A Monstra – Mostra Oficial de Animação Portuguesa, tradicional festival de filmes de animação realizado em Lisboa há 16 anos, acontecerá na Caixa Cultural Rio de Janeiro, de 1º a 13 de novembro, pela primeira vez no Brasil. O curador Fernando Galrito fez uma seleção de 34 curtas-metragens de animação portugueses de diversos estilos e técnicas, produzidos entre 1923 e 2015. A entrada para todas as sessões e oficinas é franca, com distribuição de senhas a partir da abertura da bilheteria.

A programação da mostra é dividida em quatro programas: Históricos da animação portuguesa; Mistérios da noite e do dia; Viagens do céu e da terra; e A animação e o fado. e aborda um panorama da animação portuguesa, com filmes premiados e inéditos no Brasil, realizados com técnicas diversas, como: animação em areia (Clandestino, 1998, de Abi Feijó), em papel (CofCof, 2000, de Zepe), de volumes (A Suspeita, 1999, de José Miguel Ribeiro), em 2d com plasticina (Shshsintonia  Incompleta, 1999, de Mário Jorge Neves) e pintura e desenho sobre papel (Com uma Sombra na Alma, 2005, Fernando Galrito).

Entre os destaques, estão o primeiro filme de animação português, O Pesadelo de António Maria (1923), de Joaquim Guerreiro; e Os Salteadores (1993), de Abi Feijó, a primeira grande produção que reuniu uma vasta equipe de animadores de todo o país, ganhador do Prêmio Especial do Júri no Cartoon D’Or de 1994, considerado o “Oscar” da animação europeia; e História Trágica com Final Feliz (2005), de Regina Pessoa, o filme português com mais prêmios nacionais e internacionais.

O evento promove ainda diversas atividades de formação, além das sessões dos curtas-metragens. O curador, professor de animação, diretor artístico da Monstra e cineasta português Fernando Galrito ministrará a oficina Animação e Fascinação, especialmente para crianças a partir de seis anos, nos dias 2, 3 e 4 de novembro, às 15h. A oficina é gratuita e as inscrições devem ser feitas no link https://goo.gl/forms/9wVAcGrYyWRRaTZF2.

No sábado (dia 5), às 18h30, Galrito fará a palestra Cinema de Animação, da Tela à Galeria, sobre as outras possibilidades de uso da animação, desde o cinema, a dança, o teatro e a galeria de arte. No domingo (dia 6), também às 18h30, ele ministra uma masterclass de animação a partir dos seus filmes.

Outras informações sobre a Monstra podem ser acessadas no endereço http://www.cromakey.com.br/Monstra.html.

 

Monstra – Mostra Oficial de Animação Portuguesa
Data: 1 a 13 de novembro de 2016 (terça-feira a domingo)
Local: Caixa Cultural Rio de Janeiro – Cinema 1 – Av. Almirante Barroso, 25, Centro (Metrô: Estação Carioca) – (21) 3980-3815
Ingressos: entrada franca
Lotação: 78 lugares (mais três para cadeirantes)                  
Bilheteria: de terça-feira a domingo, das 10h às 20h
Acesso para pessoas com deficiência

 

 

 

O BrLab, laboratório de desenvolvimento de projetos audiovisuais, realiza, de 2 a 14 de novembro, no CCBB SP, a Mostra de Filmes BrLab, que leva ao cinema filmes que participaram das outras cinco edições do projeto.

Esta primeira mostra reúne 12 produções brasileiras e latino-americanas que passaram pelo laboratório quando ainda se encontravam em fase de desenvolvimento de roteiro e financiamento e agora estão completamente finalizadas.

Da edição de 2011, serão exibidos “O Lobo Atrás da Porta”, de Fernando Coimbra; “Amor, Plástico e Barulho”, de Renata Pinheiro; “Depois da Chuva”, de Marília Hughes e Claudio Marques; “La Vida Después”, de David Pablos; “La Casa Más Grande Del Mundo”, de Ana V. Bojorquez; e “Zanahoria”, de Enrique Buchicho.

