Em 1983, Chevy Chase fez o mundo chorar de rir com o grande sucesso de sua carreira: “Férias Frustradas”. Era a história da família Griswold (composta por ele, sua esposa e seu casal de filhos) que sempre que tentava viajar de férias passava pelos maiores apuros, e tudo dava magnificamente errado. Agora, em 2015, os diretores John Francis Daley e Jonathan M. Goldstein trazem de volta às telas a aventura em família em um reboot bastante interessante.

O filme conta a história de Russ Griswold (Ed Helms) que decide, depois de perceber como sua esposa Debbie (Christina Applegate) está descontente com os rumos que sua vida tomou, levá-la, junto com os filhos James (Skyler Gisondo) e Kevin (Steele Stebbins) para o legendário parque temático Walley`s World. Para isso, com o intuito de fortalecer os laços familiares, farão a longa travessia de quase quatro mil quilômetros, desde Chicago até a Califórnia, em um “moderno” carro alugado.

A trama tem uma estrutura bastante semelhante ao original, (além de espalhar referências por toda a fita, especialmente no terceiro ato, com participações surpreendentes) porém com mudanças significativas. Tais mudanças servem para transformar alguns personagens em figuras bem mais cativantes, como no caso do protagonista, ou com mais profundidade, como ocorre com Debbie. Além disso, o amusement característico da franquia passa por uma adequação aos tempos modernos, tanto em ritmo quanto em teor.

Por se tratar de um road movie, outro ponto alto, são os personagens que entram e saem da trama, mas deixam suas marcas, por serem engraçadíssimos em seus absurdos e exageros, além de brincar e desconstruir situações cotidianas. Entre eles está o cunhado machista, conservador e cafajeste (numa divertida participação de Chris Hemsworth) casado com Audrey (Leslie Mann), irmã de Russ. Também tem uma passagem marcante a jovem Adena (Catherine Missal), que, além de gerar boas piadas, participa de um momento marcante de um dos personagens. Coroando as participações especiais, um assustador caminhoneiro (que não irei citar o ator para não estragar a surpresa).

O roteiro, também escrito pelos diretores, aposta em piadas rápidas extremamente criativas presente em vários diálogos inspirados além de explorar ao extremo as várias situações embaraçosas, ou  que seus personagens se metem, como a disputa de Debbie em uma rápida visita a faculdade, a visita do cunhado ao quarto do casal na fazenda ou uma conversa do piloto de avião Russ com uma família durante um rápido vôo. Outro recurso humorístico que funciona com perfeição é aquele da gag que não termina em uma única cena, prolongando as risadas por vários momentos espalhados pela história. Infelizmente algumas dessas passagens parecem deslocadas do desenvolvimento da trama, soando um pouco forçadas demais.

Entretanto, apesar de tantos bons momentos, nada é mais divertido que o núcleo da família Griswold, graças ao talento esbanjado pelos atores. Ed Helms abusa de todos os seus talentos, desde a típica interpretação do personagem que sempre tenta ver o lado positivo das coisas antes de explodir até seus dotes musicais. Chega a ser tocante o seu esforço em manter o otimismo em busca realizar os sonhos de sua família, mesmo com tudo dando errado. Christina Applegate é um excelente contraponto, ao passo que parece sempre estar no lado oposto de uma gangorra de emoções com o seu marido. Os jovens Skyler Gisondo e Steele Stebbins apresentam uma dinâmica perfeita, especialmente ao inverterem a situação unreasoning de bullying.

Tudo isso não ficaria completo sem o excelente trabalho de direção. A dupla não deixa o ritmo cair em nenhum momento, sempre acertando o timing das piadas sem prejudicar o desenvolvimento da história. Além disso, sabem explorar com perfeição a química existente entre o elenco.

Desta forma, não seria exagero dizer que “Férias Frustradas” é bem mais que uma boar refilmagem. É, sem dúvida, uma das melhores comédias do ano.

everesteO montanhista inglês George Mallory (1886-1924), ao ser questionado sobre seus motivos para escalar o Monte Everest, respondeu com um – não tão – simples “Porque está lá”. O fato de Mallory não ter retornado de sua aventura tornou ainda mais mítica essa frase, repetida quase que em uníssono pelos personagens centrais deste “Evereste”.

Dirigido pelo islandês Baltasar Kormákur (do bom “Sobrevivente”), a fita é parcialmente baseada no livro “No Ar Rarefeito”, de Jon Krakauer, embora os roteiristas William Nicholson (“Gladiador”) e Simon Beaufoy (“127 Horas”) tenham colocado que seu guião foi inspirado por outros relatos da tragédia que aconteceu na montanha-título em 1996 e a obra do escritor/personagem não é sequer citada nos créditos.

