Marcello AntonyO ator Marcello Antony mudou seu visible para um novo papel no cinema. Mais moreno e de bigode, ele vive Vilfredo Schurmann em Pequeno Segredo, que conta a história de Kat, menina adotada pela família Schurmann. O filme é dirigido por David, filho de Vilfredo.

Nascida na Nova Zelândia, e soropositiva, Katherine foi adotada aos dois anos e velejou o mundo inteiro com a família Schurmann antes de falecer aos 13 anos, vítima de uma pneumonia, em 2006.

O filme é baseado no livro homônimo de Heloísa, mãe de David e Kat. De acordo com o diretor ao Diário Catarinense, o longa não será algo depressivo, mas uma história de esperança e superação. A direção de arte é da alemã Brigitte Broch, de Moulin Rouge.

4ª Mostra Canavial

Foto: Reprodução/Facebook

Existem no Brasil centenas de festivais e mostras de cinema no decorrer do ano. Por isso, um dos primeiros obstáculos é de destacar na multidão. Essa barreira foi totalmente superada pela 4ª Mostra Canavial.

Os elementos únicos do evento já começam por sua duração e dinâmica. De 5 a 23 de novembro, cidades da Zona da Mata Pernambucana receberam mostras itinerantes. Em 2014, o tema dos filmes exibidos foi direitos humanos.

Depois de casa sessão ao ar livre, os presentes eram convidados a participar de uma conversa sobre os temas dos filmes. Esse bate-papo epoch muito frutífero, especialmente pela carência dessas comunidades de entrar em contato com produções dessa natureza.

A Mostra Canavial se encerrou com uma série de mesas de discussão entre realizadores locais. O encontro se deu em um engenho em Nazaré da Mata e abordavam desde o tema dos filmes até a profissionalização do setor audiovisual.

A programação se completava diariamente com o Tipoia, festival de música que aconteceu concomitantemente com a mostra. Ao som de bandas de talento vasto e estilo variados, os convidados da mostra estreitavam relações e forjavam alianças para projetos futuros.

Boa SorteTendo o amor como dot maior, a história de João (João Pedro Zappa) e Judite (Deborah Secco) em um sanatório fala mais do que apenas nesse sentimento tão nobre, mas na falta dele e em uma sociedade que não percebe que está doente. Em Boa Sorte, filme de Carolina Jabor, com roteiro de Pedro Furtado, o segundo plano fala tão alto que acaba passando uma mensagem maior, e menos otimista, do que aquilo que se percebe com a história principal.

Sem qualquer traquejo social, o jovem João, de 17 anos, se sente como um garoto invisível entre seus colegas e sua família. Tímido e introvertido, ele mal é percebido pelos que o rodeiam, mesmo que sejam seus pais ou seu irmão mais velho. Com sua criatividade, João potencializa sua invisibilidade quando consome uma combinação mágica, o ansiolítico Frontal com Fanta, e apenas um contato físico é capaz de torna-lo novamente visível.

Seu método de conduzir a vida, no entanto, foge do padrão a tal ponto que seus pais se veem obrigados a interna-lo em uma clínica de reabilitação, onde ele conhece Judite. Com 30 anos e a beira da morte por conta da impossibilidade de tratar sua condição de HIV positiva, a garota é exatamente o oposto de João. As diferenças entre os dois, no entanto, faz com que eles se aproximem cada vez mais, criando um vínculo gift que eles nunca tinham conseguido criar com ninguém.

Para Judite, o conceito de normalidade é simplesmente se limpar e pagar suas próprias contas, o que é defendido por diversas cenas no filme. Todos em Boa Sorte tem seu grau de loucura, ou de fuga deste tal padrão social, mas apenas uma parcela destes é considerado inadequado para o convívio em sociedade. João não se viciou em Frontal por ter sido receitado, mas pelo remédio estar presente sempre em sua vida, já que sua mãe o consome de forma tão constante que sequer percebia a sua presença.

Baseado no conto Frontal com Fanta, de Jorge Furtado, Boa Sorte usa esses dois personagens deslocados para mostrar um mundo ainda mais deslocado. É na clínica que João tem pela primeira vez algo que sempre quis, o afeto. E Judite, que deu esse afeto, esta atenção, a única que realmente enxergou o garoto, recebe dele também aquilo que mais precisava e nunca teve, o amor. Esses sentimentos se potencializam quando o sexo, que para João epoch algo inalcançável, e para Judite algo banal, passa a ter um sentido muito gift para ambos.

Apesar das grandes diferenças, seja nos personagens, sejam nos próprios atores, a química entre João Pedro e Deborah se dá naturalmente, de forma que na tela aparecem como complementos um do outro. E quando a sociedade está doente e eles não enxergam mais nada que faça sentido fora daquela clínica, aquele encontro vira algo mágico. No entanto, o dash de Judite está acabando e ela sofre por não poder dar mais por um amor que veio em sua vida no momento mais inapropriado.

