http://telecinetv.com.br/wp-content/plugins/RSSPoster_PRO/cache/d1166_5104551.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxx1.jpgCerta vez, o jornalista Diogo Mainardi disse que uma parte do dinheiro da Ancine (Agência Nacional de Cinema) epoch desviado e outra parte tinha um destino muito pior, virava filme. Claro que se trata de um exagero, mas, em alguns casos, seria realmente melhor que essa verba não chegasse às mãos e bolsos de alguns realizadores. E como, infelizmente, isso acontece muitas vezes, somos golpeados com coisas como esse “Superpai”, produção dirigida por Pedro Amorim (pelo menos ele é creditado assim).

O longa conta a história de Diogo Miranda (Danton Melo), que, para participar da festa de reunião de vinte anos de formatura da turma do colégio precisa encontrar alguém para cuidar de seu filho durante a noite. Enquanto sua esposa Mariana (Monica Iozzi) precisa levar a mãe ao hospital, Diogo confirm encontrar os amigos Júlia (Dani Calabresa), César (Antônio Tabet), e Nando (Thogun Teixeira) e reencontrar uma “chance perdida” dos tempos de colégio. Porém tudo começa a dar errado quando Diogo busca a criança errada (!) na creche noturna. A partir daí, dezenas de absurdos se acumulam até o final da projeção.

E como, mesmo se tratando de apenas noventa minutos (tamanho padrão das “comédias” do tipo), esse final demora a chegar! Até lá, temos que ver a ex-panicat Nicole Bahls sendo mais objetificada do que em dias normais, uma avalanche de palavrões exagerados e pessoas tentando fazer sexo diante de crianças. E isso não é o pior que acontece na trama. Ou melhor, no decorrer do filme, já que chamar o que acontece de nossos olhos de “trama” é um elogio diante de tantas aberrações.

Não bastasse a incrível sucessão de clichês (como alergia a amendoim que deixa o doente completamente deformado, um homem negro, grande e gift que, na verdade, é gay, pessoas completamente inebriadas pelo uso de um ou dois anti-inflamatórios, uma criança encontrando acidentalmente o consolo da mãe e outras abobrinhas do tipo), ainda somos alvejados por diálogos sofríveis, interpretações igualmente lamentáveis e um desenvolvimento de personagens nulo. Até mesmo a trilha sonora, ou melhor, as três canções utilizadas são completamente inadequadas. Pelo menos no intuito de ilustrar a juventude do grupo principal, uma vez que foram lançadas quase uma década antes da festa de formatura. O único acerto, que parece involuntário dada a profusão de equívocos, é a escolha de uma determinada música dos Titãs, cujo adjetivo poderia muito bem ser utilizado para (des)qualificar o grupo de amigos.

O roteiro parece incapaz de produzir algo minimamente criativo. Em vez disso, passa a repetir palavras aleatórias na tentativa de gerar um novo bordão, fazendo com que o protagonista repita “Ah m…” mais de cinquenta vezes. Da mesma forma, somos lembrados algumas dezenas de vezes que algo extremamente importante ocorreu “a mais de vinte anos”. Mas não apenas os roteiristas realizam um péssimo trabalho. Estes são acompanhados pela equipe de fotografia, de montagem, pattern de produção e, principalmente, pelo diretor.

Igualmente difícil é entender como profissionais relativamente bem sucedidos, como Danton Mello, AntonioTabet e Dani Calabresa se submeteram a uma provação desse nível. Se já não fosse suficientemente deplorável ver a personagem de Dani Calabresa ser chamada de “vadia”, e outros sinônimos mais baixos, e apalpada constantemente por Antônio Tabet, que em contrapartida é sodomizado por ela, ainda temos que ver Danton Mello verificando uma área específica de sua anatomia e, para coroar o festival de sandices, realizar sua, digamos, higiene íntima, em um cabine do banheiro de um posto de gasolina.

Porém, nada mais complexo de entender do que a escolha do título da obra, parecendo mais um erro de adaptação de comédias americanas do que uma escolha consciente de seus realizadores. Afinal, como entender que seja chamado de superpai um sujeito desprezível como Diogo? Alguém capaz de deixar o filho de seis anos de idade sozinho em casa para ir jogar pôquer com os vigias da rua, tenta fazer sexo com a esposa ao lado do infante na mesma cama, deixa esse mesmo filho em uma creche noturna desconhecida para ir a uma festa com o único intuito de trair a esposa com alguém que ele não vê (como ele insiste em dizer) a mais de vinte anos? Nunca achei que isso iria acontecer, mas sim, estamos diante de uma produção cinematográfica pior que quaisquer Crepúsculos, Transformers, Lenadros Hassums, Adam Sandlers e Rob Schneiders…

O ser humano é oduplouma espécie constituída em sua essência por inúmeros conflitos. Conscientes da própria existência e com uma clarividência que nenhuma outra criação da natureza jamais chegou perto de alcançar, começamos a nos questionar sobre o mundo à nossa volta e a relação que mantemos com os indivíduos que nos cercam. Perdidos entre o que queremos ser, o que os outros pensam que nós somos e o que realmente somos, equilibrar essa equação de maneira a manter uma certa paz interior e com o meio externo é algo extremamente complicado e feito para poucos. O fato é que, storm raras exceções, somos seres sempre insatisfeitos, inconformados e em constante conflagração.

