Sem nutrientes, um lanche rápido e gostoso

Nem é preciso mais ser dito a esta altura que a franquia Velozes e Furiosos é fast food para o cérebro. Então, se você é do tipo que gosta de comer saudável e valoriza exclusivamente alimentos nutritivos, já sabe que deve passar bem longe desta “rede de lanchonetes”. Não, este não é o filme para você. No entanto, se você gosta de saborear um cheeseburger bem gorduroso, com camadas de bacon e quer saber o quão suculento realmente é este prato, te digo abaixo.

Primeiro derivado da franquia que começou com uma trama sobre rachas de carro pelas ruas de Los Angeles (e que sem vergonha alguma reciclou o roteiro de Caçadores de Emoção, 1991, viveu para gerar (inacreditáveis) sete continuações e se tornar uma verdadeira potência do cinema – atualmente é uma das marcas mais rentáveis de Hollywood, com mais de US$5 bilhões em caixa para os cofres da Universal. São números que não podem ser ignorados e praticamente equiparados. Ou seja, Hobbs Shaw precisa se manter à altura de sua contraparte.

Apostando em dois personagens que entraram neste universo aos 45 do segundo tempo – e por isso mesmo são os mais “desligáveis” do resto -, o novo Velozes e Furiosos (que já deixou de ser apenas sobre a cultura de carros há muito tempo) segue de perto a cartilha do que tem se mostrado eficiente nestas produções: ação desenfreada e cada vez mais cartunesca, lutas, coreografias, explosões, destruição, locações de cair o queixo ao redor do globo, vilões saídos diretamente de HQs e uma ameaça cataclísmica – esta saída diretamente de um filme de James Bond.

Na história, o policial Luke Hobbs (Dwayne ‘The Rock’ Johnson) e o agente renegado Deckard Shaw (Jason Statham) precisam se unir à contragosto para uma missão: recuperar um vírus capaz de dizimar a humanidade, e derrotar o criminoso Brixton (Idris Elba), outro espião britânico que trocou de lado. O sujeito trabalha inclusive para uma organização nos moldes da SPECTRE – para quem é familiarizado com a mitologia de 007. No caminho, entre uma participação especial de um astro amigo do diretor (David Leitch) aqui, e uma ponta de um amigo e colaborador em dois filmes do protagonista ali; Hobbs Shaw fala de… família. E o que mais? Esse vem sendo o tema e o lema dos filmes da franquia e o derivado não se afasta desta ligação.

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Sim, já que o mote é família, temos a volta da Dama Helen Mirren como Queenie, a mãe de Shaw. Mas não apenas isso, uma das personagens centrais (a terceira eu diria, depois dos protagonistas) é Hattie (Vanessa Kirby), a irmã do ex-vilão. Mas os elos familiares não recaem só para um, e neste episódio, a filha de Hobbs, Sam (Eliana Sua), deseja saber mais sobre seus familiares. Assim, no terceiro ato, Hobbs leva a briga até sua família na ilha de Samoa, onde é forçado a fazer às pazes com o irmão (interpretado por Cliff Curtis, num papel planejado para Jason Momoa, que precisou recusar por motivos de agenda).

Pois bem, Hobbs Shaw é exatamente o que você espera dele, e isto é também seu calcanhar de Aquiles. É um blockbuster sem surpresas e por vezes (muitas vezes) genérico. Uma trama reciclada e sem muita personalidade, extraída do mais B dos filmes de espionagem galhofa e injetada com os anabolizantes de Dwayne Johnson, que também produz o longa oficializado pelo sindicato dos produtores americanos, através de sua companhia, a Seven Bucks. O vilão de Idris Elba – geralmente um ator acima da média – é sem graça, e ele não se mostra muito interessado em ser qualquer coisa além da figura robótica escrita nas páginas (o sujeito é literalmente um ciborgue, mostrando que o longa jogou pro alto qualquer vestígio de seriedade).

E adivinhe o que vende e funciona? Acertou, o carisma de The Rock e Statham, e as inúmeras picuinhas entre os dois, que garantem muitas tiradas cômicas e trocas de testosterona digna das conversas de vestiário. Esta tal química está afiadíssima! Ah sim, no terreno das surpresas, o filme mostra que a loirinha Vanessa Kirby, que já havia sido vista, sem o mesmo barulho, em Missão: Impossível – Efeito Fallout (2018), está pronta para ser uma estrela. Sua presença em cena se equivale à dos grandalhões e ela chega junto no quesito carisma e atitude. Mesma sorte não tem a graciosa Eiza González (Em Ritmo de Fuga, 2017), que amarga “três frases” em apenas uma cena. É piscou, perdeu.

Hobbs Shaw acerta aonde tinha que acertar e por isso não decepciona. Fica apenas o desejo de que para a continuação tentem escrever um roteiro para o filme. Afinal, nenhum cheeseburger sai prejudicado quando acompanhado de uma salada.

Em entrevista ao site Entertainment Weekly, o showrunner de The BoysEric Kripke falou sobre qual será o foco da próxima temporada.

Cuidado: spoilers à frente.

“Uma vez que nos vemos frente a frente com o gancho da primeira temporada, sabemos que isso fará parte do próximo ciclo”, ele declarou. “Eu sempre tento escrever o season finale como um piloto para a nova iteração, e fazer questão de que, qualquer que seja o tema do último episódio, apareça depois”.

“Agora, as pessoas estão assustadas de ir para a fronteira e todos estão sentindo que terão que ir para a guerra. Do nada, o mundo é muito mais intenso que antes – e esta será a 2ª temporada”, Kripke acrescentou.

A produção faz uma sátira do universo de super-heróis, mostrando um lado menos honroso e mais corrupto deles.

Aproveite para assistir:

Crítica | The Boys – Série violenta de super-heróis que parodia Liga da Justiça

Assista ao trailer:

Criada por Evan GoldbergEric Kripke e Rogen, a série é baseada nos quadrinhos homônimos lançados em 2006.

A trama se passa em um mundo onde os super-heróis abraçaram o lado negro de suas famas, e irá focar em um grupo de vigilantes conhecido como “Os Garotos”, que são mandados para derrotar super-heróis corruptos com não mais do que coragem e disposição para lutar sujo.

O elenco inclui Karl Urban, Karen Fukuhara, Erin Moriarty, Antony Starr, Dominique McElligott, Chace Crawford e Nathan Mitchell.