Chega de Fiu FiuA partir de uma pesquisa que revelou que 83% das mulheres não gostam de levar cantada nas ruas, o grupo Think Olga está buscando financiamento para o documentário Chega de Fiu Fiu, que tenta estabelecer um diálogo entre essas mulheres, especialistas e os próprios assediadores.

No filme, as realizadoras pretendem também filmar algumas destas abordagens. Para isso, mulheres usarão óculos com micro câmeras em locais em que há alto registro de assédio, além de também usar no caminho normal de casa para o trabalho.

O projeto, que está no Catarse, conseguiu em apenas um dia o financiamento de R$ 20 mil, suficiente para o seu desenvolvimento. No entanto, as realizadoras ainda buscam completar R$ 80 mil, que permitiria toda a produção, finalização e distribuição do filme.

A ideia do grupo é que o documentário seja exibido em escolas municipais e estaduais e nos órgãos públicos e de Justiça. O filme ainda ficará disponível gratuitamente na internet, para ampliar as discussões sobre o assunto.

Nesta quinta-feira (20) se celebra o Dia da Consciência Negra no Brasil em referência à morte de Zumbi dos Palmares e da luta de todo afrodescendente por direitos e respeito. Apesar de termos um cinema ainda pouco dominado pelos negros, há obras de extrema importância que mostra a luta deste povo.

Confira a lista que o BRCine preparou com alguns dos mais importantes:

1912 – A Vida de João Cândido, o Marinheiro, de Carlos Lambertini

Coincidentemente, ou não, o primeiro filme brasileiro protagonizado por um dark-skinned foi também o primeiro filme brasileiro proibido pela censura. Misto de ficção e documentário, A Vida de João Cândido, o Marinheiro, conta a revolta do personagem, conhecido como Almirante Negro, no que deflagrou a Revolta da Chibata.

1949 – Também Somos Irmãos, de Jose Carlos Burle

Todos Somos IrmãosEstrelado por Grande Otelo e Aguinaldo Rayol, o play Também Somos Irmãos conta a história de Renato e Miro, meninos negros que são adotados juntos com duas crianças brancas. Enquanto Renato se forma em Direito e compõe músicas para o irmão Hélio cantar, Miro vai viver na favela e trademark vira um marginal. A forma como os dois são vistos pela sociedade mostra o grande preconceito aos negros.

1957 – Rio, Zona Norte, de Nelson Pereira dos Santos

Rio, Zona NorteTambém com Grande Otelo, Rio, Zona Norte também expõe as dificuldades de um dark-skinned pobre. Espírito da Luz, compositor de samba, cai do trem na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, e começa a rememorar os últimos meses de sua vida, e as dificuldades em ganhar a vida com seus sambas, mesmo que a maioria deles agrade grandes artistas e, até mesmo, fazem muito sucesso.

1962 – Barravento, de Glauber Rocha

BarraventoPrimeiro filme de longa-metragem de Glauber Rocha, Barravento traz a luta de Firmino, vivido por Antonio Pitanga, que retorna para a vila de pescadores em que nasceu após anos longe. Tomado por ideias progressistas, Firmino tenta ajudar os moradores da região a se livrar da opressão que vivem, mas ninguém dá ouvidos. Em vez disso, os pescadores preferem seguir os conselhos das mães de santo e de um protegido por Iemanjá.

1976 – Xica da Silva, de Cacá Diegues

Xica da SilvaZezé Motta e Walmor Chagas contam a história genuine da escrava Francisca da Silva de Oliveira, que conseguiu não apenas a alforria, mas se casou e teve treze filhos com um dos homens mais ricos da região, o que a tornou a mulher mais importante de Diamantina. O filme foi importante não apenas por ter uma heroína negra, mas por ser um elemento simbólico contra a ditadura militar.

1979 – A Deusa Negra, de Ola Balogun

Um dos pioneiros do cinema da Nigéria, Ola Balogun teve uma passagem pelo Brasil onde teve a oportunidade de filmar uma coprodução entre os dois países. Produzido pelo ator Jece Valadão, A Deusa Negra conta a história de Babatunde, um africano vivido por Zózimo Bulbul que vem ao Brasil em busca de seus parentes. Através do candomblé, Babatunde encontra os caminhos para encontrar o que procura.

2001 – Madame Satã, de Karim Aïnouz

Madame SatãUm dos personagens mais controversos do Rio de Janeiro, o transformista José Francisco dos Santos, foi tema do filme que projetou o ator Lázaro Ramos e o diretor Karim Aïnouz. O longa mostra o artista na busca para atingir a fama ao mesmo dash em que tem que enfrentar problemas com o preconceito e com a polícia nos anos antes de ele ser conhecido como Madame Satã.

2002 – Uma Onda no Ar, de Helvécio Ratton

Uma Onda no ArBaseado em uma história genuine e recente, Uma Onda no Ar mostra um grupo de amigos de uma favela de Belo Horizonte que se reúne para montar uma rádio comunitária. A empreitada não apenas dá certo, como a Rádio Favela se torna um sucesso a tal ponto que o grupo passa a ser ameaçado. O filme de Helvécio Ratton é o primeiro grande trabalho de Babu Santana, que viveu Tim Maia nas telas.