“Sinfonia da Necrópole”, de Juliana Rojas; “Camino de Campana”, de Nicolás Grosso; “Clever”, de Federico Borgia; e “Antes o Tempo Não Acabava”, de Sérgio Andrade participaram do BrLab em 2012 e “El Soñador”, de Adrián Saba, em 2013.

Além disso, como complemento de programação, serão exibidos outros filmes que exemplificam o trabalho de quatro laboratórios convidados – Laboratório Histórias SESC-SP, Programa de Fomento e Formação Documental – Histórias que Ficam, AustraLab (Valdivia, Chile) e Bolivia Lab (La Paz, Bolívia) – a se apresentarem em mesas de debates durante a mostra.

Desta forma, além de reunir e exibir os filmes, alguns deles na presença de seus diretores e produtores, o evento promoverá a reunião de gestores de outros laboratórios análogos no Brasil e na América Latina de igual importância para debater o impacto que esses programas de capacitação e desenvolvimento de projetos têm nas obras exibidas durante a mostra e no mercado audiovisual como um todo.

As mesas de debate serão:

Laboratórios Internacionais
Apresentação dos laboratórios, critérios de seleção e metodologia
Com: Viviana Saavedra – Bolivia Lab, Erick Gonzalez – AustraLab
Mediação: Rafael Sampaio
Segunda-feira, 7/11

Processos dos Laboratórios
Como estes espaços podem aportar para o filme, como foi a experiência de participar de um deles e qual a importância de organizar estes laboratórios
Com: Juliana Rojas, Davi Pretto, Rafael Sampaio
Mediação: Leonardo Mecchi
Quinta-feira, 10/11

Novas Histórias: 20 anos
Desenvolvimento de roteiro
Com: Carla Esmeralda, Braulio Mantovani
Mediação: Thiago Dottori
Segunda-feira, 14/11

 

Mostra de Filmes BrLab
Data:
2 a 14 de novembro
Local: Centro Cultural Banco do Brasil – Rua Álvares Penteado, 112, Centro – São Paulo – (11) 3113-3651/3652
Ingressos: Filmes: R$ 5 / Mesas: retirada de senha com 1h de antecedência
Funcionamento: de quarta a segunda-feira, das 9h às 21h

Programação inédita no Brasil, homenagem ao grande cineasta Sergio Leone e pré-estreias especiais são os destaques do V BIFF – Brasília International Film Festival, que acontece entre 4 e 13 de novembro, no Cine Brasília e no Cine Cultura Liberty Mall. Serão 16 filmes, entre ficções e documentários de longa-metragem nas mostras competitivas, seis títulos assinados por Leone na mostra especial, três animações para o público infantil, dois títulos em pré-estreia e um filme especial de encerramento. A evento começa com a participação especial da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro executando composições de Ennio Morricone para a trilha sonora do filme Por um Punhado de Dólares, de Sérgio Leone, que poderá ser visto em seguida, na Sessão de Abertura, no Cine Brasília.

Voltado para a produção de jovens realizadores, o BIFF vai apresentar, nas mostras competitivas, filmes inéditos no Brasil, produzidos entre 2015 e 2016, e que são a primeira ou até a terceira realização do diretor. Para esta quinta edição, os 16 filmes em competição foram selecionados de um total de 321 produções inscritas, de 40 países diferentes. Participaram da comissão de curadoria o crítico e jornalista Rodrigo Fonseca, o produtor, exibidor e diretor geral do BIFF Nilson Rodrigues, as produtoras Lorena Quintas, Scarlett Rocha e Rafaella Rezende, a jornalista e programadora Anna Karina de Carvalho e a cineasta Érika Bauer.

