“Unidade Básica” é uma série do canal Universal e que foi escrita pelos autores desse artigo: Newton Cannito e Marcos Takeda.

A série partiu de um grande desafio: fazer um drama de hospital num ambiente de Unidade Básica, o tradicional “postinho de saúde”. As séries médicas, geralmente, acontecem em hospitais e têm duas situações clássicas: urgência (“Plantão Médico”) ou doença rara (“Dr. House”, processo investigativo). No nosso caso, foi diferente. O objetivo era abordar doenças crônicas (diabetes, por exemplo) e que, apesar de serem letais e tirarem a qualidade de vida do paciente, não têm urgência médica. Elas também são facéis de diagnosticar, o que dificulta a criação de um drama de investigação. Ao mesmo tempo, tínhamos que criar uma série que tem curva longa e investigação de um caso por episódio em 26 minutos.

Para resolver esses dilemas, começamos com a pesquisa de campo aprofundada e uma pesquisa teórica sobre as concepções de medicina. Logo fizemos o mapa dramático principal, o grande conflito conceitual que deu unidade à série: há uma médica especialista focada na doença e um médico de família, que defende uma medicina humanizada e focada no paciente. A preocupação dos médicos que entrevistamos é com séries como “Dr. House”, que acabam sendo apenas promotores da hipocondria, enfatizando apenas a inteligência do médico especialista, desvalorizando o trabalho do Médico de Família e Comunidade e a complexidade da Atenção Básica. Nosso objetivo na série foi mostrar a importância desse segundo tipo de medicina e criar um novo herói para as séries médicas. Um médico que, ao contrário de House, se preocupa com os seres humanos.

Logo percebemos que, em muitos casos, a investigação não precisa ser sobre “qual é a doença”. A doença é clara desde o início: Aids, diabetes, cirrosse. A investigação real é sobre por que o paciente quer morrer! Ou que contextos socioculturais evitam que ele trate realmente de sua doença. Para isso, ao invés da inteligência ser focada no diagnóstico raro, o prazer investigativo é entender os arranjos familiares e o contexto social do paciente. Conflitos éticos e concepções religiosas entram em jogo e nossa médica especialista tem que aprender a lidar com seres humanos reais, nao apenas com doenças.

Em seguida, foi necessário pensar um formato que realizasse um processo investigativo e que se encaixasse dentro de 26 minutos. Então, aqui, buscamos referências que pudessem servir de inspiração e modelo. É raro ver séries dramáticas de 30 minutos. Encontramos “Nurse Jackie”, que segue drama pessoal em uma curva longa, o que não nos servia de exemplo.

Foi, então, que a consultoria do canal Universal nos ajudou. Nos indicaram o mestre dos formatos Dick Wolf. Estudando a série “Lei e Ordem”, que apesar de ter uma hora de duração com comerciais (cerca de 40 minutos de série), a série se divide em duas partes, praticamente independentes: investigação e julgamento, sobrando cerca de 20 minutos para cada parte. Para retratar a estória em tão pouco tempo, algumas características da série se ressaltam: personagens centrais reduzidos, não há tempo morto, elipses e centralização em cenas chaves que chegam direto no ponto, sem dramas pessoais (esses eram revelados em reações a casos que se assemelhavam a algo pessoal do passado dos personagens).

O que nos inspirou em “Lei e Ordem” foi a manipulação do tempo do universo da série. Centrando em cenas chaves e corte do tempo morto, pudemos fazer uma aceleração de tempo sem precisar ser indicado por lettering. Seguindo a linha investigativa ciclicamente: aplicação da teoria (diagnóstico), resultado não satisfatório (discussão de equipe) e novas teorias. O tempo da diegese da série em um episódio poderia durar cerca de 9 meses sem que fosse necessário explicar ou apontar. Isso foi libertador, porque, se pararmos para analisar, o tempo da temporada dura um ano e se fóssemos nos prender a rigidez da “realidade”, ou faríamos uma série multiplot ou teríamos que nos atentar às dinâmicas entre os personagens dentro do episódio. Por exemplo, no primeiro bloco, Paulo e Laura estariam animosos, enquanto que no final (passados 9 meses), eles estariam mais amigáveis e isso era ruim para o episódio em si.

Durante o processo de formato, já havíamos criado um mapa dos personagens; os principais: dra. Laura é mais “cientista” e foca nos sintomas, dr. Paulo é “humanista” e foca no paciente. Para os secundários, foram pensados diversos personagens, porém novamente esbarramos no tempo e tivemos que reduzir aos essenciais: Beth, enfermeira e gerente que tem como função coordenar e mediar os médicos, Malaquias, agente comunitário que traz informações sobre os pacientes e também serve de ouvido para Paulo, e Samara, “estagiária”, mais ligada a Laura é quem traduz a discussão médica para o público.

Tendo todos esses conceitos claros, foram escritas as várias versões do roteiro, além da adequação à fidelidade médica. Os roteiros foram afinados pensando em gancho para os finais de bloco, revelação final, discussão teórica, entre outros pontos.

OBS: A série foi criada por Ana Petta, Helena Petta e Newton Cannito. Os roteiros foram escritos em colaboração com Victor Hugo Valois e com consultoria de Helena Petta. A direção foi de Carlos Cortez e Caroline Fioratti e produção da Gullane, em coprodução com a FICs.