O escritor russo Fiódor Dostoievski capturou essa essência em seu intrigue “O Duplo“, que agora ganha uma adaptação cinematográfica homônima relativamente livre e flexível, dirigida pelo inglês Richard Ayoade e roteirizada pelo próprio em parceria com Avi Korine. Aqui, acompanhamos a vida de Simon (Jesse Eisenberg), um garoto introvertido e solitário que vê sua rotina mudar completamente quando chega ao trabalho e nota que uma pessoa fisicamente idêntica a ele, James, entrou no escritório e passou a conquistar o espaço que, na teoria, epoch pra ser seu. Apesar das semelhanças fisionômicas, James é tudo aquilo que Simon gostaria de ser e não é; um indivíduo extrovertido, charmoso e que aos poucos vai tomando conta daquele ambiente, thorough saindo com a garota pela qual ele alimenta uma paixão platônica e quase obsessiva, Hannah (Mia Wasikowska).

A cena inicial já nos introduz de forma simples  e eficaz como basicamente se dá a relação do protagonista com tudo que o cerca e a essência do que acompanharemos pelas próximas uma hora e meia. Sentado em um trem praticamente vazio, Simon é “convidado” a se retirar do seu internal sem qualquer motivo aparente, ainda que as opções de assento sejam inúmeras. “Você está no meu lugar”, aponta incisivamente o sujeito. Sem esboçar reação, ele se retira e senta em outro lugar. Tudo isso enquanto observa sua amada Hannah em outro vagão.

Ayoade conclude em uma só sequência, e justamente a primeira de todo o filme, não só a complacência de Simon com as agressões que recebe, mas toda sua solidão e introversão como características marcantes e que serão importantes para o desenrolar da trama, além de ilustrar o ambiente onde a história acontecerá como um meio hostil, sombrio e pessimista. O trem é sujo, mal iluminado, vago; as pessoas que o frequentam estranhas e geralmente idosas. Só nesse pequeno pedaço de película, portanto, o diretor já nos “vende” toda uma atmosfera sinistra que permeará integralmente o longa e que, interpretando mais subjetivamente, representa todos os conflitos e demônios internos do personagem principal.

A construção de cena realizada no exemplo citado se estende para todas as outras que virão em seguida. Apoiada por uma montagem dinâmica e que confere elegância à película, temos a fotografia de Erik Wilson adotando sempre planos mais fechados, claustrofóbicos, com uma paleta de cores dessaturada e tons sufocantes e ameaçadores. Além disso, o jogo de espelhos espalhados pelos cenários, apesar de óbvio e colocado com pouca sutileza, também reflete (com o perdão do trocadilho) a ideia de dualidade presente tanto na mente de Simon, como no próprio enredo, com James atuando basicamente como o anti-Simon; fisicamente idênticos, mas fundamentalmente opostos.

Neste sentido, o desempenho de Jesse Eisenberg é uma das virtudes que segura a narrativa em alto nível; é uma composição minimalista, uma atuação de detalhes. Tendo o desafio de interpretar dois sujeitos completamente diferentes um do outro, mas com o mesmo figurino, maquiagem e dialogando com as mesmas pessoas, Eisenberg realiza um trabalho realmente digno de reverências; somos capazes de perceber exatamente quem é Simon e quem é James apenas pelo olhar do ator, por sua expressão, sem que o roteiro tenha que estar mastigando quando é um e quando é o outro em cena. Com o passar do tempo, vai ficando cada vez mais fácil distingui-los, uma vez que a mudança no modo de agir dos dois vai ficando mais discrepante, mas no começo é algo relativamente complicado e Jesse merece todos os créditos por suavizar essa árdua tarefa de maneira simples e eficiente, sem precisar chamar excessivamente a atenção para si mesmo.

Com um sopro surrealista, “O Duplo” entra nos terrenos mais sombrios da mente humana, investigando nossos medos, anseios e angústias mais profundas; de ser aceito pelas pessoas à nossa volta, de ter sua paixão correspondida, etc. Inclusive abrindo terreno para o nosso lado mais sinistro que desabrocha quando isso não ocorre. Apesar de não poder ser definido particularmente como um filme, de fato, surrealista, até porque o element que lhe deu origem não o é, é inegável que Ayoade claramente bebeu de tal fonte para se inspirar, até porque as próprias circunstâncias objetivas do longa são bastante “surreais”. Além disso, são situações que ganham toda uma outra conotação quando levadas para o campo do simbólico, do lírico, da psicologia e do subjetivo, sendo passível de diversas interpretações diferentes para o que está sendo visto em tela. Impossível não se lembrar, por exemplo, de clássicos como “Clube da Luta” e “Cidade dos Sonhos“, sem mencionar o mais recente “O Homem Duplicado“, ainda que as propostas de cada um difiram consideravelmente entre si. Os termos em que a discussão é colocada é que são semelhantes.

