No livro “Glauber Rocha: Cinema, Estética e Revolução”, de Humberto Pereira da Silva (Paco Editorial), a proposta é mostrar o processo criativo do cineasta brasileiro mais conhecido no mundo, Glauber Rocha, falecido há 35 anos, o principal nome do Cinema Novo, movimento cinematográfico que afirmou o cinema brasileiro no mercado internacional.

Apoiado em pesquisas, e no depoimento de familiares de Glauber, o livro compara a obra de Glauber com o movimento cinematográfico europeu da época, e em como seus filmes, realizados no Brasil e na África, especialmente, repercutiram nos festivais internacionais de cinema.

A obra de Humberto é bem pesquisada, um livro importante para entender como germinou o cinema novo, mas também para que a nova geração conheça o processo criativo de uma figura inspiradora para o cinema brasileiro até os dias de hoje.

Está chegando à reta final um ano que foi trágico para milhões de pessoas (vide as grandes migrações), ininterruptamente ameaçador para outros milhões (perguntem aos europeus e estadunidenses), instável como uma bolha de sabão para os milhões da América Latina, perverso como um pesadelo para um bilhão e 500 milhões de muçulmanos pacíficos e a África Negra piorou sua situação da região mais pobre do planeta. Como se diz na minha terra, lá no coração da Bahia, “tão feio que a Feiura, quando viu, saiu correndo horrorizada”.

No Brasil, todos os males se agravaram: desemprego, violência contra a mulher, preconceitos atávicos, tráfico de armas e drogas, atendimento público à educação e saúde, o desmantelo da política e uma lista longa que todos sabem e/ou sofrem. A população demonstrou satisfação apenas com o futebol e com a mega operação do Ministério Público contra a corrupção, que pode resultar em uma limpeza ética, na punição de empresários, políticos e funcionários públicos criminosos, e também pode melar — no momento em que escrevo, os três Poderes estão em litígio por causa da Lava Jato.

Me perguntei como a teledramaturgia brasileira realizada em 2016 reagiu diante de 2016, levando em conta que a arte reflete a atualidade, a época na qual está inserida, consciente ou inconscientemente, em formas realistas ou abstratas, em cores naturais ou simbólicas. Adotei o critério da massividade, o que o povo mais vê, e me voltei para a TV aberta e a teledramaturgia da Globo, a que alcança ou se aproxima mais vezes do teto entre 35 e 40 pontos de audiência (já lá se foram os tempos, que não mais voltarão, em que telenovela alcançava 90 pontos). De tudo que rolou na teledramaturgia de alto consumo (e também na TV paga) durante este ano perturbador, o grande destaque foi “Justiça”, de Manuela Dias, telessérie com 20 capítulos exibida em agosto/setembro.

Balizas

A jovem roteirista já havia chamado a atenção em janeiro com a minissérie “Ligações Perigosas”, mais uma versão audiovisual do clássico romance de Choderlos de Laclos. Piscou o olho para o espectador com seu jeito espiralado de montar a narrativa, com os diálogos lapidados, com a precisão culinária como mistura os temas (no caso sedução, vingança, intriga), habilidades também presentes nos roteiros dos filmes “Floresta que se Move” (a partir de Shakespeare) e “A Hora e a Vez de Augusto Matraga” (a partir de Guimarães Rosa), lançados recentemente. Mas foi em “Justiça”, de sua autoria, que mostrou sem medo as cartas que tem para lançar na mesa da grande arte de contar histórias.

Assassinato de mulheres, estupro, violência patológica, corrupção política, atropeladores que não socorrem suas vítimas, policiais malfeitores, prostituição, vingança, distúrbios psicoemocionais e a contraparte de bons sentimentos, recuperações morais, buscas de superação, o complexo exercício do perdão e piedade extrema (eutanásia). Tudo acontece em Recife, em 2009, mas o que vemos é o Brasil em 2016. O macro tema são as fronteiras e as falsas fronteiras entre o certo e o errado ou, como disse a própria Manuela Dias, “uma pesquisa audiovisual sobre o que é justo”. Aqui vale uma citação de Hegel: “as verdadeiras tragédias não são conflitos entre o certo e o errado e sim entre dois direitos”.

