Os vencedores da 49ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro foram conhecidos na noite de ontem (27/09), em noite de encerramento do evento, no Cine Brasília.

Confira os premiados:

FILME DE LONGA-METRAGEM

Melhor Filme de longa-metragem – R$ 100 mil
A Cidade onde Envelheço, de Marília Rocha

Melhor Direção – R$ 20 mil
Marília Rocha, por A Cidade onde Envelheço

Melhor Ator – R$ 10 mil
Rômulo Braga, por Elon Não Acredita na Morte

Melhor Atriz-  R$ 10 mil
Elisabete Francisca e Francisca Manuel, por A Cidade onde Envelheço

Melhor Ator Coadjuvante – R$ 5 mil
Wederson Neguinho, por A Cidade onde Envelheço

Melhor Atriz Coadjuvante – R$ 5 mil
Samya de Lavor, por O Último Trago

Melhor Roteiro – R$ 10 mil
Davi Pretto e Richard Tavares, por Rifle

Melhor Fotografia – R$ 10 mil
Ivo Lopes, por O Último Trago

Melhor Direção de Arte – R$ 10 mil
Renata Pinheiro, por Deserto

Melhor Trilha Sonora – R$ 10 mil
Pedro Cintra, por Vinte Anos

Melhor Som – R$ 10 mil
Marcos Lopes e Tiago Bello, por Rifle

Melhor Montagem – R$ 10 mil
Clarissa Campolina, por O Último Trago

Prêmio Especial do Júri Oficial:
Pelo rigor na abordagem e contextualização de uma tragédia brasileira que dura séculos, pela emoção no desenho de uma etnia espoliada e desterritorializada, tema da curadoria desse festival, o prêmio especial vai, por unanimidade, para Martírio, de Vincent Carelli em colaboração com Ernesto de Carvalho e Tita.

FILME DE CURTA OU MÉDIA-METRAGEM

Melhor Filme de curta ou média metragem – R$ 30.000,00
Quando os Dias Eram Eternos, de Marcus Vinicius Vasconcelos

Melhor Direção – R$ 10.000,00
Fellipe Fernandes, por O Delírio é a Redenção dos Aflitos

Melhor Ator – R$ 5.000,00
Renato Novais Oliveira, por Constelações

Melhor Atriz – R$ 5.000,00
Lira Ribas, por Estado Itinerante

Melhor Roteiro – R$ 5.000,00
Fellipe Fernandes, por O Delírio é a Redenção dos Aflitos

Melhor Fotografia – R$ 5.000,00
Ivo Lopes Araújo, por Solon

Melhor Direção de Arte – R$ 5.000,00
Thales Junqueira, por O Delírio é a Redenção dos Aflitos

Melhor Trilha Sonora – R$ 5.000,00
Dudu Tsuda, por Quando os Dias Eram Eternos

Melhor Som – R$ 5.000,00
Bernardo Uzeda, por Confidente

Melhor Montagem – R$ 5.000,00
Allan Ribeiro e Thiago Ricarte, por Demônia – Melodrama em 3 Atos 

Premio Especial do Júri
Estado Itinerante, de Ana Carolina Soares

PRÊMIO DO JÚRI POPULAR

Filmes escolhidos pelo público, por meio de votação em cédula própria:

Melhor Filme de longa-metragem – R$ 40 mil
Martírio, de Vincent Carelli em colaboração com Ernesto de Carvalho e Tita

Melhor Filme de curta ou média-metragem – R$ 10 mil
Procura-se Irenice, de Marco Escrivão e Thiago Mendonça 

OUTROS PRÊMIOS

TROFÉU CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL – JÚRI OFICIAL
Melhor Filme de longa-metragem: R$ 80 mil
Catadores de História, de Tânia Quaresma

Melhor Filme de curta-metragem: R$ 30 mil
Rosinha, de Gui Campos

Melhor Direção: R$ 12 mil
Vladimir Carvalho, por Cícero Dias, o Compadre de Picasso

Melhor Ator: R$ 6 mil
Edu Moraes, de A Repartição do Tempo

Melhor Atriz: R$ 6 mil
Maria Alice Vergueiro, de Rosinha

Melhor Roteiro: R$ 6 mil
Vladimir Carvalho, por Cícero Dias: o Compadre de Picasso

