Comédia inspirada em uma ideia original de Tatá Werneck, que encara sua primeira protagonista no cinema, TOC – Transtornada Obsessiva Compulsiva estreia dia 2 de fevereiro.

O longa é escrito e dirigido por Paulinho Caruso e Teodoro Poppovic, e produzido pela Biônica Filmes (Os Homens são de Marte…E é Pra Lá que Eu Vou, Reza a Lenda), em coprodução com Paramount Pictures e Telecine. A distribuição é da Downtown Filmes.

No filme, Kika K. (Tatá Werneck) é uma atriz idolatrada por milhões de fãs, mas que não se sente realizada. Enquanto lança um livro de autoajuda que não foi escrito por ela, precisa escapar de um fã obcecado (Luis Lobianco) e lidar com um namorado galã sem noção, viciado em nudes (Bruno Gagliasso). Para piorar, é mordida por um macaco em um programa de TV, precisa enfrentar sua agente linha dura (Vera Holtz) e superar a concorrente Ingrid Guimarães, decidida a roubar seu papel na próxima novela das oito, Amorgeddon, o Apocalipse do Amor. E é o fracassado Vladimir (Daniel Furlan) quem aparece para ajudá-la a superar sua crise.

O longa conta ainda com Pedro Wagner, Mario Gomes, Patricia Travassos, Luciana Paes, Laura Neiva, Felipe Torres e Fábio Marcoff, no elenco.

1964. Durante um evento de divulgação da turnê dos Beatles nos Estados Unidos, um repórter desavisado se aproxima de John Lennon e lhe pergunta: “Qual dos Beatles é você?”. Munido de sua célebre cara-de-pau, Lennon responde: “Sou o Eric”. E o repórter, microfone em punho, se dirige à câmera e começa sua reportagem: “Estamos aqui com Eric, dos Beatles…”. A gozação é geral.

Este é apenas um dos deliciosos momentos do documentário “The Beatles: Eight Days a Week – The Touring Years”, dirigido por Ron Howard, conhecido por seu trabalho de direção na trilogia “O Código da Vinci”, “Anjos e Demônios” e “Inferno’, entre outros.

A pergunta é inevitável: ainda há o que dizer sobre os Beatles? O mundo precisa de mais um documentário sobre o quarteto de Liverpool? O recorte escolhido pelo filme se centraliza nas turnês mundiais do grupo, em como tudo aconteceu com uma velocidade estonteante, numa época onde o conceito de comunicação de massa apenas engatinhava, e o de globalização sequer existia. O filme retrata a explosão da Beatlemania internacional a partir da sua primeira turnê norte-americana e da aparição do quarteto no superprestigiado programa da Ed Sullivan. A rapidez com que tudo se desencadeou acaba justificando o fato do citado repórter não conhecer John Lennon, exatamente o mesmo Lennon que, pouco tempo depois (muito pouco tempo), teria de convocar uma coletiva para explicar publicamente sua afirmação que os Beatles eram mais famosos que Jesus Cristo.

Com farto material de arquivo, o longa estampa na tela as reações histéricas e históricas daquela geração baby-boomer que, menos de 20 anos após o término da Segunda Guerra, reconhecia-se finalmente como voz ativa e atuante dentro da sociedade de consumo. É o momento de uma virada social na qual o jovem sai de sua condição de coadjuvante para tornar-se rei e senhor das tendências mercadológicas e comportamentais.

A descontração, as brincadeiras, a irreverência que os Beatles destilavam nas diversas coletivas que davam à imprensa podem parecer triviais hoje, mas eram revolucionárias naqueles anos que antecederam o icônico maio de 1968, quando tudo mudou. Certamente, não é fácil apreender este conceito nos dias de hoje, onde tudo é criado e pensado para se transformar em fenômeno midiático, mas é preciso olhar o filme com olhos de 1964 para compreender melhor a extensão da Bealtemania e as portas que ela abriu para o futuro das comunicações. Da mesma forma que é praticamente impossível, para a geração atual, tentar entender por que os cabelos dos Beatles provocavam tanta celeuma. Acredite: hoje beirando o ridículo, o corte “tigelinha” dos rapazes foi recebido na época como um grito de rebeldia desta juventude “iê-iê-iê’.