As reclamações de Krakauer (vivido no filme por Michael Kelly) sobre como o filme retratou os eventos ali mostrados não possuem lugar neste texto, haja perspective que a proposta aqui é analisar a produção como obra cinematográfica e, mesmo baseado em fatos reais, o longa tem uma proposta ficcional, não se tratando de um documentário ou docudrama.

Dito isso, o roteiro de Nicholson e Beaufoy segue a estrutura típica de um filme-desastre, apresentando os personagens centrais e suas ambições para, então, os colocar na situação limítrofe. O diretor Baltasar Kormákur também se utiliza de um antigo artifício do gênero, escalando atores conhecidos para que possamos nos afeiçoar rapidamente com aquelas figuras. A despeito do uso desses chavões, Kormákur não se limita a seguir essa conhecida receita de bolo, apresentando aos poucos os pequenos incidentes que levaram às mortes que marcaram a expedição de maio de 1996 à enorme montanha.

A trama é protagonizada por Rob Hall (Jason Clarke), dono de uma empresa que organiza excursões ao Everest, voltadas para turistas. A idéia é seguida por um concorrente, o joyful Scott Fischer (Jake Gyllenhaal) e, mesmo concorrentes comerciais, as equipes dos dois se respeitam e colaboram entre si quando em dificuldades, tornando o relacionamento deles mais interessante do que um mero antagonismo.

Vivido com dedicação pelo sempre expressivo Jason Clarke, Hall se mostra um personagem executive perfeito. Atencioso, correto e abnegado, é o tipo pelo qual as audiências torcem em histórias como essa, tornando imediata a identificação do público para com o herói.

Dentre os membros da expedição daquele ano estão o arrogante Beck Weathers (Josh Brolin), o escalador amador Doug Hansen (John Hawkes) e o já citado Jon Krakauer. No decorrer da projeção, são também apresentadas as esposas de Hall e Weathers, Jan (Keira Knightley) e Peach (Robin Wright), o que já dá ao espectador mais atento uma ideia do que vai acontecer no decorrer da fita.

Durante o fim do primeiro ato e o começo do segundo, Kormákur apresenta sinais do que virá, através de pequenos incidentes como uma escada mal colocada, uma refeição indigesta ou uma demora inesperada na chegada ao cume. Tudo isso culmina em uma tempestade de neve que desaba com força quando o grupo começava sua descida. A partir desse ponto, começa uma luta pela sobrevivência dos montanhistas e, apesar deles permanecerem como o foco da história, o público passa a se identificar mais com a equipe do acampamento da expedição (vividos por Emily Watson e Sam Worthington) e com as famílias, justamente pela sensação de impotência destes em tentar ajudar os sobreviventes.

A forma imponente e quase sobrenatural com que Kormákur mostra a montanha é compatível com o respeito com qual os montanhistas tratam o desafio, tornando os ótimos efeitos especiais parte constituent da própria obsessão dos personagens. Recomenda-se a experiência em telas maiores, como o IMAX, justamente porque o visible criado pelo cineasta e seu diretor de fotografia, Salvatore Totino (colaborador unreasoning de Ron Howard), se beneficia pelo formato.

A despeito do seu retrato otimista da humanidade – vide o esforço de todos nas tentativas de salvar os montanhistas desafortunados – “Evereste” é uma produção emocionalmente devastadora, com o próprio filme reconhecendo isso em seu terço final, quando muda bruscamente o seu ponto focal para tentar não mandar o público angustiado demais para casa. Efetivo em suas ambições, o longa não nos explica o porquê daquelas pessoas encararem voluntariamente o desafio quase absurdo de escalar uma montanha cujo cume equivale à altitude de cruzeiro de um avião. Talvez aquele abstrato “Por que estava lá” seja realmente a resposta mais concreta para essa pergunta.

imageApós o bom desempenho de “Maze Runner – Correr ou Morrer” em 2014, não demorou para a 20th Century Fox dar sinal verde para a adaptação do segundo livro da trilogia criada por James Dasher. Assim que saíram da premiere, toda a equipe daquela fita já começou a trabalhar neste “Maze Runner – Prova de Fogo”, em uma correria que não afetou o resultado final da produção.