 

Por Newton Cannito e Marcos Takeda, roteiristas

Rosto popular na TV, Paulo Betti acaba de sair de sua segunda experiência como diretor de cinema com uma certeza: sua vocação é mesmo ser ator.

Ele faz a confissão à Revista de CINEMA, dividido entre o alívio pelo fim da correria das filmagens e a felicidade em concretizar um projeto extremamente pessoal iniciado há mais de duas décadas, dentro de uma fase em que ele próprio, hoje aos 63 anos, revê sua trajetória a partir do monólogo “Autobiografia Autorizada”, com o qual cumpriu temporada no ano passado.

Adaptado de uma novela do americano Henry James (1843-1916), seu longa “A Fera na Selva” acompanha um casal longevo. Ele espera que algo extraordinário aconteça na sua vida, enquanto ela se dá conta da dificuldade em ver tal expectativa concretizada.

É uma história de carga filosófica, que reflete sobre a importância da experiência do presente sob um viés intimista e também íntimo para Betti. Ele montou o texto no teatro, no início dos anos 1990, e atuou ao lado de sua então mulher, Eliane Giardini, com quem foi casado por 25 anos e hoje mantém uma forte amizade.

Levar esse marco da carreira dos dois para as telas se tornou uma obsessão. As dificuldades de financiamento, no entanto, colocaram outros projetos à frente, como “Cafundó” (2005), filme estrelado por Lázaro Ramos com o qual o ator estreou na direção ao lado de Clóvis Bueno.

Dez anos depois, Betti voltou, enfim, a ficar atrás das câmeras – e em Sorocaba, cidade onde ele e Eliane cresceram e que abraçou a ideia da adaptação. Apesar de somar também as funções de produtor e coprotagonista, o ator optou inicialmente em assumir a direção sozinho, mas sem desmerecer o fato de o cinema ser, essencialmente, uma atividade coletiva. “Você tem que estar firme no que pretende fazer, mas também tem que ouvir as pessoas”, afirma ele, anunciando a decisão de dividir os créditos de diretor com Eliane e Lauro Escorel, seu diretor de fotografia.

Feito com R$ 1,5 milhão, “A Fera na Selva” acaba de receber o apoio da Globo Filmes, que entrou no projeto como coprodutora e irá cuidar de sua distribuição, além de também palpitar no corte final por meio do cineasta Fernando Meirelles, integrante do comitê artístico da empresa. “Ele gostou do que viu e está empenhado em tornar o filme mais palatável”, diz Betti. A expectativa é que o longa chegue aos cinemas até o fim do ano após uma temporada de pré-estreia na região de Sorocaba.

Longe das novelas desde o cômico blogueiro Téo, em “Império” (2014), ele fala, na entrevista a seguir, sobre as dificuldades de colocar a adaptação de pé, a importância das parcerias no cinema e o papel da cultura no atual cenário de acirramento político no Brasil, em especial, após a abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff, afastada da presidência do país em maio. O ator comenta ainda seu trabalho mais recente com o diretor Alain Fresnot, no filme “Uma Noite Não É Nada”, que o fez voltar a encarar o set sem qualquer outra interferência, a não ser dar o seu melhor para o personagem. “É legal não precisar se preocupar se vai ou não chover”, diz Betti aos risos.

Paulo Betti e Eliane Giardini, ao fundo, em cena de “A Fera na Selva”: sua segunda experiência como diretor. © Fernando Henrique

 

Revista de CINEMA – “A Fera na Selva” marca seu retorno ao texto que lhe conferiu o Prêmio Shell no início dos anos 1990. O que o motivou a revisitar essa obra de Henry James no suporte do cinema?

Paulo Betti – A ideia original, desde a peça, sempre foi da Eliane [Giardini]. Ela que gostava do livro e pensou, com [o ator e diretor] José Wilker (1946-2014), em fazer uma adaptação. Eu estava apenas como produtor da peça, que teria o Carlos Augusto Strazzer (1946-1993). Quando já estávamos fazendo as fotos para divulgação, ele ficou muito doente, então desistimos. Para não perdermos a verba, fizemos “Perversidade Sexual em Chicago”, do David Mamet. Quando decidimos fazer “A Fera na Selva”, já era 1992. Chamamos o Luiz Artur Nunes para fazer a adaptação e montamos. Um dia, estávamos no carro a caminho de Angra dos Reis, onde iríamos fazer a peça, e fomos passando o texto no carro. Enquanto eu e Eliane falávamos em voz alta, me ocorreu que aquilo poderia ser um filme. O texto soava interessante com o carro em movimento, naquela paisagem. Então, começou a nascer o projeto do filme. Fiz uma primeira adaptação para um roteiro e inscrevi em editais de baixo orçamento. Tentei diversas possibilidades de financiamento, corri atrás, fui recusado em pitching… No fim, não consegui encaixar em nada. Muitos anos depois, quando estava desistindo de fazer o filme e pensava em me dedicar mesmo a ser apenas ator, recebi um telefonema de uma firma de Sorocaba, chamada Flextronics, dizendo que ela tinha verba para algum projeto. Foi uma surpresa grande! Eu estava no camarim da televisão quando recebi a notícia. Era um dinheiro muito baixo, mas pensei que era um sinal. Fazer o filme em Sorocaba me pareceu muito estimulante, pensei que ele ganharia uma nova potencialidade. Aí, a coisa ficou muito mais atraente.

