As inscrições para o edital do ProAC (Programa de Ação Cultural), mantido pelo Governo do Estado de São Paulo, voltado para a produção de longa-metragem, foram prorrogadas até o dia 6 de setembro. A Secretaria da Cultura do Estado ampliou o prazo de inscrição para este edital por solicitação dos profissionais do setor.

Serão escolhidos três projetos, com prêmio de R$ 500 mil cada. As propostas devem apresentar orçamento de produção e os respectivos recursos já captados até o ato da inscrição, comprovando que os recursos faltantes para a produção do filme não excedam a quantia de R$ 500 mil. O concurso está disponível no site da Secretaria da Cultura (www.cultura.sp.gov.br).

 

A Agência Nacional do Cinema – ANCINE e o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) anunciaram nesta quarta-feira, 31 de agosto, no Rio de Janeiro, o resultado final da Chamada Pública PRODECINE 01/2015, do Programa Brasil de Todas as Telas. No total, serão investidos R$ 40 milhões, oriundos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), na produção de longas-metragens com destinação inicial para as salas de exibição.

Uma das linhas mais tradicionais do FSA, em operação desde 2008, o PRODECINE 01 já financiou a produção de 190 filmes brasileiros de produção independente. Nesta chamada, 278 projetos de todo o Brasil foram inscritos e, após o processo seletivo, o Comitê de Investimento do FSA selecionou 34 projetos de ficção, animação ou documentários.

Entre os vencedores, estão projetos apresentados por produtoras de 11 Estados (Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Ceará, Goiás, Rondônia) e do Distrito Federal. A lista inclui os novos trabalhos de diretores como Laís Bodansky, Rosemberg Cariry, Jefferson De, Ana Luiza Azevedo, André Klotzel e René Sampaio. Entre os projetos selecionados, há filmes de todos os gêneros, procurando se comunicar com os diferentes públicos existentes no país.

De acordo com os indutores regionais previstos no regulamento da chamada, 30% do total de recursos foi destinado a produtoras sediadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e 15% contemplaram projetos de empresas produtoras da Região Sul ou dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo.

Junto à divulgação do resultado, a ANCINE anunciou também o lançamento de uma nova edição do edital. A Chamada Pública PRODECINE 01/2016 do Programa Brasil de Todas as Telas – Ano 3 vai disponibilizar R$ 45 milhões para investimento na produção de longas-metragens. As inscrições serão abertas nesta quinta-feira, 1º de setembro, e vão até o dia 17 de outubro.

Veja a lista completa dos projetos contemplados.

Parece estar na moda os filmes de horror que buscam, de alguma forma, desmistificar a maternidade. A relação mãe-filho tende a um papel quase santificado, em que a mãe faz de tudo para proteger o filho, independente do que ocorra, sem qualquer problematização – p.e. “Poltergeist: O Fênomeno” (1982), “O Iluminado” (1980). Por conta disso, o horror também buscou o inverso, a mãe demonizada, essência de todo o mal – “Carrie, a Estranha” (1976). Recentemente, alguns filmes buscaram problematizar a relação mãe-filho, trabalhando as dificuldades a partir de elementos sobrenaturais, que metaforizam as querelas. Exemplos incluem “Mama” (2013), de Andres Muschietti, e “The Babadook” (2014), de Jennifer Kent. Em seu segundo longa lançado no ano por aqui – o primeiro (e melhor) “Hush: A Morte Ouve” (2016), estreou com exclusividade no Netflix –, Mike Flanagan trabalhou a relação de uma mãe com seu filho adotivo.

“O Sono da Morte” parte de uma premissa batida: família resolve adotar uma criança após a morte do filho biológico e coisas estranhas começam a acontecer. A diferença é que Cody (Jacob Tremblay) projeta no plano real seus sonhos, e, assim como nos sonhos, ele não tem qualquer controle sobre o que ocorre e é facilmente influenciado pelo cotidiano. O garoto é atormentado pela figura do Canker-Man, um monstro humanoide de aparência horrífica que come quem aparece pela frente. Em papel coadjuvante na trama, Cody apenas esboça uma representação das dificuldades de adaptação de uma criança adotada em seu novo lar – a privação do sono, a disparidade com os colegas de escola, a reticência quanto aos novos pais etc.