O festival irá distribuir três prêmios nas mostras competitivas. Caberá ao público eleger o Melhor Filme de Ficção e o Melhor Filme Documentário. E uma comissão formada por críticos de cinema elegerá o filme agraciado com o Prêmio da Crítica José Carlos Avellar, concedido pela primeira vez, como homenagem ao grande crítico carioca, falecido em março passado, que atuou como curador do BIFF em edições anteriores.

Os filmes em competição estão divididos em duas categorias: ficção e documentário. Estão na programação títulos produzidos na Turquia, França, Espanha, Brasil, Colômbia, México, Portugal, Israel, Irã, China, Paraguai, Itália, Polônia, Estados Unidos, Alemanha e Canadá. Dentre as ficções, há títulos assinados por jovens realizadores já com trajetória sólida e prestigiada no universo do cinema mundial. É o caso do turco Mehmet Can Mertoglu, que com seu primeiro longa-metragem, Album, conquistou sete prêmios em festivais importantes como Cannes, Sarajevo e Jerusalém. Também na mostra competitiva de ficção, a israelense Michal Vinik traz Barash – O Amor Bate à sua Porta, que recebeu os prêmios de primeiro lugar em festivais como Haifa e Milão. Ainda o polonês Tomasz Wasilewski com Estados Unidos pelo Amor, que detém, entre outros, o prêmio de melhor roteiro do Festival de Berlim; e o mexicano Marcelino Islas Hernandez, com o filme A Caridade, sua segunda experiência como diretor – a primeira, Martha, conquistou prêmios na Croácia e no México. Marcelino Islas Hernandez estará em Brasília para conversar com o público no sábado, dia 5 de novembro, após a exibição de seu filme, às 19h, no Cine Brasília.

Dentre os documentários, estão na competição filmes como Al Purdy Esteve Aqui, sobre a vida e a obra de um dos maiores poetas canadenses do século XX, que marca a estreia em longa-metragem do aclamado crítico e comentarista canadense Brian D. Johnson. Também Exercícios da Memória, recentíssimo filme da paraguaia Paz Encina, que com seu primeiro longa, Hamaca Paraguaya, exibido na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes, conquistou nada menos que o Prêmio FIPRESCI, concedido pelos críticos de cinema internacionais, além de prêmios em festivais de Lima, Miami, Rotterdam e São Paulo. E ainda o espanhol Ander Duque, diretor e compositor nascido em Barcelona, que traz o filme Zoe e conversa com a plateia no dia 11 de novembro, após a exibição do documentário, programado para as 19h, no Cine Brasília.

O V BIFF fará uma homenagem especial ao premiado diretor italiano Sergio Leone (1929-1989), conhecido como o criador do western spaghettio faroeste à italiana, que renovou o gênero western. A obra de Leone, que é inspiração confessa de diretores contemporâneos, como Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, estará representada por seis títulos, dentre os mais conhecidos do realizador.

A mostra começa já no dia de abertura do festival, com a exibição do antológico Por um Punhado de Dólares, que apresenta o ator e diretor Clint Eastwood no começo da carreira e marca o início do que seria conhecida como a Trilogia dos Dólares de Leone. No filme, estão presentes os elementos que fizeram a fama do estilo de western à italiana, marcado por heróis solitários, sem nome, individualistas e meio sem escrúpulos, ou seja, sem o maniqueísmo dos títulos anteriores do gênero. A programação segue com os outros dois títulos da Trilogia dos Dólares: Por uns Dólares a Mais Três Homens em Conflito, ambos protagonizados por Clint Eastwood e Lee Van Cleef e considerados clássicos.

O público poderá ver também a chamada Trilogia Era uma vez, com os filmes que Sergio Leone ambientou na América: Era uma vez no Oeste, de 1968, com Cláudia Cardinalle, Henry Fonda e Charles Bronson, apontado por muitos como o melhor western já produzido; Quando Explode a Vingança (também conhecido como Quando Explode a Revolução), de 1971, sobre a Revolução Mexicana; e Era uma vez na América, um épico sobre a ação das máfias, lançado no Festival de Cannes de 1984 e vencedor do Globo de Ouro.

