Há uma espécie de comédia que se constrói a partir da ingenuidade do protagonista, em uma tentativa de recusa à modernidade da qual o francês Jacques Tati é o grande mestre. Veit Helmer em “De Quem É o Sutiã?” bebe dessa fonte ao criar uma fantasia contemporânea, que funciona muito bem enquanto se limita ao absurdo. Porém, ela constantemente se perde devido à abordagem datada do filme.

A trama acompanha Nurlan, um maquinista que comanda um trem todos os dias entre a zona rural do Azerbaijão e a capital do país, Baku. Pela cidade, há tão pouco espaço que os moradores penduram seus varais por cima dos trilhos da ferrovia. Durante um desses passeios, um sutiã azul fica preso no trem. Depois de seu último dia no ofício, decide se mudar para Baku para encontrar a dona da peça de roupa e, quem sabe, o amor da sua vida.

Precisando lidar com a aposentadoria e uma aparente crise de meia-idade, Nurlan é um homem solitário, condição reforçada pelo diretor tanto através do vilarejo isolado onde vive, quanto pela opção de criar um filme sem falas. Embora existam diversos sons para quebrar uma possível monotonia (do barulho do trem aos ruídos da cidade), a ausência de diálogos se mostra opressora, como se não houvesse nada para ser dito, mesmo quando as personagens precisam falar.

Por outro lado, é dessa escolha narrativa que surge o melhor do humor: o silêncio constrangedor, o uso da comédia física (mesmo que sempre discreta), o olhar relativamente exagerado ou o abaixar de ombros para demonstrar alguma insatisfação. Os recursos são pouco utilizados, principalmente para um gênero que depende tanto da oralidade, mas que se prova acertado na maioria dos casos. Apesar disso, são nos momentos de falha da comédia que o filme se mostra mais antiquado.

Se o personagem começa sua aventura para encontrar um novo objetivo de vida — ele não tem mais seu emprego, não pode casar com a mulher que ama no seu vilarejo e nem pode aproveitar a aposentadoria pescando —, com o passar do tempo ela se torna uma obsessão irracional. Mesmo com a tentativa de purificá-lo de qualquer sinal de malícia, não é possível não ver as mulheres que ele visita como um objetivo a ser alcançado. Ele não as deseja, nem quando algumas tentam seduzi-lo. Afinal, para ele só interessa aquela em que o sutiã sirva perfeitamente.

A escolha poderia funcionar, mas Veit Helmer segue por caminhos óbvios e superficiais. Assim, quando o sujeito decide invadir o quarto de uma mulher durante a noite para descobrir se a vestimenta pertenceria a ela, a cena logo passa do cômico ao doentio. Mesmo para um filme que se beneficia de uma narrativa fantástica, que estabelece suas próprias regras, as escolhas aqui não se justificam. Pior ainda é no momento que se percebe que os absurdos cometidos por Nurlan só são impedidos pelos maridos, que tratam suas esposas como mais uma de suas posses.

Mesmo buscando um estilo de narração interessante, o cineasta passa longe de atingir um bom resultado. Seu projeto possui indiscutíveis méritos, entre eles uma trilha sonora que ajuda a compor as cenas sem fala e uma fotografia que prioriza uma paleta menos saturada, estabelecendo um paralelo com a vida sem muitas cores do protagonista. Porém, sua fábula moderna se perde e demonstra que poderia funcionar muito melhor como um curta-metragem, evitando assim sequências que pouco acrescentam no desenvolvimento da trama ou das personagens.

“De Quem É o Sutiã?” pode ser visto como uma espécie de Cinderela contemporânea, em que um homem procura pela mulher com o par de seios perfeitos. Se com a abordagem adequada, essa história conseguiria se enveredar por divertidos caminhos, aqui ela se perde ao ignorar a objetificação da mulher. Nurlan também é um protagonista complicado, que tem sua obsessão idealizada (quase romantizada), causando a impressão de que tudo passa a ser aceitável, graças à sua ingenuidade — ninguém duvida que ele seja uma pessoa boa, portanto, como condená-lo? Uma interpretação perigosa, principalmente considerando a premissa do filme. 

