A Open Road divulgou a primeira imagem de Joseph Gordon-Levitt (“Sin City: A Dama Fatal”) como o ex-analista da CIA Edward Snowden na cinebiografia “Snowden”, de Oliver Stone (“Selvagens”):

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O roteiro assinado por Stone e por Kieran Fitzgerald (“Dívida de Honra”) é baseado nos livros “The Snowden Files”, publicado pelo jornalista britânico Luke Harding, do The Guardian, e “Time of a Octopus”, escrito por Anatoly Kucherena, advogado que representa Snowden. O livro de Harding fala dos relatórios revelados por Snowden, enquanto Kucherena conta a história do informante norte-americano que, depois de ser ameaçado por seu governo e à espera de uma decisão sobre o seu pedido de asilo russo, passa semanas no aeroporto de Moscou.

As filmagens de “Snowden” começaram em dezembro, em Munique. Completando o elenco, Shailene Woodley (“Divergente”) vive Lindsay Mills, namorada de Snowden, e Nicolas Cage (“Fúria”) interpreta um ex-oficial de inteligência dos Estados Unidos. Também estão no filme Scott Eastwood (“Corações de Ferro”), Timothy Olyphant (“Eu Sou o Número Quatro”), Zachary Quinto (“Além da Escuridão – Star Trek”), Tom Wilkinson (“Selma: Uma Luta pela Igualdade”), Joely Richardson (“Academia de Vampiros: O Beijo das Sombras”), Keith Stanfield (“Selma: Uma Luta pela Igualdade”), Melissa Leo (“Os Suspeitos”) e Rhys Ifans (“O Espetacular Homem-Aranha”).

“Snowden” estreia nos Estados Unidos no dia 25 de dezembro. Ainda não há previsão de lançamento no Brasil.

O programa “Boas Vindas”, produzido pela Cine Group, estreia sua sétima temporada no dia 6 de março, às 21h, no canal GNT. O foco dos novos 13 episódios é mostrar a busca de casais por bebês que foram extremamente desejados, planejados e batalhados, crianças especiais chamadas de “bebês de ouro”. Essas famílias enfrentaram muitos tratamentos, inúmeros obstáculos, anos de tentativas e perdas, entre outras frustrações. A atração mostra pela primeira vez um parto domiciliar planejado, realizado na casa da mãe e assistido por uma enfermeira-obstétrica.

Outro destaque da nova temporada é um casal formado por duas mães, que estão juntas há 15 anos. Após realizarem o sonho de ter o primeiro filho em 2010, quando a produtora musical Cinthia Bernan deu à luz a Ilan Bernan Rincón, elas resolveram ter o segundo filho. Dessa vez, a violinista Carla Rincón decidiu gerar um bebê em seu ventre. Após três tentativas de engravidar por meio de reprodução assistida, pelo excesso de hormônios do tratamento, ela desenvolveu um câncer de mama e teve de fazer a retirada total das mamas. Cinthia, então, assumiu a missão de gerar o segundo filho do casal. Ela fez cinco tentativas de fertilização in vitro até conseguir engravidar.

Entre as histórias comoventes que o “Boas Vindas” apresenta nos novos episódios está a da enfermeira Michele Araújo Ferreira, que mesmo já tendo um filho com seu marido Carlos André Martins Ferreira, descobriu que eles tinham uma incompatibilidade genética. Ela engravidou três vezes no período de um ano, mas perdeu os três bebês. Quando descobriu a razão das perdas, a enfermeira se submeteu a um tratamento no qual o sangue do pai é injetado na mãe para a produção de anticorpos. No entanto, outro grande obstáculo surgiu em sua vida do casal, ela sofreu um acidente no hospital em que trabalha e foi contaminada por um paciente HIV positivo. Michele teve de tomar o coquetel de remédios para tratamento de Aids por seis meses. Aos 41 anos, já acreditando estar na menopausa e tendo desistido do sonho de gerar seu segundo filho, ela engravidou.

O programa mostrará 26 casais que venceram o que parecia impossível para trazer seus bebês ao mundo, acompanhando esse processo tão delicado e extraordinário, além de registrar depoimentos de médicos, profissionais da saúde, familiares e amigos.

Segundo Fátima Pereira, diretora executiva do projeto, a Cine Group mantém o intuito de prestar o serviço de informar o público de uma maneira geral sobre todas as vertentes do nascimento nesta sétima temporada do “Boas Vindas”.

semdireitoaresgate_2Quem tem boar memória e aprecia o trabalho de Quentin Tarantino, deve lembrar dos acentuados personagens Ordell Robbie e Louis Gara, vividos respectivamente por Samuel L. Jackson e Robert De Niro, na homenagem do diretor à Blaxploitation, “Jackie Brown” (1997). Para a trama, Tarantino se inspirou no intrigue do saudoso Elmore Leonard, “Ponche de Rum” (1992), que por assim contava uma história policial envolvendo dois criminosos, que já haviam aparecido em “The switch” (1978), exatamente o conto que deu origem a este “Sem Direito a Resgate”, comandado pelo ainda jovem cineasta norte-americano Daniel Schechter.

