“Uma Loucura de Mulher”, estrelado por Mariana Ximenes, que também é produtora associada do longa, estreia dia 2 de junho nos cinemas. Dirigido por Marcus Ligocki Jr., que também assina o roteiro ao lado de Kirsten Carthew e Angélica Lopes, o filme tem produção da Ligocki Entretenimento e Guiza Produções, com coprodução do Telecine e distribuição da Imagem Filmes.

No longa, conhecemos a história da ex-bailarina Lúcia (Mariana Ximenes). Por conta da carreira política do marido Gero (Bruno Garcia), ela acaba se distanciando de seus sonhos. Porém, um episódio envolvendo o influente senador Waldomiro (Luiz Carlos Miele) coloca Lúcia diante da chance de um novo começo. Gero finge que a mulher está lutando contra um distúrbio nervoso e tenta interná-la. Ela foge para o Rio de Janeiro, lugar para o qual havia prometido que jamais voltaria. Lá, decide reassumir as rédeas de sua vida.

O filme, que teve cenas rodadas em Brasília e no Rio de Janeiro, conta ainda com Miá Mello como Dulce, amiga de Lúcia, Sergio Guizé, que interpreta Rapozo, médico bem sucedido e o primeiro amor da ex-bailarina, e Guida Vianna, que vive a irreverente vizinha Rita que ajuda Lúcia a se lembrar do pai e a descobrir mais sobre si mesma. Completam o elenco Zéu Britto, Augusto Madeira, Claudio Mendes, Erom Cordeiro, Roberta Gualda e Ildi Silva.

O ano era 1963. O Brasil vivia um período turbulento, com o governo em crise, o Congresso em chamas, denúncias de corrupção na imprensa e um golpe a caminho. Neste país dividido, um brasileiro anônimo, Antonio Trindade, entusiasmado com as propostas de reformas do presidente João Goulart, sai de Minas Gerais com mulher Nancy Emediato e três filhos para tentar realizar em Brasília, cidade ainda em construção, o maior sonho de sua vida: achar o paraíso na terra.

Esta história real – baseada em livro autobiográfico de Luiz Fernando Emediato – serviu de tema para “O Outro Lado do Paraíso”, segundo longa-metragem de André Ristum, que estreia nacionalmente no dia 2 junho, depois de ganhar 12 prêmios em vários festivais no Brasil e no exterior.

Naquele turbulento início dos anos 60, tendo renunciado o presidente Jânio Quadros, Antônio Trindade (Eduardo Moscovis) viajava incessantemente pelo interior de Minas Gerais obcecado com o sonho de achar a terra bíblica de “Evilath”, onde tudo seria perfeito, e ao mesmo tempo lutar para melhorar a vida de sua gente.

A história se desenvolve a partir da narração de Nando (Davi Galdeano), o filho de 12 anos. É ele – numa mistura de admiração, amor, dor, orgulho e tristeza – quem conta a história do pai, encantado com sua “loucura”. Também este menino tem seu sonho: ser escritor. E é através desses olhos e desta voz sensível que a ação transcorre, com o pai buscando seu futuro na oferta de trabalho em Brasília e nas reformas de base propostas pelo presidente Jango.

A mulher Nancy (Simone Iliescu), antes tão solitária por causa das andanças do marido, parece encontrar um porto seguro. A filha adolescente Suely (Camila Márdila, de “Que Horas Ela Volta”), apaixona-se por um jovem soldado, Ricardo (Iuri Saraiva). Nando divide-se entre a saudade da menina que deixou em Minas, para quem escreve incessantes cartas, e a independente e atrevida Iara (Maju Souza), filha da professora Iolanda (Adriana Lodi), que encoraja o estudante tímido do interior a buscar conhecimento nos livros, o que ele faz estimulado também pela alfabetizadora de adultos Marina (Stephanie de Jongh), discípula do educador Paulo Freire.

