Escrita por Diego Tavares, o projeto da websérie Saideira foi selecionado no Globo Lab, um laboratório de ideias lançado pela Globo para promover a escuta e a troca de experiências com a nova geração de produtores do audiovisual, além de identificar talentos criativos, fomentar a cocriação e a experimentação de linguagens e formatos. Durante o Globo Lab, ao lado de outros 20 jovens semifinalistas – selecionados a partir de 1.200 inscritos no site da Globo Universidade – Diego passou por workshops, oficinas, orientação no processo criativo e, depois de uma apresentação para a banca avaliadora, que reuniu Marcius Melhem, Adriana Falcão, Rosane Svartman e Gustavo Gontijo, soube que sua história tinha sido a escolhida para a websérie no Gshow. O laboratório ainda contou com palestras de outros renomados nomes do meio artístico, como George Moura, Maurício Farias e Marcelo Adnet.

A websérie tem direção de Daniel Tupinambá e está prevista para ser lançada no Gshow em janeiro. Além de assinar a autoria de Saideira e roteirizar a série, Diego Tavares está participando de perto de todos os processos de produção, inclusive das gravações.

Em Saideira, a atriz Julianne Trevisol será Mariana, uma jovem atraente que despertará o interesse de Lázaro (Felipe de Paula). A história contará com sete episódios e a personagem entra ao longo da trama. A série gira em torno de Lázaro, um advogado morto que precisa conquistar um lugar no Paraíso após pagar seus pecados no purgatório, que é contextualizado em um bar onde ele trabalha como atendente. Em vida, Lázaro foi envolvido em esquema fraudulento e prejudicou muitas pessoas. Agora, ele precisa aprender o valor de ajudar os outros e deixar de lado o egoísmo. A chegada de Mariana mexe com o rapaz, com quem ela tem uma conexão imediata, e Lázaro não perde tempo em convencer o dono a contratá-la como garçonete.

A Agência Nacional do Cinema – ANCINE colocou em Consulta Pública, até o dia 30 de janeiro, a minuta da Agenda Regulatória da Agência para 2017-2018. O documento aprovado pela Diretoria Colegiada inclui um conjunto de temas prioritários e estratégicos para o biênio, tornando públicas e previsíveis as principais ações que a ANCINE pretende pôr em prática no âmbito do setor audiovisual no período.

A minuta em Consulta Pública apresenta nove ações, agrupadas em seis grandes temas: distribuição cinematográfica; exibição cinematográfica; TV Paga; financiamento do setor audiovisual; mediação de conflitos; e ordem econômica. Cada uma das ações responde a objetivos do Mapa Estratégico da ANCINE, e à diretrizes do Plano de Diretrizes e Metas para o Audiovisual – PDM.

Para participar da Consulta é preciso se cadastrar no Sistema de Consulta Pública. Os documentos podem ser consultados, sem necessidade de cadastro, na página Consulta Pública. Dúvidas sobre o funcionamento do sistema devem ser encaminhadas para ouvidoria.responde@ancine.gov.br.

Por Maria do Rosário Caetano

O CineSesc realiza, ao longo deste mês de dezembro, mais uma maratona de filmes brasileiros. A programação compõe-se com destaques retirados de uma lista de 140 longas-metragens lançados em nosso circuito comercial, entre 31 de outubro de 2015 e 31 de outubro de 2016.

Se um espectador me solicitasse a recomendação de um único filme, sem pestanejar, indicaria “Sinfonia da Necrópole”. E por que? Porque o primeiro longa-metragem solo de Juliana Rojas (codiretora do excelente “Trabalhar Cansa”) é encantador, original, inventivo, inesperado. Conta com ótimos atores vindos do teatro paulistano e nos surpreende a cada instante de seus enxutos 85 minutos.

Por sorte, ao escolher os filmes para a nova Maratona Brasileira do CineSesc, Neusa Barbosa e eu pudemos optar por média de 40 títulos, de todos os gêneros e propostas. Guiadas pelo pluralismo, selecionamos, além de “Sinfonia da Necrópole”, outros excelentes filmes. Destaque para os pernambucanos “Aquarius”, de Kleber Mendonça, o filme mais falado e analisado do ano, “Boi Neon”, de Gabriel Mascaro, e “Big Jato”, de Cláudio Assis.