Revista de CINEMA – O que o fez insistir nesse projeto por tantos anos?

Paulo Betti – Certamente, minha relação com Eliane. Fomos casados durante 25 anos, fizemos essa peça juntos, a história entre os personagens é muito parecida com a da nossa relação. Pode parecer meio mesquinho, mas sempre achei que seria muito bonito se a gente conseguisse registrar isso – e quando o projeto foi para Sorocaba ficou ainda mais bonito. O filme é a coroação de uma história nossa que se transformou durante o tempo, mas que se manteve muito íntegra. Além dos filhos que tivemos e das peças que fizemos juntos, era uma forma de fazer uma obra com um recado forte e que a gente achava que devia ser passado com emoção.

Revista de CINEMA – Essa é uma trama com um final um tanto trágico. De que forma ela se relaciona com a história de vocês?

Paulo Betti – Ela se relaciona, primeiramente, porque nós fazemos um casal, o que também já fomos na vida. Eu também identifico certas obsessões minhas no meu personagem. Ele é detestável, quase um vilão. Essa é a história de um homem e uma mulher que passam a vida inteira juntos, mas ele tem uma ideia fixa: ele acha que vai acontecer algo extraordinário na vida dele e coloca essa mulher à serviço da obsessão dele, mas ela começa a sacar que não vai acontecer nada. A vida é isso, é essa nossa conversa, não vai ter fogos de artifício no meio dela.

Revista de CINEMA – Esta é a adaptação para cinema de uma peça que foi adaptada de um livro. Como diretor, qual o principal desafio nessa transposição de linguagens?

Paulo Betti – Cinema é outra coisa. Fui reescrevendo o roteiro, tirei narrador, botei narrador… A Eliane deu muitos palpites, mas fechei questão em cima do roteiro que eu tinha preparado imaginando como seria o filme.

Tivemos que saber a hora de cortar a palavra: tudo o que a gente achava que era muito importante e que, na verdade, podia não ser tão importante assim. Fomos trabalhando na adaptação para cortar esses excessos, e tivemos que cortar também muito na edição. Esse foi um trabalho cirúrgico do Eduardo Escorel, nosso montador, que abriu espaços para cenas com mais amplidão.

Dessa vez, eu também já tinha mais conhecimento da coisa, porque já tinha feito o “Cafundó”, que me deu uma experiência completa, desde a produção à finalização e ao lançamento. Então, já fui com uma nova abordagem.

O ator Lázaro Ramos, em cena de “Cafundó”, primeiro longa dirigido por Paulo Betti inspirado nas suas memórias de infância

Revista de CINEMA – O projeto de “A Fera na Selva” nasceu antes de “Cafundó”, certo?

Paulo Betti – Muito antes. “Cafundó” foi uma parada que nós fizemos para depois fazer “A Fera na Selva”.

Revista de CINEMA – O que você trouxe dessa primeira experiência como diretor para esse set e que erros você cometeu ali que, dessa vez, conseguiu driblar?

Paulo Betti – O aprendizado principal foi não dividir a direção. Eu dirigi “Cafundó” com o Clóvis Bueno. Respeito o relacionamento que tivemos ali, mas não gostei da experiência. A direção dividida foi uma das coisas que me deixou insatisfeito. Dessa vez, eu queria ser o diretor e mandar no filme.

Outra coisa que aprendi foi a construir uma parceria com o diretor de fotografia, daí a minha insistência em ter o Lauro Escorel comigo. Chegaram a me apresentar outras possibilidades, mas bati muito o pé em relação a isso, o que se revelou um acerto, porque ele começou imediatamente a me apontar o que eu tinha que fazer. Isso foi importante, porque me deu o timing que eu não tinha aprendido direito com “Cafundó” e me ajudou a saber a hora certa de contratar os profissionais para fazer a coisa andar. Aprendi também a buscar imediatamente um bom produtor, que, no caso, foi o Giba [Antunes], da Batuta Filmes, lá de Sorocaba.

O interessante disso tudo foi que, no último dia das filmagens, voltando com o Lauro e a Eliane para o hotel, eu propus que eles dividissem os créditos de direção comigo. Essa foi uma ideia que surgiu no processo. Não sabia que ia tomar essa decisão enquanto estava filmando. Eu tinha um papel enorme no filme e, além de dirigir, também era o produtor – tinha que assinar cheque no intervalo entre uma cena e outra. O conhecimento desses dois foi fundamental.

Revista de CINEMA – As parcerias foram, então, importantes para você lidar com tantas funções ao mesmo tempo?

Paulo Betti – Sim, e isso foi muito positivo. Minha sorte é que eles só souberam que seriam codiretores depois! (risos) Foi ótimo, porque assim pude manter a autoridade sobre o filme. Aprendi também isso: você tem que estar firme no que pretende fazer, mas também tem que ouvir as pessoas. Eu e a Eliane estudamos o texto juntos durante quase um mês. Quando chegávamos ao set, ela ajudava muito a marcar as cenas, enquanto o Lauro já ia bolando as tomadas das câmeras. Honestamente, eu não tenho a vocação do diretor de cinema no sentido plano, de saber para onde apontar a câmera. Sempre trabalhei no teatro, sei como distribuir os atores no palco, mas não fico pensando no plano, na logística, quanto tempo vai levar para fazer. No fim, deu certo.