Mas o sucesso de Antonio no trabalho, os amores de seus filhos Suely e Nando e as esperanças da mãe Nancy são interrompidos dramaticamente em 1964, com o Golpe Militar. A paradisíaca “Evilath” do brasileiro Antonio arruína-se com a chegada dos generais. Antonio e seus principais companheiros (padre Alberto, interpretado por Murilo Grossi, e o sindicalista Jorjão, por Flavio Bauraqui) são presos. O avô Simeão Emediato (Jonas Bloch) vai buscá-los.

Para contar a saga de Antonio pelos olhos do filho, a produção do filme – dividida entre a Mercado Filmes, de Nilson Rodrigues, e a Geração Entretenimento, do próprio Emediato – teve de construir uma cidade cenográfica de quase 20 mil m² nos arredores de Brasília, além de usar bastante computação gráfica para reconstituir parte de Brasília como ela era – em plena construção – há 50 anos. Foram usadas também imagens históricas do documentário “Brasília –  Contradições de uma Cidade Nova”, de Joaquim Pedro de Andrade, e outras, jornalísticas, de Jean Manzon, até então jamais exibidas – imagens dramáticas dos tanques de guerra e dos soldados nas ruas de Brasília, São Paulo e Rio, logo após o golpe militar ter sido deflagrado, no madrugada do dia 1º de abril de 1964.

A cidade cenográfica reconstitui parte de Taguatinga, na época um aglomerado de barracos de madeira em ruas empoeiradas na periferia do Distrito Federal e hoje uma cidade de porte médio. Foi lá que viveu, em 1963, a família de Emediato.

O filme tem uma trilha sonora impactante, composta especialmente por Patrick De Jongh, e a ela se somou a participação especial de Milton Nascimento, que toca sanfona, violão e cavaquinho e pontua algumas cenas com seus famosos vocalizes, além de interpretar uma canção original, composta também por De Jongh.

“O Outro Lado do Paraíso” ganhou o prêmio de melhor filme do júri popular no Festival de Gramado e outros sete prêmios no Festival de Brasília, o Troféu Câmara Legislativa, incluindo melhor filme na escolha do público, melhor ator (Davi Galdeano), melhor atriz (Simone Iliescu) e Melhor Roteiro. Ainda recebeu os prêmios de Melhor Filme, Melhor Atriz (Maju Souza) e Melhor Filme pelo Júri Popular Jovem no Festival Latino-americano de Trieste, na Itália e o Premio Radio Exterior de Espanha, ao longa metragem que melhor reflita a realidade latino-americana, no Festival Latino Americano da Catalunha, em Lleida na Espanha.

Com distribuição da Europa Filmes, o longa tem patrocínio da Petrobras, dos Correios, do FAC – Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal -, do Banco Original (do Grupo JBS) do Banco BMG, da BB DTVM (subsidiária do Banco do Brasil), do Banco PAN, da AMBEV, da Usina São Domingos e da MRV Engenharia. Contou também com recursos do FSA – Fundo Setorial do Audiovisual.

Leia matéria sobre o filme publicada na Revista de CINEMA.

A história de Campo Grande gira em torno do relacionamento entre uma dona de casa de classe média (Carla Ribas) e duas crianças (Ygor Manoel e Rayane do Amaral) que são deixadas em frente à portaria de um prédio em Ipanema, com um pedaço de papel indicando o nome e o apartamento de Regina. Essa chegada repentina e inesperada na vida de Regina e a busca pela mãe das crianças irá mudar suas vidas para sempre.

A diretora Sandra Kogut prefere trabalhar com não atores, quando se trata de crianças. Ygor Manoel e Rayane do Amaral nunca tinham feito trabalho algum em cinema e TV e foram preparadas por Fátima Toledo, profissional que fez a preparação de elenco de vários filmes brasileiros. Completam o elenco ainda, Julia Bernat, Mary de Paula e Marcio Vito.

Terceiro longa da diretora de “Passaporte Húngaro” e “Mutum”, vencedora do troféu de Melhor Direção no Festival de Havana, chega aos cinemas no dia 2 de junho, com distribuição da Imovision.

Leia matéria sobre o filme publicada na Revista de CINEMA.