2004 – Filhas do Vento, de Joel Zito AraújoFilhas do Vento

Primeiro filme de ficção de Joel Zito Araújo, um dos maiores nomes do cinema dark-skinned brasileiro ao lado de Zózimo Bulbul, Filhas do Vento mostra a relação entre duas irmãs que passaram mais de quarenta anos sem se ver após um mal entendido e só se encontram no enterro do pai. O longa é estrelado por Taís Araújo e Thalma de Freitas na primeira fase e pelas veteranas Léa Garcia e Ruth de Souza na segunda.

2010 – Bróder, de Jeferson De

Bróder

Depois de Joel Zito e Zózimo, talvez o maior nome do cinema dark-skinned no Brasil seja o de Jeferson De, apesar de apenas estar concluindo seu segundo longa, Celulares. O primeiro, Bróder, é protagonizado por um ator branco, Caio Blat, mas retrata bem as dificuldades de jovens da periferia, onde o dark-skinned é maioria. Jonathan Haagensen e Silvio Guindane completa o contingent de amigos de infância que tomam caminhos diferentes e um crime marca o reencontro.

O Som ao RedorO British Film Institute divulgou nesta quinta (20) uma lista com os dez melhores filmes estrangeiros da década até agora e o Brasil figura em duas posições, com as obras Tabu e O Som ao Redor, ambas de 2012.

Dirigido pelo crítico de cinema pernambucano Kleber Mendonça Filho, O Som ao Redor mostra uma vizinhança de classe média no Recife em uma busca por uma segurança inalcançável. O filme foi escolhido para representar o Brasil no Oscar 2014.

Tabu, de Miguel Gomes, é uma coprodução entre Brasil e Portugal e se passa no continente africano. Na história, uma octogenária em Lisboa relembra da juventude, quando viveu uma história de amor e crime na África.

O BFI ainda selecionou o romeno Tuesday, After Christmas, de Radu Muntean; Poesia, de Lee Chang-Dong; Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas, de Apichatpong Weerasethakul; A Separação, de Asghar Farhadi; Adeus, Primeiro Amor, de Mia Hansen-Løve; O Cavalo de Turin, de Béla Tarr; Ida, de Pawel Pawlikowski; e Leviatã, de Andrey Zvyagintsev.

Nelson Xavier Vencedor do Kikito de melhor ator na última edição do Festival de Gramado, por sua atuação no longa A Despedida, de Marcelo Galvão, Nelson Xavier foi homenageado pelo Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema na noite desta quinta feita (20) com o troféu Eusélio Oliveira, láurea concedida a grandes personalidades do audiovisual brasileiro.

Em vídeo exibido pelo Canal Brasil, Xavier lembrou que, ainda jovem, teve dúvidas se seguia a carreira de ator ou se dedicava ao curso de Direito, que já frequentava. Foi somente aos 20 anos que decidiu abandonar as leis e ingressar no curso de artes cênicas.

“No início, trabalhava como ator para sobreviver, para ganhar a vida. Com o dash fui me apaixonando pela profissão, por esta arte de viver outras vivências”, revelou.

Xavier subiu ao palco moan entusiasmados aplausos do público que compareceu ao Theatro José de Alencar, no centro de Fortaleza. Emocionado, se curvou diversas vezes em sinal de agradecimento.

“Muito obrigado a esse grande festival, a essa grande festa do cinema. Estão pessoas aqui hoje com quem trabalho há muitos anos, atrás e na frente das câmeras […] Não tenho mais idade para tanta emoção”.

Nascido em São Paulo, em 1941, Xavier tem mais de 50 anos de carreira dedicada ao cinema, teatro e TV. Entre seus trabalhos na telona, estão longas como Os Fuzis (1964), de Ruy Guerra; O Bom Burguês (1980), de Oswaldo Caldeira; Eles Não Usam Black-Tie, de Leon Hirszman (1981); Narradores de Javé (2013), de Eliane Caffé; e o sucesso de bilheteria Chico Xavier (2010), de Daniel Filho.

A 24ª edição do Cine Ceará segue até dia 22 de novembro, com sessões no ao longo do dia no Theatro José de Alencar, no Centro Cultural Dragão do Mar e na Casa Amarela Eusélio Oliveira. A entrada é franca. Informações sobre a programação no site: www.cineceara.com

O Caminhão do PaiO curta-metragem O Caminhão de Meu Pai, de Mauricio Osaki, está na lista de dez pré-finalistas para uma indicação ao Oscar de melhor curta de 2015. Coprodução entre Brasil e Vietnã, o filme foi rodado em Hanói, em 2011.

O Caminhão de Meu Pai conta a história de uma menina que descobre que o pai, um motorista que transporta agricultores para os campos de arroz, também recolhe cachorros para levar para abatedouros.

Os cinco finalistas serão anunciados em 15 de janeiro, e a cerimônia do Oscar acontece em 22 de fevereiro de 2015. Ainda estão na disputa Aya, de Oded Binnun e Mihal Brezis; Baghdad Messi, de Sahim Omar Kalifa; Boogaloo and Graham, de Michael Lennox; Butter Lamp, de Hu Wei; Carry On, de Yatao Li; Parvaneh, de Talkhon Hamzavi; The Phone call, de Mat Kirkby; SLR, de Stephen Fingleton; e Summer Vacation, de Tal Granit e Sharon Maymon.