Para as crianças, o festival oferece a mostra Mundo Animado, com três títulos que poderão ser vistos por alunos das escolas públicas – através de agendamento – e pelo público em geral. Canção do Oceano é animação dirigida pelo irlandês Tomm Moore e com produção internacional que reuniu Bélgica, França, Dinamarca, Irlanda e Luxemburgo. Indicado ao Oscar de Melhor Animação em 2015, o longa apresenta uma história de aventura que recupera lendas antigas do povo celta.

Em Pinóquio, da alemã Anna Justice, está de volta uma das histórias mais amadas pelas crianças do mundo. A partir de um pedaço de madeira, o carpinteiro Geppetto constrói um boneco que ganha vida e escapa de casa para viver uma série de aventuras que incluem desde fugir com um circo até ser engolido por uma baleia. Essa vivência irá mostrar ao boneco as virtudes necessárias para se tornar um menino de verdade.

E ainda Mortadelo e Salaminho em Missão Inacreditável, uma divertida comédia em animação dirigida pelo espanhol Javier Fesser, que mostra como os atrapalhados detetives terão que fazer para conseguir prender o debochado vilão Jimmy Odoidão e recuperar o documento ultrassecreto roubada da agência de inteligência T.I.A. (Técnicos de Investigações Avançadas).

Além das exibições, o festival promoverá um curso de roteiro, ministrado pela cineasta argentina Maria Meira (premiada no Festival de Sundance pelo roteiro de La Mirada Invisible), e debates sobre os filmes, com a presença de realizadores e/ou dos curadores.

Na Sessão de Encerramento, exibição de Ma Ma, o mais novo filme do escritor e cineasta basco Julio Medem, o mesmo de Lucía e o Sexo (2010). Produzido em 2015, o filme é protagonizado pela atriz Penélope Cruz.

A programação completa do festival está disponível no site www.biffestival.com.

 

V BIFF – Brasília International Film Festival
Data: 4 a 13 de novembro
Local: Cine Brasília e Cine Cultura Liberty Mall
Ingressos: R$ 12,00 e R$ 6,00 (meia) – exceção para a Mostra Sergio Leone, com ingressos ao preço único de R$ 4,00

O mundo audiovisual parece embarcar definitivamente nas plataformas de distribuição de conteúdos, seja no “ao vivo”, como ocorreu no período das Olimpíadas Rio 2016, seja “por demanda”.

À medida que o consumo audiovisual vai se modificando e se consolidando na modalidade “por demanda”, as plataformas e aplicativos de oferta de conteúdo audiovisual vão se proliferando lado a lado com a oferta de canais de TV por assinatura lineares.

O audiovisual, num ritmo ainda mais acelerado que os outros consumos de informação, migrou rapidamente para o digital, impulsionado pela tecnologia; e caminha para as soluções on line. Vivemos “plugados” na tecnologia. Onde quer que estejamos, por exemplo, num vagão de metrô, o ser humano parece estar evoluindo para ter como extensão de um dos braços um smartphone.

Isso é posto e de conhecimento geral. Mas o que as plataformas de distribuição de conteúdo audiovisual podem contribuir com o “negócio” audiovisual? Quais as novidades para o ganho de escala e as novas oportunidades para a produção independente no Brasil?

Se dermos pequeno passo atrás no contexto da regulação do setor no Brasil, vamos observar que a Lei 12.485 tem seu nome original como Lei de Comunicação de Acesso Condicionado. Já preparando terreno para as regras específicas para o momento do Vídeo por Demanda, para além da TV por assinatura linear.

Como em qualquer indústria, um dos itens que garante competividade é o ganho de escala. Se, na TV por assinatura linear, a produção independente brasileira está cada vez mais presente com crescimento de três dígitos em quantidade, o que também responde por grandes audiências na programação dos canais, nas plataformas, essa mesma produção já recebe maior demanda e, inevitavelmente, impulsiona esse segmento das plataformas brasileiras, sobretudo as associadas ainda a grandes grupos de operadoras/empacotadoras.