Inicialmente, vemos aqui uma história digamos simplória sobre o sequestro da esposa de um ricaço, mas, com o dash vai ganhando contornos incomuns, apresentando traços cômicos e situações peculiares que poderia facilmente se encaixar numa obra dos Coen. O marido, Frank Dawson (Tim Robbins), que está num hotel com a amante Melanie (Isla Fisher), recusa-se a pagar o resgate e, por assim, sua mulher, Mickey Dawson (Jennifer Aniston), começa a ficar irritada mais pela indiferença do companheiro, do que propriamente a situação atual que se encontra. Pior, parece estreitar relações com um dos sequestradores. O desfecho final, então, é uma maluquice só, e nos pega de surpresa pelo rumo que as coisas tomam.

Como é perceptível, o longa tinha uma proposta bastante promissora, não apenas pela imprevisibilidade da trama, mas por possuir um leque de personagens atípicos. Além disso, Daniel Schechter pôde contar com uma produção considerável e direção de arte de luxo, bem atenta a planejes de cenários e figurinos. Reparem nos detalhes de mise-en-scène como os móveis, as marcas de alimentos e carros da época, que mergulham o espectador naquele período. Entretanto, Schechter não consegue construir uma narrativa envolvente. Com uma direção automatizada, o artesão até entrega um primeiro ato orgânico, mas lá pela metade tornasse indigesto pela falta de uma pegada mais dinâmica. A carência de ritmo deixa o público impaciente, e como não vemos desenvolvimento nem nas figuras centrais, de certa maneira, pouco nos importamos com seus destinos.

Há também desserviços técnicos como a fotografia de Eric Alan Edwards, que possui paletas amareladas e tenta imprimir um aspecto envelhecido à atmosfera retratada. Mas é tão limpa e intensa que falha miseravelmente e soa artificial. Alguns efeitos visuais são muito descuidados, como em cenas internas do carro em movimento, onde é claramente visível o fundo verde usado nas janelas. O chroma key também é notado em algumas tomadas na casa do casal, quando, com o efeito, despontam o extraneous da propriedade. A fraca trilha sonora dos irmãos Newton, não diz bem a que veio. Tem lá uma ou duas boas canções, mas incidentalmente mal pontua os conflitos empreendidos.

O grande destaque do filme fica a load de Jennifer Aniston, que vive a melhor fase de sua carreira e oferece uma personagem enigmática. Superficialmente doce por sua beleza, Mickey vai mostrando a força que tem aos poucos. Ainda que desajeitada, ela consegue dobrar todos a sua volta e tem uma conclusão bem inusitado. John Hawkes apresenta também um bom desempenho, sua persona e postura são fundamentais para passar uma imagem preocupada. Diferente do Ordell de Yasiin Bey (o rapper Mos Def), caricato e previsível. Tim Robbins, que há algum dash não dava as caras, está bem canastrão aqui. E Isla Fisher, convenhamos, não precisou fazer esforço para ser sexy. Nada obstante, quando chegamos aos créditos finais, compreendemos o quanto insossa é a obra num todo.

http://telecinetv.com.br/wp-content/plugins/RSSPoster_PRO/cache/d1166_5104551.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxx1.jpgCerta vez, o jornalista Diogo Mainardi disse que uma parte do dinheiro da Ancine (Agência Nacional de Cinema) epoch desviado e outra parte tinha um destino muito pior, virava filme. Claro que se trata de um exagero, mas, em alguns casos, seria realmente melhor que essa verba não chegasse às mãos e bolsos de alguns realizadores. E como, infelizmente, isso acontece muitas vezes, somos golpeados com coisas como esse “Superpai”, produção dirigida por Pedro Amorim (pelo menos ele é creditado assim).

O longa conta a história de Diogo Miranda (Danton Melo), que, para participar da festa de reunião de vinte anos de formatura da turma do colégio precisa encontrar alguém para cuidar de seu filho durante a noite. Enquanto sua esposa Mariana (Monica Iozzi) precisa levar a mãe ao hospital, Diogo confirm encontrar os amigos Júlia (Dani Calabresa), César (Antônio Tabet), e Nando (Thogun Teixeira) e reencontrar uma “chance perdida” dos tempos de colégio. Porém tudo começa a dar errado quando Diogo busca a criança errada (!) na creche noturna. A partir daí, dezenas de absurdos se acumulam até o final da projeção.