Considerações socioculturais à parte, o documentário traz momentos dos mais saborosos, como o cineasta Richard Lester dizendo que foi pressionado a rodar o filme “A Hard’s Day Night” o mais rápido possível, porque os produtores acreditavam que a fama dos Beatles não duraria mais que alguns meses. Ou cenas de uma Sigourney Weaver adolescente flagrada em meio a milhares de jovens que choravam e gritavam num show em Nova York.

Há também o lado menos festivo, como a exaustão e a desilusão dos quatro rapazes que – ainda muito cedo em suas carreiras – sucumbiam à pressão de atuar em shows onde os feridos suplantavam a casa dos 200, ou fugir num caminhão fechado para evitar a violência da histeria, ou mesmo de ter de se apresentar em 25 cidades num período de 30 dias. Afinal, antes dos Beatles, sequer existia o conceito de turnês em grandes estádios, segundo informa o filme. A famosa canção “Help” é um grito de socorro de Lennon relativo a estas pressões. Paul McCartney chega a afirmar que todo o filme que leva o nome da música foi gravado com o quarteto chapado para suportar o ritmo.

Talvez nada disso seja exatamente uma grande novidade e, talvez, respondendo à pergunta feita no início deste texto, o mundo não precise mesmo de mais um documentário sobre os Beatles, mas, mesmo assim, para quem viveu o período, é sempre gratificante ver (rever) as performances do grupo na tela grande, em belas imagens remasterizadas, e tentar compreender a importância da Beatlemania como fenômeno ímpar da cultura pop. E, para quem não viveu a época, a explosão dos rapazes que colocaram Liverpool no mapa mundial não deixa de se revestir de um marcante caráter histórico-pioneiro que abriu novas estradas para as gerações futuras.

Em tempos de neo-caretice, ainda há muito o que aprender com Paul, George, Ringo… e Eric.

 

The Beatles: Eight Days a Week – The Touring Years
EUA, 138 min., 2016
Direção: Ron Howard
Distribuição: Flix Media
Estreia: 2 de fevereiro

 

Por Celso Sabadin

Escusado dizer que o ciclo de cinema pernambucano é um dos mais férteis e ricos da Retomada do cinema brasileiro. Contudo, talvez seja o caso de lembrar que um dos marcos desse ciclo, e da Retomada, tenha sido “Baile Perfumado” (1996), dirigido por Lírio Ferreira e Paulo Caldas. Vinte anos após, ao lado do livro “A Aventura do Baile Perfumado” (Editora Cepe), organizado por Amanda Mansur e Paulo Cunha, temos seu lançamento em DVD pela Imovision. Assim, a possibilidade de revermos, apreciarmos e reavaliarmos esse marco do cinema nacional.

O filme, não custa ressaltar, foi feito num momento de retomada; portanto, quando fazer cinema era uma aposta, um risco que implicava no enfrentamento das mais diversas dificuldades. Com isso em vista, há um dado importante a ser acentuado. A realização de “Baile Perfumado” se insere num momento de efervescência musical em Recife com a presença do movimento Mangue Beat. Em sintonia com esse movimento musical, a banda sonora do filme acolheu as letras e sons de Chico Science e a Nação Zumbi, Fred Zero Quatro e o Mundo Livre S/A. Creio que, nesse elemento de identificação cultural, um dos trunfos que fez de “Baile Perfumado” um dos filmes mais “curtidos” daqueles anos de retomada.

Na agitada cena cultural recifense de meados da década de 1990, Lírio Ferreira e Paulo Caldas tomam um tema caro à cinematografia nacional – o cangaço – e propõem um filme, sob muitos aspectos, disruptivo. Quando se pensa em cangaço e Cinema Novo, vem à mente de qualquer espectador a imagem do sertão calcinado pela seca e a violência como sinal de rebeldia às condições de miséria. Lírio Ferreira e Paulo Caldas seguem outro caminho. Em “Baile Perfumado”, não há o sol inclemente dos filmes do Cinema Novo, tampouco sua narrativa se pauta pelo foco nas condições de miséria frente ao flagelo da seca.

“Baile Perfumado” narra, de forma bastante livre e alusiva, a aventura do mascate libanês Benjamin Abraão, que na década de 1930 filmou o bando de Lampião. Após desertar o exército do Império Otomano na I Grande Guerra, Benjamin fugiu para o Brasil e se estabeleceu em Recife. Na capital pernambucana, nos anos finais da Primeira República, tão ambicioso quanto arrivista, ele estabeleceu contatos com figuras de relevo daquele tempo: foi secretário do Padre Cícero e, em razão dessas relações influentes, conheceu Lampião, o mais famoso e temido cangaceiro do tempo do cangaço.