Mais destaques: “Para minha Amada Morta”, que chega do Paraná, é denso drama dirigido por Aly Muritiba, escorado em boa trinca de atores (Fernando Alves Pinto, num de seus melhores papéis, Lourinelson Santos e Mayana Neiva). O outro é paulistano: “Ausência”, de Chico Teixeira, com o ótimo Irandhir Santos contracenando com o jovem Matheus Fagundes, a intensa Gilda Nomacce e a chilena Francisca Gavilan, a “Violeta Parra” de Andres Wood.

Do Rio Grande do Sul, chegam dois filmes que merecem ser vistos (ou revistos): o ousado “Ponto Zero”, de José Pedro Goulart, e “Beira-Mar”, da dupla Filipe Matzembacher e Márcio Reolon, um criativo e surpreendente registro de relação homoafetiva.

“O Silêncio do Céu”, de Marco Dutra, thriller psicológico com elenco de alta qualidade, chega como exemplo do quão produtivas podem ser as parcerias latino-americanas. Neste caso, o Brasil somou forças com a Argentina (pátria do autor do livro que deu origem ao filme e de seu protagonista, o ótimo Leonardo Sbaraglia) e com o Uruguai.

“Nise, no Coração da Loucura”, de Roberto Berliner, registra, com sóbrio trabalho de Glória Pires, o trabalho da psiquiatra Nise da Silveira (1905-1999). Vale lembrar, neste filme, o trabalho de elenco de peso desempenhando tarefa desafiadora: convencer como pacientes do Hospital Psiquiátrico Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro.

Cine Mulher

O cinema feminino fez jus, na seleção deste ano, a espaço especial. Afinal, vivemos momento em que realizadoras como Helena Ignez (“Ralé”), Anna Muylaert (“Mãe Só Há Uma”), Tata Amaral (“Trago Comigo”), Sandra Kogut (“Campo Grande”) e Marina Person (“Califórnia”) sequenciaram, com brilho, suas trajetórias como diretoras. E jovens como a carioca Anita da Silveira (sobrinha-neta da Doutora Nise), a paulistana Vera Egito (“Amores Urbanos”) e catarinense Márcia Paraíso (“Lua em Sagitário”) estrearam no longa-metragem. Anita chamou atenção com o belo e enigmático “Mate-Me, Por Favor”, difusamente inspirado no assassinato da atriz Daniela Perez, filha da teledramaturga Glória Perez. Vera e Márcia surgem como promessas nas quais devemos prestar atenção.

No terreno da comédia, buscamos propostas mais arejadas. Aquelas que não se limitam unicamente a imitar produtos televisivos, fazer “mais do mesmo” ou a apelar para a escatologia. Filmes como “O Shaolin do Sertão”, do cearense Halder Gomes, e “O Roubo da Taça”, do carioca Caíto Ortiz, somam-se a dois longas (“Entre Idas e Vindas”, de José Eduardo Belmonte, e “Um Namorado para Mulher”, de Júlia Rezende) protagonizados pela “rainha da comédia blockbuster brasileira”, Ingrid Guimarães. Ingrid, parceira e amiga dos “reis da comédia de grandes bilheterias” (Paulo Gustavo e Leandro Hassum), abraçou campanha de sensibilização dos camaradas cômicos para que, como ela, diversifiquem seus trabalhos cinematográficos. Resta saber se eles lhe darão ouvidos.

No terreno da comédia romântica, escolhemos um filme muito especial: “De Onde Eu te Vejo”, de Luiz Villaça, protagonizado por Denise Fraga e Domingos Montagner. Além de delicado, o longa traz visível paixão pela geografia física (e humana) de São Paulo. E nos permite (junto com “Um Namorado para Mulher” e o drama “Vidas Partidas”) três reencontros com o ator e palhaço Domingos Montagner. Ele nos deixou em setembro último, tragicamente levado pelas águas do Rio São Francisco.

