Uma das grandes vantagens de um road movie é a possibilidade de oferecer ao espectador uma boa história, repleta de camadas e, em meio às belas paisagens (e músicas folks), encabeçar o drama para edificar ou fazer refletir. Desta forma, as estradas se tornam fio de meada; as paradas, o momento para refletir; e os três atos do filme, mais significativos, como um livro dividido em capítulos. Neste “A Rota Selvagem“, não é diferente.

Porém, é justamente dentro de um road movie que o protagonista tem a possibilidade de se desviar, literalmente, do caminho para perceber que o seu objetivo não precisa ser, necessariamente, o mesmo do começo ao fim. Em “A Rota Selvagem”, Charley (Charlie Plummer, “Todo o Dinheiro do Mundo”) é um jovem de quinze anos sofrendo pela falta de sua mãe em cada minuto de seu dia. Convivendo com seu pai (Travis Fimmel, “Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos”), Charley parte em busca de algo mais em sua vida, de uma atividade somatória às suas corridas matinais. É, então, que ele consegue a vaga de ajudante de um experiente e fracassado homem (Steve Buscemi, “Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas”), que cria cavalos para colocá-los em corridas pelas mais diversas cidades do interior dos Estados Unidos.

Com o passar das corridas e com a experiência adquirida, Charley enfrenta uma tragédia pessoal que o leva a se dedicar especificamente em sua nova atividade. Mas é justamente a sua paixão pelo cavalo azarão Lean on Pete, (título original deste longa-metragem), que o leva a enfrentar adversidades em busca de sua própria verdade, procurando significado para a sua vida, vazia desde o seu abandono pela sua mãe, ainda bebê.

Em meio às paisagens interioranas dos Estados Unidos, a bela trilha sonora de James Edward Barker, que brinca entre melodias folk e de pura melancolia, este “A Rota Selvagem” nos apresenta a mais um drama sobre o relacionamento de um jovem com seu adorado cavalo, culminando em diversos sentimentos bloqueados em seu dia a dia passando-os para o animal, criando um vínculo especial e significativo com ele. E é assim que o filme faz o espectador acreditar em seus dois primeiros atos. Mudando a forma de enxergá-lo a partir do momento onde deveria simplesmente concluir a história, mas, aqui, revelando o verdadeiro significado do filme, em um pequeno plot twist que transforma verdadeiramente a vida do garoto, fazendo-o conhecer a si mesmo de maneira intensa e inesperada.

Isso porque, em todo o decorrer da história, Charley passa por aquelas paradas que dão respiro aos road movies, criando, no espectador, o respiro da carga lenta que acometia o filme, enquanto o relacionamento do jovem com seu animal passa a se intensificar. Mas o verdadeiro motivo chega com nome e sobrenome: Andrew Haigh (“45 Anos”), diretor e roteirista desta obra.

Para quem assistiu ao filme anterior de Haigh, “45 Anos”, sabe que a sua mão se torna significativamente pesada com o passar da história. Isso fica ainda mais visível quando há a sensação de não haver mais do que lentidão e peso melodramático, virando a mente do espectador com revelações que transformam cada passo dado por seus personagens em dramas exponenciais e prestes a explodir. Por isso, “A Rota Selvagem” é uma bela surpresa, por apresentar a ingenuidade de um protagonista, e por mostrar de maneira natural e crua como a vida o forçou a tomar certas atitudes e forçar a sua autodescoberta de maneira bastante real.

E, enquanto road movie, a fotografia de Magnus Nordenhof Jønck (“Noite de Lobos”) é competente ao estabelecer as paisagens em questão como complemento ao que o protagonista está vivendo, da mesma forma em que a câmera não exita em focar em seu rosto e desenvolver cada microexpressão em tela.

Mas de nada adiantaria se o elenco de coadjuvantes não contasse com o suporte do calibre de Buscemi como o treinador de cavalos que cuida de Charley como um filho. E também de sua amiga e corredora preferida, Bonnie (Chloë Sevigny, “Boneco de Neve”), e da furiosa aparição de Silver (Steve Zahn, “Planeta dos Macacos: A Guerra”), morador de rua que acende, em Charley, a momentânea ira que o garoto exitou em soltar.