Revista de CINEMA – Você e Eliane têm uma história próxima com Sorocaba. O que esse set trouxe de diferente para a história?

Paulo Betti – Estávamos muito emocionados com a ideia de estarmos trabalhando juntos ali. Aquele foi o lugar onde passamos nossa infância e nos conhecemos. Esse fato fez com que toda a realização do filme tivesse uma emoção especial. As pessoas em Sorocaba estavam felizes por nós, dois atores conhecidos da televisão, estarmos filmando ali, o que somou uma corrente muito positiva. Propomos ao Sesi uma contrapartida de apoio na qual fizemos uma aproximação com todo mundo interessado em fazer cinema na cidade. Surgiram duas mil pessoas, e parte delas atuou como figurante ou ajudou a equipe. Fizemos também parceria com uma faculdade de Salto, uma cidade perto, e desenvolvemos um cineclube durante o processo de preparação do filme. Fizemos dez sessões de filmes que tinham a ver com o que nós pensávamos que poderia ser o nosso. Para você ter ideia, um menino figurante, de dez anos, assistiu a “Limite” (1931), do Mário Peixoto, leu o roteiro e a novela do Henry James e deu palpite sobre como devíamos aproximar o final do nosso filme com o daquele outro, reforçando uma ideia que a gente já tinha. Chegávamos ao cineclube cansados pra caramba, às vezes até sem saco, mas estavam lá 300 pessoas querendo ver “O Quarto Verde” (1978), do [François] Truffaut. Também tivemos uma grande facilidade para conseguir espaços para filmar em lugares mitológicos para mim e que sorocabanos frequentam: a estação de trem, o museu de arte moderna, o teatro. Isso tudo está no filme.

Revista de CINEMA – Você acaba de rodar também “Uma Noite Não É Nada”, nova produção de Alain Fresnot, que o dirigiu em “Ed Mort” (1997). Como foi esse reencontro?

Paulo Betti – Foi muito legal. Fizemos também um drama. Foi uma delícia trabalhar com o Alain. Esse é um filme triste pra caramba, mas foi muito gostoso de fazer. É a história de um professor que se apaixona por uma moça (Luiza Braga) que tem Aids, e eles vivem uma paixão um pouco suicida. Também foi filmado em um tempo curto, e fiz antes de partir para a montagem de “A Fera na Selva”. É gostoso trabalhar só como ator depois de fazer um trabalho como diretor, ator e produtor. É legal não precisar se preocupar se vai ou não chover (risos).

Paulo Betti (ao centro), nas filmagens de “Uma Noite Não É Nada”, do diretor Alain Fresnot (de pé), no papel de um homem maduro, apaixonado por uma jovem com Aids. © Aline Arruda

Revista de CINEMA – Assim como “A Fera na Selva”, “Uma Noite Não É Nada” é um filme que nada contra a corrente da atual produção acelerada de comédias no país, e seu último papel em novelas foi marcado justamente pela comédia. Você sentiu alguma pressão de potenciais patrocinadores para apostar nesse filão?

Paulo Betti – Sempre tem esse tipo de coisa. Questionavam o fato de o filme ter apenas eu e a Eliane. Ouvi isso em muitos lugares. “Só dois atores?” Sim, tem muitos filmes assim, tem “Antes do Pôr do Sol” (2004) e toda uma trilogia só com dois atores. Eu dizia: “Observem a história, prestem atenção nela, que pode ser boa”. Tem uma caretice do mercado, sim, em relação a certo tipo de filme. Eu fiz um filme de baixo orçamento. Não tenho pretensão de conseguir um público estratosférico. Se eu conseguir cem mil espectadores está mais do que bom.

Revista de CINEMA – Financiar projetos é sempre algo muito difícil. Para levantar os recursos de “Cafundó”, você experimentou um sistema de investimento de pessoas físicas descontado em folha de pagamento, o que seria uma alternativa à dependência de patrocínios e editais. Como você avalia essa experiência?

Paulo Betti – Foi muito desgastante, porque você se dispersa muito. Eu precisava conseguir mil aposentados para que a coisa funcionasse. A Previ (Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil) fez um anúncio no holerite dos aposentados, no qual eu falava que o cinema brasileiro era o álbum de fotografia do Brasil. No outro mês, eu explicava o que era o “Cafundó” e, no seguinte, como eles poderiam colaborar com o meu filme. Era algo como R$ 40 que a Previ adiantaria e, no fim do ano, seriam restituídos no Imposto de Renda. O problema é que isso é como o “Criança Esperança”: na hora que você se mobiliza, que aquilo o toca e você quer ajudar, você tem que pegar o telefone e, no impulso, fazer a doação. Se você for esperar o outro dia para isso, o desejo que você teve de fazer a contribuição já é suficiente e você não se levanta para ir lá investir. Você sente que já se tornou uma boa pessoa apenas por ter querido fazer aquilo. Consegui 80 pessoas, aposentados do Brasil inteiro. Comecei a ligar para cada uma dessas pessoas pensando que elas podiam convencer outras, mas não deu. Foi o tipo de coisa que a gente tenta fazer funcionar quando está na produção, mas não funciona.

Revista de CINEMA – O financiamento da cultura é uma questão bastante debatida atualmente. A Lei Rouanet está na mira de congressistas e de certa opinião pública. Por que essa legislação está sendo vilanizada?