Pólen

Esses limites nem sempre nítidos são tratados em “Justiça” através de quatro histórias independentes e lineares que, conectadas pelo destino e pelas circunstâncias, conformam uma narrativa aparentemente não linear. Uma estrutura que, ao contrário do quebra-cabeças tradicional, vai ficando mais difícil à medida que se aproxima do final, quando as últimas peças encontram seu lugar de encaixe. Foi exatamente aí, no como contar, na forma de narrar, que Manuela Dias mostrou o poder de seu jogo e, de quebra, ratificou a máxima dramatúrgica de que cada conteúdo só se expõe inteiro se for abençoado por uma forma específica e condizente de exposição. Como cada época necessita de uma linguagem própria para se exprimir.

Contar múltiplas histórias em paralelo não é novidade desde 1916, quando Griffith realizou “Intolerância”. A novidade é a consciência de contemporaneidade de “Justiça” e sua irradiação pandêmica: Recife é o Brasil, o Brasil é o mundo, o mundo somos todos. Uma representação confiável da atualidade humana, um espelho que se mexe diante de nós, inquieto. Comparo seu estilo narrativo de ir e vir, de voar de um personagem para outro buscando a vida, com o processo de polinização das abelhas, com a possibilidade de encontrar em flores e pinhas um grão, por mais minúsculo que seja, que é ao mesmo tempo alimento e sêmen, comida e reprodução, manutenção e propagação. Uma atualização de linguagem, atitude coetânea da segunda década do século XXI. Por isso, o grande acontecimento da teledramaturgia em 2016.

 

Por Orlando Senna

Baseado em livro do humorista Helio de La Peña, “Vai na Bola, Glanderson!”, o longa “Correndo Atrás”, de Jeferson De (“Bróder!” e “O Amuleto”), filmado em outubro, nas cidades de Muriaé (MG), Rio de Janeiro e São Paulo, é a primeira comédia do cineasta, estrelada por Aílton Graça, que vive seu primeiro protagonista no cinema, no papel de Ventania.

No filme, o personagem tenta de tudo para melhorar de vida; de vender objetos no sinal a se vestir de personagens infantis para animar crianças. O elenco, quase todo formado por negros, tem Lázaro Ramos, Juan Paiva, Teka Romualdo, Rocco Pitanga, Juliana Alves e a dançarina Lellêzinha.

A direção e produção musical é do rapper BNegão. O roteiro foi escrito por Jeferson e Helio de La Peña (ambos na foto), que ainda atua no filme, produzido pela Raccord Filmes, em coprodução com Globo Filmes, Rio Filme, Buda Filmes e La Peña Produções. O lançamento está previsto para 2017.

Alfredo Manevy, o gestor cultural que criou e solidificou a Spcine, a empresa de fomento ao audiovisual paulista tanto sonhada pelo setor, deixa a empresa com uma base sólida para que possa ter sua continuidade como foi planejada. Durante quatro anos, a equipe comandada por Manevy estruturou uma distribuidora, uma fomentadora da produção de curtas, longas e projetos para a TV, acordos com instituições brasileiras e internacionais, além de uma série de atividades voltadas à formação de público, com um circuito de exibições com filmes nacionais, e uma film commission, empresa que fornece facilidades para quem filma na cidade de São Paulo. O mais importante, entretanto, foi o diálogo da empresa com o setor audiovisual, com um comitê consultivo formado por 13 associações representantes dos diversos segmentos do audiovisual, para ouvir contribuições e críticas ao trabalho realizado pela empresa para o desenvolvimento do setor.

Investimentos promoveram crescimento do setor em São Paulo

Inaugurada oficialmente em 28 de janeiro de 2015 – depois de dois anos de aproximação e diálogo com o setor do audiovisual paulista para entender as demandas e efetivar os mecanismos de fomento e apoio –, a Spcine exibe números vistosos para esse começo de atuação. Os recursos para novas produções audiovisuais pelo Programa de Investimento, por exemplo, somam mais R$ 36 milhões, sendo que R$ 20,2 milhões foram injetados em 2015 e R$ 16,3 milhões, ao longo de 2016. Antes disso, em uma série histórica que se inicia em 2005, o melhor ano de investimento municipal no audiovisual tinha sido em 2007, quando os editais somaram R$ 8,7 milhões.

Só em 2016, foram aportados R$ 7 milhões para a produção de longas-metragens, R$ 3 milhões para a distribuição de filmes de pequeno e médio porte, e mais R$ 2 milhões para o desenvolvimento de séries para televisão, todos com foco nas empresas de São Paulo, algo inédito. O edital para curta-metragem foi na ordem de R$ 1,8 milhão, contemplando pelo menos 30 novos projetos, com foco especial na diversidade de linguagens e com cotas sociais para atingir um equilíbrio entre os cineastas premiados. Pelo projeto Co-densenvolvimento com o Canadá, foram investidos R$ 200 mil para a produção de conteúdo para TV, web, games e realidade virtual, e há uma parceria com o Canada Media Fund, responsável pelo fomento canadense.