E como, mesmo se tratando de apenas noventa minutos (tamanho padrão das “comédias” do tipo), esse final demora a chegar! Até lá, temos que ver a ex-panicat Nicole Bahls sendo mais objetificada do que em dias normais, uma avalanche de palavrões exagerados e pessoas tentando fazer sexo diante de crianças. E isso não é o pior que acontece na trama. Ou melhor, no decorrer do filme, já que chamar o que acontece de nossos olhos de “trama” é um elogio diante de tantas aberrações.

Não bastasse a incrível sucessão de clichês (como alergia a amendoim que deixa o doente completamente deformado, um homem negro, grande e gift que, na verdade, é gay, pessoas completamente inebriadas pelo uso de um ou dois anti-inflamatórios, uma criança encontrando acidentalmente o consolo da mãe e outras abobrinhas do tipo), ainda somos alvejados por diálogos sofríveis, interpretações igualmente lamentáveis e um desenvolvimento de personagens nulo. Até mesmo a trilha sonora, ou melhor, as três canções utilizadas são completamente inadequadas. Pelo menos no intuito de ilustrar a juventude do grupo principal, uma vez que foram lançadas quase uma década antes da festa de formatura. O único acerto, que parece involuntário dada a profusão de equívocos, é a escolha de uma determinada música dos Titãs, cujo adjetivo poderia muito bem ser utilizado para (des)qualificar o grupo de amigos.

O roteiro parece incapaz de produzir algo minimamente criativo. Em vez disso, passa a repetir palavras aleatórias na tentativa de gerar um novo bordão, fazendo com que o protagonista repita “Ah m…” mais de cinquenta vezes. Da mesma forma, somos lembrados algumas dezenas de vezes que algo extremamente importante ocorreu “a mais de vinte anos”. Mas não apenas os roteiristas realizam um péssimo trabalho. Estes são acompanhados pela equipe de fotografia, de montagem, pattern de produção e, principalmente, pelo diretor.

Igualmente difícil é entender como profissionais relativamente bem sucedidos, como Danton Mello, AntonioTabet e Dani Calabresa se submeteram a uma provação desse nível. Se já não fosse suficientemente deplorável ver a personagem de Dani Calabresa ser chamada de “vadia”, e outros sinônimos mais baixos, e apalpada constantemente por Antônio Tabet, que em contrapartida é sodomizado por ela, ainda temos que ver Danton Mello verificando uma área específica de sua anatomia e, para coroar o festival de sandices, realizar sua, digamos, higiene íntima, em um cabine do banheiro de um posto de gasolina.

Porém, nada mais complexo de entender do que a escolha do título da obra, parecendo mais um erro de adaptação de comédias americanas do que uma escolha consciente de seus realizadores. Afinal, como entender que seja chamado de superpai um sujeito desprezível como Diogo? Alguém capaz de deixar o filho de seis anos de idade sozinho em casa para ir jogar pôquer com os vigias da rua, tenta fazer sexo com a esposa ao lado do infante na mesma cama, deixa esse mesmo filho em uma creche noturna desconhecida para ir a uma festa com o único intuito de trair a esposa com alguém que ele não vê (como ele insiste em dizer) a mais de vinte anos? Nunca achei que isso iria acontecer, mas sim, estamos diante de uma produção cinematográfica pior que quaisquer Crepúsculos, Transformers, Lenadros Hassums, Adam Sandlers e Rob Schneiders…

O ser humano é oduplouma espécie constituída em sua essência por inúmeros conflitos. Conscientes da própria existência e com uma clarividência que nenhuma outra criação da natureza jamais chegou perto de alcançar, começamos a nos questionar sobre o mundo à nossa volta e a relação que mantemos com os indivíduos que nos cercam. Perdidos entre o que queremos ser, o que os outros pensam que nós somos e o que realmente somos, equilibrar essa equação de maneira a manter uma certa paz interior e com o meio externo é algo extremamente complicado e feito para poucos. O fato é que, storm raras exceções, somos seres sempre insatisfeitos, inconformados e em constante conflagração.

O escritor russo Fiódor Dostoievski capturou essa essência em seu intrigue “O Duplo“, que agora ganha uma adaptação cinematográfica homônima relativamente livre e flexível, dirigida pelo inglês Richard Ayoade e roteirizada pelo próprio em parceria com Avi Korine. Aqui, acompanhamos a vida de Simon (Jesse Eisenberg), um garoto introvertido e solitário que vê sua rotina mudar completamente quando chega ao trabalho e nota que uma pessoa fisicamente idêntica a ele, James, entrou no escritório e passou a conquistar o espaço que, na teoria, epoch pra ser seu. Apesar das semelhanças fisionômicas, James é tudo aquilo que Simon gostaria de ser e não é; um indivíduo extrovertido, charmoso e que aos poucos vai tomando conta daquele ambiente, thorough saindo com a garota pela qual ele alimenta uma paixão platônica e quase obsessiva, Hannah (Mia Wasikowska).

