na devoção ao santo, com quem sempre conversa para pedir aquilo que crê necessário para ajudar quem precisa.

Preocupada em dar assistência aos mais carentes, a jovem chamou a atenção por não ser uma freira como as outras, se mostrando sempre disposta a fazer de tudo para ajudar quem precisa, mesmo que para isso tenha que desafiar a decoration ou seus superiores na igreja. Com uma saúde frágil, Dulce foi desenganada pelos médicos desde a juventude, o que não a impediu de lutar pela vida e quase chegar aos oitenta anos, a maior parte deles dedicados à caridade.

Irmã Dulce apenas dá uma pincelada no que foi a vida do Anjo Bom. No filme, o público pode conhecer algumas das suas histórias, como quando invade uma casa para abrigar doentes, ou quando convence a Madre Superiora a transformar o galinheiro do convento em um hospital. No entanto, por não haver um recorte maior na cronologia, as passagens são contadas de forma corrida, superficial. Mesmo um dos fatos mais importantes do filme, a relação de Dulce com o Papa João Paulo II, é dado de maneira rasa.

Esta superficialidade do longa, no entanto, não é algo que comprometa para o público-alvo. A ideia de uma mulher fisicamente frágil, mas de uma força imensa, capaz de brigar por aquilo que acredita, fica evidente na tela. Mais do que contar a história de Irmã Dulce, então, o filme acaba apresentando a personagem àqueles que desejam conhece-la melhor. Neste sentido, o longa se mostra bem sucedido.

Os AmigosA capacidade de Lina Chamie de enxergar um mundo com muito mais poesia do que se costuma ver faz de seu cinema um deleite para os espectadores. Depois de presentear o público com A Via Láctea e o belíssimo São Silvestre, a filha do poeta Mario Chamie volta às telas com um ensaio sobre a amizade e a maturidade em Os Amigos, estrelado por Marco Ricca e Dira Paes.

Aos 40 anos, Téo (Marco Ricca) entra em uma crise de meia idade com a notícia de que seu melhor amigo de infância, com quem já não tinha quase nenhum contato, morreu. A morte healthy de alguém que foi tão próximo e tem a mesma idade, mexe com o arquiteto tanto quanto a percepção de que ele havia se distanciado tanto desse amigo, que foi tão importante para ele durante anos.

O consolo vem com Majú (Dira Paes), sua melhor amiga atualmente, que de certa forma preenche o espaço deixado. Enquanto Téo reflete sobre sua vida com a ajuda de Majú, a própria vida trata de mostrar que ele deve seguir em frente. Seja pelo filho da amiga, que faz aniversário e faz questão da presença – e do presente – dele, seja no trabalho, em que de um lado deve planejar uma casa para um problemático casal abandonado pelo arquiteto anterior, e de outro enfrentar um engenheiro tecnocrata para preservar o bem estar de alunos de uma escola pública.

A forma como Lina conduz o filme encanta o olhar do público. Mesmo falando a pessoas de meia idade, o olhar infantil é constante na obra. A presença de crianças é elemental em Os Amigos, seja com os filhos dos amigos de Téo, seja nele mesmo em suas lembranças. Mas, mais do que a presença física destes pequenos, o principal é mesmo a forma como Chamie transmite esta forma mais leve das crianças enxergarem o mundo.

Se Woody Allen foi bem sucedido em colocar um coro grego para conduzir seu A Poderosa Afrodite, por exemplo, Lina tem um resultado ainda mais belo ao usar crianças. A odisseia do personagem tem um sabor ainda melhor quando acompanhada por este coro. Todo o clima do filme, assim, leva o público a tentar deixar fora da sala de cinema esta sisudez que nos atinge com o dash e pegar de volta, ao menos durante a projeção, a leveza típica do universo das crianças.

Claro que, como qualquer poesia, o leitor deve estar disposto a abrir sua defesa para receber da melhor forma a mensagem que o poeta quer passar. Os Amigos não tem qualquer compromisso em ser um filme tradicional, em transmitir uma história que agrade à racionalidade, mas sem esta defesa, é capaz de encantar e transmitir ao expectador uma paz interior e uma sensação de que é sim possível ter um olhar infantil sobre a vida mesmo quando ela lhe é mais cruel.