“Esse investimento de R$ 36,6 milhões já representa uma média três vezes maior do que era investido na década anterior. Fizemos o primeiro edital de grande impacto em desenvolvimento de roteiro, lá em 2013”, avalia o diretor presidente da Spcine, Alfredo Manevy.

Há quatro anos, Alfredo Manevy iniciou a criação da Spcine, atendendo a uma antiga reivindicação do audiovisual paulista

E, quando foi inaugurada em 2015, a Spcine conseguiu realizar, em menos de dois anos, não apenas esse investimento em uma centena de filmes paulistanos produzidos e distribuídos no Brasil, e mundo afora, mas abolir as categorias de filme autoral e comercial, trabalhando os filmes de pequeno, médio e grande porte em sua complexidade criativa e econômica.

“Tentando compreender o público de cada filme de forma distinta. Fico feliz que a Ancine tenha adotado também algo dessa forma em seus novos editais, buscando qualidade estética e de dramaturgia, bem como o alcance de público. Avançamos muito ao buscar o desenvolvimento artístico e econômico da atividade”, afirma Manevy.

Ele também ressalta o apoio direto da prefeitura da cidade nesse processo: “Graças ao compromisso do prefeito Fernando Haddad, ao apoio do setor e uma equipe técnica qualificada, a Spcine foi além das expectativas iniciais. Isso permitiu realizar um caminho que combina ações tradicionais que não existiam de fato em São Paulo, como o decreto da São Paulo Film Commission, e as ações pioneiras, a exemplo do Circuito Spcine”, analisa.

Conquistas precisam ser garantidas

André Sturm, presidente do Sindicado da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo (SIAESP), também comemora os avanços até aqui. “A Spcine era uma iniciativa muito aguardada e batalhada pela classe audiovisual da cidade. Em apenas dois anos, já mostrou resultados concretos, como editais que injetaram recursos na atividade, inclusive com retorno financeiro já realizado. Também ampliou a visibilidade do lançamento de diversos filmes, o retorno do lançamento nas salas e, depois, na demais janelas. Considero fundamental a sua consolidação”.

Para André Sturm, presidente do SIAESP, a manutenção da Spcine é fundamental e foi muito aguardada pela classe audiovisual da cidade. © Aline Arruda

O presidente da Associação Paulista de Cineastas (APACI), Flavio Frederico, também celebra a própria existência da Spcine como um fator positivo dos últimos dois anos e a sua rápida implementação por parte da prefeitura, que encampou a ideia. A film commission, para Frederico, deu agilidade aos processos e, “em apenas três, quatro meses, conseguiu apresentar dados e informações sobre a indústria de São Paulo e diminuir os custos das filmagens”. Em nome da entidade, contudo, ele ressalta que os custos com a gestão da Spcine ainda estão altos quando comparados aos investimentos no fomento, e cobra uma flexibilidade maior nas regras do acesso aos recursos vinculados ao Fundo Setorial do Audiovisual, “que ainda são muito engessadas”.

Nessa prospecção para os próximos anos, Manevy afirma que a proposta orçamentária, enviada pelo prefeito Haddad para 2017, garante os recursos para desenvolver e participar de novos modelos de negócio nas áreas de animação e games, e na comercialização de séries de TV dentro e fora do Brasil.

O prefeito de São Paulo Fernando Haddad, ao lado de Alfredo Manevy (à esq.), no CEU Jaçanã, inaugurando mais uma sala de exibição do Circuito Spcine. © Lilian Borges

Legado da Spcine

Na área internacional, o projeto Sp Mundus desenvolveu uma parceria da Spcine com a RECAM – Reunião Especializada de Autoridades Cinematográficas e Audiovisuais do Mercosul, com a Cineteca Nacional do México e com a Russian Filmmaker’s Union para ampliar o circuito exibidor de filmes paulistas na Argentina, no Paraguai, no Uruguai, no México, na Rússia e também no Brasil. Ao todo, são 47 salas espalhadas por esses territórios. O resultado da primeira edição saiu em outubro e vai contemplar 20 obras da produção recente do cinema, incluindo diretores novos e experientes. O investimento global do programa é de R$ 96 mil, que serão distribuídos de acordo com o número de exibições requeridas pelos programadores internacionais em seus respectivos países.