Paulo Betti – O Brasil está em um momento de crise política forte. Estamos passando por um golpe branco, e os artistas, por suas tradições libertárias, estão majoritariamente contra isso. Uma grande maioria de políticos – alguns extremamente reacionários – se sente agredida por eles e estão querendo fazer uma devassa na Lei Rouanet para punir os artistas que, para o desespero deles, não são quem mais arrecada com isenção fiscal. Criou-se o estigma de que os artistas vivem de mamar nas tetas do governo quando, na realidade, no que diz respeito ao cinema, com a Ancine (Agência Nacional do Cinema) e a criação de séries de TV e editais e tudo mais, acabaram desenvolvendo um setor muito próspero do ponto de vista comercial, com muitos empregos e o florescimento de estúdios. Não dá para conviver com um sistema político que tem um Congresso como o que temos hoje no Brasil. Era evidente que ia rolar algum conflito. É só você ver quem lidera essa perseguição às leis de incentivo à cultura.

Revista de CINEMA – Sedes do Ministério da Cultura e da Funarte seguem ocupadas em todo o país a despeito da recriação do Ministério da Cultura. Na sua opinião, por que as manifestações seguem ocorrendo?

Paulo Betti – Não considero o governo do Temer legítimo. Acho que essas ocupações são ponta de lança de um inconformismo de como foi conduzido o processo de impeachment da presidente Dilma. Não estou nem fazendo a defesa dela. Estou dizendo que acompanhei a progressão dos fatos e vi com clareza as combinações entre o setor jurídico e as grandes empresas de comunicação e como isso foi se combinando para criar as condições de povo na rua que levaram àquele espetáculo horrendo que nós todos vimos, com excelentes pais de família tementes a Deus que, logo na sequência, se revelaram absolutamente corruptos. E o governo Temer, pelo seu açodamento no processo que devia ser de apenas interinidade e na falta de juízo ético e moral na escolha de seus ministros, mostra não ser legítimo. Então, eu apoio as ocupações dos espaços de cultura no país e as considero muito legítimas. A cultura tem esse papel de denúncia, de deixar claro que o que está ocorrendo no Brasil é um golpe.

Revista de CINEMA – A Lei da TV paga está abrindo um bom campo de trabalho para séries dramáticas e documentais. Você tem algum projeto de direção nesse novo campo?

Paulo Betti – Meu projeto, depois de “A Fera na Selva”, é continuar meu trabalho como ator. Eu sou ator. Estou felicíssimo com o filme, mas não quero ser diretor, não (risos).

 

Por Amanda Queirós

A ANCINE e o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) divulgaram uma nova lista de projetos para o cinema e a televisão que receberão investimentos do Programa Brasil de Todas as Telas. São 16 projetos no total: nove longas-metragens para as salas de cinema, sendo seis de ficção, dois documentários e uma animação; e dois telefilmes, quatro séries documentais e uma série de ficção para veiculação na televisão por assinatura, que receberão um total de R$ 16,1 milhões, em recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).

Pela Chamada Pública PRODECINE 02/2013, na qual as distribuidoras apresentam projetos de produção de longas-metragens, foram cinco os contemplados: os documentários “Proibido Nascer no Paraíso”, de Joana Nin, apresentado pela Boulevard Filmes, e “Jair Rodrigues – Deixa que Digam”, de Rubens Rewald, apresentado pela Elo Company; e os filmes de ficção “Albatroz”, de Daniel Augusto, apresentado pela Paris Filmes, “Montanha Russa (Molambo)”, de Vinicius Reis, apresentado pela Pandora Filmes, e “Argelino por Acaso”, de Karim Aïnouz, apresentado pela Gullane Entretenimento.

Três longas-metragens foram selecionados pela Chamada Pública PRODECINE 03/2013 e receberão recursos para a fase de comercialização da obra. Foram contemplados dois filmes de ficção (“Antes o Tempo Não Acabava”, de Sérgio Andrade e Fábio Baldo, e “A Cidade onde Envelheço”, de Marília Rocha) e um de animação (“Bruxarias”, de Virginia Curia).

Já a Chamada Pública PRODECINE 04/2013, que investe na complementação de recursos, selecionou o projeto “O Beijo”, com direção de Murilo Benício.

A operação também contemplou sete projetos destinados às grades de programação das TVs por assinatura. Pela Chamada Pública PRODAV 01/2013, foram contemplados três projetos documentais com a primeira exibição prevista para o canal CineBrasilTV: as séries “Brasil do Povo”, de Ugo Giorgeti, e “Marcadas para Morrer”, de Belisário Franca, e o telefilme “A Idade da Água”, de Orlando Senna.

Outros dois projetos de teor documental estarão na programação do Canal Curta!: a série “Balanço Black”, de Flavio Frederico, e o telefilme “Em Busca de Carlos Zéfiro”, de Silvio Tendler. Com estreia prevista para o canal Prime Box Brazil, a série “Retratos do Cárcere”, de Tatiana Sager, também figura entre os contemplados. Completa a lista de investimentos em conteúdo para TV, a série de ficção “Toda Forma de Amor”, de Bruno Barreto, para o Canal Brasil.