O Brasil inteiro cabe em “Campo Grande” (2015), terceiro longa-metragem da carioca Sandra Kogut; as contradições sociais – a relação patrão-empregada; a dificuldade de integração e aceitação de diferentes classes sociais; a ascensão social de classes menos favorecidas; a especulação imobiliária e as constantes intervenções urbanísticas; o confronto de gerações; a rebeldia e o afeto das crianças etc. Em “Campo Grande”, Kogut avança o olhar da criança para o mundo, dessa vez urbano, em relação ao premiado “Mutum” (2007), longa que a revelou para o mundo, exibido em Cannes e Berlim, entre outros – “Campo Grande” também tem feito boa carreira nos festivais: lançado em Toronto, premiado em Havana como melhor direção, exibido em Roma, Mar del Plata e no Rio.

Seu novo filme surgiu de “Mutum”, de uma cena em que a mãe dava o filho que amava a um desconhecido, na esperança de estar dando a ele a chance de uma vida melhor. “Achava que conhecia esse tipo de história – que a gente ouve volta e meia no interior do Brasil –, mas ali percebi como era complexo entender essa situação por dentro, se colocar na pele de cada um dos personagens”, conta. Dali em diante, Kogut ficou obcecada com o assunto. Começou uma pesquisa em abrigos, colhendo histórias com crianças e assistentes sociais. Pensava: “E depois, o que acontece com essas crianças? E com as mães? Das muitas histórias que ouvi, misturadas às minhas lembranças da infância, de um Rio de Janeiro afetivo, foi surgindo o filme. Paralelamente a isso, o Brasil passava por transformações profundas, sociais, urbanas, econômicas. O Rio estava virando um grande canteiro de obras, onde pipocavam construções de todo o tipo, às vezes bem desordenadas. As relações sociais estavam mudando a maneira das pessoas circularem na cidade, suas próprias identidades. O filme se construiu a partir de tudo isso. É um retrato de um instante no país e na vida das pessoas. É um filme que fala de mudanças, daquele momento onde a gente não é mais o que era, mas ainda não virou o que vai ser. Um momento de transição, com todas as incertezas e mistérios que ele contém”, aponta a cineasta, que coescreveu o roteiro com Felipe Sholl.

Sandra Kogut, construindo uma filmografia em que revela os desajustes do mundo, através do olhar inocente da infância. © Mario Miranda Filho

No enredo de “Campo Grande”, as crianças Ygor (Ygor Manuel) e Rayane (Rayane do Amaral) são deixadas na portaria do prédio de Regina (Carla Ribas), endereçadas a ela. Eles não se conhecem e Regina não sabe o que fazer. Ela não quer confusão ou problema, não quer chamar um assistente social de imediato. A mãe disse aos garotos apenas que voltaria. Regina mora em Ipanema, Ygor e Rayane no periférico Campo Grande. Juntos, tentam encontrar a mãe e uma solução.

Trabalhar com o olhar da criança permitiu a Kogut desenhar um painel do Brasil e do Rio de Janeiro com mais delicadeza, apostando na inocência e no desconhecimento para retratar um mundo que oprime e se modifica a cada instante. “A criança é emoção em estado bruto, ainda não está inserida claramente em nada. A infância é um momento onde a gente luta para entender a diferença entre o certo e o errado, as regras do mundo, com muita intensidade. Tudo é absoluto, extremo, inteiro. E também sempre me sinto mais atraída pelas bordas, pelas margens, por aqueles que não estão no primeiro plano, no centro da imagem”, explica a cineasta, que estreou no longa-metragem com o documentário “Um Passaporte Húngaro” (2001).