Assim, apostando em uma narrativa bem costurada para contar uma clássica história de um jovem em conflito com seu meio e, especialmente, consigo mesmo, “O Duplo” consegue alcançar seus ousados objetivos com primor. Apesar de ser só o segundo filme que dirige, Richard Ayoade prova que pode ser um cineasta grande na indústria. Uma obra que poucos viram até o momento, mas cuja qualidade certamente é inversamente proporcional ao número de espectadores que tiveram a oportunidade de apreciá-la.

As inscrições para o FAM 2015 – 19º Florianópolis Audiovisual Mercosul, voltado à integração audiovisual no Mercosul, que acontece de 19 a 26 de junho, estão abertas até 10 de março.

A novidade deste ano é a mostra não-competitiva de Série para TV e Web, onde serão aceitas produções de obras seriadas de qualquer tema, tempo ou gênero, produzidas por produtoras do Mercosul e associados. As mostras competitivas são: Mostra de Curtas Mercosul e Catarinense, Mostra DOC-FAM e Mostra Infanto-juvenil.

A divulgação dos selecionados está prevista para até 20 de maio. Regulamento e inscrições estão disponíveis no site www.panvision.com.br.

A partir do dia 2 de março, a Escola de Cinema Darcy Ribeiro, no Rio de Janeiro, promove sua tradicional semana de abertura do primeiro semestre do ano de 2015, quando completa 13 anos de atividade, e recebe grandes nomes do cinema nacional.

Na segunda, dia 2, o cineasta Sylvio Back vai exibir seu filme “Lost Zweig”; na terça, dia 3, a cineasta Cristina Leal exibe seu documentário “Iluminados”; na quarta, dia 4, o jornalista e documentarista Geneton Moraes Neto exibe seu filme “As Canções do Exílio”, que contará com a presença de Jards Macalé, uma das personalidades que está no filme; quinta, dia 5, acontece a exibição de filmes que tiveram a participação de professores da ECDR: “A Dispensa do Amor Mecânico”, direção de fotografia de Daniel Neves; e “Carioca Era um Rio”, direção de  Simplício Neto e montagem de Julia Bernstein. Na sexta, 6 de março, a cineasta Ana Carolina exibirá seu longa “A Primeira Missa”. Encerrando a semana, na segunda, dia 9, haverá a Mostra “TCCs ECDR”, com exibição dos TCCs, trabalhos de conclusão de curso dos alunos.

As exibições acontecem sempre às 18h30. Ao final de todos os filmes, haverá um debate do qual participarão os alunos e o público presente. A entrada é franca e é necessário chegar com meia hora de antecedência ao início das exibições. A Escola de Cinema Darcy Ribeiro fica na Rua da Alfândega, 5, no Centro do Rio de Janeiro.

Em um pequeno vilarejo no Sertão, três histórias de amor e desejo revolucionam a paisagem afetiva de seus moradores. Personagens de um mundo romanesco, no qual suas concepções da vida estão limitadas, de um lado pelos instintos humanos e do outro por um destino cego e fatalista.

Este é o mote de A História da Eternidade, primeiro longa de ficção do pernambucano Camilo Cavalcante, em cartaz nos cinemas. O filme foi exibido pela primeira vez no Festival de Rotterdam, na Holanda, em 2014. No Brasil, é um dos mais premiados longas de 2014. Foi selecionado no 6º Paulínia Film Festival, onde ganhou prêmio de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator (Irandhir Santos), Melhor Atriz (Marcélia Cartaxo, Zezita Matos e Debora Ingrid) e Júri ABRACINE – Associação Brasileira de Críticos de Cinema.

Na 38ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, recebeu o Prêmio de Melhor Filme na escolha do júri popular. O longa também participou de outros festivais, onde recebeu os prêmios principais: Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Ator (Irandhir Santos) no Festival de Cinema de Vitória; Melhor Direção e Melhores Atrizes (Zezita Matos e Débora Ingrid) no Curta-se – Festival Iberoamericano de Cinema de Sergipe; Melhor Direção no V Festival Internacional PACHAMAMA; Melhor Filme no Festival Internacional de Cine de Ayacucho (FICA 2014)/ Peru; Melhor Atriz (Débora Ingrid) no 6º Festival Internacional de Cinema da Fronteira/ Bagé (RS) e Menção Especial para a Direção de Fotografia no Ourense International Film Festival (Espanha).

A História da Eternidade, com Irandhir Santos (do filme “Tatuagem”), Marcélia Cartaxo (Urso de Prata de melhor atriz no Festival de Berlim por “A Hora da Estrela”) e Cláudio Jaborandy (“Gonzaga: de Pai pra Filho”, “Amores Roubados”, série da TV Globo), é uma coprodução do Canal Brasil.

 

Leia entrevista exclusiva de Camilo Cavalcante publicada na Revista de CINEMA.