No centro, está a mãe Jessie (Kate Bosworth). Presa ao filho, que morreu num acidente bizarro, recusa-se a deixar a casa onde moram, a guardar seus pertences, e aceita uma nova criança no lar com reticências. Há uma frivolidade inerente ao contato: a polidez dos gestos de Jessie frente a Cody beiram o constrangimento. Não há carinho, não há toque, como se Cody fosse um convidado não muito bem-vindo: como aceitar uma nova criança? Na nova relação, só há espaço para a culpa. Cabe ao pai, Mark (Thomas Jane), integrar o garoto.

Jessie e Cody adentram um segundo estágio do relacionamento quando o garoto começa a sonhar. A mãe alimenta o novo filho com imagens em fotografias e em vídeos de Sean (Antonio Romero), sua prole biológica. Os sonhos de Cody são uma forma de Jessie voltar a encontrar Sean, de senti-lo, ouvi-lo. Ela não se importa em ser mesquinha e usar o garoto adotado que luta pelo reconhecimento, evidenciando constantemente seu apreço pelo seu filho de verdade. Cody só é legitimado quando projeta Sean. Cody, assim, passa a ser Sean, para Jessie. O comportamento abusivo da mãe torna-se psicótico e obsessivo. Seu dia consiste em esperar o sono do novo filho. É quando o Canker-Man aparece.

A aparição da besta aprofunda o distanciamento entre mãe e filho. Pois Cody deixa de ser Sean e passa a ser um monstro, o Homem-Cancro, que devora quem o afronta. Nesse estágio, Mike Flanagan delineia o medo da maternidade frente a adoção: será uma mãe capaz de amar um filho que não veio de seu ventre? Canker-Man é literalmente uma projeção de Cody. Como amar um monstro que pode fazer você perder tudo?

As metáforas de “O Sono da Morte” tendem a ser bastante óbvias, o que não chega a propriamente comprometer o longa. É uma construção ingênua – como quando Jessie deve escolher entre a projeção de Sean e o Cody, entre o passado e o presente –, mas efetiva.

Infelizmente, Flanagan aponta para um desenrolar óbvio, edificante, de superação. Na resolução, dois grandes problemas se apresentam: a necessidade de assegurar o status quo e reafirmar o papel quase santificado da mãe em relação a seu filho, salvando-o do mal, mesmo que em detrimento dos outros; e a obsessão da contemporaneidade em explicar todos os mistérios nos mínimos detalhes, sem deixar qualquer brecha ao entendimento do espectador. Ambos, claro, vêm de mãos dadas. Salvar o filho é entender o problema e explicar a ele (e a nós, como se fossemos crianças de 8 anos, como Cody) por que seus sonhos são assim, na mais primária interpretação freudiana. Traumas que o horror contemporâneo ainda precisa superar.

 

O Sono da Morte | Before I Wake
EUA, 97 min., 2016
Direção: Mike Flanagan
Distribuição: Playarte
Estreia: 1º de setembro

 

Por Gabriel Carneiro

A quarta temporada da série Bahia de Todos os Cantos estreia nesta quinta-feira (1), no canal CINEBRASiLTV, lançando um olhar inquieto sobre a Bahia, a partir do ponto de vista dos baianos e com uma leitura educativa, documental e interativa.

Com linguagem ficcional, a série traz na nova temporada temas educativos e de formação de conhecimento sobre a Bahia e seus territórios apresentando o Litoral, as bacias hidrográficas e a matriz energética do Estado, entre outros. A série vai mostrar também, por meio de uma investigação documental, personalidades que se destacaram na cultura da Bahia e do Brasil, como o músico e poeta Capinam, o cantor Edy Star e o poeta e jornalista Damário da Cruz.

Bahia de Todos os Cantos foi criada em 2011, propondo um olhar diferenciado ao apresentar gentes, sabores e encantos dos 27 Territórios de Identidade da Bahia. Em cinco anos, a história, economia, cultura e tradição do Estado ganharam novos olhares e contornos a partir das expedições propostas pelo programa.