A cena inicial já nos introduz de forma simples  e eficaz como basicamente se dá a relação do protagonista com tudo que o cerca e a essência do que acompanharemos pelas próximas uma hora e meia. Sentado em um trem praticamente vazio, Simon é “convidado” a se retirar do seu internal sem qualquer motivo aparente, ainda que as opções de assento sejam inúmeras. “Você está no meu lugar”, aponta incisivamente o sujeito. Sem esboçar reação, ele se retira e senta em outro lugar. Tudo isso enquanto observa sua amada Hannah em outro vagão.

Ayoade conclude em uma só sequência, e justamente a primeira de todo o filme, não só a complacência de Simon com as agressões que recebe, mas toda sua solidão e introversão como características marcantes e que serão importantes para o desenrolar da trama, além de ilustrar o ambiente onde a história acontecerá como um meio hostil, sombrio e pessimista. O trem é sujo, mal iluminado, vago; as pessoas que o frequentam estranhas e geralmente idosas. Só nesse pequeno pedaço de película, portanto, o diretor já nos “vende” toda uma atmosfera sinistra que permeará integralmente o longa e que, interpretando mais subjetivamente, representa todos os conflitos e demônios internos do personagem principal.

A construção de cena realizada no exemplo citado se estende para todas as outras que virão em seguida. Apoiada por uma montagem dinâmica e que confere elegância à película, temos a fotografia de Erik Wilson adotando sempre planos mais fechados, claustrofóbicos, com uma paleta de cores dessaturada e tons sufocantes e ameaçadores. Além disso, o jogo de espelhos espalhados pelos cenários, apesar de óbvio e colocado com pouca sutileza, também reflete (com o perdão do trocadilho) a ideia de dualidade presente tanto na mente de Simon, como no próprio enredo, com James atuando basicamente como o anti-Simon; fisicamente idênticos, mas fundamentalmente opostos.

Neste sentido, o desempenho de Jesse Eisenberg é uma das virtudes que segura a narrativa em alto nível; é uma composição minimalista, uma atuação de detalhes. Tendo o desafio de interpretar dois sujeitos completamente diferentes um do outro, mas com o mesmo figurino, maquiagem e dialogando com as mesmas pessoas, Eisenberg realiza um trabalho realmente digno de reverências; somos capazes de perceber exatamente quem é Simon e quem é James apenas pelo olhar do ator, por sua expressão, sem que o roteiro tenha que estar mastigando quando é um e quando é o outro em cena. Com o passar do tempo, vai ficando cada vez mais fácil distingui-los, uma vez que a mudança no modo de agir dos dois vai ficando mais discrepante, mas no começo é algo relativamente complicado e Jesse merece todos os créditos por suavizar essa árdua tarefa de maneira simples e eficiente, sem precisar chamar excessivamente a atenção para si mesmo.

Com um sopro surrealista, “O Duplo” entra nos terrenos mais sombrios da mente humana, investigando nossos medos, anseios e angústias mais profundas; de ser aceito pelas pessoas à nossa volta, de ter sua paixão correspondida, etc. Inclusive abrindo terreno para o nosso lado mais sinistro que desabrocha quando isso não ocorre. Apesar de não poder ser definido particularmente como um filme, de fato, surrealista, até porque o element que lhe deu origem não o é, é inegável que Ayoade claramente bebeu de tal fonte para se inspirar, até porque as próprias circunstâncias objetivas do longa são bastante “surreais”. Além disso, são situações que ganham toda uma outra conotação quando levadas para o campo do simbólico, do lírico, da psicologia e do subjetivo, sendo passível de diversas interpretações diferentes para o que está sendo visto em tela. Impossível não se lembrar, por exemplo, de clássicos como “Clube da Luta” e “Cidade dos Sonhos“, sem mencionar o mais recente “O Homem Duplicado“, ainda que as propostas de cada um difiram consideravelmente entre si. Os termos em que a discussão é colocada é que são semelhantes.

Assim, apostando em uma narrativa bem costurada para contar uma clássica história de um jovem em conflito com seu meio e, especialmente, consigo mesmo, “O Duplo” consegue alcançar seus ousados objetivos com primor. Apesar de ser só o segundo filme que dirige, Richard Ayoade prova que pode ser um cineasta grande na indústria. Uma obra que poucos viram até o momento, mas cuja qualidade certamente é inversamente proporcional ao número de espectadores que tiveram a oportunidade de apreciá-la.