Contudo, é sobre as costas e microexpressões de Charlie Plummer que o filme se prova como uma excelente aposta. Lidando com as diversas nuances de seu protagonista de maneira real e crível, o ator leva o espectador a querer acompanhá-lo e mostrá-lo os melhores caminhos, mesmo que ninguém os conheçam de fato. Um jovem forçado pela vida a agir de maneiras diferentes e conter sua fúria e explosão emocional enquanto mantém-se doce e, ao mesmo tempo, melancólico é compreensivelmente a única saída que ele poderia adotar.

Este é um daqueles filmes que custam a engrenar, mas, em determinado ponto, se tornam tão poderosos que a carga de seu protagonista passa automaticamente para os ombros do espectador. E aí está a força do bom road movie: mostrar que a vida tem seus caminhos belos repletos de oportunidades, mas nem sempre são o suficiente para ultrapassar as lições que a dor muitas vezes impõe.

Brasília, 2016. Uma câmera oscilante acompanha uma manifestação em frente ao Palácio do Planalto. Ela ainda está longe para capturar a personalidade que atrai tantos flashes e flores, mas ao som de uma trilha sombria pouco a pouco a pessoa se aproxima. É Dilma Rousseff, então presidente do Brasil, só que não por mais muito tempo. “Excelentíssimos” acompanha de dentro do Congresso Nacional o processo que levou ao impeachment da primeira mulher eleita dirigente do país. Como sucessor espiritual de “Jango” de Silvio Tendler, o documentário tenta explicar como, quando e por que se derruba um presidente.

Pelo plano original, Douglas Duarte (“Personal Che”) deveria se instalar na capital com sua equipe para documentar o dia a dia dos parlamentares e montar um retrato cinematográfico do Congresso, mas o projeto foi replanejado tão logo a Câmara aprovou a abertura do processo de impeachment contra Dilma. No documentário, o diretor registra as articulações dos deputados federais buscando a imparcialidade do cinema direto (também conhecido como “cinema-verdade”), porém, não resiste em incluir trilha, narração e entrevistas à obra para ressaltar sua visão sobre os eventos testemunhados. Julgamentos à parte sobre se a representante do Partido dos Trabalhadores merecia ou não a cassação, é difícil se manter neutro em relação às bravatas dos integrantes da oposição.

Para efeito didático, o filme se divide em capítulos e começa dois anos antes pelo rescaldo das eleições presidenciais de 2014 e início da Operação Lava Jato da Polícia Federal. O PT de Dilma havia acabado de ganhar do PSDB de Aécio Neves por somente 3% de diferença nos votos. Políticos insatisfeitos com o resultado das urnas buscavam alternativas legais para tirar o PT do poder e a ideia de impeachment como “bomba atômica” é plantada. Ao descrever a questionável rota da aprovação do pedido pela cassação de Dilma no Congresso, o diretor de “Excelentíssimos” deixa escapar sua posição ao ironizar, por exemplo, o temperamento explosivo da autora, Janaina Paschoal, e o fato de que a solicitação foi deferida pelo em breve condenado por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, Eduardo Cunha. O então PMDB do vice de Dilma, Michel Temer, se inclina ao PSDB para fortalecer a voz de oposição e a célebre frase “não vai ter golpe” aterrissa em Brasília.

Buscando equilíbrio, Duarte também alfineta o PT pelo teor das famosas conversas vazadas entre Dilma e o ex-presidente Lula. Enquanto ela buscava o apoio do companheiro de partido para tentar frear a conspiração em andamento no legislativo, ele parecia mais preocupado com a “República de Curitiba” do juiz Sérgio Moro que o investigava por corrupção passiva. Convenientemente para todos, a posse de Lula como ministro da Casa Civil com direito a foro privilegiado é arranjada, e os áudios das conversas são publicados inflamando a opinião pública e a resposta de ativistas. Numa espécie de premonição do futuro, Lula se despede de Dilma por telefone: “Tchau, querida”.