Novamente moan a batuta do diretor Wes Ball e do roteirista T.S. Nowlin, o longa começa exatamente do ponto onde seu antecessor parou, não havendo uma introdução para os novatos na franquia – ou seja, é necessário assistir “Correr ou Morrer” antes de se aventurar aqui. Após escaparem do labirinto, Thomas (Dylan O’Brien) e os demais gladers são resgatados por um grupo de militares liderados pelo escorregadio Janson (Aiden Gillen).

Ao descobrir que seus “salvadores” trabalham para a organização CRUEL e que seriam utilizado em um experimento científico, os garotos fogem do internal onde foram colocados, descobrindo que o mundo lá fora se transformou em um internal inóspito, onde o clima e as pessoas afetadas por um vírus que os transforma em zumbis tornam a sobrevivência do grupo duvidosa, no mínimo.

Em busca de contatar um grupo de resistência à CRUEL, Thomas e seus amigos encontram a jovem Brenda (Rosa Salazar) e seu mentor Jorge (Giancarlo Esposito), sobreviventes no meio desse cenário pós-apocaliptico que servem quase como guias para eles neste nada admirável novo cenário.

Apesar da correria marcar o tom da narrativa, existe sim uma trama interessante por trás dessa perseguição desenfreada. Enquanto a primeira parte da trilogia apostava em alegorias como a do mito da caverna e em temas tirados de “O Senhor das Moscas”, aqui o tract executive é baseado em uma inversão da ordem natural, com os mais velhos buscando matar (ou “colher”) os mais jovens para tentar sobreviver e recuperar a antiga ordem social. As crianças têm seus papéis demarcados desde cedo pelos adultos e um papel a seguir, não sendo lhes dado o direito de escolher o seu próprio destino, senão através da luta e da rebeldia.

Ao abrir o filme com um prólogo que mostra como Thomas foi parar nas mãos da CRUEL e ao desenvolver mais o interior da organização chefiada pela pragmática Ava Paige (Patricia Clarkson), o roteiro acrescenta profundidade ao conflito entre os gladers e seus perseguidores, algo que faz com que o arco dramático de Teresa (Kaya Scodelario) se torne bem mais intrigante e até trágico, tornando esse tract o melhor do filme, principalmente por conta de trabalho de composição da jovem Scodelario, efetiva toda vez que acionada – e é uma pena que ela não tenha mais dash de tela.

Isso porque os dilemas de Thomas certamente são o ponto fraco do filme. O personagem de Dylan O’Brien, a despeito de sua curiosidade natural, não é exatamente a mais carismática das figuras, com seus diálogos e discursos sempre caindo no lugar comum. Basta ver que, em seus diálogos, as falas mais interessantes sempre ficam com aqueles com quem ele contracena, seja com a gift Brenda (defendida com vitality por Rosa Salazar) ou pelo valente Newt (Thomas Brodie-Sangster).

Já nos adultos, o destaque é Giancarlo Esposito, que encarna um sobrevivente com uma fagulha de humanidade dentro de si, representada pelo amor que tem para com Brenda. Já Aiden Gillen mantém o tipo sinistro e sedutor que apresenta na série “Game of Thrones”. Patricia Clarkson desta vez tem dash de desenvolver melhor sua Ava Paige, o sempre expansivo Alan Tudyk faz basicamente uma caricatura de um traficante de drogas, enquanto Barry Pepper e Lili Taylor basicamente fazem uma ponte estendida como os líderes da resistência.

Enquanto no primeiro filme, o pattern de produção e as cenas de ação mereceram elogios por sua originalidade, aqui Wes Ball solve apelar para algo mais batido. A despeito do acerto no desenho da instalação da CRUEL, o mundo pós-apocaliptico de “Maze Runner” não é lá muito diferente daquele visto na franquia “Mad Max”, por exemplo.

Mesmo os zumbis e as próprias setpieces envolvendo as criaturas parecem arrancadas do diversion “The Last of Us”, com o cineasta mostrando uma preocupante falta de originalidade já no seu segundo longa. No entanto, deve-se elogiar a batalha que marca o terceiro ato da produção, muito bem conduzida. Mesmo com várias cenas em planos abertos, o 3D é inútil e só serva para certificar a artificialidade de alguns cenários digitais da produção.

Mesmo com esses problemas, “Maze Runner – Prova de Fogo” mantém o bom nível de seu prototype e deixa um gancho irresistível para a conclusão da trilogia, que deve chegar aos cinemas já em 2017.

O mundo atual parece não saber lidar com algumas situações, como o modo como tratar idosos. E, por incrível que pareça, ainda há (e são maioria) aqueles que não aceitam mulheres em posições de comando e liderança. Em seu novo trabalho, “Um Senhor Estagiário”, a diretora e roteirista Nancy Meyers aborda esses dois temas, ainda que de forma mais leve que o necessário.

