Rosa, vivida por Maria Ribeiro, em “Como nossos Pais”, é a essência do novo filme de Laís Bodanzky. A personagem escuta logo no início uma surpreendente revelação feita por sua mãe, Clarisse (Clarisse Abujamra), que vai levá-la a questionar toda a sua vida. A partir daí, Rosa inicia uma busca pelo o que é verdadeiro, mesmo que não seja o ideal.

Com roteiro escrito pela própria Laís e por Luiz Bolognesi, “Como nossos Pais” estreou no Festival de Berlim deste ano, dentro da Mostra Panorama, arrancando elogios da crítica. A partir daí, o longa deu início à sua carreira internacional – conquistou o prêmio do público do Festival de Cinema Brasileiro de Paris e já tem lançamento agendado em vários países da Europa, além de Taiwan e da China.

Aqui no Brasil, filme acaba de ser premiado no Festival de Cinema de Gramado, conquistando os principais prêmios: Melhor Filme, Melhor Direção (Laís Bodanzky), Melhor Atriz (Maria Ribeiro), Melhor Ator (Paulo Vilhena), Melhor Atriz Coadjuvante (Clarisse Abujamra) e Melhor Montagem (Rodrigo Menecucci).

Jorge Mautner, Felipe Rocha, Sophia Valverde, Annalara Prates e Herson Capri também integram o elenco. Com produção da Gullane e da Buriti Filmes, em coprodução com a Globo Filmes, o filme chega aos cinemas brasileiros com distribuição da Imovision, em 31 de agosto.

No Intenso Agora, documentário escrito e dirigido por João Moreira Salles, que estreia dia 31 de agosto no Brasil, teve seu lançamento mundial na Berlinale 2017 – Festival Internacional de Cinema Berlim e foi considerado pela Variety como uma das dez melhores produções exibidas no evento. O filme tem montagem de Eduardo Escorel e Laís Lifschitz e pesquisa de imagem de Antonio Venâncio. A produção executiva é de Maria Carlota Bruno e a trilha sonora é de Rodrigo Leão. A VideoFilmes assina a produção e distribuição.

O longa foi exibido na prestigiosa Masters Section do Festival Internacional de Documentários de Tel Aviv (DocAviv Film Festival, 11-20 de maio), em Israel. Em abril, conquistou três prêmios no Cinéma Du Réel – Festival Internacional de Documentários, na França: melhor trilha (Rodrigo Leitão) e melhor filme pela Scam (Sociedade civil dos autores multimídia) e pelo júri das bibliotecas. João já tinha conquistado o prêmio de melhor documentário no mesmo festival com Santiago, em 2007. O documentário também foi apresentado no BAFICI – Buenos Aires Festival Internacional de Cine Independiente, e no Festival É Tudo Verdade, e foi convidado a participar de mais de 20 festivais internacionais.

No Intenso Agora é narrado em primeira pessoa e reflete sobre o que revelam quatro conjuntos de imagens da década de 1960: os registros da revolta estudantil francesa, em maio de 68; os vídeos feitos por amadores durante a invasão da Checoslováquia, em agosto do mesmo ano, quando as forças lideradas pela União Soviética puseram fim à Primavera de Praga; as filmagens do enterro de estudantes, operários e policiais mortos durante os eventos de 68 nas cidades de Paris, Lyon, Praga e Rio de Janeiro; e as cenas que uma turista – a mãe do diretor – filmou na China em 1966, ano em que se implantou no país a Grande Revolução Cultural Proletária.

O documentário busca uma reflexão sobre a natureza das imagens históricas. Quem as filma, por que as filma, como as filma? Haveria diferença entre registros realizados em regimes políticos diferentes? O que o arquivo revela de si mesmo sem que o espectador precise recorrer ao contexto histórico? Que tipo de imagem nasce do medo, do enlevo, do risco, da urgência, da alegria? A reflexão se estende ao cinema documental surgido naquele período, quando estudantes e professores trocaram a aridez teórica da sala de aula pela ação militante da rua.

A Florida Atlantic University (FAU) e o Latin American Training Center (LATC) anunciaram hoje a assinatura de um Memorando de Entendimento, criando uma relação estratégica de longo prazo para colaborar e desenvolver conjuntamente uma vasta gama de ações que visam fornecer atividades acadêmicas, políticas, de recursos, sensibilização e formação para a região latino-americana.

O projeto inicial conjunto, coordenado pela FAU e pelo LATC, está previsto para o início de 2018 e vai unir pré-estreia de um filme latino-americano com a presença do diretor; um workshop sobre aspectos empresariais, culturais e artísticos de produção de cinema e televisão na América Latina; e a inauguração de um ciclo de cinema anual com filmes brasileiros de reconhecido valor cultural, artístico e social, representantes das cinco regiões do Brasil.