Melhor Fotografia: R$ 6 mil
Waldir de Pina, de Catadores de História

Melhor Montagem: R$ 6 mil
Marcius Barbieri, Rafael Lobo e Santiago Dellape, por A Repartição do Tempo

Melhor Direção de Arte: R$ 6 mil
Andrey Hermuche, de A Repartição do Tempo

Melhor Edição de Som: R$ 6 mil
Micael Guimarães, de Cora Coralina – Todas as Vidas

Melhor Trilha Sonora: R$ 6 mil
Dimir Viana, André Luiz Oliveira, Renato Matos, Claudio Vinícius e GOG, por Catadores de História 

TROFÉU CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL – JÚRI POPULAR
Melhor filme de longa-metragem: R$ 20 mil
Cora Coralina – Todas as Vidas, de Renato Barbieri

Melhor filme de curta-metragem: R$ 10 mil
Das Raízes às Pontas, da diretora Flora Egécia

PRÊMIO ABCV – ASSOCIAÇÃO BRASILIENSE DE CINEMA E VÍDEO
Conferido pela ABCV – Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo a profissional do audiovisual do Distrito Federal:
Mallu Moraes (atriz)

PRÊMIO CANAL BRASIL
Cessão de um Prêmio de Aquisição no valor de R$ 15 mil e o troféu Canal Brasil:
Melhor Filme de curta-metragem selecionado pelo júri Canal Brasil para Estado itinerante, de Ana Carolina Soares. 

PRÊMIO ABRACCINE (Associação Brasileira de Críticos de Cinema)
Melhor Filme de longa-metragem
Pela hábil conexão entre a gramática do documentário e da ficção. Pelo retrato que conjuga a perspectiva de um personagem com as transformações de um Brasil rural. Pela apropriação original da estética do western e o uso potente do som. Para Rifle, de Davi Pretto.

Melhor Filme de curta-metragem
Pela sensibilidade na forma com que filma os espaços urbanos. Pela qualidade do trabalho das atrizes, com experiência profissional ou não. Pela forma com que retrata uma violência física e simbólica, valorizando o que está fora de quadro. Para Estado Itinerante, de Ana Carolina Soares.

PRÊMIO SARUÊ
Conferido pela equipe de cultura do jornal Correio Braziliense
No apanhado de filmes selecionados pelo festival, vimos de catadores de lixo a imigrantes em crise, a questão do empoderamento feminino e de gênero, passando por índios batalhadores e artistas órfãos de público. Não faltaram também a disputa pela terra e os cubanos num país em transição. Foi, entretanto,  outro grupo de excluídos que chamou a atenção da equipe do Correio: o mérito de melhor momento do festival agrupou libertários representantes da terceira idade, com enorme capacidade de amar, de resistir ao descaso social. Para Gui Campos, pelo curta Rosinha!

PRÊMIO MARCO ANTÔNIO GUIMARÃES
Conferido pelo Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro para o filme que melhor utilizar material de pesquisa cinematográfica brasileira, para Martírio, de Vincent Carelli em colaboração com Ernesto de Carvalho e Tita.

PRÊMIO CONTERRÂNEOS
Troféu oferecido pela Fundação Cine Memória
Melhor Documentário do Festival – Vinte Anos, de Alice Andrade

A 16ª Goiânia Mostra Curtas, festival nacional de cinema em curta-metragem, abre sua programação no dia 4 de outubro, homenageando o ator Irandhir Santos. Na ocasião, será exibida a obra Décimo Segundo, dirigida por Leonardo Lacca, que conta com atuação do premiado artista pernambucano. A programação, que começa a partir das 20 horas, terá, ainda, pocket show de Jards Macalé. O evento é realizado no Teatro Goiânia, com entrada franca.