Confira abaixo as fichas técnicas dos projetos contemplados:

PRODAV 01/2013

“Brasil do Povo” – Série documental
Produtora: SP Filmes de São Paulo (SP)
Programadora: CineBrasilTV
Direção e Roteiro: Ugo Giorgeti
Valor investido pelo FSA: R$ 705 mil
Sinopse: Série de dez episódios de 26 minutos cada, apresentando e descrevendo o trabalho de dez diferentes artistas populares brasileiros, todos retratados em seus ambientes típicos, em suas cidades, bairros , residências e locais de trabalho.

“A Idade da Água” – Telefilme documental
Produtora: HL Produtora de Filmes (RJ)
Programadora: CinebrasilTV
Direção e Roteiro: Orlando Senna
Valor investido pelo FSA: R$ 600 mil
Sinopse: A Amazônia. Importância estratégica. Questão ambiental. Reservas indígenas. Presença de grupos econômicos multinacionais. Propostas de ocupação internacional da região: desde Herman Khan, em 1960 (transformar a floresta em um lago), às teorias de “soberania relativa” (Mitterand), “propriedade universal” (Al Gore), “bem público mundial” (Pascal Lamy, OMC), “privatização” (David Miliband, Inglaterra) e “intervenção militar direta” (John Major, Inglaterra). A resposta dos 8 países amazônicos. A questão universal da água, a possibilidade de uma Guerra Mundial da Água.

“Retratos do Cárcere” – Série Documental
Produtora: Panda Filmes (RS)
Programadora: Prime Box Brazil
Direção: Tatiana Sager
Roteiro: Renato Dornelles
Valor investido pelo FSA: R$ 711 mil
Sinopse: As deficiências do sistema penitenciário brasileiro e seus reflexos na criminalidade organizada e na própria sociedade são os temas desta série documental, com 13 episódios. O ponto de partida é o Presídio Central de Porto Alegre, maior presídio do Brasil, considerado o pior do país pela CPI do Sistema Carcerário da Câmara dos Deputados, em 2008, e alvo de duas representações à Organização dos Estados Americanos (OEA), com denúncias de violações de direitos humanos.

“Marcadas para Morrer” – Série documental
Produtora: Giros Projetos Audiovisuais (RJ)
Programadora: CineBrasilTV
Direção: Belisário Franca
Roteiro: Bianca Karol Moraes Lenti e Ismael Soares Machado
Valor investido pelo FSA:  R$ 721 mil
Sinopse: Série documental de cinco episódios que aborda o cotidiano de mulheres da Amazônia ameaçadas de morte em consequência do ativismo em causas de conflitos agrários. São mulheres camponesas à frente de sindicatos, associações, reservas extrativistas e comunidades sob constante ameaça da pistolagem desencadeada por grileiros e latifundiários da região.

“Em Busca de Carlos Zéfiro” – Telefilme documentário
Produtora: Caliban Produções Cinematográficas (RJ)
Programadora: Canal Curta!
Direção e Roteiro: Sílvio Tendler
Valor investido pelo FSA:  R$ 500 mil
Sinopse: Documentário sobre a  moral e os costumes da juventude nos anos 50 e 60 do século passado, que tem como ponto de partida a obra de Carlos Zéfiro, autor e desenhista de quadrinhos famosos, que circulavam por baixo dos panos.

“Toda Forma de Amor” – Série de ficção
Produtora: Caravela Filmes (RJ)
Programadora: Canal Brasil
Direção: Bruno Barreto
Roteiro: Marcelo Pedreira
Valor investido pelo FSA: R$ 3,99 milhões
Sinopse: A partir de um grupo de terapia liderado por uma psicóloga, a série acompanha a vida de pessoas que vivem relacionamentos amorosos que fogem ao esquema do casal heterossexual típico.

“Balanço Black” – Série documental
Produtora: Kinoscópio Cinematográfica e Comércio (SP)
Programadora: Canal Curta!
Direção e Roteiro: Flávio Frederico
Valor investido pelo FSA: R$ 630 mil
Sinopse: Retrato profundo da “black music” brasileira, desde seu surgimento no final dos anos sessenta até os dias de hoje. Ao longo da série serão retratados os cantores, as bandas, os dj’s, os bailes, o comportamento, culminando com seus desdobramentos atuais: o funk carioca, o hip hop, o samba rock.

PRODECINE 02/2013

“Albatroz” – Longa-metragem de ficção
Produtora: Loma Filmes (SP)
Distribuidora: Paris Filmes
Direção: Daniel Augusto
Roteiro: Braulio Mantovani
Valor investido pelo FSA: R$ 3 milhões
Sinopse: Uma aventura extraconjugal transforma a vida do fotógrafo Simão Alcóbar. Em uma viagem com a amante a Jerusalém, ele registra um atentado terrorista frustrado, que termina em linchamento. Ao mesmo tempo em que se torna mundialmente conhecido, Simão passa a ser alvo de uma ácida polêmica sobre a ética de seu trabalho. Em crise com a profissão e o casamento, o fotógrafo é seduzido por uma ex-namorada a ser voluntário em um audacioso experimento neurológico: fotografar os próprios sonhos.

“Montanha Russa (Molambo)” – Longa-metragem de ficção
Produtora: Tacacá Filmes (RJ)
Distribuidora: Pandora Filmes
Direção: Vinicius Reis
Roteiro: Vinicius Reis e Felipe Gamarano Barbosa
Valor investido pelo FSA:  R$ 2 milhões
Sinopse: 1997, Rio de Janeiro. Kleber é gerente de uma empresa que passa por um duro processo de reestruturação. Após demitir toda sua equipe, Kleber sofre pressão para antecipar a aposentadoria. Ele resiste, pois aos 52 anos, se considera jovem para deixar de trabalhar. 1999. Kleber, aposentado, vive tranquilamente em uma cidade do interior. Porém, um fato inesperado fará Kleber retornar, às pressas, para o Rio.