O apoio para o ciclo de cinema é fornecido pela Brazil International Foundation, a Rede Brasileira de Film Commissions, a Divisão de Promoção do Audiovisual do Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e o Consulado Geral do Brasil em Miami.

O Memorando de Entendimento foi assinado por Michael J. Horswell, PhD, Diretor da Faculdade de Artes e Letras Dorothy F. Schmidt da FAU, e Steve Solot, presidente do LATC. O Diretor Horswell foi apresentado à Solot e ao LATC através de Aloysio Vasconcelos, presidente da Brazil International Foundation e membro do Conselho Consultivo Comunitário da Faculdade de Artes e Letras.

A originalidade é um valor primoroso no cinema, contudo, não é uma virtude autossuficiente, ou seja, não basta para garantir a qualidade de um filme. Em se tratando de “Bye Bye Alemanha”, o que se tem é um argumento original em uma produção completamente ordinária.

Trata-se de uma comédia dramática que se passa em Frankfurt, em 1946. Um grupo de judeus tem o objetivo comum de se mudar para os EUA, porém, cientes da necessidade de conseguir dinheiro para concretizar o intento, decidem vender lençóis e toalhas para alemães e, assim, angariar fundos – mesmo que, eventualmente, mediante histórias inventadas para comover os potenciais compradores.

Sem dúvida, é um argumento singular. O próprio fato de abordar o nazismo na perspectiva pós-guerra é razoavelmente inovador no cinema – lembrando que a produção é alemã (em coprodução com Luxemburgo e Bélgica). O roteiro parte, então, de dois eixos: o primeiro, referente ao presente diegético, cujo conteúdo é essencialmente cômico (sem dispensar um drama eventual), protagonizado pelo grupo que vende os objetos para conseguir o dinheiro, sair da Alemanha e morar nos EUA; o segundo, minoritário, concernente ao pretérito, unindo os horrores históricos do nazismo à experiência do protagonista do longa, David Bermann (Moritz Bleibtreu, de “Munique”), prevalecendo, portanto, o drama. Estruturalmente, o script é bem elaborado, na medida em que a narrativa mescla passado e presente, humor e tragédia e verdade e mentira.

A mentira permeia a trama porque é o que dá ensejo aos momentos mais cômicos, inclusive nos primeiros minutos, numa piada com a expressão “baseado em uma história real”. A comicidade é deveras pueril, com piadas como “conheço a família, é um ‘cão respeitável”. Eventualmente, existe um suave humor negro: pessoas morreram na Guerra, não obstante, as personagens usam as memórias de pessoas falecidas como convencimento para compra dos lençóis e toalhas – a atitude seria censurável do ponto de vista moral, mas é claro que existe a licença poética, o que se questiona aqui, todavia, é a brincadeira com um episódio tão triste da história.

O roteiro sugere temáticas interessantes (e mais complexas), abordando-as, contudo, de maneira absurdamente rasa. Em determinado momento, uma personagem questiona: “como podemos rezar por um Deus que comete tantos erros?”. A reflexão é profunda e merecia um tratamento cuidadoso no texto, todavia, é marginalizado, o que dá a entender que qualquer matéria periférica que dê a entender uma nova camada foi um acidente. Outra reflexão muito pertinente em relação ao período, principalmente pelo contexto do arco dramático do protagonista, é a dúvida entre sobreviver na covardia ou morrer na dignidade. Novamente, não há aprofundamento. A superficialidade é incômoda – sem olvidar o fato de que a narrativa ingressa por caminhos poucos convincentes em algumas cenas, que não podem ser mencionadas, para evitar spoilers.

Ao som de belíssimas músicas instrumentais judaicas, a direção de Sam Garbarski (de “Marido Disfarçado”) é um retrato do filme como um todo: comum. Exceto por dois elementos. O primeiro é uma metáfora, corporificada em um cachorro sem uma pata, que é a primeira imagem da película e aparece também em uma das últimas cenas (e em várias outras): o animal é a representação do protagonista, também gravemente ferido, mas ambos não permitem que as lesões os impeçam de seguir caminhando. Ainda, o diretor opta por duas modalidades narrativas para expor o pretérito diegético: em alguns momentos, narração intradiegética (isto é, Bermann relata o que aconteceu com ele, para outra personagem, em uma espécie de interrogatório); em outros, o espectador assiste a flashbacks. Isso significa alguma pluralidade em termos de linguagem cinematográfica.

“Bye Bye Alemanha” é um filme morno, cujo principal mérito é a originalidade, mas que, provavelmente, não ficará na memória do público por muito tempo. Enquanto proposta humorística, é bastante falho; no drama, não se destaca (até porque existem vários exemplares muito melhores nessa área). Entretanto, a estrutura do roteiro é sólida, o que, como contribuição para a sétima arte, é o que o longa tem de mais relevante.