Anos depois, já na era Vargas, Benjamin levou a cabo a ousada iniciativa de filmagens daquele que, com o fim da Primeira República, passou a ser o bandido mais procurado do nordeste. Benjamin conseguiu realizar seu intento; todavia, como personagem suspeito ao trafegar entre cangaceiros e macacos (forças policiais que perseguiam cangaceiros), acabou assassinado sem que se soubessem as circunstâncias e motivações. Parte das imagens que registrou foram descobertas anos depois e se constituem num dos documentos mais ricos da vida e do cotidiano dos cangaceiros.

Na medida em que há poucas informações biográficas sobre Benjamin Abraão, Lírio Ferreira e Paulo Caldas filmaram a partir de um roteiro fragmentado e alusivo. “Baile Perfumado” evoca pessoas reais, situações supostamente vividas, mas principalmente envolta em lendas. Lampião, Maria Bonita, cangaceiros, coronéis, figuras políticas e forças policiais são exibidos em situações desdramatizadas, quase como se o peso de seus papéis sociais fosse deliberadamente arrefecido.

Isso porque, creio, a Lírio Ferreira e Paulo Caldas interessa mostrar um estado de espírito que, de algum modo, humanize a figura do cangaceiro; melhor, faça com que se o veja como um homem vaidoso, que se perfumava, era sensível e dançava para celebrar a alegria da vida, alheio à perseguição que sofria. “Baile Perfumado”, então, mostra homens e mulheres num ambiente de descontração, em momento de festa, indiferentes à realidade crua e cruel da miséria e dos contrastes sociais. As poucas cenas de violência – na morte de Benjamim vê-se apenas o corpo ensanguentado – são coreografadas; não geram, pois, sentimento de catarse: o movimento das imagens segue o ritmo do Mangue Beat.

Filme símbolo de um momento, hoje, creio, “Baile Perfumado” merece reparos. Porque se sabe tão pouco sobre Benjamin Abraão, inevitável assinalar que o personagem criado por Lírio Ferreira e Paulo Caldas é fruto de liberdade poética. O reparo, no caso, visa lembrar que a eventual complexidade da situação vivida por Benjamim foi esmaecida em proveito do estado de espírito que Ferreira e Caldas queriam exibir. Sendo esse o propósito, “Baile Perfumado” é um aprazível e oportuno filme num momento de reafirmação do cinema nacional.

Entretanto, assevero que a aventura real e o desfecho trágico do mascate libanês, os quais dariam ensejo a debates sociológicos e antropológicos, foram alienados do filme.

 

Por Humberto Pereira da Silva, professor de ética e crítica de arte na FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado)

A TV Brasil estreia, nesta quarta-feira (1º de fevereiro), às 21h30, a série Incertezas Críticas, que propõe uma reflexão sobre o mundo atual na visão de alguns dos mais importantes intelectuais do tempo presente.

Produzida pela Grifa Filmes, a série traz entrevistas com o sociólogo francês Alain Touraine; o escritor argentino, naturalizado canadense, Alberto Manguel; o cientista político francês Dominique Moisi; o economista brasileiro Luiz Gonzaga Belluzzo; o urbanista norte-americano Mike Davis; o sociólogo francês Michel Maffesoli; o linguista e ativista norte-americano Noam Chomsky; o sociólogo norte-americano Richard Sennett; o historiador norte-americano Robert Darnton; o escritor paquistanês Tariq Ali; a ativista ambiental indiana Vandana Shiva; e o sociólogo polonês Zygmunt Bauman.

Em 13 de janeiro, a emissora exibiu o episódio com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman em tributo ao autor que faleceu no dia 9 daquele mês.

Cada um dos 12 episódios de 26 minutos destaca um pensador, numa entrevista exclusiva gravada na sua residência ou escritório. O primeiro programa traz uma conversa com o escritor argentino, naturalizado canadense, Alberto Manguel.

A proposta é discutir o mundo contemporâneo em diversas perspectivas como sociedade, economia, política, cultura, arte e comportamento. Em cada entrevista, o espectador pode ter uma introdução sobre o pensamento dos mais notáveis intelectuais da atualidade e descobrir como esses temas são abordados em suas obras.