É esse ganho que vai marcar uma nova fase nas plataformas. A do crescimento expressivo das produções inéditas brasileiras para a primeira janela (primeira exibição) das OTTs. No mesmo modelo das plataformas mundiais.

Independentemente das normativas de cotas que estão para ser anunciadas a qualquer momento pela ANCINE, para o segmento de Vídeo por Demanda, a evolução de produções inéditas brasileira para as plataformas é inevitável, diante da qualidade e do retorno de crítica, público e já de alguma renda para o tripé exibidor (plataforma), distribuidor/agregador e produtor.

Embarcar é preciso, no trem das plataformas, como “transporte” paralelo ao mundo da TV. O vagão da monetização e rentabilidade ainda está para ser preenchido.

Há ainda um longo caminho a percorrer na mudança de hábitos de consumo, mas a tecnologia existente já nos demonstrou que não há ponto de retorno para os conceitos de portabilidade e mobilidade.

Última chamada para a TV “em todo lugar” e “a todo momento”.Em nossas mãos.

 

Por Mauro Garcia, Presidente Executivo da BRAVI – Brasil Audiovisual Independente

A distribuição dos filmes brasileiros nas plataformas digitais está cada vez mais interligada com o próprio processo de produção e desde as primeiras negociações entre as produtoras e as distribuidoras. Os direitos de explorar a obra nas salas de cinema e nos ambientes voltados para os vídeos sob demanda (VOD) já entram na pauta inicial e acabam resultando no licenciamento que será efetivado anos depois, quando o filme já estiver pronto. Em alguns casos, a estreia nos cinemas e no VOD acontece simultaneamente, mas a maioria dos longas-metragens ainda segue o intervalo tradicional das janelas, embora esse período esteja cada vez mais curto. A Revista de CINEMA conversou com alguns produtores e distribuidores para saber a direção que eles estão tomando em meio a tantas transformações.

As primeiras experiências

A O2 Play, braço de distribuição da produtora O2 Filmes, foi criada em 2013 e, desde então, trabalha com as plataformas digitais no lançamento de seus filmes. Naquele mesmo ano, “Cidade Cinza”, de Marcelo Mesquita e Guilherme Valiengo, foi a primeira estreia da distribuidora nos cinemas e, logo depois, também no iTunes. No ano seguinte, o passo foi maior, com o projeto transmídia “Latitudes”, de Felipe Braga, e a estreia simultânea, nas salas e em VOD, do filme “Junho – O Mês que Abalou o Brasil”, de João Wainer, sobre as manifestações que ocuparam as ruas de todo o país.

“A experiência de fazer um day-and-date com o documentário foi muito interessante. O filme foi captado em junho de 2013 e lançado em junho de 2014, muito rápido do ponto de vista de produção”, analisa Igor Kupstas, diretor da O2 Play. A estreia concomitante de “Junho” permitiu que o longa-metragem chegasse não apenas aos cinemas das principais capitais, mas também a todas as cidades brasileiras e a mais de 90 países pelo iTunes, com legendas em inglês, espanhol, alemão e francês. As vendas para o exterior, inclusive, foram bem significativas. Segundo Kupstas, um terço do resultado do filme no digital veio de fora do Brasil.

Igor Kupstas (O2 Play): a distribuição digital permitiu alcançar as principais capitais brasileiras e o mercado internacional ao mesmo tempo

Em 2016, a distribuidora segue ampliando o seu catálogo e linhas de atuação. Além de ser uma agregadora do iTunes, entregando os filmes codificados para ficarem acessíveis na plataforma, a O2 Play inaugurou, em abril, o serviço especializado de curadoria, realizada pelo cineasta Fernando Meirelles, apostando na indicação dele para o melhor conteúdo disponível aos usuários. Outra frente nova da empresa são os selos de diretores nacionais no iTunes. O primeiro deles foi sobre a obra de Ugo Giorgetti, com um catálogo de 12 filmes, incluindo o mais recente “Uma Noite em Sampa”, que saiu há poucos meses das salas de cinema. Para este mês de setembro, está previsto o lançamento dos filmes de Toni Venturi, na mesma plataforma, e, mais adiante, a ideia é estender o projeto a diretores estreantes.

