O Monstro da Lagoa Negra

O mexicano Guillermo del Toro é um aficionado por cinema de monstros e construiu sua carreira em cima disso. Sua paixão por criaturas foi o que fez seu nome e lhe deu status em Hollywood, permeando todos os seus filmes, inclusive os mais sérios, que possuem algo a dizer além dos seres míticos.

É exatamente aonde se encaixa este The Shape of Water, homenagem que del Toro realiza para seu filme de monstro preferido da era clássica da Universal, O Monstro da Lagoa Negra (1954). Se formos parar para pensar, este bem que poderia ser uma continuação direta – já que se passa durante a década de 1960, auge da Guerra Fria.

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A Forma da Água (Shape of Water) é também um conto de fadas, uma fábula como as que o diretor está acostumado a recriar, e um romance entre seres de espécies diferentes – o que é uma forte analogia para o mundo xenofóbico ainda existente, além do pano de fundo aqui, ou seria o foco, a paranoia anticomunista. Até mesmo sua abordagem para este tema é diferente, já que a intenção do cineasta, como dito em entrevistas, era criar um filme de monstro no qual a criatura ficasse com a mocinha.

Tudo chama atenção no filme, como os cenários montados pela direção de arte, que saltam aos olhos e remetem instantaneamente a uma era na qual fazer cinema era fingir e nada soava real. A produção de design de Paul D. Austerberry (Assalto à 13ª DP e 30 Dias de Noite) é belíssima e os sets nos fazem querer visitá-los. Temos, por exemplo, o prédio aonde mora a protagonista Eliza e seu vizinho Giles, localizado acima de um velho cinema, daqueles com estrutura de anfiteatro – claro que o cineasta não deixaria de homenagear a sétima arte e seus templos (ainda temos diversos filmes clássicos passando na TV, como os de Carmem Miranda, já que o personagem Giles é um aficionado).  O local de trabalho da protagonista é outro chamariz, uma base militar, com toda pompa de cenário de ficção científica B.

Assim adentramos no mundo particular e na mente de Guillermo del Toro, que criou a história e escreveu o roteiro ao lado de Vanessa Taylor (Game of Thrones). Na trama, no auge da Guerra Fria, década de 1960, um agente do governo, interpretado por Michael Shannon, descobre e captura uma criatura monstruosa e humanoide, a versão de del Toro para o Monstro da Lagoa Negra como dito, de um país da América do Sul. Em um diálogo, o cineasta resolve a charada e nossa curiosidade de saber de onde surgiu este ser, abrindo um leque de possibilidades e não dando nenhuma definição concreta – como tinha que ser.

Os militares querem estudá-lo, acreditando que possa ser uma resposta para combater os comunistas russos, e até vencê-los na corrida espacial que já havia tido largada. A paranoia tomava conta do país e a tensão pode ser sentida a cada cena que envolve o personagem de Michael Shannon, um sujeito que é a representação do estresse e de cobranças. As cenas envolvendo seu personagem são algumas das melhores do longa, donas de diversas camadas a serem debatidas. Como de costume, Shannon está um monstro e cria um dos melhores, quiçá o melhor vilão do ano. Um vilão que oscila e, apesar de extremamente duro e mais monstruoso que o verdadeiro monstro do filme, em momentos de fraquejo exibe o ser humano debaixo de sua carapaça.

A Forma da Água é um filme tão maravilhoso que necessitaria de um texto muito mais longo para lhe fazer jus. Ah, acho melhor falar dos protagonistas. Eliza, uma mulher muda, trabalha como faxineira na instalação militar, ao lado da melhor amiga, Zelda (Octavia Spencer). Em casa, tem uma relação de pai e filha com o solitário vizinho Giles (Richard Jenkins), um homem atrás de uma segunda chance profissional. Todos esses personagens possuem suas subtramas distintas e dignas, nas quais podemos ler muito mais do que um único vislumbre seria capaz. Temos ainda o cientista vivido por Michael Stuhlbarg, igualmente dono de seu arco dramático importante para o roteiro. Só de escrever sobre o filme, e lembrar de cada detalhe em sua minuciosa construção, sinto vontade de conversar horas debatendo-o. Sim, este é um daqueles filmes.