Irandhir conquistou mais de vinte prêmios ao longo da carreira. Pelo filme “Baixio das Bestas”, de Cláudio Assis, recebeu o troféu Candango, no Festival de Brasília, como Melhor Ator Coadjuvante; com “Olhos Azuis”, de José Joffily, ganhou diversos prêmios como Melhor Ator e Melhor Ator Coadjuvante nos festivais: Festival de Cinema Brasileiro em Paris e Miami, Festival de Cinema de Paulínia, no Festcine Goiânia e no FestNatal. Pelo longa-metragem de Marcelo Gomes e Karim Aïnouz, “Viajo Porque Preciso Volto Porque te Amo”, recebeu o prêmio de Melhor Ator no 3º Festival de Cinema de Triunfo (PE).

A atuação no filme “Febre do Rato”, de Cláudio Assis, concedeu a Irandhir o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cinema de Paulínia e foi escolhido Melhor Ator coadjuvante no Prêmio Contigo de Cinema pelo filme “Tropa de Elite 2”, de José Padilha. E pelo recente trabalho em “Tatuagem”, de Hilton Lacerda, conquistou o Kikito de Ouro de Melhor Ator no Festival de Gramado.

O ator também esteve no elenco do aclamado longa pernambucano “O Som ao Redor”. “Besouro”, “Cinema, Aspirinas e Urubus”, dentre outros. Na TV, atuou nas minisséries da TV Globo, “A Pedra do Reino” (direção de Luiz Fernando Carvalho) e, em “Amores Roubados”, sob direção de José Luiz Villamarim. Em 2014, voltou a atuar sob a direção de Luiz Fernando Carvalho, na novela “Meu Pedacinho de Chão” (TV Globo). Seu trabalho mais recente, na mesma emissora, foi com o personagem Bento, na novela “Velho Chico”.

Homenageado in memorian, o cineasta, ator e roteirista Zózimo Bulbul também será celebrado no primeiro dia do festival, com a exibição da sua obra Alma no Olho (1973). O filme integra a Curta Mostra Especial, que neste ano leva a temática Cinema Negro Brasil Contemporâneo.

Entre os dias 4 e 9 de outubro, a 16ª Goiânia Mostra Curtas oferece cinco mostras, que contemplam a diversidade de gêneros e formatos da produção audiovisual brasileira: Curta Mostra Especial, Curta Mostra Brasil, Curta Mostra Goiás, Curta Mostra Municípios e 15ª Mostrinha, dedicada ao público infantil. A programação inclui, também, palestras, seminários, laboratórios e oficinas, encontros e lançamentos literários.

 

Entre os dias 5 e 12 de outubro, o Colégio Brasileiro de Altos Estudos – UFRJ vai receber, pelo segundo ano consecutivo, a programação do RioMarket 2016. Área de mercado do Festival do Rio, o evento contará com seminários, palestras, workshops e rodadas de negócios. Grandes nomes da indústria nacional e internacional confirmaram participação nas mais de 50 mesas de debates e 20 workshops e masterclasses.

Além da programação de workshops e seminários, o RioMarket contará com encontros que permitem a integração entre profissionais do setor: As One to One Meetings ou Rodadas de Negócios são reuniões pré-agendadas em que produtores apresentam seus projetos disponíveis para aquisição, distribuição e coprodução de cinema, TV e VOD para profissionais do mercado audiovisual, convidados do RioMarket. É uma oportunidade de aproximar os produtores dos profissionais, intensificando o networking e a troca de informações.

O RioMarket TV ocupa a programação do RioMarket nos dias 5, 6 e 7. Assuntos como coproduções, oportunidades em mercados estrangeiros, Spin Offs e produção para internet serão abordados. Logo no primeiro dia o evento, receberá o produtor, roteirista e diretor britânico Allan Cubitt, que explicará o processo de criação e contará histórias interessantes sobre a produção de suas séries, incluindo o sucesso “The Fall”. Em seguida, serão discutidos o mercado na América Latina e as oportunidades para o Brasil. Representantes de canais, como Televisa (México), Telefe (Argentina) e Caracol TV (Colômbia), vão falar sobre seus modelos de negócio, produções originais e oportunidades de coprodução com outros países latinos.

Ainda no dia 5, haverá a masterclass de roteiro com Patrick Hegarty, vencedor de diversos prêmios e que vendeu e desenvolveu projetos com a Fox Internacional, Scott Free Productions, Bad Robot e Plan B. Youtubers e snapchaters como Thaynara O.G, Luisa Clasen (Lully de Verdade) e Mederi (Galo Frito), entre outros, estão confirmados.