A série é um projeto da Lima Comunicação com produção da TêmDendê, que realizam desde a produção das pautas, captura de imagens e depoimentos até a edição. A quarta temporada tem 33 episódios. Juntos, os quatro apresentadores (Camila Savana, Daniel Rabello, Priscila Campos e Wendel Damasceno) têm a missão de revelar os olhares e conteúdos de uma maneira criativa e inusitada.

Por Maria do Rosário Caetano, de Gramado

O terceiro concorrente da competição brasileira, O SILÊNCIO DO CÉU, do paulista MARCO DUTRA, por seus protagonistas masculinos (os portenhos Leonardo Sbraglia e Chino Darín, filho do astro Ricardo Darín), por seu idioma (o espanhol), por sua origem (o romance ERA EL CIELO, de Sergio Bizzio) e por sua ambientação (a cidade de Montevideo), se apresentava como um filme mais apropriado à competição LATINA (que aliás, começa hoje, com dois concorrentes: LAS TONINAS VAN AL ESTE e ESPEJUELOS OSCUROS). Mas, depois de visto na tela, temos que admitir: trata-se de filme tão brasileiro quanto argentino-uruguaio. Afinal, seu diretor, MARCO DUTRA (“Trabalhar Cansa”, parceria com Juliana Rojas, e “Quando Eu Era Vivo”) transformou o convite do produtor RODRIGO TEIXEIRA em projeto orgânico e modelo de quão profícua podem ser nossas parcerias com os países hispano-americanos.

Além do diretor e do produtor, são brasileiros o co-roteirista CAETANO GOTARDO, a atriz protagonista Carolina Dieckman e a coadjuvante PAULA CHOEN (filha de pais uruguaios) e o autor da trilha sonora (Guilherme Garbato). A trama envolve personagens uruguaios e duas brasileiras. Dá relevo à língua espanhola, porque as duas brasileiras vivem e trabalham em Montevideo. Quando falam entre si, as duas amigas se expressam em português. Mesma língua utilizada por Diana, personagem de Dieckman, quando mergulha em seus pensamentos e pesadelos.

A harmonia da produção é um de seus grandes trunfos. Estamos longe, muito longe, daqueles filmes que chamamos de “produção internacional genérica”. A assinatura de Marco Dutra é visível na condução da história (fruto de roteiro elaborado pela cineasta Lucia Puenzo e seu marido, o romancista Sérgio Bizzio, e reelaborado por Caetano Gotardo, do coletivo Filmes do Caixote, parceiro constante de Dutra. E, também, no diálogo com o cinema de gênero (desta vez, com o filme de suspense, embora o cineasta lembre que estabeleceu profundo diálogo com a tragédia, no sentido grego do termo), na primorosa direção de atores, no impactante trabalho sonoro e na beleza das imagens.

Rodrigo Teixeira, que vem fazendo da literatura a matéria-prima de suas produções, tem um ótimo filme para dar visibilidade a futuras parcerias com os hermanos. E Dutra prova que é um cineasta autoral, mas capaz de realizar filmes capazes de atrair plateias mais amplas. Ou seja, sair do gueto, o que é mais que desejável, necessário. Se QUANDO EU ERA VIVO, protagonizado por Antonio Fagundes e Sandy, apesar de suas qualidades, não deu certo junto ao grande público, O SILÊNCIO DO CÉU mostra-se mais promissor. Afinal, a história da jovem e bela mãe brasileiro-uruguaia, Diana, vítima de estupro (presenciado pelo marido, o roteirista Mário, interpretado por Leo Sbraglia), fato cercado do mais profundo silêncio, prende a atenção do espectador por sua intensidade.

Um registro: no palco, MARCO DUTRA dedicou a sessão de O SILÊNCIO do CÉU a quatro mulheres, já que não há diretoras no comando de nenhum dos longas da competição brasileira. E as enumerou: Juliana Rojas, sua parceira em muitos curtas e no poderoso TRABALHAR CANSA, Sara Silveira, Maria Raduan e Maria Ionesco.