O que interessa a Kogut, porém, é aproximar os personagens e seus olhares. Se, no começo, o filme é mediado por Ygor e Rayane, aos poucos, vamos conhecendo Regina e sua filha Lila (Julia Bernat), que está saindo de casa para ir morar com o pai, após a separação do casal, além da relação da patroa com a doméstica (Mary Sheila). “Era importante para mim contar essa história sob múltiplos pontos de vista. Porque existe sempre o perigo de uma história sobre um tema como esses virar dogmática ou maniqueísta. O fascinante nesse tipo de situação é justamente tentar entender o lado de cada um. Acho importante não julgar, não dividir entre bons e maus. O Brasil é um país tão complexo, não podemos abrir mão dessa complexidade. No início do filme, tudo separa Ygor, de 8 anos, de Regina, 50. Ele é uma criança, ela uma mulher mais velha; ele vem de um bairro mais modesto, ela mora na parte burguesa da cidade; eles são diferentes em tudo. Nós (e eles) só vemos o que os separa. Mas aos poucos – quase sem a gente perceber quando exatamente – eles vão entendendo (e nós com eles) que na vida estão iguais naquele momento. Se encontram como iguais. Existencialmente, estão no mesmo lugar”, comenta. “O filme atravessa diferentes classes sociais, não fica só num grupo social. Os mais ricos também sofrem com a vida desestruturada, por exemplo. Fica mais difícil caricaturar, colocar etiquetas de quem é bom ou mau. Todos são bons e maus, todos são humanos”, complementa.

Registrando a transformação urbana

Sandra Kogut filmou “Campo Grande” no meio da bagunça da Copa do Mundo de futebol, ao longo de 12 semanas, entre maio e julho de 2014, no Rio de Janeiro. Com isso, é possível ver uma cidade sendo modificada, com espaços e prédios sendo construídos e reformados. Caótica e barulhenta, repleta de pessoas e carros nas ruas. Interessava à diretora utilizar essa paisagem real e concreta e por isso filmou sem fechar nenhuma rua, sem intervir diretamente na cena e deixando os atores livres. “A gente se misturou com a cidade tal qual ela estava e inseriu nela a nossa ficção. Colocamos um ponto de ônibus cenográfico e em cinco minutos os ônibus da cidade começaram a parar no nosso ponto, pessoas desciam, outras chamavam ônibus. Trabalhamos o tempo todo nessa fronteira”, discorre.

O interesse documental de Kogut molda sua estética. Ela prefere filmar à distância, através de frestas, com obstáculos. “Gosto quando a câmera está dentro dos lugares e não quando ela é descritiva. Quero sentir que estou ali dentro, vivendo uma experiência. Dentro da cena, com os personagens”, afirma.

Inserir-se na cena permite a Sandra Kogut buscar os silêncios, os gestos, as reações, como se a câmera de Ivo Lopes somente observasse, e assim alcançar cenas fortes, baseadas num sólido trabalho do ator. “Quando trabalho com os atores, gosto muito de falar para eles o subtexto. Existe muitas vezes uma distância entre o que falamos e pensamos. Gosto de estar na tensão entre essas duas camadas. Acho que a riqueza humana está ali, no espaço entre esses dois discursos, a fala silenciosa e a fala com palavras, muito mais no que nos diálogos simplesmente”, explica. Para atingir esse resultado, o elenco passou por um longo processo de preparação antes da filmagem, contando com Fátima Toledo. Foram feitos laboratórios, em que a família morou junta no apartamento e as crianças só foram lá já nas filmagens. “Gosto de preservar as relações entre os personagens ao longo do processo do filme, como um mundo que vai se descortinando e se construindo constantemente”, aponta.

A cineasta também aposta numa montagem calcada em elipses e interrupções, sem um encadeamento de causa e consequência fechado. “Me interessa um cinema mais próximo da vida, e na vida nem sempre as coisas acontecem assim, articuladas e encadeadas. Acho isso mais emocionante, mais verdadeiro”, pontua.

Atualmente, Sandra Kogut, enquanto aguarda o lançamento comercial de “Campo Grande” pela Imovision, previsto para 2 de junho, trabalha, com Pedro Freire, no roteiro do novo longa, “Edgar e Marta”, premiado no edital de Baixo Orçamento do MinC. O filme, produzido pela República Pureza, é uma história de amor na terceira idade, que se passa no Rio de Janeiro.

Assista ao trailer do filme aqui.

 

Por Gabriel Carneiro