Outro destaque do primeiro dia, é a presença de Marissa Leotaud, gerente de avaliação e aquisições do canal Starz. Ela vai falar sobre o processo de aquisição de conteúdos pela empresa, o comportamento do mercado americano, os interesses da Starz na América Latina e quais formas de entretenimento vêm se estabelecendo na TV. Completando a programação do dia, o GloboNews reúne duas profissionais do canal, Anna Bernardoni e Caroline Leite, para conversar com o público sobre novas formas de se comunicar, tendo como gancho o aplicativo Na Rua GloboNews.

Já no segundo dia, o evento receberá Brendan Countee, head de comédia do Hulu, para falar sobre séries de comédia. Hoje, a plataforma reúne aclamadas séries do gênero, como “Community”, “Up to Speed” e “The Mindy Project”. Em outra mesa, representantes de diversos canais vão discutir as demandas nos segmentos de ficção, variedades, documentários e esportes. A masterclass ficará por conta do roteirista Jeremy Evans, enquanto a sala reservada aos encontros com youtubers receberá Sensacionalista, Marcela Lahaud (Embarque Imediato), Carlos Santana e Felipe Neto, entre outros.

O último dia dedicado à TV discutirá o futuro das janelas de exibição. Mauro Alencar, do Arte Consumo, abordará o tema “Gastronomia, literatura e telenovela: uma receita de sucesso”. Fabio Lima, do Sofá Digital, vai traçar um panorama do mercado latino-americano. Também haverá discussão sobre o VOD. Entre os youtubers esperados no dia, estão Beto Padreca e Teco Rodrigues, do canal Miolos Fritos.

A TV Globo repete o sucesso do ano passado com seu Sunset TV Globo, que reunirá no evento alguns de seus talentos para analisar casos de sucesso recentes da emissora.

A GloboNews também reafirma sua parceria com o RioMarket em 2016, levando para o evento dois painéis com entrada gratuita no dia 8. Às 15h, “Somos todos os gêneros” propõe uma conversa sobre a diversidade de identidades e gêneros, com a psicanalista Regina Navarro Lins, a advogada transgênero Giowana Cambrone, a estudante de Direito e vítima de homofobia Andrea Baliera e Mariluce Mariá, da Favela Art do Alemão, com a mediação da apresentadora Leilane Neubarth. Completando a programação do canal, às 17h, o correspondente Jorge Pontual e a supervisora da GloboNews Renée Castelo Branco participam da “Onda conservadora, um painel que vai debater as consequências e as tensões entre povos e países provocadas pelo terrorismo, num momento de grande extremismo mundial.

No mesmo dia haverá, ainda, o workshop com Ana Maria Moretzsohn, que lembrará personagens inesquecíveis, e o painel “Comunnication in film: Attracting viewers”, com Nicolás Silbert e Maximiliano Saad, da Boogieman Media. Eduardo Milewicz estará à frente de uma masterclass sobre preparação de elenco.

No dia seguinte, haverá workshop de Film Commissions, mesa-redonda de políticas públicas, além de discussões englobando turismo cinematográfico e outros assuntos ligados ao setor audiovisual.

Steven Wolfe, produtor de “500 Dias com Ela”, estará no evento, no dia 10, para apresentar o case do filme. Vai dar dicas sobre como, apesar das limitações orçamentárias, produzir um longa-metragem de grande impacto. No mesmo dia, Hsu Chien dará um workshop gratuito de assistência de direção. Outros painéis serão Collection Managment Services e “Tramas digitais: Desafios das narrativas interativas”.

A programação do segundo e último dia de RioMarket Film discutirá financiamentos e incentivos à produção, a fragmentação da programação nas salas de cinema e a importância das mídias digitais para o lançamento de um filme. Haverá, ainda, uma mesa sobre a percepção do mercado audiovisual, com uma análise macroeconômica dos dados oficiais. Estarão presentes representantes de grandes instituições. Haverá também workshop sobre distribuição digital de produção independente, com Diliana Alexander e Travolta Cooper.