Uma vez resolvida a necessidade de explicar o contexto, Duarte abandona o design dos capítulos e revela a razão pela qual “Excelentíssimos” existe. Sua câmera testemunha momentos dos parlamentares que as câmeras de TV não capturam. Acompanhamos deputados bradando hinos antipetistas pelos corredores exatamente como torcedores de futebol fariam num estádio. Vemos como os discursos de defesa são ignorados e até mesmo calados na Câmara. Presenciamos um culto íntimo da bancada evangélica e como deputados usam uma CPI para desmoralizar, humilhar e ameaçar com brutalidade um líder trabalhista acusado de incitar violência num discurso a favor de Dilma.

Em meio ao furdunço da movimentação pró-impeachment, observamos o então deputado Jair Bolsonaro lançar pré-candidatura à presidência e outros dois personagens se destacarem no intrigante relato documental: o deputado aliado ao PT Silvio Costa, e o opositor Carlos Marun. O primeiro dizia acreditar cegamente que as chances de impeachment eram as mesmas dele se casar com a filha do presidente dos EUA. O segundo assumia sem pejo que o processo tinha caráter político, e que seriam a favor da cassação mesmo se Dilma só tivesse roubado um picolé.

Como paladinos da moral armados com canhões de confetes, os deputados votam na inacreditável sessão definitiva entre “sins” e “nãos” pela família, por coronéis torturadores e pelo Brasil. Na dividida Esplanada dos Ministérios, enquanto metade do povo chorava incrédula, a outra metade satisfeita cantava o hino nacional. “Excelentíssimos” mantém centralidade e emociona, não pelo resultado político, mas pelo retrato histórico que serve ao país.

O canal oficial da Focus Features no YouTube divulgou o novo trailer de “On The Basis Of Sex”, cinebiografia da jurista americana Ruth Bader Ginsburg, a primeira mulher a tomar posse como magistrada da Suprema Corte dos Estados Unidos. O vídeo dá detalhes de situações machistas que Ginsburg, interpretada por Felicity Jones (“Rogue One: Uma História Star Wars“), enfrentou em sua carreira jurídica até conquistar o respeito de seus pares para lutar pela igualdade de gênero.

“On The Basis Of Sex” mostrará como Ginsburg (Jones) conseguiu emplacar o primeiro caso de discriminação baseada em gênero perante à Suprema Corte americana, numa época em que ainda não havia a discussão sobre equidade entre homens e mulheres no ambiente jurídico, ou na sociedade.

A direção é de Mimi Leder (da série “The Leftovers“), com roteiro do estreante Daniel Stiepleman. Além de Jones, o elenco conta ainda com Armie Hammer (“Me Chame Pelo Seu Nome“), Kathy Bates (“A Chefa“), Justin Theroux (“Mudo“), Sam Waterston (“Armas na Mesa“) e Stephen Root (“Alma da Festa“).

O filme tem estreia prevista para o dia 25 de dezembro deste ano, coincidindo com o 25º aniversário da indicação de Ginsburg à Suprema Corte. Ainda não há data de lançamento confirmada no Brasil.

O ator Sam Worthington (“A Cabana”) foi confirmado como o protagonista do novo projeto do diretor Brad Anderson (da série “The Sinner”), que será produzido e lançado pela Netflix. A informação é do Deadline.

Apesar de ainda não ter título, o site divulgou que o filme se trata de um thriller e a história girará em torno do personagem de Worthington tentando manter sua sanidade e encontrando coragem para lidar com o desaparecimento de sua esposa e filha durante uma visita ao pronto-socorro de um hospital. As filmagens começarão no final de 2018.

O roteiro é de Alan B. McElroy (da série “The Vampire Diaries”). Paul Schiff (“Próxima Parada: Apocalipse”), Neal Edelstein e Mike Macari (ambos de “O Chamado 3“) são os produtores do projeto.

Apesar de não ter data oficial, foi confirmado que a Netflix distribuirá o longa em 2019.