No campo do documentário, muitos títulos foram selecionados. Começamos pelo fascinante “Chico, Artista Brasileiro”, de Miguel Faria Jr, que reencontra o compositor, dramaturgo e prosador Chico Buarque de Hollanda, quase trinta anos depois de “ Outras Conversas”, do argentino-brasileiro Maurício Beru. E prosseguimos com “Menino 23, Infâncias Perdidas no Brasil”, de Belisário Franca, “82 Minutos”, de Nelson Hoineff (sobre um desfile da Portela), “Do Pó da Terra”, de Maurício Nahas (sobre a arte popular do Vale do Jequitinhonha), “Cidade de Deus – Dez Anos Depois”, de Cavi Borges Luciano Vidigal, “O Último Poema”, sobre fã epistolar de Carlos Drummond de Andrade, e “5X Chico – O Velho e sua Gente”, filme que navega pelas águas do Rio São Francisco. No ano do Centenário do Samba, vale conferir “Samba e Jazz”, de Jefferson Mello, que busca aproximações entre o jazz de New Orleans e o o samba do Rio de Janeiro.

E, ainda no campo do documentário, há que se destacar a emergência, cada vez mais significativa, de filmes sobre futebol. Este ano, destacamos “1976, o Ano da Invasão Corinthiana”, de Ricardo Aidar e Alexandre Boechat, “Miller e Fried – As Origens do País do Futebol”, de Luiz Ferraz, e o delicioso (e imperdível) “Geraldinos”, de Pedro Asbeg e Renato Martins.

Nossa produção infanto-juvenil continua reduzida. Mas escolhemos um filme que merece ser visto: “O Escaravelho do Diabo”, adaptação de livro de Lúcia Machado de Almeida, realizada por Carlo Milani , com produção de Sara Silveira.

Indicada para o Emmy Kids Internacional 2016, a animação SOS Fada Manu ganha uma janela de exibição na TV aberta a partir de dezembro. A TV Brasil pré-estreia o desenho nesta sexta-feira (2/12), às 15h30. A partir de segunda (5/12), a produção será exibida de segunda a sexta, às 11h30 e às 15h15, e aos sábados, às 11h.

Coprodução realizada pela emissora pública em parceria com Gloob, Boutique Filmes e Lightstar Studios, a série conta as aventuras de Manu, uma menina de 10 anos, aprendiz de fada madrinha. A personagem tenta resolver os problemas dos habitantes de seu reino usando um guarda-chuva como varinha mágica.

Voltado para crianças na faixa etária de 6 a 9 anos, o desenho tem 26 episódios de 11 minutos. A animação mostra o processo de aprendizado de Manu, que busca conquistar seus poderes para se tornar uma autêntica fada madrinha. Em cada edição, o que já foi visto nos contos de fadas ressurge das formas mais inesperadas possíveis.

No mundo encantado de SOS Fada Manu são feitas releituras de clássicos das histórias infantis: Cinderela tem um pé gigantesco e não consegue calçar o sapatinho de cristal; Rapunzel é uma princesa negra com dreads no cabelo; o filho do lobo mau sofre na mão dos três porquinhos; e o gigante do pé de feijão tem uma gansa que põe ovos de chocolate.

SOS Fada Manu é a segunda produção infantil exibida na TV Brasil que foi indicada ao Emmy Kids Internacional de 2016. O canal apresenta na faixa da Hora da Criança, de segunda a sábado, o “O Show da Luna!”, outro desenho que concorre ao prêmio.

 

Durante os debates que movimentaram a Assembleia Constituinte de 1988, um jovem índio subiu à tribuna e, ao invés de recorrer a discurso verbal sobre as dificuldades vividas por seu povo, preferiu fazer uma performance. Passou grossas camadas de tinta de jenipapo sobre seu rosto. 28 anos depois, estas imagens – do índio Ailton Krenak, hoje com 63 anos – voltam a causar funda emoção, pois ganharam nova vitrine: o épico indígena “Martírio”. Disponíveis no Youtube, elas podem ser acessadas por quem assim o desejar. E quem quiser saber mais sobre a trajetória de Ailton Krenak verá, em breve, um documentário inteiro dedicado a ele – “Ailton Krenak, o Sonho da Pedra”. O cineasta carioca Marco Altberg realiza, para o Canal Curta!, filme que mostra a trajetória do líder indígena, um dos maiores propagadores das causas dos povos originários. Altberg assinou, com Ailton, a série “Taru Andé – O Encontro do Céu com a Terra”, exibido no canal Futura, em 2006, e vencedora do prêmio de melhor série ambiental no FICA Goiás. O realizador carioca iniciou-se na produção de conteúdos audiovisuais de temática indígena em 1974, com o curta “Noel Nutels”. Para ele, “enquanto o Brasil não se conciliar no respeito e reconhecimento à nossa ancestralidade, essa sombra ficará estacionada sobre nossas cabeças”.