Muitas obras retratam diferentes futuros distópicos para a humanidade: apocalipse zumbi, corporativismo exacerbado, controle tecnológico. Variadas situações mostram o fim da realidade como a conhecemos e os seres humanos sempre em uma batalha pela sobrevivência. É nesse sentido que a plataforma de streaming AppleTV+ nos traz uma nova visão (piada intencional) sobre o que aconteceria com a raça humana.

Criado por Steven Knight, o mesmo de “Peaky Blinders”, “See” traz um universo até então original. No século XXI, um vírus mortal reduziu a população mundial a menos de dois milhões de pessoas. Aqueles que sobreviveram e também seus descendentes, no entanto, perderam totalmente a capacidade de enxergar. O tempo passou e foi preciso se adaptar à vida na escuridão. A visão virou um mito, um tabu. Falar sobre ela se tornou uma heresia, algo banido dos pensamentos sociais. E assim seguiu-se em frente, reestruturando-se em uma sociedade com características tribais e uma forte ligação com a natureza. Uma comunidade de cegos.

Sem a habilidade de ver, desenvolveram um pouco mais os outros sentidos. Surgem em alguns indivíduos capacidades como sentir o cheiro de algo a quilômetros de distância, distinguir um barulho específico, ou até mesmo pressentir a emoção do outro (possivelmente a partir de alteração química ou hormonal). Essas novas aptidões auxiliam na caça, coleta de recursos e, principalmente, na defesa de cada grupo.

Somos apresentados a tribo dos alkenianos, liderados pelo destemido Baba Voss, magistralmente interpretado por Jason Momoa. Eles, logo, percebem sua paz acabar com dois acontecimentos simultâneos: a chegada de um exército de caçadores de bruxas e o nascimento de duas crianças gêmeas sem a cegueira daquela distopia.

A série e suas críticas

A série aborda temas bem controversos, como política e religião. Acredita-se que Deus teria retirado o dom da visão como modo de proteger o planeta de ações degradantes, sendo possível a proteção da natureza sem a extinção dos seres humanos. Um novo panteão de deuses surge, guiando a sociedade com suas vozes e suas canções baseando-se naquilo que se ouve e sente, mas não se é capaz de compreender. O sol é chamado de Deus-chama, uma vez que não conseguem contemplá-lo, apenas senti-lo. A presença de uma monarquia supostamente escolhida pelas próprias divindades faz uma ligação entre religião e política, remetendo à Idade Média. A rainha Kane, que ganha vida na brilhante atuação de Sylvia Hoeks, comunica-se com os deuses (vale notar, de uma forma incrivelmente polêmica) a fim de obter conselhos e iluminação para reinar de uma maneira que acredita ser próspera e eficaz.

Um dos assuntos mais aprofundados, sem sombra de dúvidas, é o preconceito. No formato de alegoria, a série nos demonstra como tememos o desconhecido e sentimos dificuldade em aceitar a diversidade. Raça, etnia, nada disso importa quando ninguém é capaz de ver o seu próximo. No entanto, resta justamente nessa capacidade de enxergar a divisão entre as pessoas na produção. É possível observar uma espécie de mito da caverna de Platão. Um grupo de indivíduos vive no escuro e se sente ameaçado quando surge alguém capaz de avistar o mundo real e como as coisas realmente são. Tal como na mitologia, a sociedade abomina e recrimina essa nova habilidade, temendo aquilo que são impossibilitados de conceber. Passam, então, a caçar o “herege”, na tentativa de manter tudo como está. Nesse ponto, observamos o crescimento dos gêmeos Kofun (Archie Madekwe) e Haniwa (Nesta Cooper) precisando agir como os demais, mas vivendo em uma espécie de “escuridão iluminada” para que ninguém descubra serem diferentes.

Outro tema de grande força no decorrer da série é o poder, seja de um monarca, de um guerreiro, até mesmo o da visão. Apesar de todas as atribulações passadas ao longo dos séculos que se seguiram à sua quase dizimação, de todas as barreiras que precisara superar e de toda a adaptação que se submeteu para continuar, a população na sua essência, continua a mesma. Podemos observar as diversificadas perspectivas sobre a autoridade e o que ela representa. A partir daí, o conflito entre os distintos tipos de poderes é o que move a trama. Afinal de contas, em terra de cego, o que resta a alguém que enxerga?

Mas vale a pena assistir?