“Proibido Nascer no Paraíso” – Longa-metragem documentário
Produtora: Sambaqui Cultural Cine Vídeo (PR)
Distribuidora: Boulevard Filmes
Direção e Roteiro: Joana Nin
Valor investido pelo FSA: R$ 500 mil
Sinopse: Fernando de Noronha é um berçário natural de várias espécies animais como tartarugas marinhas e golfinhos rotadores, mas não recebe bem o nascimento de seres humanos. A calmaria da ilha esconde um drama feminino que já se estende por mais de uma década e se repete pelo menos 50 vezes por ano. Todas as grávidas são conduzidas para fora da ilha aos sete meses para terem seus bebês no continente – queiram ou não, elas acabam partindo. Em mais de dez anos apenas uma criança nasceu em Noronha. O que aconteceu com a mãe depois do parto inibe outras tentativas de resistência.

“Argelino por Acaso” – Longa-metragem de ficção
Produtora: Videofilmes Produções Artísticas (RJ)
Distribuidora: Gullane Entretenimento
Direção e Roteiro: Karim Aïnouz
Valor investido pelo FSA: R$ 1 milhão
Sinopse: Em 1960, Iracema deixa Fortaleza para fazer um doutorado em bioquímica no Colorado. Majid precisa sair da Argélia às pressas para escapar da guerra, e resolve continuar seus estudos de engenheiro também no Colorado. O encontro fortuito desta mulher brasileira e deste homem argelino cabila é o ponto de partida da vida do diretor e deste filme.

“Jair Rodrigues – Deixa que Digam” – Longa-metragem documentário
Produtora: Confeitaria de Cinema Comunicações (SP)
Distribuidora: Elo Company
Direção: Rubens Rewald
Roteiro: Rubens Rewald e Rodolfo Moreno
Valor investido pelo FSA: R$ 500 mil
Sinopse: O documentário vai contar a história de Jair Rodrigues, um dos mais importantes cantores da música popular brasileira. Do samba à MPB, passando pelo rap e pelo sertanejo, ele foi um dos mais versáteis intérpretes brasileiros, e deixou uma obra vasta, marcada por uma série de sucessos. O filme pretende mapear a trajetória do artista, destacando a sua alegria e irreverência, que contagiaram platéias e influenciaram gerações posteriores de artistas.

PRODECINE 03/2013

“Antes o Tempo Não Acabava” – Longa-metragem de ficção
Proponente: Sérgio J. de Andrade (AM)
Distribuidora: Livres Distribuidora de Audiovisual
Direção: Sérgio Andrade e Fábio Baldo
Roteiro: Sérgio Andrade
Valor investido pelo FSA: R$ 200 mil
Sinopse: Anderson é um jovem indígena em conflito com os líderes de sua comunidade, localizada na periferia de Manaus. Ali, as tradições mantidas por seu povo parecem anacrônicas em relação à vida contemporânea que ele leva. Em busca de autoafirmação,  Anderson abandona a comunidade para viver sozinho no centro da cidade, onde experimenta novos sentimentos e enfrenta outros desafios. No entanto, o Velho Pajé planeja  trazê-lo de volta para mais um ritual.

“A Cidade onde Envelheço” – Longa-metragem de ficção
Proponente: Anavilhana Filmes (MG)
Distribuidora: Vitrine Filmes
Direção: Marília Rocha
Roteiro: Marília Rocha, João Dumans e Thais Fuginaga
Valor investido pelo FSA: R$ 200 mil
Sinopse: Francisca é uma jovem portuguesa que mora há um ano no Brasil. Ela recebe Teresa, uma antiga conhecida com quem já tinha perdido contato. Enquanto Teresa vive momentos de descoberta e encantamento com o novo país onde deseja se instalar, Francisca deseja voltar à Lisboa. O filme acompanha as aventuras de cada uma pela cidade e a profunda amizade que nasce entre elas, obrigando-as a lidar com desejos simultâneos e opostos: a vontade de partir para um país desconhecido e a saudade irremediável de casa.

“Bruxarias” – Longa-metragem de animação
Proponente: Otto Desenhos Animados (RS)
Distribuidora: Vitrine Filmes
Direção e Roteiro: Virginia Curia
Valor investido pelo FSA: R$ 200 mil
Sinopse: Bruxarias é uma história voltada para o público infantil, sobre uma menina de dez anos que vive uma aventura para salvar a avó e os segredos de sua família. Trabalhando com a mística das bruxas e a preparação de poções mágicas, o filme estimula a discussão sobre temas como natureza, folclore, imaginário popular, relações familiares/geracionais e tecnologia. Coprodução com a Espanha.