Dentro da cidade de São Paulo, o Circuito Spcine foi uma das ações de maior impacto para a população e também para os distribuidores que aceitaram o desafio. A primeira sala foi inaugurada no dia 30 de março de 2016, no Centro Educacional Unificado (CEU) Butantã. Na sequência, outras 14 salas também entraram no circuito depois de serem reformadas com projeção digital em DCP e som Dolby Digital, assim como as tradicionais salas do Cine Olido e do Centro Cultural São Paulo (CCSP), que também passaram por essa modernização. O investimento total foi de R$ 14 milhões, sendo R$ 7,5 milhões em equipamentos, R$ 3 milhões anuais para a operação e mais R$ 3,5 milhões previstos para serem gastos com a programação anual.

O presidente da APACI Flavio Frederico viu agilização na criação da Spcine e ressalta as facilidades para filmar com a criação da film commission. © Daniela Naderi

De março a setembro, segundo os dados oficiais da Spcine, o público total ficou em 193.508 espectadores, dentro de uma programação de 3.350 sessões. Na média simples, portanto, o público por sessão seria em torno de 57,7 pessoas.

Distribuição ganhou fôlego

A ocupação do circuito por filmes nacionais ficou em 47% contra 53% da oferta de obras estrangeiras. E, dentre os dez longas-metragens mais vistos, de acordo com os dados da agência, estão o nacional “Carrossel 2 – O Sumiço de Maria Joaquina”, que lidera o ranking com 24.595 espectadores; a animação “Angry Birds” (12.864); “Hotel Transilvânia 2” (11.153); “Cantando de Galo” (10.534), “Carrossel – O Filme” (9.842); “Minúsculos – O Filme” (9.252); “Caça Fantasmas” (9.084); “O Pequeno Príncipe” (8.722); “Warcraft – O Primeiro Encontro de Dois Mundos” (6.086); e “Truque de Mestre 2” (5.901).

A Paris Filmes – do distribuidor Marcio Fraccaroli, que recebeu em outubro o prêmio de distribuidor internacional do ano no Show- East, em Miami, nos Estados Unidos, o primeiro a ser concedido a um brasileiro –, foi uma das distribuidoras que aceitou a proposta de não apenas disponibilizar os seus títulos no circuito da Spcine, mas também de incluir as salas no mapa de estreias de alguns de seus filmes. Nos CEUs, a entrada para assistir às obras é gratuita, mas nas demais cinco salas alternativas são cobrados ingressos a preços populares. Mesmo assim, a empresa concordou em participar.

Marcio Fraccaroli, da Paris Filmes e parceiro do Circuito Spcine, vê na iniciativa a formação de um novo público

“Houve um convite para conhecermos o projeto e o contexto social no qual estava inserido e imediatamente entendemos ser interessante apoiar a iniciativa”, conta Fraccaroli, que é o distribuidor de três dos dez títulos mais assistidos: “Carrossel 2 – O Sumiço de Maria Joaquina”, “Cantando de Galo” e “Minúsculos – O Filme”.

As vantagens, para ele, estão principalmente na formação de público. “O espectador [do circuito] da Spcine não tinha acesso aos filmes lançados em circuito comercial nas grandes redes, que costumam estar em shoppings distantes, com cobrança de estacionamento e valores elevados de ingresso. A iniciativa traz dois benefícios claros à indústria de cinema: um novo público para as salas e filmes, que geralmente é desatendido na região onde mora; além de contribuir para a formação de uma nova audiência consumidora de cinema frente às novas plataformas de distribuição de filmes em VOD e streaming”, aposta o distribuidor.

Facilidades para filmar em São Paulo 

Em 2016, filmar um longa-metragem, uma série de TV ou uma novela em São Paulo ficou mais fácil, segundo os próprios produtores. Depois de prontos, os filmes também conquistaram um circuito de 20 salas de exibição, espalhados principalmente pela periferia da cidade, e que ainda podem concorrer a um edital específico para ampliar a circulação no exterior. Os produtores paulistas também ganharam editais de produção, distribuição e inovação para curtas e longas-metragens, programas de televisão, games e webséries de animação.