Devo dizer, é claro, que Eliza é interpretada por Sally Hawkins, britânica indicada ao Oscar por Blue Jasmine (2013), e que atriz tem um dos melhores desempenhos de sua carreira e também do ano. Para começar, sua performance é toda realizada através de linguagens de sinais e expressões faciais e a atriz impressiona. O que impressiona também é a ousadia do filme de del Toro, que de conto de fadas leve e politicamente correto não tem nada. Este é um filme sujo, sangrento, muito violento, bem sacana – com diversas cenas de nudez, masturbação e até mesmo sexo interespécie. Esse é o Guillermo del Toro raiz que aprendemos a amar e nunca será Nutella.

Apesar da intensidade e fervor, A Forma da Água tem tempo para desenvolver seus personagens, suas situações e apresentar momentos calmos e belos, como a cena poética passada dentro do banheiro da casa de Eliza entre ela e o monstro. Acima de tudo, A Forma da Água é uma história romântica. Uma história de amor, como só o cineasta sabe contar. Uma história linda de amor, onde gatos fofinhos perdem a cabeça, gargantas são rasgadas com garras e dedos necrosados arrancados à força. Ah, Guillermo del Toro é dos meus. Ah, o amor…

Crítica | Thor Ragnarok [COM SPOILERS!!!!]

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Após divulgar as séries mais maratonadas no Brasil, a Netflix divulgou as séries mais maratonadas no resto do mundo!

Para bolar o ranking, foram usadas duas informações: apenas séries originais e quantos usuários assistiram a série inteira em 24 horas.

O topo dessa vez está com ‘Girlmore Girls‘!

Confira a lista e veja se a sua favorita está por aqui:

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  1. Gilmore Girls: A Year in the Life
  2. Fuller House
  3. The Ranch
  4. Os Defensores
  5. The Seven Deadly Sins
  6. Trailer Park Boys
  7. Santa Clarita Diet
  8. F is for Family
  9. Orange is the New Black
  10. Stranger Things
  11. Friends from College
  12. Grace and Frankie
  13. Wet Hot American Summer
  14. Atypical
  15. Unbreakable Kimmy Schmidt
  16. House of Cards
  17. Master of None
  18. Luther
  19. GLOW
  20. Arrested Development

Conheça as 20 séries que os brasileiros mais gostam de maratonar na Netflix!

Crítica | Thor Ragnarok [COM SPOILERS!!!!]

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Mais uma cinebiografia a respeito do controverso Collin Powell está em produção em Hollywood e desta vez quem assume o papel do ex-secretário de Defesa americano é o veterano Morgan Freeman. A informação foi revelada pela revista Variety.

Sob o comando do diretor Reginald Hudlin, o drama intitulado ‘Powell’, vai focar no período em que o gestor liderou o envio de tropas americanas para o Iraque em 2003. De maneira bem específica, a trama será centrada no emblemático discurso do ex-secretário para as Nações Unidas, em 2003.

Este mesmo material acabou sendo desmascarado pela inteligência norte-americana e pelo próprio Powell, que revelou que se baseou em evidências fabricadas para sustentar a luta pelo fim do império de Saddam Hussein.

Vale ressaltar que a biografia escrita pelo vice-presidente Dick Cheney será o material de base da outra cinebiografia que narra a trajetória de Collin Powell como membro da Casa Branca. Neste filme que será dirigido por Adam McKay (‘A Grande Aposta’), Tyler Perry assume o protagonismo.

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A Forma da Água‘ (The Shape of Water), fantasia de horror de Guillermo Del Toro, ganhou um cartaz belíssimo!

A Fox Film lança o filme nos cinemas nacionais dia 11 de Janeiro de 2018.

Assista:

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Crítica | A Forma da Água – Conto de fadas Erótico de Guillermo del Toro

Del Toro assina tanto a direção quanto o roteiro.

Crítica | A Forma da Água – Conto de fadas Visceral e Erótico de Guillermo del Toro (Nota: 10.0)

Sally Hawkins, Michael Shannon, Richard Jenkins, Michael Stuhlbarg e Octavia Spencer formam o elenco principal.

A Forma da Água‘ é um conto de fadas dos mais imaginativos ambientado no cenário dos Estados Unidos na época da Guerra Fria, por volta de 1962. No laboratório secreto e de alta segurança do governo onde trabalha, a solitária Elisa (interpretada por Sally Hawkins) vive presa em uma vida de isolamento. Sua vida muda para sempre quando ela e a colega Zelda (interpretada por Octavia Spencer) descobrem uma experiência secreta.