PRODECINE 04/2013

“O Beijo” – Longa-metragem de ficção
Proponente: República Pureza Filmes (RJ)
Distribuidora: Ludwig Maia Arthouse
Direção e Roteiro: Murilo Benício
Valor investido pelo FSA: R$ 700 mil
Sinopse: Adaptação ousada de “O Beijo no Asfalto”, de Nelson Rodrigues, em preto e branco, mesclando cinema e teatro. O filme narra a história de Arandir, um homem que, num gesto banal, atende ao pedido de um beijo na boca feito por um sujeito prestes a morrer e que acabara de ser atropelado na Avenida Presidentes Vargas. O ato é testemunhado por Amado, um repórter sensacionalista que passa a explorar o beijo entre dois homens para vender jornal, além de incitar a polícia a investigar uma suposta ligação entre Arandir e o morto.

De 29 de setembro a 5 de outubro, será realizada a Mostra Arq.Futuro – A Cidade e o Cinema, com exibições gratuitas nas unidades Augusta e Botafogo do Espaço Itaú de Cinema. O evento vai apresentar sessões especiais de documentários sobre arquitetura, muitos deles inéditos no Brasil, com apresentação de especialistas antecedendo as sessões das 19h30.

Na programação, estão os documentários inéditos no Brasil: The Competition, de Angel Borrego Cubero (Espanha,2013); The Human Scale, de Andreas Dalsgaard (Dinamarca,2012); Kochuu, de Jesper Wachtmeister (Suécia,2003); Detropia, de Heidi Ewing/Rachel Grady, (EUA,2012); Gehry’s Vertigo, de Ila Bêka Louise Lemoine, (França,2013); The Architect, de Jonathan Paker, (EUA,2016); Arab Women in Architecture, produzido por Omrania and Associates e Center for the Study of the Built Environment, (Jordânia,2014); Unfinished Spaces, de Benjamin Murray/Alysa Nahmias (EUA,2011); e My Playground, de Kaspar Astrup Schröder (Dinamarca,2009).

A mostra exibirá também os clássicos Casanova, de Federico Fellini; Playtime, de Jacques Tati; e Cidade Oculta, de Chico Botelho.

Impossível falar em “cidade” sem recorrer às diferentes linguagens que a traduzem. O cinema é uma delas. Desde seu advento como indústria, o cinema “olha” o ambiente urbano, seus personagens, suas pulsões e interações. A Mostra Arq.Futuro – A Cidade e o Cinema pretende captar esses olhares múltiplos, numa curadoria que destaca longas de ficção novos e antigos, além de documentários, em produções nacionais e estrangeiras. O evento tem curadoria de Washington Fajardo, arquiteto, urbanista e presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, e Ugo Giorgetti, premiado cineasta brasileiro, diretor de Uma Outra Cidade e Boleiros, entre outros filmes.

A programação da mostra está em http://arqfuturo.com.br.

 

Mostra Arq.Futuro – A Cidade e o Cinema
Data:
 29 de setembro a 5 de outubro
Local São Paulo: Espaço Itaú de Cinema | Augusta, sala 1 (Rua Augusta, 1475)
Local Rio de Janeiro: Espaço Itaú de Cinema | Botafogo, sala 1 (Praia de Botafogo, 316)
Ingressos: gratuitos, retiradas a partir de uma hora antes de cada exibição, na bilheteria do cinema.
Classificação indicativa: 14 anos

O Janela Internacional de Cinema do Recife irá receber este ano o REClab – 1º Encontro de Coprodução Internacional do Recife, que acontece de 31 de outubro a 4 de novembro. A nona edição do Janela Internacional ocorre nos próximos dias 28 de outubro a 6 de novembro. O Encontro é uma realização da Desvia Produções em parceria com o Janela, o Portomídia, o Consulado Francês e o BRLab.

A oficina será coordenada pela produtora Rachel Ellis e pelo ex-assessor internacional da Agência Nacional de Cinema (ANCINE) Eduardo Valente, atual representante brasileiro do Festival de Berlim e assessor do programa Ibermedia. A atividade contará, ainda, com a participação de convidados internacionais e nacionais, incluindo Thierry Lenouvel (produtor francês), Fabienne Moris (codiretora do FIDLab Marseille), Paulo Carvalho (produtor alemão/brasileiro), Ana Alice de Morais (produtora Brasileira) e Rafael Sampaio (diretor do BRlab), entre outros.

O objetivo da oficina é apresentar aos produtores e diretores de cinema os mecanismos que existem no Brasil e no exterior para realizar projetos audiovisuais em coprodução com outros países. Serão selecionadas 25 pessoas para participar da oficina. Não é necessária experiência com coprodução para se inscrever.

Em paralelo à oficina, o 1º Encontro promoverá uma chamada para selecionar cinco projetos de longa-metragem em fase de desenvolvimento para receber consultorias individuais com os convidados internacionais. A consultoria será nos dias 31/10 e 1º/11. Os consultores selecionarão um projeto que receberá o Prêmio Portomídia, que consiste em 120 horas de estúdio para finalização de imagem e/ou som.

Todas as atividades do encontro acontecerão no Jump Brasil, na Rua do Lima, Santo Amaro, Recife-PE.

A inscrições para a oficina e consultoria podem ser feitas até 7 de outubro, enviando fichas de inscrição completas para o e-mail reclab@desvia.com.br. As fichas podem ser baixadas no site www.reclab.art.br. A inscrição para a oficina é gratuita, e a participação será R$100,00 para os cinco dias. A organização oferece cinco bolsas para cobrir custo de participação de cinco selecionados, sendo necessário indicar na ficha de inscrição se gostaria de concorrer a uma bolsa.