Neste ano, o iTunes também ganhou uma nova agregadora brasileira de conteúdo: a Elo Company. Distribuidora de filmes brasileiros e internacionais nas salas de cinema e em outras mídias, a empresa aposta no VOD há muitos anos e vem crescendo nessa disputa pelo espaço digital. Com a distribuição internacional de “O Menino e o Mundo” – animação que ganhou o principal prêmio do Festival de Annecy e foi indicado ao Oscar de Melhor Animação –, a Elo se confirmou como mais uma empresa importante nesse mercado e acredita no VOD como uma janela decisiva para os filmes brasileiros.

“O consumidor brasileiro realmente utiliza as mídias digitais. Além disso, a regulamentação deverá trazer maior segurança jurídica aos players e a entrada de novas empresas no país. Acredito que haverá uma enorme demanda de conteúdo nacional em VOD nos próximos anos, assim como ocorreu com a TV paga após a lei. A demanda será de volume de licenciamento e por obras originais”, aposta Sabrina Nudeliman Wagon, diretora executiva da Elo Company.

Novos modelos de negócios com a produção

Por enquanto, o lançamento de documentários em VOD são mais lucrativos quando comparados ao lançamento dos filmes de ficção, mas ainda “depende do perfil do filme”. E a estreia simultânea ainda não está nos planos imediatos de Sabrina. “Há, sim, uma diminuição de intervalo e a possibilidade de pré-venda em VOD quase simultaneamente ao cinema. Mas, em relação ao simultâneo, a própria Netflix teve dificuldades com este modelo”, compara ela.

O diretor presidente da distribuidora H2O, Sandro Rodrigues, aposta mais alto. Pela sua perspectiva, já em 2017, haverá um crescimento expressivo de estreias de filmes nacionais em salas de cinema e, ao mesmo tempo, em VOD. Ou até mesmo diretamente nas plataformas, principalmente, para os filmes de pequeno orçamento, que ele considera como “de nicho”. “Nós estamos nos planejando para isso e acho que vai mudar o mercado como um todo”, diz Rodrigues. Com isso, o catálogo de filmes nacionais também poderá ser maior na H2O a partir do próximo ano.

Sandro Rodrigues (H2O): a expectativa é que haverá um crescimento de estreia de filmes nacionais por VOD, em 2017

“O lançamento em VOD, principalmente de documentários, diminui muito o risco. A gente consegue lançar filmes que antes não eram possíveis, porque o PA [custos com a produção de cópias e materiais promocionais e de propaganda] acaba sendo muito menor”. Para filmes de grande orçamento, o cenário continuará no perfil mais tradicional, segundo Rodrigues. Como o investimento em blockbusters é muito maior, ainda é “fundamental o lançamento nas salas de cinema” e o desempenho desses filmes na tela grande também continuará decisivo para o sucesso ou o fracasso nas vendas transacionais nas plataformas, como no iTunes, Google Play, Net Now.

A H2O surgiu em 2012 e, desde então, diversifica o seu catálogo nacional com filmes de todos os tamanhos. O mais recente é a comédia “Vai que Cola”, dirigido por César Rodrigues e estrelado por Paulo Gustavo. Nos cinemas, o filme vendeu 3.307.837 de ingressos, segundo a Agência Nacional do Cinema (Ancine). Também em 2015, a distribuidora lançou o documentário “Cássia Eller”, de Paulo Henrique Fontenelle, que levou 75.133 pessoas aos cinemas, o que é um ótimo público quando comparado a outros filmes de ficção e documentário também lançados no circuito, inclusive pela própria H2O: “Hoje” (2014), de Tata Amaral e estrelado por Denise Fraga e César Trancoso, teve 7.525 espectadores.