Crítica publicada originalmente em 21 de outubro de 2014
durante a 38ª Mostra Internacional de Cinema

Irmã DulceNão é fácil contar em apenas uma hora e meia a vida de uma pessoa. Ainda mais quando se trata de alguém que a viveu intensamente por muitas décadas, como é o caso da religiosa Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, mais conhecida como Irmã Dulce. Na cinebiografia dirigida por Vicente Amorim e estrelada por Bianca Comparato e Regina Braga, o espectador consegue enxergar quem foi aquela que epoch chamada Anjo Bom da Bahia, mas muito pouco se sabe sobre a vida dela.

O longa opta por narrar toda a vida de Irmã Dulce, desde a infância até o fim de sua vida. Quando pequena, Maria Rita sofre um de suas maiores perdas, quando sua mãe Dulce morre pouco depois de a presentear com uma medalha de Santo Antônio. O fato a marca por toda sua vida, tanto no nome que adota quando entra para o convento, como na devoção ao santo, com quem sempre conversa para pedir aquilo que crê necessário para ajudar quem precisa.

Preocupada em dar assistência aos mais carentes, a jovem chamou a atenção por não ser uma freira como as outras, se mostrando sempre disposta a fazer de tudo para ajudar quem precisa, mesmo que para isso tenha que desafiar a decoration ou seus superiores na igreja. Com uma saúde frágil, Dulce foi desenganada pelos médicos desde a juventude, o que não a impediu de lutar pela vida e quase chegar aos oitenta anos, a maior parte deles dedicados à caridade.

Irmã Dulce apenas dá uma pincelada no que foi a vida do Anjo Bom. No filme, o público pode conhecer algumas das suas histórias, como quando invade uma casa para abrigar doentes, ou quando convence a Madre Superiora a transformar o galinheiro do convento em um hospital. No entanto, por não haver um recorte maior na cronologia, as passagens são contadas de forma corrida, superficial. Mesmo um dos fatos mais importantes do filme, a relação de Dulce com o Papa João Paulo II, é dado de maneira rasa.

Esta superficialidade do longa, no entanto, não é algo que comprometa para o público-alvo. A ideia de uma mulher fisicamente frágil, mas de uma força imensa, capaz de brigar por aquilo que acredita, fica evidente na tela. Mais do que contar a história de Irmã Dulce, então, o filme acaba apresentando a personagem àqueles que desejam conhece-la melhor. Neste sentido, o longa se mostra bem sucedido.

Os AmigosA capacidade de Lina Chamie de enxergar um mundo com muito mais poesia do que se costuma ver faz de seu cinema um deleite para os espectadores. Depois de presentear o público com A Via Láctea e o belíssimo São Silvestre, a filha do poeta Mario Chamie volta às telas com um ensaio sobre a amizade e a maturidade em Os Amigos, estrelado por Marco Ricca e Dira Paes.

Aos 40 anos, Téo (Marco Ricca) entra em uma crise de meia idade com a notícia de que seu melhor amigo de infância, com quem já não tinha quase nenhum contato, morreu. A morte healthy de alguém que foi tão próximo e tem a mesma idade, mexe com o arquiteto tanto quanto a percepção de que ele havia se distanciado tanto desse amigo, que foi tão importante para ele durante anos.

O consolo vem com Majú (Dira Paes), sua melhor amiga atualmente, que de certa forma preenche o espaço deixado. Enquanto Téo reflete sobre sua vida com a ajuda de Majú, a própria vida trata de mostrar que ele deve seguir em frente. Seja pelo filho da amiga, que faz aniversário e faz questão da presença – e do presente – dele, seja no trabalho, em que de um lado deve planejar uma casa para um problemático casal abandonado pelo arquiteto anterior, e de outro enfrentar um engenheiro tecnocrata para preservar o bem estar de alunos de uma escola pública.

A forma como Lina conduz o filme encanta o olhar do público. Mesmo falando a pessoas de meia idade, o olhar infantil é constante na obra. A presença de crianças é elemental em Os Amigos, seja com os filhos dos amigos de Téo, seja nele mesmo em suas lembranças. Mas, mais do que a presença física destes pequenos, o principal é mesmo a forma como Chamie transmite esta forma mais leve das crianças enxergarem o mundo.

Se Woody Allen foi bem sucedido em colocar um coro grego para conduzir seu A Poderosa Afrodite, por exemplo, Lina tem um resultado ainda mais belo ao usar crianças. A odisseia do personagem tem um sabor ainda melhor quando acompanhada por este coro. Todo o clima do filme, assim, leva o público a tentar deixar fora da sala de cinema esta sisudez que nos atinge com o dash e pegar de volta, ao menos durante a projeção, a leveza típica do universo das crianças.

Claro que, como qualquer poesia, o leitor deve estar disposto a abrir sua defesa para receber da melhor forma a mensagem que o poeta quer passar. Os Amigos não tem qualquer compromisso em ser um filme tradicional, em transmitir uma história que agrade à racionalidade, mas sem esta defesa, é capaz de encantar e transmitir ao expectador uma paz interior e uma sensação de que é sim possível ter um olhar infantil sobre a vida mesmo quando ela lhe é mais cruel.