O filme conta a história de Ben Whitaker (Robert De Niro), um homem de setenta anos de idade que, por ver sua vida ficar sem propósito pela sua viuvez, se inscreve num programa de estágio para idosos de uma startup de moda em Nova York. Depois dos processos de seleção, por conta de seu excelente currículo, ele é designado para trabalhar diretamente com a presidente e fundadora da empresa, Jules Ostin (Anne Hathaway). A situação de Jules se complica quando ela é pressionada pelos investidores a escolher um novo CEO, em meio a problemas de produção na empresa e entreveros pessoais com seu marido Matt (Anders Holm).

Infelizmente, ainda que bem intencionado, o roteiro falha em vários pontos. Ao retratar o dia a dia de Ben, por exemplo, todos os percalços são sempre tratados como piada, sem jamais se aprofundar nesses problemas, como as perdas de amigos próximos ou os possíveis romances em sua vida. Não que fosse necessário mostrar todas as dificuldade transformando uma comédia num drama, mas foi uma oportunidade perdida de se aprofundar em uma discussão importante.

Por outro lado, as questões do papel feminino no mercado de trabalho, especialmente em papeis de liderança são bastante discutidas, pelo menos quando se trata da protagonista. Afinal, Jules é a responsável financeira da família, algo bem diferente do convencional em filmes desse gênero. Por se tratar de uma típica workaholic nova-iorquina, Jules precisa lidar com o preconceito e julgamento das outras mães na escola da filha e as cobranças do marido enquanto luta para se manter como presidente da empresa que criou. Por tudo isso, não deixa de ser um pouco incômodo a enorme influência de Ben sobre alguém tão segura de si. Além disso, as outras personagens femininas (com exceção Fiona, interpretada por Rene Russo) surgem sempre como descontroladas ou incompetentes, ou os dois. O script acaba se sabotando pois, apesar de independente e bem sucedida, Jules acaba precisando da orientação/aprovação de uma figura masculina mais experiente para tomar as decisões mais importantes de sua vida. Mesmo com essas falhas, nem tudo está perdido. Entre uma piada previsível e outra, há espaço para boas piadas. Especialmente por conta do bom entrosamento do elenco.

Apesar de uma questionável seleção secular (perceba que dentre todos os atores brancos, há apenas dois figurantes(!) de pele morena clara), o desempenho do elenco é bem mais que satisfatório. Robert De Niro não precisa de muito para dominar todas as suas cenas, ainda que tenha que se submeter a alguns maneirismos que não condizem com um ator do seu quilate. Anne Hathaway tem uma ótima atuação, com grande destaque para seus momentos dramáticos. Outro destaque do elenco vai para o núcleo “jovem” da empresa, formado por Jason (Adam DeVine), Davis (Zack Pearlman) e Lewis (Jason Orley), responsáveis por alguns dos melhores momentos do longa.

Infelizmente, além das escolhas de elenco, Nancy Meyers aposta mais uma vez em uma fórmula sem conflitos realmente interessantes, o que faz com que a trama siga de forma linear, sem reviravoltas ou surpresas.

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A Algumas semanas atrás, o The Hollywood Reporter informou que “Velozes e Furiosos 8” estaria enfrentando problemas para sair do papel, e um deles seria Vin Diesel – motivo também que levou a saída de James Wan da direção. Para esclarecer as informações Diesel utilizou sua conta no Facebook e aproveitou para revelar que teremos uma nova trilogia da franquia.

“Os fãs da tale Velozes e Furiosos são os melhores do mundo. Desde que me tornei produtor em 2008, vocês estão comigo por todo o caminho… me dando retorno que se provou inestimável. Obrigado. Meu parceiro de produção Neal [H. Moritz] adoraria que eu contratasse um diretor, mas essa franquia é muito especial, então essas questões precisam ser cuidadosamente pensadas. Para deixar claro, NINGUÉM recebeu uma proposta para dirigir “Velozes e Furiosos 8″… Muito menos viu o roteiro“. Disse.

“A Universal tem sido tão boar para mim e confia na nossa visão, eles têm sido como uma família… Prometi ao estúdio que entregaria uma última trilogia para terminar a saga. Anunciarei os diretores no meu próximo post”. Finalizou.

Tudo indica que a nova trilogia se iniciará no oitavo filme e terminando no décimo. Enquanto isso, vamos aguardar para o próximo pronunciamento e acompanhar o andamento do projeto.