“‘Cássia Eller’ também foi muito bem no VOD. O que só comprova que os filmes de nicho, menores, são os que acabam tendo um rendimento maior nas plataformas, que tem uma cauda longa e onde nós encontramos o público”, diz Rodrigues.

Lucrativo para os produtores

Rodrigo Letier, da produtora TV Zero, concorda com Rodrigues e reforça a importância do VOD para o escoamento dos seus filmes, principalmente os menores. O primeiro caso de sucesso e que chamou a atenção da produtora para o rendimento nas plataformas foi de “Serra Pelada – A Lenda da Montanha de Ouro”, documentário de Victor Lopes. O filme estreou nas salas de cinema quando a série da TV Globo, “Serra Pelada”, adaptada do filme de Heitor Dhalia, estava justamente sendo exibida. “O documentário ficou pouquinho no cinema e logo depois entrou no Canal Brasil, no Net Now e no iTunes. Foi um baita sucesso, vendeu muito e a gente ganhou um bom dinheiro. Havia um interesse das pessoas que estavam vendo a ficção na TV Globo e elas começaram a se interessar também pelo nosso filme. Percebemos que o VOD era um nicho interessante para circular os nossos filmes”, relata Letier.

Para os filmes menores, especialmente documentários, a própria TV Zero acaba disponibilizando nas plataformas, inclusive no seu próprio site. Mas quando o filme é maior e tem uma distribuidora grande atuando em conjunto, o processo é mais tradicional. Em meados de agosto, o longa de ficção “Nise – O Coração da Loucura”, de Roberto Berliner, ainda estava em cartaz em raras sessões nos cinemas de São Paulo, mas também já estava disponibilizado no iTunes, Google Play e Net Now, e acabou aproveitando o boca-a-boca positivo do filme para conquistar esse novo público.

Para o produtor, a receita em plataformas transacionais (TVOD) acaba sendo a última que sobra, assim como ocorre no cinema, depois de pagar a porcentagem de todos os agentes envolvidos. Ou seja, a cada venda ou aluguel do filme, o valor é dividido entre a plataforma, o distribuidor e o produtor. Quanto mais plataformas o filme estiver disponível, simultaneamente, melhor para o produtor. No caso de plataformas por assinatura, conhecidas como SVOD, a exemplo do Netflix, o valor de pré-venda é fixo e concede o direito de exibição para a empresa em um determinado período e território de exploração.

No futuro, Letier não descarta lançar documentários e longas de ficção diretamente em VOD. “Sempre pensamos no VOD com carinho e continuaremos pensando. É um dos lugares que, dependendo do filme, é onde é mais visto”.

Paula Cosenza (Bossa Nova Films): afirma que o VOD vem somar com as receitas das salas de cinema

A produtora Paula Cosenza, da Bossa Nova Films, também é entusiasta das plataformas digitais, mas não vê uma transformação tão radical do mercado. “Muitas vezes, você tem melhores números no VOD do que com o cinema”, conta ela, porém não é uma regra e “depende do conteúdo”.

“Tem pessoas que vão ao cinema e tem pessoas que não vão. Um filme sempre pode ser visto numa sala de cinema. É como se fossem públicos diferentes, não quer dizer que aquele filme vai para o VOD porque ele não é bom para o cinema. É o público que varia, não é o filme”. Para Paula, o aconselhável é que o intervalo entre as janelas seja encurtado, mas não que um vá substituir o outro, ou que a produtora abrirá mão de lançar os filmes nas salas. Até porque um gera o burburinho para o outro.

“Você não precisa necessariamente recuperar o PA do distribuidor só no cinema, você recupera em todas as janelas. O VOD soma e, definitivamente, é uma receita bastante importante para nós também. É uma das maiores receitas dentre as várias janelas do filme”, conclui ela.

 

Por Belisa Figueiró