Promovido pela Rio Film Commission e a RioFilme, o talk-show Como fazer negócios no setor audiovisual também será no dia 11 e terá como objetivo orientar os profissionais de fora da cidade e do país a realizarem suas produções audiovisuais no Rio de Janeiro.

A novidade desta edição do evento, o RioMarket Fashion Film terá programação gratuita e acontecerá no dia 12 de outubro. A produção audiovisual como influenciadora de estilo e comportamento e o audiovisual como novo instrumento da moda para divulgação de marcas serão alguns dos temas discutidos. Haverá também debates com youtubers de moda.

Lançado em 2015, o RioMarket Advertising está de volta à programação do encontro. Dedicado a discutir assuntos referentes à publicidade, o segmento vai falar sobre branding e tendências de mercado.

No painel Branding e Cross-Media, William Nix e Nancy Cushing-Jones vão explicar o desenvolvimento de um plano de fortalecimento de marca, licenciamento de produtos e criação de estrutura corporativa e financeira em todas as mídias. William é presidente da Creative Projects Group, produtor e banqueiro investidor, com grande experiência em formação de empresas, operações e negócios dos ramos de entretenimento, mídia, esporte e propriedade intelectual. Nancy é especialista em negociações de direitos de propriedades intelectuais.

O diretor e roteirista Armando Bó, que ganhou o Oscar de Melhor Roteiro por “Birdman”, em 2015, vai dividir a mesa com João Daniel, da Mixer, para falar sobre a transição de publicitários para o cinema.

Pelo quarto ano consecutivo, o RioMarket aposta na capacitação do público jovem. O RioMarket Jovem promove uma imersão na indústria audiovisual durante todo o evento de jovens pré-selecionados, com o objetivo de fortalecer a inclusão no setor. A programação extra, que conta com atividades voltadas para esse projeto, mas também abertas ao público, é composta por workshops e seminários e acontecerá entre os dias 5 e 12 de outubro.

As inscrições continuam abertas no site www.riomarket.com.br, onde está também disponível a programação completa.

Um Homem Só, primeiro longa-metragem de Claudia Jouvin, estreia nos cinemas no dia 29 de setembro, com distribuição da Downtown Filmes. O longa arrematou três prêmios no Festival de Gramado, em 2015: melhor atriz (Mariana Ximenes), melhor ator coadjuvante (Otavio Muller) e fotografia (Adrian Tejido).

O elenco principal reúne Vladimir Brichta, Mariana Ximenes, Otávio Muller e Ingrid Guimarães. Um Homem Só é o primeiro longa de ficção da produtora Giros e tem coprodução da Globo Filmes, RioFilme e Telecine.

No filme, Arnaldo é um homem frustrado, preso a um casamento falido e a um trabalho que odeia. Até o dia em que conhece Josie, uma jovem ruiva de beleza sui generis e comportamento excêntrico, que trabalha com a tia em um cemitério de animais. Apaixonado, Arnaldo cria coragem e procura uma clínica clandestina que produz cópias de seres humanos. Acredita que um duplo poderá ser a solução para todos os seus problemas. Mas Arnaldo não esperava que, para levar adiante seus planos, precisaria enfrentar a si mesmo.

Leia crítica do filme aqui.

Há uma ideia central em “Um Homem Só”, estreia na direção da roteirista Cláudia Jouvin, muito comum à ficção científica: a duplicidade, o embate entre o ‘eu’ e o ‘outro’. Algo como “O Médico e o Monstro”, de Robert Louis Stevenson, mas já presente em “Frankenstein”, de Mary Shelley, e replicado aos borbotões no cinema, de forma elegante e bem-sucedida – “Blade Runner, o Caçador de Androides” (1982), de Ridley Scott, e “O Vingador do Futuro” (1990), de Paul Verhoeven, por exemplo – ou não. Em “Um Homem Só”, Arnaldo (Vladmir Brichta) está infeliz com a esposa (Ingrid Guimarães) e com o trabalho, mas é covarde demais para fazer qualquer coisa. Por acaso, escuta sobre uma clínica secreta que clona a pessoa, aumentando o nível de endorfina de modo que sinta mais prazer. O clone o substituirá na vida e o clonado poderá seguir o caminho que quiser. Porém, o clone jamais deve saber sua condição.