 

 

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Dentre todos os heróis principais do Universo Estendido Marvel nos cinemas, Thor até o momento sempre foi aquele com menor personalidade. Convenhamos. Tony Stark é o playboy milionário com humor ácido. Capitão América é o puritano cujo valores são dificilmente corrompidos. Natasha é uma assassina fria com um grande coração. E Hulk é… o Hulk.

Os dois filmes solo do Thor derraparam em entregar uma personalidade forte, o que desagradou muitos fãs. Faltou empatia com o público, que se perguntava: “Afinal, quem é o Deus do Trovão?”.

Tendo consciência disso, a Marvel decidiu chutar o balde e criar um filme que praticamente serve como um reboot da franquia ‘Thor’.

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O tom aqui é similar ao da franquia ‘Guardiões da Galáxia’, deixando de lado o toma mais sério e se transformando em uma sátira dos filmes de super-heróis, revertendo o gênero e divertindo o público. Ou seja: se você não gostou dos dois primeiros ‘Thor’, você vai amar esse filme.

A trama começa com Thor sendo enviado para o planeta Sakar, aonde uma luta entre gladiadores o coloca para enfrentar o um ex-aliado e companheiro Vingador – Hulk.  Preso do outro lado do universo e sem o seu martelo poderoso, ele encontra-se numa corrida contra o tempo para voltar a Asgard e impedir Ragnarok – a destruição do seu mundo e o fim da civilização Asgardiana. Seu povo se encontra nas mãos de uma nova e poderosa ameaça, a implacável Hela. Ele precisará recrutar um time para combater a Deusa da Morte, e impedir o fim do mundo.

Thor é a única franquia Marvel Studios para ter um diretor diferente para cada filme: Kenneth Branagh dirigiu Thor (2011) e Alan Taylor dirigiu Thor: O Mundo Sombrio (2013).

Foi uma decisão certeira trazer para a direção Taika Waititi, do ótimo ‘O Que Fazemos nas Sombras’, que consegue mudar o tom da franquia e colocá-la na direção certa. O humor impera no filme, que sim, é o mais divertido da Marvel.

A fórmula aqui também é bastante diferente dos outros filmes do estúdio, inovando e surpreendendo como em ‘Guardiões da Galáxia’.

Thor finalmente demonstrou a que veio e ganhou uma personalidade própria, provando o timing cômico do ator Chris Hemsworth – em sua melhor atuação até aqui.

Sua interação com o Hulk é impagável, e o verdão também ganha bastante destaque como co-protagonista, apesar de vermos pouco o ator Mark Ruffalo.

O elenco é sensacional. No time feminino, quem rouba a cena é Tessa Thompson como Valquíria, simplesmente maravilhosa. Cate Blanchett está caricata como a vilã Hela, e apesar de dar o melhor de si, ela parece uma cópia da Rita Repulsa. Será que temos uma maldição no quesito vilões da Marvel?

Tom Hiddleston como sempre entrega uma atuação impecável como Loki, e Jeff Goldblum está impagável como o Grão Mestre.

Embaladas pela trilha sonora de Mark Mothersbaugh e pela música Immigrant Song (Led Zeppelin), as cenas de ação são grandiosas e épicas. Entre batalhas de gladiadores e viagens interplanetárias, ‘ThorRagnarok’ é recheado de ação – o que vai agradar o público em geral.

Porém, o roteiro deixa um pouco a desejar. Apesar das diversas plot twists chocantes (o filme tem várias), faltou o brilhantismo de um roteirista como James Gunn – que conseguiu reverter os clichês do gênero. Outro problema é a falta de seriedade e urgência, já que estamos falando aqui de Ragnarok – a destruição de Asgard. O fim do mundo está acontecendo, mas os personagens sempre tem um tempinho para suas piadinhas de efeito.

ThorRagnarok’ provavelmente vai transformar Thor em um dos heróis favoritos de muita gente, e pode ser considerado uma espécie de ‘Deadpool’ (personagem da Marvel que está nas mãos da Fox nos cinemas). É uma comédia escrachada, que traz um herói brincalhão com um humor ácido.

Mais uma vez a Marvel prova que sabe inovar e entregar filmes que fogem da sua fórmula batida, mas nunca deixando o clima épico de suas produções de lado.

Obs 1: O filme tem duas cenas pós-créditos.

Obs 2: A exibição para a imprensa foi em 2D, então não podemos analisar se compensa assistir em 3D.

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