Receita para o desastre “Death Note”:

Ingredientes:

– Uma obra de sucesso para se basear;
– Um elenco ordinário;
– Um diretor inapto;
– Uma trama insípida;
– Um maço de músicas desencontradas e incompatíveis com a receita;
– Duas pitadas de polêmicas sobre a origem dos personagens e nacionalidade dos atores;
– Um roteirista despreparado;
– Um toque de soberba.

Modo de Preparo:

– Pegue a obra de sucesso – no caso “Death Note”, a cultuada série de mangá criada de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata em 2003, que foi adaptada brilhantemente em uma série anime para a TV, composta de 37 episódios e produzida por Tetsuro Araki em 2006 – e a trate como um produto estritamente comercial, ignorando totalmente a massa de fãs que a idolatram.

– Contrate o diretor inapto Adam Wingard (“Bruxa de Blair” de 2016) e deixe que ele selecione a qualidade dos próximos ingredientes.

– Adicione o roteirista despreparado Jeremy Slater, autor de obras “celebradas” como “Quarteto Fantástico” de 2015 e “Renascida do Inferno” e entregue a ele a missão de adaptar uma trama complexa, que atiça e suscita discussões morais e filosóficas sobre a justiça particular e a ambiguidade do altruísmo, dentre muitas outras, da forma que lhe der na telha. Acrescentando inclusive alguns diálogos indignos e também uma completa descaracterização dos personagens. Adicione a isso a obrigação da sintetização de toda a saga original em míseros cem minutos.

– Apresente a trama insípida, que desonra completamente a composição primordial, e transforme a história de um garoto brilhante que encontra um caderno capaz de extinguir a vida de qualquer pessoa que tenha seu nome anotado nele e que  o utiliza como veículo para a sua ascensão em divindade – ignorando toda a ambivalência moral que vêm associada ao fato – , em uma tramoia sobre um “loser” que quer impressionar uma “gatinha” com um livro que mata pessoas e encontra nela a homicida capaz de “sujar as mãos” quando ele se acovarda.

– Com o péssimo roteiro pronto e a trama sem fazer sentido algum, é hora de constituir o elenco. Como precisamos de um rol de intérpretes ordinários, que tal apostar em um ator medíocre para protagonizar o filme? Nat Wolff (“Cidades de Papel”) supre todas as necessidades para a empreitada e consegue entregar umas das piores performances do ano. Seu Light Turner, além de extremamente irritante como personagem em si, não contém nenhuma camada. É sem conteúdo, liso, inconsistente, sem carisma e inverossímil. Para contracenar com este verdadeiro artista, que tal trazer uma atriz que é até interessante, dona de uma personagem extremamente complexa na série “The Leftovers”, e dar a ela um papel mal desenvolvido e sem nuances? Margaret Qualley não tem chance nenhuma de brilhar aqui e Mia Sutton, a figura que lhe coube, perde a chance de ser o contraponto da história e transforma-se em uma garota amorfa e sem background. Como “L”, o grande investigador particular que desafia Light – um personagem que faz todo sentido em um mundo de mangá/anime e que aqui, jogado friamente no mundo real, é uma alegoria absurda, deslocada e non sense – temos Lakeith Stanfield (“Corra”), que simplesmente passa vergonha frente as câmeras, já que lhe coube o papel de imitar – muito mal, inclusive – o “L” do anime, que aqui, carece de qualquer desenvolvimento. Para acentuar este aspecto “atuações”, basta dizer que todo, repito, TODO o elenco de apoio é abaixo de sofrível.

– Com essa mistura intragável selecionada, é o momento do nosso diretor dar forma a massa. Porém, como se trata de Wingard no comando, prepare-se para algo ainda pior. As cenas são pobremente constituídas, a fotografia é precária e a trilha sonora, muito mal selecionada por sinal, é salpicada aqui e ali sem o menor critério. Com destaque para a vexatória cena final ao som de “The Power Of Love”, do Air Supply. As escolhas narrativas são as piores possíveis e, para completar, as cenas do Shinigami Ryuk, dublado por Willem Dafoe (“A Grande Muralha”), são um desperdício de personagem e não dizem a que vieram.

– Coloque isso tudo no forno do hype, com mais algumas polêmicas extremamente desnecessárias sobre a ascendência dos personagens e sobre a “falta” de atores japoneses fluentes na língua inglesa nos Estados Unidos e voilá: o desastre está na mesa… ou na Netflix!

Peço perdão pelo formato insólito e também por não encontrar pontos positivos ou virtudes na versão live action de “Death Note” da Netflix, pois eles inexistem. Comparando ou não com a excelente criação de Ohba, Obata e o anime de Araki, o longa não se sustenta e é mais um caso se soberba de uma grande produtora perante um respeitado material adorado por milhares de fãs. Uma dica: assista aos três longas japoneses que adaptam a obra em um serviço de VOD mais próximo. Se eles não chegam a ser verdadeiras pérolas cinematográficas, ao menos não causam um terço da irritação provocada pela nova visão da locadora vermelha americana que nós tanto amamos.