Inicialmente com uma promessa de originalidade, “See” traz um novo panorama para uma representação batida da humanidade. Assim como diversas obras com diversos panos de fundo, a série nos mostra a possibilidade dos seres humanos serem mesquinhos, gananciosos e avessos às diferenças.

As personagens de Jason Momoa e Sylvia Hoeks são, de longe, as mais intrigantes. Enquanto Baba Voss age como um animal sorrateiro, movendo-se em silêncio e agindo com cautela, a rainha Kane possui um jeito esnobe e bastante teatral. As interpretações de Archie Madekwe e Nesta Cooper são muito boas, e, embora sejam gêmeos, possuem personalidades opostas, com visões de mundo completamente diferentes. Ainda temos as atuações de Alfre Woodard como Paris, uma sábia conselheira, e Hera Hilmar como Maghra, a firme e protetora mãe dos jovens. A eles se juntam Joshua Henry como Jerlamarel, o enigmático e poderoso homem que vê, e Christian Camargo como Tamacti Jun, o fiel e decidido caçador de bruxas.

A história gira em torno da busca dos gêmeos pela iluminação, ao mesmo tempo que fogem do caçador de bruxas. Enquanto isso, a rainha se vê numa complicada situação com seus súditos. Embora a trama acabe por trilhar caminhos já percorridos pelo espectador, ela demonstra ter uma perspectiva inédita de uma situação já conhecida. Um mesmo tempero, com um toque diferenciado.

Depois que um vídeo Deepfake mostrou Tom Holland como Marty McFly em ‘De Volta para o Futuro, o astro revelou que já surgiram propostas para ele possa estrelar um futuro remake.

Durante uma entrevista para a BBC Radio, Holland falou sobre o assunto e disse que ninguém poderia repetir o sucesso do aclamado filme de Robert Zemeckis.

“Eu estaria mentindo se dissesse a você que não me convidaram para falar sobre um remake, mas esse é um dos filmes mais perfeitos da história do cinema. Acho que ninguém poderia fazer melhor, sabe? Zemeckis é um gênio. Mas se [Robert] Downey Jr. quisesse gravar uma cena comigo só por diversão… Quem sabe? Ele poderia até pagar meu cachê porque ele tem toneladas de dinheiro. Por enquanto, os fãs vão ficar só com aquele vídeo Deepfake, fizeram um ótimo trabalho.”

Assista ao vídeo:

Em 2015, Zemeckis foi questionado pelo Telegraph sobre a possibilidade de um remake e disse que não deixará ninguém tocar em sua obra enquanto ele estiver vivo, então a ideia está fora de cogitação.

Aproveite para assistir:

Considerada um marco do cinema, a trilogia ‘De Volta para o Futuro‘ permanece sendo aclamada por milhões de fãs e críticos especializados.

Ao total, os filmes conseguiram faturar US$ 965,8 milhões nas bilheterias mundiais.

Lembrando que Holland também vai estrelar a adaptação de ‘Uncharted, prevista para março de 2021.

Em uma recente entrevista a IGN, o astro revelou alguns detalhes sobre a conturbada produção, que já foi adiada várias vezes desde que foi anunciada em 2010.

“Começaremos a filmar em quatro semanas. Mark Wahlberg será incrível como Sully. O departamento de acrobacias que temos em Berlim já fez um trabalho incrível, preparando as cenas, será emocionante.”

Segundo Holland, o filme será baseado no quarto jogo da série, A Thief’s End.

“Se eu for honesto, um dos meus videogames favoritos de todos os tempos é o quarto jogo de Uncharted … Inacreditável. E muita inspiração do filme veio desse jogo em particular. Foi interessante quando me sentei com [Tom Rothman, presidente da Sony Pictures] e estávamos conversando sobre videogames, e eu fiquei tipo ‘Ah, acabei de terminar o Uncharted’. E ele ficou tipo ‘Bem, por que você não interpreta Nathan Drake?’ Lembro-me de dizer: ‘Eu faria qualquer coisa para interpretar Nathan Drake. Por favor, isso seria incrível. “, finalizou.

Ruben Fleischer (Zumbilândia, Venom) continua cotado para dirigir o projeto.

Mark WahlbergAnsel Elgort ainda fazem parte do elenco ao lado de Tom Holland como o protagonista.

O roteiro foi escrito por Jonathan Rosenberg e Mark Walker.