As entrevistas foram conduzidas pelo diretor da série, Daniel Augusto, que também assina o roteiro e a edição de Incertezas Críticas. São programas que tratam de questões profundas, mas, ao mesmo tempo, de um modo acessível, para que o público possa pensar sobre a realidade mundial.

A ANCINE – Agência Nacional do Cinema publicou nesta segunda-feira, 30 de janeiro, no Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual – OCA, o Informe Preliminar de Acompanhamento de Mercado, contendo os números do segmento de exibição em 2016. O ano foi bom para o mercado, com crescimento no total de bilhetes vendidos, e especialmente marcante para o cinema brasileiro.

A quantidade de filmes lançados, 143 filmes com 97 obras de ficção, é uma marca recorde para toda a história do cinema brasileiro.  Já o total de ingressos vendidos, que atingiu a marca de 30,4 milhões, é o melhor resultado desde 1984. A participação de público dos filmes nacionais chegou a 16,5%, contra 13% no ano anterior.

O principal destaque do ano é o crescimento do mercado de cinema no Brasil, que mostra forte resiliência frente a crise econômica. Os 184,3 milhões de bilhetes vendidos em 52 semanas cinematográficas representam crescimento real pelo oitavo ano consecutivo com taxas muito expressivas nos dois últimos anos de recessão. As receitas de bilheteria superaram R$ 2,6 bilhões em 2016.

Entre principais fatores desse crescimento, estão a expansão e modernização do parque exibidor brasileiro. O ano encerrou com 3.168 salas em funcionamento, mantendo expansão acima da média dos últimos 5 anos. Novas cidades foram incorporadas ao serviço de cinema. 2016 foi também o primeiro ano de operação do parque exibidor quase integralmente digitalizado, o que ajudou a elevar a bilheteria e a participação dos pequenos cinemas.

Números do cinema brasileiro em 2016:

  • Os 143 longas-metragens brasileiros lançados no ano passado foram produzidos por 134 empresas produtoras de todas as regiões do País.
  • Os filmes de ficção são maioria entre os lançamentos  – 97 ficções; 45 documentários e 1 animação.
  • Entre os filmes brasileiros, 23 tiveram mais de 100 mil espectadores, 13 mais de 500 mil e 7 venderam mais de 1 milhão de bilhetes.
  • Mesmo tendo estreado no final de dezembro, a comédia “Minha Mãe É uma Peça 2” alcançou a segunda posição no ranking dos filmes brasileiros mais vistos em 2016. Em apenas duas semanas, o filme foi o 13º com maior público do ano, com 4 milhões de ingressos vendidos. O filme segue em cartaz, já tendo superado os 8 milhões de bilhetes vendidos.
  • A diversidade de gêneros marcou o ranking dos 20 longas nacionais mais vistos no ano. Os filmes para o público infanto-juvenil, “Carrossel 2 – O Sumiço de Maria Joaquina” e “É Fada!”, ficaram na terceira e quarta posições, com 2,5 milhões e 1,7 milhões de espectadores, respectivamente. Merecem destaque também o premiado drama “Aquarius”, com 354 mil espectadores; a ação “Reza a Lenda”, com 377 mil, e as cinebiografias “Elis”, com 536 mil espectadores; “Mais Forte que o Mundo – A História de José Aldo”, com 565 mil, e “Nise – O Coração da Loucura”, com 153 mil espectadores.
  • O número de filmes nacionais dirigidos exclusivamente por mulheres também alcançou um novo recorde: 29 obras, o que representa 20,3% das obras brasileiras lançadas. Esse percentual é 5,6% maior se comparado ao ano de 2015, quando foi de 14,7%, e o segundo maior da série histórica, iniciada em 2009.
  • Com relação à distribuição dos filmes brasileiros, as distribuidoras nacionais acumularam 96,4% dos bilhetes vendidos.

Novas salas de cinema no País:

  • A região Nordeste, com 10%, e Centro-Oeste, com 7%, apresentaram as maiores taxas de crescimento no número de salas. O Nordeste, especialmente, mantém forte expansão de mais de 4 dezenas de salas anuais há quatro anos consecutivos.
  • 2016 foi um ano de aumento da interiorização dos cinemas: cerca de 80% das salas incorporadas ao circuito foram abertas no interior.
  • 21 novos municípios receberam seu primeiro cinema.
  • A digitalização atinge praticamente todo o parque exibidor brasileiro.