Reivindicação antiga dos produtores que filmam diariamente na cidade, a São Paulo Film Commission começou a operar neste ano e também já acumula bons resultados. O escritório foi criado para facilitar o fluxo e começar a desburocratizar os pedidos de filmagens por meio de um cadastro único para autorizar as gravações. De março a agosto, segundo a Spcine, foram cadastradas 359 obras e mais de 1.672 solicitações de locação.

O produtor Rodrigo Sarti Werthein inaugurou os serviços da São Paulo Film Commission com as filmagens do longa “A Sombra do Pai”, de Gabriela Amaral Almeida

Gilberto Nunes, produtor executivo da TV Globo – uma das que mais solicita locações –, conta que a relação com a agência teve início no começo deste ano para as filmagens da novela “Haja Coração”. Em seguida, também foram gravadas as novelas “A Lei do Amor” e “Sol Nascente”, assim como outros programas. O produtor também destaca as facilidades do cadastro único, que acaba poupando tempo e ajudando a tornar o set “mais organizado e controlável”.

O produtor que “inaugurou” os serviços da São Paulo Film Commission foi Rodrigo Sarti Werthein, com as filmagens do longa-metragem “A Sombra do Pai”, de Gabriela Amaral Almeida. A sua produtora Acere está baseada em São Paulo desde 2007 e acumula no catálogo dezenas de vídeos institucionais, curtas e mais de cinco longas-metragens rodados na cidade. Werthein relata que, antigamente, era raro encontrar departamentos que soubessem o que significa uma produção audiovisual. “Cada vez que ligávamos para um órgão público, tínhamos que começar do zero e ficávamos à mercê da pessoa que nos atendia”.

Para a filmagem de “A Sombra do Pai”, ele conta que todas as locações foram autorizadas com antecedência. “Acompanhamos em primeira mão o empenho quando uma das locações deu problema e parecia que não seria liberada. Eles foram atrás das autoridades, que liberaram o local. Eu jamais teria conseguido essa locação sem eles”.

O grande desafio agora, na opinião de Werthein, “é fazer com que a Spcine e a film commission permaneçam ativas na cidade e sobrevivam às mudanças políticas que virão”.

 

Por Belisa Figueiró

A Agência Nacional do Cinema – ANCINE e o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul – BRDE apresentaram nesta segunda-feira, 28 de novembro, em Porto Alegre, um balanço das ações do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). A cerimônia foi presidida pelo diretor-presidente da ANCINE, Manoel Rangel e pelo diretor-presidente do BRDE, Odacir Klein, no Auditório do Banco.

Destinado ao desenvolvimento articulado de toda a cadeia produtiva da atividade audiovisual no Brasil, o FSA, criado em 2008, é um marco na política pública de fomento à indústria cinematográfica e audiovisual no país. Em 2012, o BRDE tornou-se o agente financeiro do Fundoresponsável pelas linhas de conteúdo audiovisual.

A partir do lançamento do Programa Brasil de Todas as Telas, em 2014, o volume das operações do FSA teve um salto exponencial no número de projetos inscritos, selecionados e contratados. No segundo ano do Programa, 2015, o número de projetos selecionados triplicou em relação ao primeiro ano, atingindo a marca de 689 projetos.

Até outubro deste ano, com os recursos do Fundo, já se investiu em 486 longas-metragens, 476 séries ou telefilmes, no desenvolvimento de 371 projetos e de 69 núcleos criativos em todas as regiões do país.

Em sua apresentação, Manoel Rangel demonstrou como a distribuição dos investimentos do Fundo Setorial do Audiovisual ficou mais equilibrada entre as regiões do país após o lançamento do Programa Brasil de Todas as Telas. Os dados revelam que a estratégia de estímulo à desconcentração regional da produção proporcionou um crescimento substancial na participação de projetos das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul entre o total de selecionados pelo Fundo.

Durante o evento foi lançada a quarta edição do edital que investe em projetos de longa-metragem com foco em linguagem inovadora e relevância artística. A Chamada Pública PRODECINE 05/2016 disponibiliza R$ 30 milhões, em recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), para projetos de longa-metragem de ficção, animação e documentário, respeitando indutores regionais para destinar no mínimo 30% dos recursos a projetos audiovisuais de produtoras independentes localizadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste; e no mínimo 10% para projetos de produtoras independentes da região Sul ou dos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo.

As inscrições começam no dia 1º de dezembro e vão até as 18h do dia 23 de janeiro de 2017. Nas três primeiras chamadas públicas dessa linha, 55 longas-metragens já foram contemplados.