O jogo acompanha as aventuras de Nathan Drake (Holland), um caçador de tesouros que viaja ao redor do mundo para descobrir mistérios históricos. Porém, a adaptação não deve seguir nenhuma história mostrada nos games da Naughty Dog.

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Durante uma entrevista para o Associated Press, o diretor Gavin O’Connor revelou que Ben Affleck teve um colapso nervoso durante as gravações de ‘The Way Back‘, seu novo filme.

O cineasta disse que Affleck teve uma crise logo depois de filmar a cena na qual seu personagem tenta se reconciliar com a esposa recém-divorciada.

“Provavelmente foi no segundo take, e Ben acabou entrando em um colapso. Me arrepio só de lembrar, foi como se uma represa estivesse transbordando e encharcando tudo em sua frente. Só me lembro das expressões do pessoal da equipe, todo mundo ficou congelado, encarando-o enquanto ele entregava corpo e alma na gravação. Era real para ele, sem dúvidas. Acho que ele viveu naquele momento muitas coisas que ele provavelmente tinha a dizer em sua própria vida, ou talvez que ele tivesse dito, eu não sei.”, disse O’Connor.

O diretor se refere ao conturbado divórcio entre Affleck e a atriz Jennifer Garner, que fez o astro se entregar ao vício em bebidas alcoólicas.

“Bebi de uma maneira que considerava normal por muito tempo, mas comecei a beber sem controle quando meu casamento estava se deteriorando. Isso foi em 2015, 2016… Depois disso, só doi piorando.”, admitiu Affleck durante entrevista para o The New York Times.

Em ‘The Way Back‘, Affleck interpreta Jack Cunningham, que já teve uma vida cheia de promessas. No colégio, ele era um fenômeno do basquete e tinha uma bolsa de estudos garantida para a faculdade. Entretanto, por razões desconhecidas, ele se afastou do esporte e comprometeu seu futuro. Agora, anos depois, Jack está em uma espiral depressiva, engatilhado por uma perda inenarrável e mergulhando ao alcoolismo – custando-lhe o casamento e qualquer esperança para uma vida melhor.

O longa estreia nos cinemas nacionais em 06 de março.

Assista ao trailer:

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Quando questionado se deseja retornar para suas raízes e se tornar técnico do time de basquete de sua antiga escola (que já viu dias melhores), ele relutantemente aceita. Jack, então, pode ter finalmente encontrado uma razão para confrontar os demônios que o destruíram.

Janina GavankarMichaela Watkins completam o elenco.

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Em seu perfil do Twitter, os irmãos Joe e Anthony Russo publicaram um divertido trecho do próximo episódio de ‘Os Simpsons‘, no qual eles farão uma participação especial.

No episódio, Bart arruma um jeito de assistir ao filme mais recente dos Vindicantes (referência aos ‘Vingadores‘), antes da estreia nos cinemas, e passa a usar os spoilers da adaptação para chantagear qualquer um que cruza seu caminho.

No vídeo, os cineastas confrontam Lisa e mostram à menina que o fracasso do filme causaria diversos impactos negativos na economia mundial.

Confira:

“Nossos filhos cresceram assistindo ‘Os Simpsons‘ e, sinceramente, nós também. Que processo incrivelmente surreal é gravar e ainda mais nos ver neste mundo sensacional. Assistam às 20h deste domingo na Fox. Temos que salvar os fazendeiros de pipoca do mundo.”

Aproveite para assistir:

O episódio será exibido neste domingo nos EUA e também vai contar com a presença de Kevin Feige, diretor criativo da Marvel, e Colbie Smulders, intérprete da agente Maria Hill no MCU.

Assista nossa crítica de ‘Vingadores: Ultimato‘:

Após os eventos devastadores de ‘Vingadores: Guerra Infinita‘, o Universo entrou em destruição por causa do Estalar de Dedos do Thanos, o Titã Louco. Com a ajuda dos heróis sobreviventes, os Vingadores devem se reunir mais uma vez para desfazer as ações de Thanos e restaurar a ordem do universo de uma vez por todas, não importa quais serão as consequências que os aguardam.

O elenco grandioso conta com Robert Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Don Cheadle, Paul Rudd, Brie Larson, Karen Gillan, Danai Gurira, Bradley Cooper e Josh Brolin, entre outros.

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