O duplo funciona quase como uma projeção. O Arnaldo original pode transformar sua vida, abrir-se para possibilidades e arriscar, porque o risco é seguro. Há alguém em seu lugar, assumindo suas responsabilidades. Ele e o clone são um só, como diz o título, um amálgama de sentimentos e perturbações. Jouvin parece entender bem um mal contemporâneo, o embate entre a formação conservadora, que prega valores como o trabalho e o matrimônio, e os tempos atuais que exaltam o prazer, a paixão, o efêmero. Arnaldo não consegue se desprender de uma ideia do papel masculino moldado nos últimos séculos e abraçar outra possibilidade de vida. Há um medo inerente e inexplicável traduzido em sua covardia. A ficção científica, o duplo, é a catarse. Ou seja, apenas num mundo que não é real, que é típico da ficção, da ordem do fantástico, que Arnaldo se liberta. O filme, assim, é uma ode ao próprio cinema, em que o sonho vira realidade. Arnaldo talvez nunca se libertasse sem o subterfúgio.

Em “Um Homem Só”, porém, a ficção científica está a serviço de outro gênero, a comédia romântica. Como em “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” (2004), de Michel Gondry, em que a ciência é a saída fácil para superar os problemas de relacionamento fazendo alguém esquecer o outro, permitindo reincidência, no filme de Jouvin, a tecnologia funciona como chave de acesso para a dimensão do lúdico. E se pudéssemos magicamente modificar nossa realidade? Entre as trapalhadas de Arnaldo – Brichta é um ótimo ator e comediante –, que tenta se ajustar à nova vida, ele conhece Josie (Mariana Ximenes), atendente de um cemitério de animais. Como nas comédias românticas indies, Josie é tudo aquilo que parece inatingível para Arnaldo: bela, impulsiva, comunicativa, ousada. Ela é o oposto dele e isso lhe dá mais motivos para acessar seu outro eu, aquele destemido e arriscado. Josie representa o que Arnaldo quer ser e não consegue.

Como roteirista, Jouvin se dá bem melhor aqui do que no insosso e convencional “Entre Idas e Vindas” (2016), de José Eduardo Belmonte, lançado também neste ano. É salutar seu esforço em “Um Homem Só” para fugir do óbvio e construir seus personagens com empatia. Pena que, como diretora, apesar da boa direção de atores e do bom ritmo, Jouvin não apresente a mesma destreza. A mise-en-scène apenas posiciona os atores e a janela 2.35:1 parece completamente desnecessária.

É curioso notar, porém, a melancolia da comédia fantástica atual brasileira, em seus pouquíssimos exemplares. Tanto “Um Homem Só” quanto “Entre Abelhas” (2015), de Ian SBF, apontam para um mal-estar social, para uma incapacidade do jovem adulto em lidar com problemas e anseios do mundo contemporâneo. Se o humor vem como forma de mascarar a densidade e a crueza das dificuldades e dar leveza ao conteúdo, o fantástico funciona como uma metáfora das possibilidades. Porém, em ambos os filmes, a fantasia é transitória e ilusória, impossível de ser concretizada. Como se, em tempos tenebrosos e complicados como os de hoje – para além das questões sócio-políticas que o Brasil enfrenta –, não houvesse mais espaço para o extraordinário, para o sonho. O futuro é existencialmente temerário; por mais que se pense em alternativas, elas não são alcançáveis. São filmes sintomáticos sobre uma faixa da classe média, que cresceu sob os ditames da geração X e viu o avanço da geração Y, sem saber bem onde se encaixar – o que fazer quando tudo que você aprendeu como certo fracassa? Não à toa, o fantástico aparece como solução. Mas, como não é real, nada se resolve. São filmes melancólicos, pois nos parecem dizer que o mundo é imutável, que é mais fácil simplesmente se acomodar e aceitar – a realidade soterra o fantástico.

Assista ao trailer do filme aqui.

 

Um Homem Só
Brasil, 94 min., 2014
Direção: Cláudia Jouvin
Distribuição: Downtown/Paris Filmes
Estreia: 29 de setembro

 

Por Gabriel Carneiro